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sexta-feira, 19 de maio de 2017

1977-05-19 - Unir todas as forças! Isolar os traidores! Prosseguir o combate! - FEML

Unir todas as forças! Isolar os traidores! Prosseguir o combate!

À gloriosa juventude estudantil de Lisboa!

Camaradas:
As escolas de todo o país e as de Lisboa em particular, transformaram-se em campos de batalha. Nos últimos dias foram chamados à luta milhares e milhares de estudantes que se começaram já a integrar no caudal da luta do povo; esse é o formidável exemplo dos estudantes do Porto que se juntaram aos operários dos S.T.C.P. igualmente em luta.
Um breve balanço da situação a nível nacional indica-nos: a Academia do Porto paralisou quase na totalidade durante a jornada de 3ª feira; os estudantes de Coimbra continuam em greve geral e saíram para a rua juntando-se ao povo em luta; em Lisboa a greve de 3ª feira obteve êxitos assinaláveis e foi um bom passo para o alargar da luta. O sector mais avançado, o Ensino Superior, está em marcha, mas outro sector igualmente combativo começa já a despertar de forma poderosa; o Ensino Secundário. Nos últimos dias, as acções de massas, as R.G.As, a aprovação da proposta contra os exames nacionais em inúmeras turmas, são formas de luta que se tem multiplicado. Ontem, dia 18, uma concentração de cerca de um milhar de estudantes do Ensino Secundário, frente ao MEIC, era atacada a bastão pelas bestas da polícia de choque.
É toda uma luta que nasce e se põe em movimento, ganhando novos sectores e assumindo novas formas. O objectivo de toda essa luta I o mesmo: contra a Reforma burguesa do ensino em tudo contrária aos interesses do povo e as aspirações dos estudantes. Já não se trata de atacar um ou outro decreto, esta ou aquela medida; ó um combate generalizado a política da burguesia para o ensino, de que o ministro Car­dia é mero executor.
Se é certo que essa luta nasceu e já se desenvolveu consideravelmente, também não é menos certo que ela terá de ser prolongada e dura. Não podemos pensar em vitórias fáceis. A "conversa em família" do ministro Cardia foi uma provocação, um monte de miseráveis calúnias contra a luta dos estudantes e uma afronta à luta do nosso povo. Mas ela não foi apenas isso; ela foi um ataque frontal, desbragado e sem peias ao movimento democrático dos estudantes; um ataque que constitui uma declaração de guerra; uma declaração de guerra a que devemos responder com a guerra!
Neste grande e prolongado combate que travamos existem dois perigos e qualquer deles levará à derrota; um é o de se pensar que uma simples greve geral dispersa resolverá o problema; o outro é o de se defender que não vale a pena lutar e que portanto nos devemos restringir ao "quadro das instituições democráticas" como diria Barreirinhas Cunhal. Ambos são caminhos de traição que levarão a que essa sinistra reforma seja aplicada por inteiro. Nessa altura os estudantes portugueses teriam a sua frente a selecção desenfreada, os métodos e o ensino mais reaccionários, em suma, o desemprego em massa! Mas esse futuro não é o que desejam as massas estudantis e elas estão firmemente dispostas a lutar contra tais planos.
Sendo esta luta uma luta global e prolongada, as suas formas terão de ser igualmente globais e caminhando no sentido do desenvolvimento constante e não da derrota a breve trecho. Ou seja; não podemos curar cancros com aspirina nem conquistar a vitória num só dia. Temos pois que unificar todas as lutas e todas as formas de luta. Não podemos mais permitir que os combates se dispersem isolados numa escola, numa academia ou num sector do ensino. Nesta luta, a unidade e uma condição essencial para alcançarmos a vitória. Portanto, todas as tentativas de separar o Ensino Superior do Ensino Secundário ou de separar o Porto e Lisboa de Coimbra, são formas de estar contra a luta dizendo-se que se está com ela...
