domingo, 28 de maio de 2017

1977-05-28 - RELATÓRIO ACERCA DO TRABALHO POPULAR DE MASSAS NOS BAIRROS, VILAS E ALDEIAS DO DISTRITO - PCTP/MRPP

RI CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA
LISBOA 28/29 MAIO

RELATÓRIO ACERCA DO TRABALHO POPULAR DE MASSAS NOS BAIRROS, VILAS E ALDEIAS DO DISTRITO

I
No campo do Movimento Popular escreveram-se das mais importantes jornadas de luta que as massas populares travaram e travam ainda desde o 25 de Abril. As lutas, desenvolvidas nos bairros, vilas e aldeias da nossa Região aumentaram de uma forma vigorosa caudal do impetuoso movimento de luta das massas contra a exploração e opressão que sobre elas se abatia, (e abate ainda) e que irromperam nas fábricas com uma força e determinação que puseram desde logo em causa o sistema capitalista pelo carácter político de que se revestiam.
Na própria manhã do 25 de Abril ficou reduzida a pó a plataforma até então existente entre as diversas classes e camadas de classe quanto ao derrube da camarilha fascista-salazarista/marcelista. Cada classe passou, como é evidente a lutar por objectivos diferentes e opostos: onde a burguesia queria uma reforma o proletariado queria a Revolução; onde o proletariado queria uma grande reforma a burguesia queria uma pequena reforma.
Nos bairros, vilas e aldeias, homens e mulheres, explorados e oprimidos, ansiavam por casas, por uma habitação digna, pela criação de escolas para as crianças, pela criação de infantários, creches, transportes, condições para desenvolverem a vida associativa, recintos para a prática de desportos, especialmente para as crianças, a criação de parques infantis, retiros para os reformados, a criação de mercados e reestruturação dos existentes, a criação de cooperativas de consumo e outras, meios para a prática da cultura democrática e popular, arranjo de estradas e esgotos, água e luz especialmente nas aldeias e grandes vilas, a recuperação dos baldios que são do Povo nas vilas camponesas e ocupações de alguns latifúndios existentes na parte norte do distrito, bem como a criação de postos médicos em todos os bairros para assistirem as populações.
Estas e outras reivindicações, até às mais simples, não podiam ser satisfeitas com promessas pelos novos demagogos agora chegados, que adiavam a resolução de todos estes problemas, para consolidar a "democracia", o que era preciso era o "POVO UNIDO” e assim jamais seria vencido”, desde que alinhasse nas romarias e disso se mantivesse apenas convencido, e que não experimentasse ver pela prática a indomável força que possui.
Na luta nos bairros, um dos aspectos do Movimento Popular, a ocupação das casas pelos moradores pobres, particularmente os que habitavam em barracas de madeira e aqueles que viviam aos magotes em casas exíguas e sem o mínimo de condições de habitabilidade, mobiliza não só estes mas também as largas camadas do Povo dos bairros para ocuparem as casas da burguesia por habitar, palacetes e vivendas há muito desabitadas como os próprios prédios em construção, há muito por alugar e cujas rendas estavam apenas ao alcance da burguesia. Embora a fonte de inquérito não seja muito segura, estima-se que cerca de 40.000 pessoas vivem em barracas sendo que no conjunto dos bairros pobres da região, vivem cerca de 200.000 pessoas.

