quinta-feira, 25 de maio de 2017

1977-05-25 - COMUNICADO AO POVO - Movimento Estudantil

COMUNICADO AO POVO

Há milhares de estudantes em movimento a nível nacional, e apesar de todas as calúnias vomitadas pelo MEIC ou pela intersindical, cada vez o povo trabalhador compreende com maior clareza que as nossas reivindicações estão intimamente ligadas as da contratação colectiva, contra o regresso dos patrões, contra as desintervenções e contra a traição revisionista.
Não se trata de "parasitas" "de passagens administrativas colectivas" nem de "ultra-esquerdistas fascizantes”, como diz o Dr. Cardia, como disseram Veiga Simão, Hermano Saraiva, os ministros do 4º e 5º Governo do "Companheiro Vasco", como sempre dizem, enfim, os ministros do Capital para o ensino.
A luta que os estudantes travam a nível nacional tem um alvo - é o conjunto das medidas políticas e repressivas do MEIC, e a reforma que o Sr. Veiga Simão (agora reintegrado em Coimbra) não conseguiu aplicar nem com a Pide e os Choques e que também não será o Dr. Cardia a aplicar,
Como se compreende que existam milhares de professores desempregados e haja falta de professores nas escolas» que os estudantes não tenham aulas a algumas disciplinas e façam exames nacionais? Qual e a política dum Governo que fecha as portas a Universidade a milhares de jovens que ficarão sem possibilidades de estudo nem emprego? É a mesma do pai que vê o filho a crescer e a cama a ficar curta, e prefere cortar as pernas ao filho em lugar de comprar uma cama nova.
Porque é que o MEIC não cria as condições de formação de centenas de novos docentes universitários e antes os vai lançar no desemprego para os fazer substituir pelos professores fascistas saneados?
E poderíamos por muitas outras questões. É o completo caos do ensino burguês, a sua decadência total, que constitui o próprio fundamento da crise do ensino. A essa desordem, a essa crise e a esse caos, os estudantes tem um outro sistema de ensino a opor, verdadeiramente científico, ligado às necessidades do povo, ordenado e virado para o progresso.
Ao dirigirem-se ao Povo português e ao saírem para a rua, os estudantes de Lisboa manifestam a sua férrea vontade em se unirem ao Povo da nossa pátria e reafirmarem o seu desejo de juntarem a sua luta à luta desse povo explorado.
O governo e todos os reaccionários procuram dar a entender que os estudantes estão contra o povo e que o povo esta contra os estudantes. Tal afirmação não passa de uma reles calúnia. Por exemplo, os estudantes do Porto ao saírem para a rua juntaram a sua manifestação à dos operários dos S.T.C.P. e em conjunto manifestaram o seu repúdio à política do grande capital posta em prática pelo governo. Esse exemplo é para nós um lema, porque ele reflecte o sentir da imensa maioria dos estudantes portugueses.
A luta da Juventude estudantil portuguesa isolada não pode alcançar vitórias, unindo-se à luta do Povo ela terá um correcto sentido. Os estudantes de Lisboa apelam a todo o Povo para que dê igualmente o seu apoio à luta dos estudantes. Particularmente, apelamos às famílias dos estudantes para que se organizem no apoio às suas justas reivindicações. Essas reivindicações pertencem também, ao Povo, porque o Povo aspira a melhores condições de vida, aspira a uma medicina ao seu serviço, a uma ciência que resolva os seus problemas diários, a uma cultura que sirva para avançar na sua luta, isso depende em boa parte do tipo de ensino que se ministra nas nossas escolas. Esse ensino, digamo-lo claramente, não serve o Povo; não é com os poucos médicos que o MEIC quer formar que se curam as imensas doenças que afectam o nosso Povo sobretudo nas zonas rurais.
Portanto, ao sairmos para a rua, ao fazermos greve, ao lutarmos, nós te mos a consciência que estamos a integrar a nossa luta na luta do Povo, que estamos a travar uma luta que é também do Povo e que por este caminho alcançaremos vitorias juntos com o Povo.

ESTUDANTES AO LADO DO POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA!
CONTRA A FOME, A MISÉRIA E O DESEMPREGO!
CONTRA A POLÍTICA ANTIPOPULAR DO GOVERNO!
CONTRA A REFORMA DO MINISTRO CARDIA!

Lisboa, 25 Maio de 1977
Estudantes de Lisboa

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