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quarta-feira, 17 de maio de 2017

1977-05-17 - VELHOS ATAQUES OS NOVOS TINOCOS - PCTP/MRPP

A BURGUESIA PÕE O LUTA POPULAR EM TRIBUNAL

VELHOS ATAQUES OS NOVOS TINOCOS

TODOS À BOA-HORA, 4º JUÍZO CORRECCIONAL!
6ª FEIRA * 20 DE MAIO * 10 H.

O "Luta Popular", Órgão Central do PCTP/MRPP, duas vezes multado pelo fascista Spínola, suspensa pela Junta de Salvação Nacional e vezes sem conta atacado por todos os meios pelos social-fascistas do P"C"P, vai ser levado a julgamento, na pessoa do seu Director, na próxima sexta-feira, dia 20 de Maio, pelas 10 horas, no 4º Juízo Correccional da Boa-Hora, era Lisboa.
No Tribunal onde antes do 25 de Abril decorriam os Plenários em que eram julgados e condenado pela ditadura fascista os comunistas e revolucionários, estará, desta feita, o Jornal da Verdade, a Voz de todos os Explorados e Oprimidos do nosso País. A acusação: "injurias graves" contra a PJM pelo facto do "Luta Popular" ter denunciado veementemente as intimidações, as perseguições e as ameaças pidescas que agentes daquela polícia moveram recentemente contra militantes do nosso Partido - incluindo alguns membros do Comité Central - e contra as suas famílias.
Se o local do julgamento não mudou, tão pouco se alterou a natureza reaccionária das leis e dos pretextos agora invocados pelos polícias dos "generais de Abril" para mais uma vez tentarem calar a voz da classe operária, tarefa em que partiram os dentes e a sua "brilhante carreira", os Spínolas, os velhos pides, os Varela Gomes, os Caetanos e os Vasco Gonçalves.
A "liberdade de imprensa", que os partidos burgueses e traidores afirmam que está consignada na sua Constituição, para salvaguarda do direito à livre expressão de pensamento do povo, é a liberdade que a imprensa fascista e social-fascista utiliza, diariamente, para atacar e caluniar a classe operaria e as massas populares. Essa, e a liberdade, as máquinas, o papel e o dinheiro para a imprensa burguesa e os pasquins contra-revolucionários (da "Rua" ao "Diário") poderem continuar a defender a ditadura do Capital. Para a imprensa operária e popular, e muito especialmente para a Voz da Classe Operária - o "Luta Popular" - e o cerco económico, o encerramento e os tribunais, as penas, as multas e a prisão para os que nele escrevem.
Se assim não é, como compreender que de todos os processos movidos pelo nosso Partido contra essa imprensa, por calúnias contra a classe operária, por provocações contra o nosso Partido e o seu Secretário Geral, nem um único tenha sido julgado?
Não foram, nem serão! Os decretos "miraculosos" têm "absolvido" os senhores Múrias, os senhores Migueis Tavares Rodrigues e os senhores Piteiras Santos mesmo antes de eles comparecerem nos seus tribunais para serem absolvidos.
Mas se o local e a natureza das leis não mudaram, tão pouco mudou a natureza dos que na próxima sexta-feira se vão sentar nos bancos da acusação e depor contra o nosso Jornal. No lugar, ainda morno, dos pides, legionários e bufos, que neles se sentaram para acusar os comunistas, encontrar-se-ão alguns dos seus mais dignos sucessores. Entre eles, não faltará o inspector da PJM, capitão Mendonça, que no papel de novo Tinoco dirigiu e levou a cabo todas as provocações pidescas contra o nosso Partido e que agora figura como vitima e acusador no processo contra o nosso Jornal.
Mas se não mudaram o local do julgamento nem a natureza das leis e dos acusadores, muito menos se alterou a natureza das polícias e dos tribunais, se bem que agora tenham inventado novos pretextos para reprimir a classe operária e o povo e para tentar destruir o Estado Maior do proletariado, o seu Partido Comunista - o PCTP/MRPP.
Antes do 25 de Abril era "a defesa dos supremos interesses da nação", do “Portu­gal Ultramarino", do "Estado Novo", da "Evolução na Continuidade" que serviam de protecção à velha pide, aos velhos Tinocos, para prender, espancar, torturar e assassinar os operários de vanguarda, os comunistas - os militantes do MRPP. Depois do 25 de Abril foi a "defesa do processo revolucionário em curso" que serviu de pretexto a nova pide social-fascista para atacar, a frente da tropa fandanga do COPCON, as greves, as lutas do povo e as sedes do nosso Partido, prendendo, espancando e torturando mais de 400 militantes do MRPP à cabeça dos quais se encontrava o camarada Secretário Geral Arnaldo Matos.
Hoje a polícia de choque e a GNR, em nome da Constituição e da "estabilidade", às ordens do Governo e dos partidos representados na A.R. atacam a tiro e reprimem violentamente os operários da Marriott, da Auto-Reconstrutora, os trabalhadores da hotelaria do Funchal, os camponeses do Alentejo, o povo que ocupou as casas devolutas. Eis porque tal como no passado, os novos Tinocos se lançam contra o nosso Partido, contra o seu Órgão Central, no sentido de o tentar silenciar para que não dirija essas lutas.
Dos processos que foram movidos contra os crimes cometidos pela PSP em ataques cobardes contra militantes do PCTP/MRPP no Alto do Pina, no Rossio, em Braga, em Évora e no Funchal, nada se sabe. Estão todos "por concluir" ou sem "resultados concludentes". A contrastar com tal morosidade, a queixa da PJM e do seu capitão Tinoco Mendonça contra o nosso Jornal foi instruída em velocidade que se pode considerar meteórica.
Este ataque da burguesia e dos seus novos Tinocos contra o "Luta Popular" deve merecer da parte do povo e de todos os democratas e patriotas o mais vivo repúdio e protesto já que se trata de um ataque contra a liberdade de expressão para as forças democráticas.

A REDACÇÃO DO "LUTA POPULAR" CONCLAMA A CLASSE OPERÁRIA E O POVO A COMPARECER SEXTA-FEIRA, 20 DE MAIO, PELAS 10 HORAS, NO 4º JUÍZO CORRECCIONAL DA BOA-HORA PARA MANIFESTAR O SEU APOIO AO JORNAL DA VERDADE E PARA DEMONSTRAR AOS NOVOS TINOCOS QUE O SEU FIM SERÁ BEM DIFERENTE DO QUE AQUELE QUE RESERVARAM PARA OS SEUS "BONS MESTRES" DA PIDE.

Lisboa, 17 de Maio de 1977
A Redacção do "Luta Popular"

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