AS CASAS SÃO DO POVO O POVO OCUPA AS CASAS
Ao mesmo tempo que os moradores pobres nesta primeira fase da ocupação de casai» procediam a ocupações de forma espontânea, o nosso Partido/ interpretando correctamente os justos anseios do Povo, lançava a palavra de ordem "AS CASAS SÃO DO POVO, O POVO OCUPA AS CASAS", que as massas fizeram sua nos bairros, e assim se iam sucedendo, umas após outras, primeiro por moradores isolados, depois por grupos de moradores, as ocupações.
Esta 1a fase do movimento de ocupações caracteriza-se essencialmente pelo espontaneísmo, mas encerra já o germem de um profundo significado político que mais tarde põe em pânico toda a burguesia e seus lacaios, particularmente o partido de Barreirinhas Cunhal.
Entretanto o mês de Maio marca uma 2a fase do movimento de ocupações de casas pela forma organizada como passaram a ser feitas e pelo carácter de massas que passaram a ter.
É assim que se procederam às ocupações do bairro de Xabregas e da Boa vista, em que centenas de casas são ocupadas, sob a palavra de ordem, "AS CASAS SÃO DO POVO, O POVO OCUPA AS CASAS"; a estas seguem-se as do Bairro do Relógio, Horta Nova, etc..
A dirigir grande parte destas ocupações estão militantes e simpatizantes do nosso Partido, e todas elas foram feitas sob influência da nossa política.
O nosso Partido desempenhou um papel de vanguarda não só porque nos pusemos desde início à cabeça das massas como pela nossa correcta política que era aplicada por todo o lado, mesmo onde não estavam camaradas nossos.
As ocupações de casas tinham um alcance enorme para a Revolução e para o avanço da consciência política das massas:
Ao mesmo tempo que punham em causa a propriedade privada e as estruturas burocráticas do aparelho de Estado da burguesia, davam às massas uma consciência clara da sua força, quando organizadas autonomamente, da sua capacidade criadora e de que nenhum dos seus mais graves problemas poderiam ser resolvidos se não contassem acima de tudo com as suas próprias forças e com a sua iniciativa. Aprendiam também, e nisso o nosso Partido empenhava-se com todas as forças de que dispunha então, de que precisavam de um partido, o seu partido, para as dirigir e que esse partido deveria ser constituído pelos seus melhores filhos.
Mas a maior conquista que as massas estavam a realizar, no desenvolvimento desta luta, é a criação dos seus órgãos próprios, os Comités de Bairro e Comissões de Moradores, que a par das C.T. nos locais de trabalho, constituíam o embrião do poder político da classe operária e das massas populares.
Representava um histórico avanço na organização das massas e uma ameaça real ao sistema caduco da burguesia. De facto, as massas eram impelidas para a Revolução e estavam dispostas a lavá-la até ao fim.
Era o momento dos oportunistas, os traidores de toda a espécie, sempre com o partido social-fascista de Barreirinhas Cunhal a dirigir, passarem ao contra-ataque, a deixarem cair parte da máscara com que se cobriam aos olhos das massas.
A criação dos Órgãos da Vontade Popular nos bairros era apoiada com uma firmeza de aço pelo nosso Partido que mobilizou sem reservas as massas a criarem-nos por todo o lado ao mesmo tempo que as educava quanto aos princípios que as deviam reger: livre eleição, revogabilidade a todo o momento. Estavam criadas as condições para em amplas assembleias de moradores em que todos os pontos de vista deviam expressar-se, se praticar a mais ampla democracia no sei do Povo. Era um ataque também neste aspecto aos revisionistas, que haviam de vir a fazer tudo para liquidar esses órgãos, caluniando-os primeiro, tomando-os de assalto depois, para por dentro os esvaziarem do seu conteúdo e afastarem as massas dos plenários e assim impedirem a democracia no seio do Povo.
É assim que os revisionistas lançam um forte ataque a estes órgãos tomando na verdade a direcção da maioria das C.M.s que se transformaram em órgãos da contra-revolução.
No Movimento Popular a luta pelo controlo das C.M.s travou-se com particular dureza entre o revisionismo e o marxismo-leninismo, entre os social-fascistas e os comunistas.

