sexta-feira, 26 de maio de 2017

1977-05-26 - COMUNICADO - Juventude Socialista

JUVENTUDE SOCIALISTA

COMUNICADO

Temos vindo a assistir nas últimas semanas a movimentos grevistas, se é que se pode chamar às manobras golpistas e oportunistas que os grupelhos políticos tal como o M.R.P.P. os G.D.U.Ps e outros, que a titulo de solidariedade para com os colegas de Coimbra têm vindo a desenvolver.
A intenção com que o fazem todos os sabemos. Interessa-lhes por alunos contra alunos. Interessa-lhes oporem-se e darem nas vistas só para saber-mos que ainda existem, pois como forças minoritárias que o são, é esse o seu único meio de acção e interessa-lhes destruir o que de pouco está feito e o seu único papel para a construção de uma escola nova é o de por uma forma indirecta darem uma oportunidade à direita de se ir infiltrando nas próprias escolas. São, pois eles que tanto falam da direita, no seu avanço, lhe abrem a porta, lhes dão a mão para entrarem e fazem o seu jogo, tão obcecados estão em conseguirem o poder à força. A estes lembramos o velho ditado "Depois nos Virá quem pior fará”. Até lá, bom seria que tomassem consciência dos seus actos e que quando essa altura chegasse esses senhores se responsabilizassem pelo que fizeram, ou melhor pelo que desfizeram. Que não se lamentem nessa altura, pois bem os avisámos e foram eles que contribuíram para que tal acontecesse. E então nós perguntámos: será que estes que tanto falam em nome dos estudantes e na defesa dos seus interesses merecerão que nós os consideremos como tal? Será que são os que se aproveitam do desconhecimento e das inconsciências dos outros, que se aproveitam dessas situações, que são os estudantes. Será que são os estudantes ao que não estudam e que impedem os outros de o fazerem? Não. Estes são sempre os mesmos, que contestam o decreto de gestão, e dizem que o Ministro acabou com as R.G.A.s, os que se apoderaram dos plenários e R.G.A,s para decidir em nome de todos os alunos, os que contestam os exames a nível nacional, os que defendem as passagens administrativas e os exames a nível de escola. Mas vejamos o que na verdade se passa com elas. 0 Ministro não as proibiu, nada disso, tanto que elas se realizam por toda a parte. O que proibiu foi o seu poder deliberativo como órgão máximo da escola. Mas porquê? Antes do 25 de Abril não havia R.G.A.s, porque não havia liberdade de expressão e de reunião. Hoje há, por isso existem. Após o 25 de Abril e dado o papel como meio de transição para uma sociedade democrática elas tiveram grande importância. Hoje, todavia, o processo democrático evoluiu, infelizmente para alguns, concerteza, que desejaria conservar o poder e manter tudo no Caos, que é seu ambiente próprio; hoje já há órgãos que por meio de eleições democráticas eleitas pelos alunos decidem e defendem os seus interesses. Além disso, o surto de reuniões aumentou, os alunos cansaram-se e já lá não iam, pois nada se resolvia a maior parte das vezes. E então esses senhores, aproveitavam-se disso para tomar em nome de toda a escola decisões nas costas dos alunos, votadas a maior das vezes por meia dúzia de alunos dessa escola. Ainda hoje em plenários que abrangem todas as escolas, a nível secundário ou superior "o caso dos dois últimos plenários na Cidade Universitária e tantos outros”, são tomadas decisões a nível de todas as escolas por um número de alunos que corresponde ao existente quando muito em uma ou duas escolas. Será que só uma ou duas escolas é que decidem em nome de todos os alunos? Será que este processo é justo e correcto? Pensamos que não....
Quanto aos exames a nível nacional, este é outro dos chavões utilizados. Também para tal à que informar. Porque os defendemos? Porque só assim se poderá fazer a uniformização do ensino. Só assim um 8 numa escola será o mesmo que um 8 doutra. Senão o critério numas escolas para as outras para as outras variam, assim encontraríamos alunos com média de 8 numa escola a saberem mais do que outros que, tiveram 12 noutra escola, mas para os quais o exame teria sido muito mais fácil. Então porque contestam estes senhores?
Contestam porque queriam que a barafunda continuasse, queria continuar a ludibriar os colegas, como veio a acontecer quando dos exames a nível de escola, em que iludidos por conhecimentos com este e com aquele, que de honestos nada tinham, vinham a saber os exames antecipadamente e passavam sempre. Havia aqui igualdade e justiça?
Um aluno que estudava durante o ano, sujeitava-se ao resultado do exame, enquanto outro que nada fazendo e nada sabendo sabia antecipadamente que ia passar.
Que mais defendem eles?              
Defendem as passagens administrativas, defendem não os estudantes mas os que não estudam. São estudantes ou vigaristas e oportunistas?
Quanto à situação das escolas, todos nós alunos sabemos qual é. A falta de professores, o atrazo no começo das aulas, etc...
Mas não será ajudando na reestruturação que se melhora? Ou será destruindo?
Alertamos-vos portanto contra as manobras minoritárias, quer de esquerda quer de direita.
Não consintamos que a direita faça o que fez nos liceus como o Garcia da Horta, nem que por outro lado milícias intituladas de esquerda entrem nas escolas para destruir e atacar os alunos, nem que como nos Açores alunos sejam atacados e ameaçados e sejam impedidos de exercer os seus direitos essenciais, não podendo sequer exprimir-se livremente. Não permitamos o avanço da direita, que proíbe já em escolas propaganda política, proíbe o direito de expressão e de opinião e o direito de reunião.
É por tudo isto e porque o Ministro ao contrário do que dizem as más línguas! tem conhecimento dos casos concretos, das diferenças entre o Norte e o Sul, entre o Continente e os Açores e tem conhecimento dos processos anti-democráticos e das práticas fascistas que tem tomado várias tomadas de posição, o MEIC.
Por isso lutemos contra:
- As manobras totalitárias de esquerda e de direita.
- O avanço da direita
- a desorganização

Lutemos por:
- Um ensino qualificado
- Uma reestruturação do ensino
- Pela defesa dos direitos de expressão e reunião.

Núcleo da Juventude Socialista de Moscavide
Moscavide, 26 de Maio de 1977

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