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sexta-feira, 19 de maio de 2017

1977-05-19 - CONTRA AS MEDIDAS REACCIONÁRIAS DO MEIC UNIDADE DAS TRÊS ACADEMIAS - UJCR

CONTRA AS MEDIDAS REACCIONÁRIAS DO MEIC UNIDADE DAS TRÊS ACADEMIAS

Nos últimos dias, desencadeou-se em todo o país uma grave crise académica. O acontecimento próximo mais relevante foi o encerramento, a 13 de Maio, da Universidade de Coimbra e dos seus Serviços Sociais, acompanhado de um significativo discurso do ministro Cardia. Significativo pelo tom demagógico e ameaçador, a fazer lembrar discursos de ministros fascistas da educação.
No dia 11 de Maio, também a academia do Porto reviveu nas ruas as horas de luta anti-fascista de antes de Abril de 74. 30 estudantes ficaram feridos pela brutalidade da polícia de choque
No dia 17 de Maio, ainda na cidade do Porto, um estudante foi friamente atingido a tiro pela polícia e preso juntamente com 3 colegas seus, unicamente por estarem a colar cartazes denunciando com provas fotográficas os acontecimentos de dia 11 Na noite de 16 para 17 de Maio outros estudantes foram presos pelos mesmos motivos. Porque o governo tem medo que o povo saiba qual é a acção (e a função) das forças repressivas, as prisões e os tiros.
As Universidades de Coimbra, Porto, Lisboa e Minho, paralisaram na grande maioria na 3ª feira 17 de Maio, como forma de protesto contra estas acções reaccionárias e anti-estudantis e de luta pela cessação de tal política. Nesse mesmo dia a Assembleia Magna de Coimbra decidiu por esmagadora maioria manter a greve geral.
A crise académica assume assim proporções crescentes. A escalada repressiva na Academia do Porto contínua, como o demonstraram os acontecimentos de 17 de Maio. A grave situação criada pelo MEIC está multo longe de uma solução satisfatória de acordo com os interesses estudantis.
É urgente a tomada de posições firmes por parte de todos os estudantes e o desenvolvimento de acções e de formas de luta que coesionem o movimento estudantil, o façam avançar e tinam os estudantes e o povo português contra a política reaccionária de Cardia!

OS RESULTADOS DE 9 MESES DE GOVERNO
Foram 9 meses de destruição sistemática das conquistas populares e desrespeito pelas liberdades democráticas, de entrega dos interesses nacionais aos grandes capitalistas e as potências estrangeiras, que levaram a Universidade à situação em que nos encontramos. O aumento do custo de vida, a devolução das empresas aos patrões, a hipoteca do país aos americanos e alemães, a libertação dos pides, a continuação da prisão política e arbitrária do estudante Rui Gomes, a expulsão das suas casas dos moradores pobres, a repressão sobre o movimento popular e os acontecimentos actuais na Universidade, não são factos desligados. Também Cardia não é um ministro isolado.
No ensino, em particular, a que levaram esses 9 meses de governo? Nada mais que ao aprofundar das dificuldades em que se debate o ensino universitário (e não só), mercê de uma politica bem definida de asfixiamento das suas estruturas, no sentido de uma futura restrição drástica do numero de alunos e de alterações fundamentais nos métodos e conteúdos dos cursos que levem a universidade ao 24 de Abril. Pretende-se pois reservar a universidade a uma elite dócil, disposta a servir a recuperação capitalista e a ser o veículo de difusão da cultura burguesa.
Claro que as primeiras vítimas desta política foram os estudantes. Porque "não interessa " tantos alunos, as ordens são para reprovar os que "estão a mais" não importa de que modo ou à luz de que critério. E é este o "ensino digno"… (dizem eles).
Chegámos assim ao tempo em que se quer tornar hábito tais procedimentos. Em que com o maior dos à-vontades, se troca a escola pelo governo civil, e o professor pelo polícia (aconteceu em Psicologia como já tinha acontecido em Bioestatistica no início do ano. E esta a "ordem democrática"... (afirma despudoradamente a cópula da Juventude Socialista e aplaudem os fascistas).
Entretanto nos gabinetes do MEIC, alguns catedráticos preparam secretamente a nova reforma de ensino. A comparar com o resto é de especar concerteza importantes alterações "democráticas"...