O COMÍCIO DE 18 JULHO A REVOLUÇÃO DEVE AVANÇAR A TODO O VAPOR
A táctica definida no Comício de 18 de Julho pelo nosso Partido foi uma arma que foi empunhada com êxito por todo o Partido, que marca o início de um poderoso ataque dos comunistas aos revisionistas nas C. Moradores.
Este contra-ataque que levou a que por todo o lado camaradas nossos ocupassem posições nesses órgãos e num grande número delas conquistámos a direcção depois de termos escorraçado os social-fascistas de lá. É o caso de Marvila, Beato, Moscavide, etc. Entre as comissões que na altura ficaram sob nossa direcção, contam-se as C.M,s de Xabregas, Picheleira, Pontinha, S. João Ocidental, Anjos, Marvila, Moscavide, Beato, Prõ-Comissão de Alvalade, estas na Zona Oriental de Lisboa, para além de Paço de Arcos e outras.
Devido às vitórias obtidas, criaram-se dois blocos nos órgãos de vontade popular: de um lado os revisionistas, do outro lado os comunistas, o nosso Partido especialmente na zona oriental de Lisboa, na altura sob nossa direcção maioritária.
De um lado o bloco dirigido pelos comunistas que nos plenários de intercomissões de Moradores obtinham o apoio das massas de propostas para fazer a Revolução: armamento do Povo, continuação das ocupações, ligação das comissões aos comités de soldados e marinheiros (desmascarando a proposta dos revisionistas que propunham a ligação aos famigerados ADUs e ligações da Comissão Coordenadora das Comissões de Moradores à Intercomissões fundada no Congresso da Covilhã".
Esta reunião convocada pelos revisionistas para criar a Comissão Coordenadora da Zona Oriental redundou numa grande derrota para os revisionistas e numa grande vitória do nosso Partido que dirigia então a maioria das comissões de moradores desta zona, reunião essa integrada nos preparativos do golpe social-fascista do 25 de Novembro - mais tarde faziam uma reunião a golpe no RALIS, 2 destas comissões não eram convocadas. Nesta zona oriental tínhamos ainda a direcção da C.T. da TAP, posições na FLORESCENTE.

AS ELEIÇÕES PARA AS AUTARQUIAS LOCAIS
JOGANDO NO TERRENO DO INIMIGO
A NOSSA PARTICIPAÇÃO é UMA OFENSIVA NA DEFENSIVA.
É TAMBÉM UMA GRANDE VITÓRIA DO NOSSO TRABALHO NO MOVIMENTO POPULAR.
O termos participado com listas de freguesia representa só por si uma grande vitória e significa também que o nosso Partido desfruta de um grande apoio nos bairros, muito embora na maioria dos casos ele não se traduza como devia na organização.
Mas a nossa participação nas autarquias representa um marco importante no nosso trabalho popular, na medida em que o nosso programa apontava claramente para a defesa dos órgãos de vontade popular que com estas eleições toda a burguesia pretendia liquidar de vez, no prosseguimento do contra-ataque que lhes moveu depois que os revisionistas as utilizaram no golpe contra-revolucionário do 25 de Novembro, que levou a que as massas desacreditassem nesses órgãos e assim ficassem isoladas.
Esse trabalho profundo permitiu lutar contra as ilusões no parlamento que os partidos da burguesia procuravam mais uma vez alimentar nas massas. As centenas de pequenos comícios por toda a região, para além de ter feito chegar a todo o lado a nossa política, combatia os desígnios reaccionários de todos os oportunistas.
Os inquéritos feitos por toda a região, levaram à elaboração dos Mandatos Populares, programa reivindicativo que devia ser utilizado para lã das eleições, o que entretanto não veio a acontecer de uma forma geral.
Mais de 1000 candidatos do Povo, a grande maioria dos quais empenhou-se com um grande entusiasmo nessa grande campanha de propaganda, indo aos mais recônditos lugares do distrito, desmascarando o inimigo revisionista e a sua demagogia das autarquias ao serviço do Povo e os seus intentos de as liquidarem.
A elaboração dos Mandatos Populares, assente no inquérito e auscultação das massas foi na Região uma grande vitória na elaboração de um programa para os bairros de acordo com a Revolução Democrática e Popular. Esses Mandatos são uma arma que empunhada correctamente unirá em torno dele as amplas massas populares.
As grandes vitórias que entretanto obtivemos no Movimento Popular, e o grande apoio que granjeámos, não correspondeu ao reforço das nossas posições nesses órgãos e nas diversas associações de massas.
Foi feito, tivemos nesse trabalho muitos exemplos avançados, alguns dos quais consolidaram-se e são hoje raízes indestrutíveis do partido.
Entre esses exemplos avançados deve-se destacar o trabalho na União Desportiva Vilafranquense, onde se tem realizado um notável trabalho de massas, exemplo de como nos clubes desportivos se deve aplicar a nossa política; a criação de postos médicos no Bairro do Relógio e Bairro Irene, e os Infantários Populares Ribeiro Santos e do Beato.
Outros exemplos como a Comissão de Moradores de Marvila pela forma correcta como trataram em devido tempo da legalização das casas ocupadas e como conjugam a actividade da Comissão de Moradores com a direcção do club 3 DE AGOSTO mantendo regulares um conjunto de actividades desportivas que movimentam a maioria dos jovens do bairro; a Comissão de Moradores de Fanares, do Concelho de Sintra, que resolveu também problemas concretos das massas, criando 2 Escolas Primárias, para as quais ocupou com o apoio das massas 2 casas no bairro e que são hoje frequentadas Dor cerca de 200 crianças; a Comissão de Moradores de Paço D’Arcos pelo amplo e variado trabalho de massas que desenvolve.
Na luta contra o Revisionismo é justo salientar a Comissão de Moradores de Moscavide, então sob a direcção do nosso partido, e a nossa célula no bairro de Mira Sintra.
Porém, estes exemplos avançados, não devem esconder os erros que se têm-cometido neste campo de luta, erros que são no essencial de linha política.
De uma forma geral o nosso trabalho limitou-se à propaganda e agitação, que de facto foi ampla e variada; as massas têm problemas concretos que precisam de ser resolvidos e muitos deles podem-no ser actualmente desde que os comunistas se ponham na sua frente e se empenhem na sua solução. Não basta a Propaganda. É preciso organizar as massas em torno de objectivos concretos: a criação de um infantário, de um mercado, de uma cooperativa, de um grupo desportivo, de associações culturais e creches. Resolver o problema dos esgotos, do lixo, dos transportes, muitas vezes possíveis através das Juntas e Câmaras, desde que pressionadas pela organização das massas.
Um erro que tem sido cometido cora frequência neste campo de luta é o sectarismo. A atitude sectária no trabalho de massas pretende substituir-se as próprias massas o que conduz sempre ao isolamento e à liquidação do nosso trabalho.
De resto, é especialmente após as eleições para as autarquias, não se aplicou a política do Partido para os bairros que assentava essencialmente na mobilização das massas em torno dos Mandatos Populares e das reivindicações aí inscritas que correspondem aos anseios das amplas massas.
Os Mandatos Populares foram abandonados, e desta maneira, o nosso trabalho não pode avançar continuando a resumir-se às tarefas de propaganda. Os Mandatos Populares são as reivindicações concretas das massas e não erguê-lo como uma arma é desenvolver um trabalho abstracto e desligado das massas.
Às células do Partido não dirigem ainda o trabalho popular e quando o dirigem cometem desvios de sectarismo na maior parte dos casos, não compreendendo as características desses campos de luta.
O impasse que se tem verificado depois das autarquias deve-se fundamentalmente a não se ter empunhado os Mandatos Populares, que como na altura foi definido, a luta pela sua aplicação ia para além das autarquias.