Mais do que esta unidade no seio dos estudantes há outra condição essencial para obtermos a vitória: é a de unirmos a nossa luta no caudal único da luta do povo sob a direcção da única classe que na sociedade é consequentemente revolucionária; a classe operária. Se essa fusão não se operar a nossa luta será derrotada. Nesse sentido temos tudo a aprender com os nossos camaradas do Porto que juntaram a sua manifestação a dos operários dos S.T.C.P. Esse é o caminho da vitória!
A luta entre aqueles que estão verdadeiramente a favor da continuação e da vitória ria no combate que travamos e aqueloutros que apostam a sério na sua derrota, é uma luta encarniçada. Os social-fascistas da UE"C", os piores inimigos dos estudantes, estão dentro da luta, dizem ambiguamente que a apoiam mas irão traí-la na próxima oportunidade que se lhes depare. São eles que dizem que a greve geral levará a um ataque maior do MEIC e portanto a única coisa a fazer e cruzar os braços; são eles que em Direito impedem que se faça justiça sobre fura-greves que lançam gases lacrimogéneos contra os estudantes. Nesse sentido, podemos dizer com toda a propriedade:
SOCIAL-FASCISTAS DA UE"C"- MINISTRO CARDIA - o MESMO COMBATE!
Eis uma frase que reflecte com clareza a situação! Já assim foi aquando da luta contra o decreto de gestão. Nessa altura, num Plenário dos estudantes do Ensino Superior nos dizíamos claramente aos estudantes que a direcção da luta era oportunista e a ia levar à derrota: não porque os estudantes não quisessem lutar ou fossem reaccionários, como costuma dizer a UE"C"/U"DP", mas porque eles não tinham uma direcção correcta. Nessa altura andavam os lacaios da U"DP" fazendo "juras de amor" a gestão democrática, enquanto a UE"C" se quedava pela "exigência de diálogo". Um mês depois, era vê-los - UE"C"/U"DP" - abraçadinhos a aplicar o decreto de gestão. Isso mostra-nos que o "radicalismo" provisório da U"DP" é a cama onde a UE"C" acaba por se deitar. Outro tanto aconteceu na luta de Bioestatistica e em todas as lutas que se tem travado. O mesmo poderá acontecer agora se os estudantes não se unirem em torno de uma direcção correcta.
Os estudantes de Lisboa devem aprender com essa experiência e transformá-la num redobrar de forças para a luta. É possível lutar e é possível vencer. Desde que avancemos para a unidade de todo o movimento estudantil e para a sua integração no caudal da luta do povo, certamente que obteremos vitórias.
O Plenário que hoje se vai realizar as 16h na Cidade Universitária é uma batalha de grande dureza e envergadura. Ai irão aparecer todos os falsos amigos dos estudantes a proporem "belos" projectos de ilusões que não passam da aparência exterior da traição. Os estudantes de Lisboa devem analisar cuidadosamente as propostas Porque cada uma delas tem apenas um objectivo: derrotar a luta ou apontar-lhe o caminho da vitória.
O Plenário dos Estudantes de Lisboa pode transformar-se numa grande vitória para os estudantes de Lisboa e, ao fim de contas para os estudantes de todo o país. Torna-se pois necessário que todos os estudantes de Lisboa, do Ensino Secundário ao médio e Superior, aí compareçam em massa impondo a única solução verdadeiramente justa!
ENSINO SUPERIOR - ENSINO SECUNDÁRIO - A MESMA LUTA!
CONTRA A REFORMA BURGUESA DO ENSINO!
ESTUDANTES AO LADO DO POVO E SOB A DIRECÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA!
CONTRA AS MEDIDAS ANTI-POPULARES E REACCIONÁRIAS DO GOVERNO!
A LUTA CONTINUA!
ADERE AO PCTP!
VIVA O PCTP!
VIVA A FEM-L!

Lisboa, 19/5/77
COMITÉ REGIONAL DE LISBOA DA FEDERAÇÃO DOS ESTUDANTES MARXISTAS-LENINISTAS 

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