OS REVISIONISTAS QUEREM QUE ACEITEMOS AS MEDIDAS REPRESSIVAS DO MEIC
Desde a 1ª hora que a UE"C" desenvolveu intensa propaganda no sentido de convencer os estudantes a acatar as medidas de Cardia. Lançando junto a sectores de estudantes menos esclarecidos o medo pela aprovação, os revisionistas estão a ser os principais factores de desmobilização e de divisão do movimento estudantil.
De facto a situação existente nas escolas é de molde a exigir uma acção conjunta a nível nacional do movimento estudantil em torno de formas de luta efectivas e não Cinicamente de tomadas de posição ou acções simbólicas de solidariedade.
Os revisionistas, porém, argumentando que tudo isto são "lutas parciais" que não devem ser unificadas (não vão os estudantes decidir-se a avançar...), prestam o melhor dos serviços à direita ao espalharem entre os estudantes o espírito de capitulação perante as medidas repressivas que se vêm a suceder.
Também fora das escolas os revisionistas tem feito tudo para impedir o desenvolvimento da solidariedade para com a luta estudantil. Só isso explica a não participação da União dos Sindicatos de Coimbra na importante manifestação realizada na passada 3ª feira grande simpatia popular para com a luta.
Em pleno período de negociação com o governo dos interesses dos trabalhadores no famoso Pacto Social, os revisionistas não estão interessados em que o problema académico venha comprometer os acordos que queiram estabelecer. Tal como venderam em tantas ocasiões os interesses das massas populares, preparam-se para fazer esquecer a situação no ensino, favorecendo a continuação da política que tem vindo a ser seguida.

ERGAMOS A LUTA CONTRA A REPRESSÃO;
PELA REABERTURA DA ACADEMIA DE COIMBRA!
É hoje absolutamente claro que só com o desenvolvimento da luta estudantil para formas superiores é possível travar a política repressiva do MEIC.
Para que isso seja possível é essencial começar por unir em torno dos principais objectivos e reivindicações a grande dos estudantes da Academia de Lisboa, isolando a direita que é a verdadeira interessada com a repressão e divisão do movimento estudantil.
Todos os estudantes da Academia devem tomar consciência de que à sombra de palavra de ordem contra a greve geral as forças de direita mais não pretendem que isolar os estudantes de Coimbra e do Porto e permitir que também em Lisboa avancem as medidas anti-estudantis. Mas não só. Interessa perguntar ao MEIC, aparentemente tão interessado em impedir a paralisação, como se justifica a paralisação real e injustificada que se realiza para muitos sectores (caso do ESCSP, Hospitais Civis, falta de professores em várias escolas, etc.)?
Os estudantes que até agora viam na Juventude Socialista uma força progressista e anti-fascista (embora inconsequente) puderam comprovar mais uma vez que a cúpula da JS está totalmente comprometida com a política de Cardia, e disposta a justificar e a defender as mais reaccionárias medidas. Os estudantes socialistas devem desmascarar as posições do secretariado da JS e unirem-se na luta a todos os estudantes portugueses.
Em todas as escolas da Academia e no Plenário que vai hoje realizar-se é importante que fique claramente marcada à nossa firme disposição de não ceder à ofensiva reaccionária do MEIC. Em todas as eis colas dá Academia e no Plenário é importante que seja reforçada a unidade estudantil na perspectiva de que, com Coimbra encerrada, com o Porto em luta, com o arrastar da resolução dos problemas dos estudantes, os estudantes da Universidade de Lisboa não cruzarão os braços!

PELA REABERTURA DA ACADEMIA DE COIMBRA SEM SANEADOS!
A REPRESSÃO NÃO PASSARÁ!

19 de Maio de 1977
O Conselho de Zona do Ensino Médio e Superior de Lisboa da União da Juventude Comunista Revolucionária

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