II
O CONGRESSO DA FUNDAÇÃO DO PARTIDO E Sã NOSSAS TAREFAS NA REGIÃO NO MOVIMENTO POPULAR
  O nosso trabalho no Movimento Popular entrou numa fase de impasse depois das eleições para as autarquias locais; o espírito e as teses do congresso da Fundação não se traduziram neste campo de luta por uma mudança, mudança que devia expressar-se na correcta aplicação da linha política do partido nos bairros, vilas e aldeias da região. Trata-se ao fim de contas de aplicar aí as tarefas da edificação do Partido.
Salvo os exemplos avançados já focados, de um modo geral a nossa política não vem sendo aplicada correctamente.
É evidente que esta situação se tem de ligar à aguda luta entre as duas linhas que se trava no nosso partido e que se sente sobre que partido fundámos: se um partido para a Revolução, se um Partido para a conciliação; se um partido comunista ou um partido para a pequena burguesia. É evidente que foi um Partido comunista e por isso o estilo do grupo, do círculo, que no trabalho popular ganhou fortes raízes, a que não é indiferente a influência deixada pela oportunista Teresa que durante muito tempo foi a responsável na região por este campo de luta, constituem uma barreira bastante forte para que a ofensiva política obtenha aí grandes vitórias.
  É preciso travar a luta, combater as ideias erradas, adoptar um estilo no novo trabalho, eliminar o relaxamento daqueles que querem desenvolver a sua actividade fora das massas, com apelos gerais.
Mas estes desvios à política do Partido, devem-se acima de tudo aos métodos de direcção que aí são praticados que, em boa verdade na maior parte dos casos não se procura dirigir esse trabalho, deixando à iniciativa dos quadros e activistas.
Os Mandatos Populares, contém a nossa política específica para o trabalho nos bairros, vilas e aldeias, e é por eles terem sido abandonados no nosso trabalho que a política do nosso Partido não está a ser aplicada e, naturalmente o nosso trabalho não avança, o nosso apoio não se alarga às amplas camadas do Povo, uma vez que os Mandatos Populares, encerram as reivindicações mais sentidas das massas em cada freguesia bairro e concelho.
A elaboração dos Mandatos Populares através de inquéritos as massas e com a sua participação tinham em vista disse-se na altura constituírem uma arma a empunhar para além das eleições. As massas deviam ser mobilizadas em torno das reivindicações aí contidas, e em torno dos seus órgãos autónomos, as Comissões de Moradores e Comissões de Luta a criar for todo o lado.
Os Mandatos Populares, a sua elaboração, constituíram uma grande vitória da nossa linha política pois a sua actualidade aumenta à medida que a crise na nossa sociedade se agrava, e é isso que está a acontecer.
Os Mandatos Populares são a arma que deve ser erguida para unir em torno da nossa política e sobre a nossa direcção as mulheres e os homens explorados dos bairros.
A situação política agrava-se e a burguesia procura freneticamente aplicar a sua solução para a crise: é a solução de mais fome, mais miséria, mais desemprego acompanhada de uma mais forte repressão para a classe operária e o Povo.
A fome é uma realidade já para o nosso Povo e em larga escala. As massas populares nos bairros sentem-na de uma forma particular porque é aí que fazem as suas compras, que são roubadas diariamente, que lhes escondem os produtos de que necessitam. É aí que para alguns produtos se começam a formar bichas, casos do leite, carne, legumes, etc., e que não tarda que eles se generalizem a todos os bens essenciais.
As massas populares nos bairros pobres vão engrossar o caudal da luta que se desenvolve nos locais de trabalho, nos Sindicatos contando que as mobilizemos com firmeza e nos ponha-mos à sua cabeça, na base das suas reivindicações mais sentidas.

