Translate

quarta-feira, 17 de maio de 2017

1977-05-17 - POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO AO SERVIÇO DOS FERROVIÁRIOS Nº 1 - Sindicatos

POR UM SINDICATO DEMOCRÁTICO AO SERVIÇO DOS FERROVIÁRIOS Nº 1

Jornal da linha sindical
LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!

17 de Maio de 1977

EDITORIAL
Camaradas ferroviários:
O grupo de delegados sindicais e trabalhadores, que tomou a iniciativa de apresentar aos ferroviários um alternativa ao projecto de A.C.T. das direcções sindicais - O PROJECTO DE ALTERAÇÃO DO A.C.T. "LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!" - decidiu Apresentar este jornal, que terá como função principal, neste momento, agrupar à sua volta todos os trabalhadores que deram o seu apoio ao nosso projecto e canalizar esse apoio para a formação duma lista, que se candidatará às próximas eleições para os corpos gerentes do nosso Sindicato (em 30 de Junho) e cujos princípios assentam: - por um lado no combate às medidas anti-populares do governo e no desmascaramento da actuarão golpista e anti-democrática da direcção sindical (que dizendo-se contra as medidas do governo,é na prática o seu melhor defensor), por outro, na defesa intransigente do programa de luta, que se encontra de forma sintética exposto no nosso projecto e que passaremos a desenvolver a partir de agora.
O jornal da linha sindical "LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!" é feito por trabalhadores ferroviários que sempre combateram as prepotências dos velhos e novos Garcias e que não têm outras possibilidades económicas que não sejam os seus salários. Para cumprir a sua função de unir numa frente comum de luta todos os democratas anti-fascistas e anti-social-fascistas, é necessário criar uma base económica que só poderá ser conseguida com o apoio que os ferroviários lhe derem: -recolhendo fundos, arranjando papel e tinta, particionando na  sua divulgação e feitura pelo envio de críticas e sugestões, defendendo-o nos seus locais de trabalho dos ataques do inimigo, etc.,
Camarada, este jornal está aberto à participação de qualquer ferroviário, que honestamente queira expor os seus pontos de vista ou relatar qualquer facto da luta diária que todos nós trabalhadores explorados travamos contra toda a casta de parasitas, quer sejam os velhos ou os novos patrões.

Neste número:
Plenário nacional de delegados sindicais - (C.T.T.)
Estatutos da empresa

A UNIDADE DOS FERROVIÁRIOS
No dia 30 de Junho realizam-se as eleições para os corpos gerentes do nosso Sindicato Os ferroviários devam aproveitar esta oportunidade para expulsar da direcção sindical a corja de oportunistas que lá se instalou. Desde logo se levanta a questão de ser necessária uma unida de todos os ferroviários honestos e democratas. Achamos que esta unidade é necessária e imprescindível e por isso mesmo condenamos vivamente a atitude daqueles que dizendo-se contra a direcção, teimam, no entanto era "fazer a guerra" sozinhos, para no fundo poderem fazer passar a sua política reaccionária de apoio as medidas do governo.
Quem assim procede, demonstra que não pretende colocar o sindicato ao serviço dos ferroviários. Condenamos igualmente aqueles que oportunisticamente consideram que a unidade se faz em torno dum programa qualquer.
A unidade dos ferroviários forja-se na luta, à volta do que é justo, do que é verdadeiro e do que na realidade serve os seus interesses. Apelamos à unidade de todos os ferroviários em torno do seguinte programa mínimo de lutar
- Pela democracia no nosso Sindicato.
- Contra as medidas anti-populares do governo e por melhores salários.
- Pela imposição do nosso A.C.T, contra as portarias governamentais.
- Pela imposição da semana das 40h e a defesa dos horários inferiores
- Contra o regime especial de trabalho extraordinário (C1ª.206).
- Pela imposição do controlo operário exercido pelas comissões de trabalhadores.
- Pela igualdade de salários e regalias entre os trabalhadores da linha de Cascais e da Rede Geral.
- Pela reforma aos 55 anos de idade.
- Pela imposição da senha-restaurante para todos os ferroviários.
- Por regulamentos que sirvam os nossos interesses.
- Por melhores condições de trabalho.
- Pela melhoria dos serviços que prestam as cantinas e os Infantários.
- Por um controlo efectivo sobre os dinheiros da Previdência.
- Contra a repressão que se intensifica na empresa.
- Contra os despedimentos.
Só com a luta em torno destes objectivos se consegue a UNIDADE de todos os ferroviários, condição para alcançar a VITÓRIA!
LUTA! UNIDADE! VITÓRIA!

ESTATUTOS DA EMPRESA
Através do um decreto de 25 de Março de 1977, foram publicados no Diário da República os Estatutos da Empresa.
Segundo este decreto a CP passará a Empresa Publica e será mudada a administração a partir do dia 25 deste mês.
Este problema vai ter concerteza influência no nosso ACT, pois a mudança da administração irá fazer-se numa altura em que se pretende que comecem as negociações do ACT. Como em relação a todas as questões importantes, a posição da Direcção Sindical é de fazer o maior silêncio em vez de alertar os trabalhadores para este facto, ao mesmo tempo que anda nas nossas costas a fazer negociatas com os seus amigos da CA e do Governo, na tentativa de o Partido social-fascista (do qual são fieis agentes não perder o controle dos postos chave da empresa), essas negociatas irão traduzir-se em novas e premeditadas traições contra ferroviários.
Devemos exigir que a direcção sindical divulgue os estatutos da empresa e a sua opinião sobre este assunto.

SINDICALIZAÇÃO
Muitos ferroviários não têm cartão ainda, ou porque são novos na empresa, ou porque sabendo que descontam obrigatoriamente supõem ter os seu direitos garantidos.
Camaradas: tratem das vossas propostas e das fotografias pois alguns delegados sindicais que têm tratado dos cartões apercebem-se que a direcção tem interesse era que a grande massa de ferroviários não possua cartão.
Porque chamamos a vossa atenção para a importância do cartão?
1º - Porque no Plenário Nacional a votação foi "de cartão na mão".
2º - Porque é prática das direcções traidoras, como a nossa, procurar pelo cartão aos trabalhadores à porta das Assembleias, quando ela tudo faz para boicotar a sua entrega.
Quer dizer: o que a Direcção deve estar a tratar é de dar o cartão aos seus partidários, e desprezar a maioria dos ferroviários para depois na altura da votação recusar o voto aos trabalhadores.
Camaradas mais antigos, renovem o vosso cartão!
Tratem de ter o cartão da nova série para garantir os vossos direitos ameaçados pelos golpistas da direcção.
Camarada, que não queres sindicalizar-te: junta-te à maioria dos ferroviários e vem lutar para colocar o Sindicato ao nosso serviço! Não permitas nem a divisão dos trabalhadores, nem que sejamos atraiçoados pela direcção do Sindicato.
Se não tratares do teu cartão, senão te sindicalizares, então estás a abrir caminho aos profissionais do falso sindicalismo, dos lacaios da burguesia, que pretendem que os seus partidários votem e que grande parte dos ferroviários não possa usar do direito de voto.
TRATA DO TEU CARTÃO! SINDICALIZA-TE! RENOVA O TEU CARTÃO!

PLENÁRIO NACIONAL DE DELEGADOS SINDICAIS
Convocado de emergência, realizou-se no passado dia 13 de Maio, no Entroncamento, um plenário de delegados sindicais que tinha como ponto único da ordem de trabalhos o A.C.T..
Neste plenário, a direcção mostrou que, face ao despacho dos ministros do Trabalho e dos Transportes e Comunicações, que exige uma denúncia única do A.C.T. (feita pelos Sindicatos outorgantes e pelos dos engenheiros e economistas) a sua posição é de encontrar uma "plataforma de unidade" entre o projecto de A.C.T. proposto pelos ferroviários e o dos engenheiros e economistas. Esta "plataforma" seria conseguida através de cedências mútuas em relação aos projectos já aprovados. Face a isto, o que podemos ver desde já, é que se pretende alterar o projecto de A.C.T. aprovado no plenário nacional. Sob o pretexto de ser necessário entrar em acordo com os engenheiros e economistas, está a criar-se uma situação que pode levar ao adiamento das negociações e que pode vir a retirar algumas das reivindicações já aprovadas.
O objectivo do governo é arrastar as negociações do A.C.T.. para uma situação de impasse, para depois procurar resolver o problema impondo aos trabalhadores uma portaria, sob o pretexto de que é a única solução possível; na prática é a negação do A.C.T. e vai ter o apoio da direcção sindical, conforme foi transmitido no plenário pela "técnica de contratação”.
Exijamos que a direcção sindical defenda aquilo que foi aprovado no plenário nacional?
Não tenhamos ilusões! Sem uma dura luta e sem a nossa mobilização, uma direcção sindical de traidores não vai defender o projecto que ela mesmo apresentou.
PELA IMPOSIÇÃO DO A.C.T..

FERROVIÁRIO! CONTACTA QUALQUER UM DOS SEGUINTES CAMARADAS:
MANUEL FRANCO ROQUE - operário (del. sindical) Figueira dá Foz JOÃO MOURATO - electricista (del. sindical) Entroncamento
JOSÉ H. MACHADO - factor - Vila Franca de Xira
BELMIRO GARCIA - assentador - Campolide
ISABEL RODRIGUES - escriturária (del. sindical) Lisboa-P
JAIME SANTOS - operário da via (del. sindical) Cais do Sodré ARSÉNIO FACAS - aux. de estação (del. sindical) Alcântara-Terra
FERNANDO S. LIMA - revisor (membro da C.T.) Lisboa-R
JORGE DE CARVALHO - programador - Informática - Campolide DUARTE CALISTO - maquinista - Campolide
SÉRGIO COSTA - escriturário - Lisboa-R
RAFAEL GONÇALVES - desenhador - Lisboa-P

Sem comentários:

Enviar um comentário