quinta-feira, 25 de maio de 2017

1977-05-25 - DOS ESTUDANTES À POPULAÇÃO - Movimento Estudantil

DOS ESTUDANTES À POPULAÇÃO

Os estudantes portugueses estão em luta em torno de 3 objectivos essenciais:
- Reabertura da Universidade de Coimbra sem saneados;
   - Fim à repressão. Apuramento das responsabilidades sobre os acontecimentos do Porto;
  - Abertura de discussão com as AAEE sobre as reivindicações específicas apresentadas ao Governo.
No último Plenário da Academia de Lisboa, face a resposta dada aos representantes dos estudantes pelo MEIC, de que as suas posições se mantinham inalteráveis, decidimos encetar uma greve geral até ao fim desta semana. Os seus objectivos são os já inicialmente enumerados:

- EXIGIMOS A REABERTURA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, SEM SANEADOS! Repudiamos a posição do MEIC de a fazer depender de um referendo anti-democrático. Se o referendo perguntar aos estudantes se querem a Universidade aberta, haverá alguém que responda não? Os estudantes querem, para poderem estudar, a Universidade aberta. Mas os estudantes também querem, por serem cidadãos conscientes e responsáveis, a Escola Nova que a Constituição aponta, o que passa, sem dúvida, pelo não regresso as escolas daqueles que durante os 48 anos de fascismo foram os mais firmes opositores desta luta que então já travávamos.
No artigo 2o. da Constituição, define-se Portugal como uma Sociedade a caminho do Socialismo". Não se constrói o Socialismo com pessoas que não o querem, e os professores saneados estavam comprometidas com o regime fascista, nem pensando sequer em democracia.

    - EXIGIMOS O FIM DA REPRESSÃO. APURAMENTO DAS RESPONSABILIDADES SOBRE OS ACONTECIMENTOS DO PORTO! Porque é que o sr. Ministro na sua alocução televisiva ao País não falou acerca da carga policial sobre os estudantes de Psicologia? E no reforço da polícia em Coimbra? Teve medo de impressionar a opinião pública ao falar no recurso à polícia de choque e nas dezenas de feridos que as cargas provocaram? Nós denunciamo-lo bem alto! É a mesma repressão que se abate sobre os moradores pobres que são desalojados, sobre os trabalhadores rurais do Alentejo, sobre os trabalhadores das empresas que lutam contra o desemprego e a miséria
E exigimos que se lhes ponha cobro, pois não queremos voltar aos tempos em que a repressão policial era uma ameaça constante, também nas escolas!

- EXIGIMOS A ABERTURA DE DISCUSSÃO COM AS AAEE SOBRE AS REIVINDICAÇÕES ESPECIFICAS APRESENTADAS AO GOVERNO! Mas recusamo-nos a participar num diálogo "que é um monólogo; recusamos a atitude de Cardia de "eu falo, tu ouves e, calas”. Exigimos a abertura do diálogo por parte do MEIC no sentido da resolução dos nossos problemas. E porque defendemos a garantia do direito ao ensino para todos, opomo-nos ao asfixiamento económico de determinados cursos (caso do I.S.S.S.); opomo-nos ao desmembramento do ISCSP; por isso exigimos uma justa política social que permita o acesso ao ensino superior daqueles que mais dificuldades económicas têm. Ao contrário do que Cardia diz, não somos nós que não queremos estudar; é ele que impede as escolas de funcionar, e mesmo as fecha. Defendemos o direito de associação e por isso repudiamos qualquer medida tendente a com ele acabar nomeadamente através do cancelamento dos subsídios às associações.
A luta que os estudantes travam neste momento, é uma luta pela defesa das mais importantes conquistas alcançadas após o 25 de Abril, luta esta que também cá fora se trava, contra o desrespeito pelas liberdades democráticas, a devolução das empresas aos patrões sabotadores, o aumento do custo de vida e consequente agravamento das condições de vida, a libertação dos pides, o desalojamento dos moradores pobres, a repressão sobre os trabalhadores.
Por isso é importante a unidade dos estudantes e dos trabalhadores nesta luta. Por isso apelamos à participação da população de Lisboa, nomeadamente nesta manifestação.

TRABALHADORES - ESTUDANTES, A MESMA LUTA!
REABERTURA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA SEM SANEADOS!

A Mesa do Plenário dos Estudantes do Ensino Superior de 25/5/77

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