AS NOSSAS TAREFAS
1 - MOBILIZAR SEM RESERVAS AS MASSAS PARA A REVOLUÇÃO:
O objectivo principal da nossa actividade política nos bairros, vilas e aldeias é educar e mobilizar as massas para a Revolução. Em circunstância nenhuma devemos deixar de apontar que a saída para a crise e consequentemente a única via para que o Povo se liberte das duras condições de existência de vida é a via da Revolução. Não há três vias, e nisso devemos desmascarar com firmeza os conciliadores e todos os oportunistas, pregadores das reaccionárias "maiorias".
Não só através das células do Partido, mas também nos órgãos de massa devemos apontar a Solução Operária para a crise, fazendo uma ampla divulgação do programa da classe operária, para a actual fase da Revolução - a Revolução Democrática e Popular.
Mobilizar as massas para a Revolução não significa somente fazê-lo através da propaganda e agitação. Os ideais da Revolução, a Teoria do Proletariado Revolucionário perde todo o seu conteúdo Revolucionário se não for ligada à prática concreta das massas, aplicada às suas lutas e à resolução dos seus problemas concretos.

2. DEFENDER OS ÓRGÃOS DA VONTADE POPULAR:
Perseverar na defesa intransigente dos órgãos de Vontade Popular (Comissões de Moradores, de Aldeia, etc.).
As Comissões de Moradores votadas ao isolamento pelas massas populares depois que os social-fascistas se serviram delas no seu golpe contra-revolucionário de 25 de Novembro, voltam neste momento a reunir as condições para cumprirem o papel para que foram criadas então.
É necessário que os comunistas afastem os revisionistas, desses órgãos, desmascarando-os aos olhos das massas, condição fundamental para que eles possam cumprir as tarefas da Revolução na mobilização e organização das massas.
Os revisionistas começam a reavivar as Comissões que liquidaram para reforçar a sua política de traição, cavalgando as justas reivindicações do povo.
Devemos lutar por criar comissões onde não existem, lutar por sermos eleitos, apresentando listas e um programa elaborado na base dos Mandatos Populares.
Criar Comissões de Rua, Delegados de Prédio, etc.

