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quinta-feira, 18 de maio de 2017

1977-05-18 - A GREVE FOI CUMPRIDA! - UJCR

A GREVE FOI CUMPRIDA!
OS ESTUDANTES VENCERAM!

O dia de greve de ontem, 3ª feira, constituiu, a nível nacional a firme resposta dos estudantes das três Academias à política reaccionária do MEIC e aos seus ataques às conquistas democráticas do ensino que as escolas conquistaram, e à repressão brutal da polícia de choque — medidas que o regime fascista nunca tinha tido coragem de tocar como foi o encerramento da Academia de Coimbra.
A greve, aqui na FDL, cumprida por decisão da RGA mais massiva este ano realizada, e decidida por 483 votos a favor o 221 contra, revestiu, para além da posição de solidariedade para com os nossos colegas de Coimbra e do Porto em luta, a forma de protesto contra a reintegração dos professores fascistas saneados que o MEIC aqui pretende impor - o Fernando Olavo e o Inocêncio Galvão Teles (ministro de Salazar), como primeira medida para poder reformulam totalmente o quadro de docentes, garantindo a sua fidelidade reaccionária ao MEIC, e a reposição dos velhos métodos de ensino e de avaliação (fim dos trabalhos em grupo, faltas, exames, selecção, repressão...).
Este dia de greve constituiu uma grande vitória sobre o fascismo e a política do MEIC, numa mobilização para a greve de mais de 90% dos estudantes. Foi neste dia de greve e de luta, completamente desmascarada e isolada a Dir. da AE e todos os fascistas seus amigos, que tudo tentaram para contrariar as decisões democraticamente aprovadas:
Actuando como fura-greves profissionais, a Dir. da AE logo de manhã cedo se mobilizou, trazendo para a escola elementos da segurança do PPD; armados de matracas, que lhes serviriam de guarda costas nas provocações.
Quando a Comissão de Greve se deslocou pelas salas para verificar se havia turmas em funcionamento e esclarecendo os professores, os fascistas apareceram decididos a provocar confrontações que legitimassem ao MEIC, porventura, o fecho de mais uma escola. O facto é que apenas continuaram duas “aulas” com meia dúzia de PPDs e fascistas em cada uma.
De tarde, perante a Mobilização dos estudantes num meeting informativo, seguiram a táctica de colocar os seus militantes em "aula" e de fazerem piquetes provocatórios chefiados pelo Santana Lopes. Quiseram a confrontação e, evidentemente, foram desmascaradas as suas aulas fantoches, não sem que, barricados na Aula 1 tivessem lançado gases lacrimogéneos sobre os estudantes, tendo um PPD ("por acaso de Farmácia”) saltado pela janela (ferindo-se no salto) numa tentativa desesperada de não ser identificado ou por levar consigo o material ofensivo que utilizaram.
À noite, a greve foi também cumprida a 100%.
Varias lições se podem tirar desde já deste dia de greve:
       1 - É grande o sentimento antifascista de solidariedade dos estudantes da FDL para com os colegas de Coimbra e do Porto.
       2 - A Dir. da AE, sem o apoio dos estudantes, cabe o papel de arruaceiros e provocadores com o fim único de desestabilizar a situação na escola: a sua política não é a de defender os interesses dos estudantes, quer no que diz respeito à avaliação contínua (aprovado em RGA), quer no que diz respeito às tradições do Movimento Associativo de solidariedade com os colegas em luta, em qualquer ponto do país (decidida na RGA do dia 16). É, essa sim, a política reaccionária do Cardia!
    3 – É grave a posição que a UEC tem tomado em todo este processo.
Começando em Coimbra por não apoiar a greve geral, indo no entanto a reboque para não se isolar; não apoiando no ENDA de Domingo esta mesma proposta de greve nacional, ao mesmo tempo que a Intersindical recua retirando o apoio à Manifestação dos estudantes de Coimbra (ao contrário do apoio expresso por Com. de Trabalhadores, Sindicatos e Cooperativas}, a UEC aqui em Direito, tomou já a posição de se declarar contra formas de luta mais avançadas, deixando morrer o movimento de protesto e condenando os confrontos para que os estudantes foram obrigados a ir pelos fascistas, para, que a greve não fosse contrariada por um "bluff" de aula.
      4 – Só a unidade na acção e a solidariedade de todos os estudantes É GARANTE DA VITORIA.
      Esta luta que hoje os estudantes travam contra o fascismo e pelo direito ao ensino tem de ser unificada e não pode ser conduzida por aqueles que só nele estão para a trair; aqui na FDL não pode esquecer também a posição de fura-greves que o Mrpp tomou durante a greve aprovada pelo Plenário da Academia de Lisboa, contra o decreto de Gestão; denunciando pidescamente os prof.s que se solidarizaram com as decisões do plenário e se juntaram aos estudantes na luta pela gestão democrática.
Não podemos, sob pena de não sabermos para onde vamos, confiar em quem não nos dao garantias de ser consequente na luta.
A UJCR, encontrando-se na linha da luta em todo o processo, apela a todos os colegas para que se mantenham mobilizados para todas as informações sobre o desenrolar do processo de luta a nível nacional e para que, compareçam em  massa no Plenário da Academia de Lisboa, dia 19, quinta-feira, pelas 15 horas, no Pavilhão do Estádio Universitário.
Vamos decidir as novas forcas de luta a aplicar na nossa escola na RGA dia 19, quinta-feira, pelas 21h no Ánf. 1.

TODOS AO PLENÁRIO DA ACADEMIA
TODOS À RGA!
CONTRA O FASCISMO, PELO DIREITO AO ENSINO!

Núcleo de Direito da UJCR
18/5/77

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