sexta-feira, 26 de maio de 2017

1977-05-26 - COMUNICADO AO POVO - Movimento Estudantil

COMUNICADO AO POVO  

Milhares de estudantes estão neste momento em luta de norte a sul do país. Apesar de todas as calúnias, de todos os ataques, de todas as mentiras vociferadas pela imprensa traidora, porta-voz dos interesses do capital e de todos os falsos amigos do povo, essa luta avança impetuosamente. Ela está intimamente ligada à luta de todo o nosso Povo contra a fome, a miséria e o desemprego, contra o regresso dos patrões, em torno da contratação colectiva, em dezenas de combates nas fábricas e nos campos da nossa pátria.
Não se trata, pois, de Uma "minoria de parasitas que querem vida fácil”; trata-se de uma luta dura contra a reforma que o ministro Cardia quer meter nas escolas à força da bastonada; contra a reforma iniciada por Veiga Simão, confirmada pelos governos provisórios e prosseguida pelo ministro Cardia do Governo "socialista"; uma reforma que vai lançar milhares de estudantes no desemprego e que vai transformar as Universidades em escolas para formar exploradores do Povo. É contra isso que os estudantes hoje se levantam firmemente.
Como se compreende que existam milhares de professores desempregados e haja falta de professores nas escolas e que os estudantes não tenham aulas em algumas disciplinas e façam exames nacionais? Qual é a política dum governo que fecha as portas à Universidade a milhares de jovens que ficarão irremediavelmente no desemprego?
No fundo, é contra essa política que os estudantes estão a lutar, é contra esse caos e essa decadência que os estudantes se levantam firmemente. E por isso eles sabem que têm o apoio do Povo.
Ao dirigirem-se ao Povo português e ao saírem para a rua, os estudantes de Lisboa manifestam a sua firme vontade em se unirem ao Povo da nossa pátria e reafirmarem o seu desejo de juntarem a sua luta à luta desse Povo explorado.
O governo e todos os reaccionários procuram dar a entender que os estudantes estão contra o Povo e que o Povo está contra os estudantes. Tal afirmação não passa de uma reles calúnia. Por exemplo, os estudantes do Porto ao saírem para a rua juntaram a sua manifestação à dos operários dos STCP e em conjunto manifestarem o seu repúdio à política do grande capital posta em prática pelo governo. Esse exemplo é para nós um lema, porque ele reflecte o sentir da imensa maioria dos estudantes portugueses.
A luta da juventude estudantil portuguesa isolada mo pode alcançar vitórias. Só unindo-se à luta do Povo ela terá um correcto sentido. Os estudantes de Lisboa apelam a todo o Povo para que dê igualmente o seu apoio à luta dos estudantes. Particularmente, apelamos às famílias dos estudantes para que se organizem no apoio às suas justas reivindicações. Essas reivindicações pertencem também ao Povo, porque o Povo aspira a melhores condições de vida, aspira a uma medicina ao seu serviço, a uma ciência que resolva os seus problemas diários, a uma cultura que sirva para avançar na sua luta, isso depende em boa parte do tipo de ensino que se ministra nas nossas escolas. Esse ensino, digamo-lo claramente, não serve o Povo; não é com os poucos médicos que o MEIC quer formar que se curam as imensas doenças que afectam o nosso Povo sobretudo nas zonas rurais.
Portanto, ao sairmos para a rua, ao fazermos greve, ao lutarmos, nós temos a consciência que estamos a integrar a nossa luta na luta do Povo, que estamos a travar uma luta que é também do Povo e que por esse caminho alcançaremos vitórias juntos com o Povo.

- ESTUDANTES AO LADO DO POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA!
- CONTRA A FOME, A MISÉRIA E O DESEMPREGO!
- CONTRA A POLÍTICA ANTI-POPULAR DO GOVERNO!
 - CONTRA A REFORMA DO MINISTRO CARDIA!

26/5/77         
- DAE EI AFONSO DOMINGUES
- DAE EC LUISA DE GUSMÃO (NOITE)
- COMISSÃO DE LUTA CONTRA OS EXAMES NACIONAIS DA ESC. C VEIGA BEIRÃO
- ELEMENTOS DE VÁRIAS COMISSÕES DE CURSO DO ENSINO SUPERIOR

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