3. ORGANIZAR AS MASSAS NA LUTA CONTRA A VIDA CARA!
Dar resposta pronta a todas as medidas anti-operárias e anti-populares do actual governo, desmascarando cada uma delas ponto por ponto e responsabilizando o actual governo pela situação de miséria, fome e desemprego para o povo. Responsabilizar igualmente todos os anteriores governos provisórios, e particularmente o partido revisionista principal responsável por todas estas medidas.
As massas não ficaram de braços cruzados, e mobilizaram-se para a luta contra todas essas medidas. Não está decidido quem vai dirigir, se os revisionistas ou os comunistas.
A situação é-nos favorável, contanto que organizemos por todo o lado a onda de protestos que surgem contra a carestia de vida, a especulação autorizada pelo actual governo contra a falta de produtos de primeira necessidade e desmascarando a maneira como são esbanjados os dinheiros do povo, nas câmaras, nas juntas, nas viagens ao estrangeiro onde vão vender a Pátria aos imperialismos, no aumento das forças da repressão e respectivo material bélico, etc. tal como apontam os Mandatos Populares, uma arma poderosa desde que utilizada correctamente.
Organizar as mulheres nos protestos, em comissões de Luta, criar comissões de controle de preços, os abastecimentos, a especulação.
Criar comissões para a formação de cooperativas de consumo, criação de mercados, ousar contrapor às medidas da burguesia para a crise a Solução Operária para a crise, que assenta na organização autónoma das massas, na sua iniciativa e capacidade criadora.
Tal como nos outros campos de luta, no movimento popular os problemas das massas não se resolvem só com palavras.

4 - RESISTIR AS DESOCUPAÇÕES:
Estamos em plena 3ª. fase do movimento das ocupações de casas. A lª. fase foi a das ocupações espontâneas; a 2ª. fase a das ocupações em massa.
A nossa política é bem clara sobre esta questão: mobilizar e organizar as massas para resistirem às desocupações j.
Nos bairros onde existem casas ocupadas não devemos esperar que certo: dia apareçam as bestas da GNR, para chamarmos então o povo a resistir. As organizações do Partido devem tomar desde já medidas nesse sentido, alertando os moradores, criar comissões para dirigirem a resistência contra um eventual ataque.
Denunciar ao povo de forma ampla que a lei que o governo PS está a aplicar e com a qual está de acordo, foi redigida pelo partido revisionista no 4º governo provisório e assinada pelo "companheiro" Vasco em 17/4/77.
Não nos atermos às Comissões de Moradores: é preciso organizar comissões de luta e de apoio nos bairros, ruas, etc.
Movimentar em torno da resistência às desocupações todas as associações de massas existentes nas freguesias e bairros.

5  - REFORÇAR A VIDA ASSOCIATIVA NOS BAIRROS VILAS E ALDEIAS:
   O nosso trabalho nos bairros tem que ser variado, diversificado. Não de vemos ver nas Comissões de moradores o único objectivo da nossa actividade. Em muitos bairros mesmo, não existem condições para erguer as Comissões de moradores, tal foi a traição que os revisionistas cometeram e cometem ainda à organização autónoma do povo. Podem mesmo surgir outras formas de organização das massas que nós devemos apoiar. As associações de moradores, são um exemplo.
Devemos dar uma particular atenção ao reforço da vida associativa das massas nos bairros, vilas e aldeias.
As colectividades recreativas e culturais, clubes desportivos,etc., não devem ser ignorados pelo nosso Partido. Todos estes órgãos servem para veicularmos a nossa política, desde que saibamos aplicar correctamente a Frente Única, unir em torno das nossas iniciativas centenas de activistas democratas e patriotas, precavendo-nos contra o sectarismo nestas associações tem causado grandes prejuízos ao Partido.
Muitos camaradas não dão importância à vida associativa das massas.
Desprezam estas colectividades culturais e desportivas e outras e não conseguem ver que a elas estão ligados dezenas de milhares de elementos povo, que recebem periodicamente boletins, informações, uma parte participa nas assembleias e uma grande parte participa nas suas realizações.
Apenas para dar um exemplo, no concelho de Sintra existem cerca de 70 casas destas, entre clubes, colectividades, bandas, grupos desportivos, etc., que têm no conjunto mais de 60 mil sócios.
Mas o reforço da vida associativa passa também pela criação de cooperativas.

6  - DENÚNCIA SISTEMÁTICA DAS JUNTAS DE FREGUESIA E CÂMARAS:
Os Mandatos Populares são o programa da solução operária para a crise para os bairros vilas e aldeias.
Ao mesmo tempo que mobilizamos as massas em seu torno, devemos desencadear uma enérgica denuncia das Juntas e Câmaras.
Que prometeram os partidos da burguesia desde o CDS ao P"C"P nas eleições para as Autarquias Locais?
Pegar nos programas que esses partidos traidores apresentaram e pedir-lhes conta ponto por ponto do que fizeram.
Denunciá-los na base dos factos.
É evidente que nós sabíamos que eles não iriam cumprir nada do que prometeram mas é preciso que digamos isso às massas, que esses oportunistas são merecedores do ódio do Povo que apenas lhes quiseram caçar o voto, e que as Juntas e as Câmaras continuam a ser órgãos de exploração e opressão do Povo.

7 - AS MULHERES SÃO A FORÇA PRINCIPAL NOS BAIRROS POBRES:
As mulheres são uma força real e decisiva na luta dos bairros. Elas sentem mais do que ninguém a exploração e o aumento do custo de vida. São a força principal que devemos organizar nos protestos.
Nas ocupações eram as mulheres que se punham na frente e mobilizavam a maior parte dos homens para a luta. Na resistência às desocupações são as mulheres que se põe igualmente nas primeiras filas, que mobilizam o Povo nessa luta.
Levar à prática as directivas apontadas nas Resoluções do Comité de Mulheres do nosso Partido na Região de Lisboa.

8 - O PAPEL DAS CÉLULAS DO PARTIDO
O Partido dirige todo o nosso trabalho. As células de freguesia, os comités locais devem dirigir toda a nossa actividade nos bairros, traçar planos, utilizar bem as forças de que dispomos.
De uma forma geral, na nossa Região, as células não têm dirigido este trabalho e o que o tem caracterizado é o espontaneísmo, o espírito de grupo. Cada quadro, activista e simpatizante trabalha por si. Assim o nosso trabalho não pode ser continuado nem poderá ser consolidado.
As nossas células de freguesia devem adquirir uma nova energia e orientarem a sua actividade para a Edificação do Partido. Nos bairros, temos de lutar por dirigir as Comissões de Moradores, as Associações de massas, estar em todos os órgãos das massas.
Nas diversas tarefas do trabalho popular, utilizar correctamente os nossos aderentes.
Desencadear uma vigorosa campanha de propaganda contra a política reaccionária do Governo.
As células de freguesia devem alargar-se, recrutando os aderentes.
Devemos lutar por organizar as 181 freguesias do distrito até ao fim do ano.

9 - CRIAR A COMISSÃO PARA O TRABALHO NOS BAIRROS DA REGIÃO DE LISBOA
A criação de uma Comissão, dirigida pelo Comité Regional de Lisboa, é uma medida que irá dar um grande impulso ao nosso trabalho neste campo de luta.
Esta Comissão, através de reuniões alargadas de activistas do trabalho cultural, dos nossos camaradas nas Comissões de Moradores, etc., poderá criar as condições para que se façam trocas de experiências, se definam orientações específicas para a Região para certos aspectos do trabalho nos bairros, promoção de encontros de colectividades, clubes do desporto amador, etc., unindo grande número de Associações democráticas.

VIVA O MOVIMENTO POPULAR!
VIVAM OS ÓRGÃOS DA VONTADE POPULAR!
VIVA A REVOLUÇÃO PROLETÁRIA! VIVA O POVO!
VIVA A OFENSIVA POLÍTICA!
VIVA A I CONFERÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE LISBOA!
VIVA O PCTP!

Sem comentários:

Enviar um comentário

1977-06-00 - ER Boletim Nº 01

O QUE É E PARA QUE SERVE ESTE   BOLETIM Os militantes sem partido da Unidade Popular são um largo conjunto de militantes revolucioná...

Arquivo