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terça-feira, 16 de maio de 2017

1977-05-16 - O MEIC ENCERROU A U.C.! - UJCR

O MEIC ENCERROU A U.C.!
OS ESTUDANTES NÃO VERGARÃO!
A LUTA CONTINUA!

O governo respondeu à luta que os estudantes vêm travando pela abertura da FCTUP sem os saneados com uma medida prepotente e reaccionária, com o encerramento da Universidade de Coimbra e das cantinas, como foram de pela chantagem, fazer-nos abandonar a luta.
No Porto, para impor as suas medidas arbitrárias decidiu mandar os estudantes fazer exames à polícia e à luta que os estudantes opuseram a esta medida respondeu com selváticas cargas policiais que fizeram dezenas de feridos e a prisão de um estudante, o que faz lembrar os tempos da ditadura fascista.
SