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terça-feira, 16 de maio de 2017

1977-05-16 - Veiga Cardia ou Sottomayor Simão? - UJCR

      Veiga Cardia ou Sottomayor Simão?

O Ministro Cardia veio à Televisão e falou. Disse coisas que já estamos fartos do ouvir; os estudantes devem estudar e não gastar improdutivamente as verbas para o ensino, os fascistas devem voltar as escolas, os estudantes de Psicologia afinal não percebem que não estão preparados para frequentar o Curso; soubemos ainda que os estudantes que votaram a justa greve contra a reintegrarão dos fascistas em Coimbra, são "continuadores da obra de Salazar”.
Esqueceu-se o Sr. Ministro de explicar muitas coisas:
Os sucessivos cortes orçamentais que criam situações de degradação em muitas escolas.
Os cortes de verbas para os Serviços Sociais, serviços esses indispensáveis para o sustento de muitos estudantes, em especial os filhos dos trabalhadores; esqueceu-se de explicar que as verbas para o armamento da polícia de choque ou para esse desnecessário luxo que é a TV a cores, (que provavelmente só servirá para dar mais "colorido" às intervenções dos nossos ministros) são pagos com o suor do nosso Povo, que é também quem sustenta pançudos como o Sr. Ministro e o seu Governo; esqueceu-se de explicar porque é que os estudantes de Psicologia não tem razão em lutar pelo direito ao ensino; não disse o Sr. Ministro que a "transição da demagogia para a democracia” se faz com cargas da polícia de choque sobre os estudantes, com o encerramento de escolas e academias, com a reintegração daqueles que, antes do 25 de Abril, se mostravam os mais ferozes inimigos da democracia e de tudo o que cheirasse a progressista nas escolas; faltou explicar como se pode consultar democraticamente os estudantes, fazendo uma chantagem descarada, ameaçando-os de reprovação caso a resposta à pergunta que é feita não satisfaça o Sr. Ministro.
Não será isto coacção psicológica?
Finalmente, no seu monólogo, o ministro Cardia esqueceu-se de referir a "posição dialogante" do MEIC tem um aspecto original; o Sr. Ministro só dialoga de cassetete na mão ou com as escolas encerradas.
A terminologia usada pelo Sr. Ministro pouco difere daquela que o Veiga Simão usava. Os argumentos também não são muito diferentes. As cabeças partidas, os estudantes tratados no hospital, o prejuízo de 180 contos causado pelo encerramento das cantinas da Academia de Coimbra aí estão para o provar.
Somando a ingerência descarada na vida académica e na vida associativa à demagogia e à repressão, o Sr. Ministro mostra que aprendeu bem a lição do grande capital e do imperialismo.
Não conseguiu no entanto, o ministro Cardia esconder a sua desorientação e a sua total incapacidade em dar resposta às exigências da direita no ensino.
Os "pequenos sobressaltos" de que falou o Sr. Ministro, pelos vistos, abanaram-no bastante; mas os estudantes não estão para aturar mais prepotências e repressão. Nenhum ministro da educação encerra impunemente uma Academia, e muito menos todas as Academias. Cardia julgou que brincava com os estudantes, mas enganou-se. O Ministro da Educação que queremos e que havemos de colocar no sítio onde agora se encontra o reaccionário Cardia terá de ser um Ministro que respeite as exigências dos estudantes que corra com os fascistas do ensino em vez de nos mandar espancar, que abra as portas do Ensino Superior aos filhos dos trabalhadores, que não gaste o dinheiro do Povo em equipamento para forças repressivas mas abra mais escolas que permitam acabar definitivamente no nosso país com o analfabetismo (que tanto parece preocupar o Sr. Ministro), que não obedeça a ordens de ninguém a não  ser do Povo Português. Um Ministro e um Governo como nós queríamos no 25 de Abril, é esta a exigência do nosso Povo, é esta a exigência dos estudantes.
A Academia do Porto juntamente com Coimbra e Lisboa, saberá manter-se firme e unida, e levando à prática as decisões do Plenário da Academia, dar a resposta que o reaccionário Cardia e o seu Governo merecem, a resposta que milhares de estudantes já por virias Vezes deram nas ruas do Porto.
É através da nossa luta, unida à luta de todo o Povo, que a fraqueza do MEIC e do governo se transformarão nuca pesada derrota para todos os reaccionários e numa vitória para todos os que aspiram a democracia, à liberdade e ao progresso.
O nosso 25 de Abril só se tornará realidade se soubermos manter a nossa unidade combativa e isolar aqueles que procuram puxar a luta para trás, aqueles que no Plenário da Academia votaram contra as justas palavras de ordem: "A luta continua, Cardia para a rua." E "Polícia fascista assassina".
Esta vergonhosa atitude dos caciques revisionistas da UE"C" é uma posição de objectiva colaboração com o governo e a direita. "Não desestabilizamos, se não vem outro governo pior!", diziam.
CAMARADAS
Quem está a fazer a cama ã direita é o Cardia e o governo do Dr. Soares, Se tivermos força para correr com o Cardia, se tivermos força para levantar e defender até ao fim as aspirações e as bandeiras de luta dos estudantes e do nosso Povo, se não vergarmos perante nada nem ninguém, então teremos força para impor o governo que queremos e o nosso Povo quer: o Governo do 25 de Abril do Povo.

NÃO À SUBMISSÃO AOS TÉCNICOS AMERICANOS E ALEMÃES!
NÃO À ESCOLA SÓ PARA OS RICOS!
POLÍCIA, FASCISTA, ASSASSINA!
A LUTA CONTINUA - CARDIA PARA A RUA!

Porto, 16 de Maio de 1977
Conselho de Zona Estudantil do Porto da UJCR

UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA REVOLUCIONÁRIA (Organização de Juventude do PCP(R))

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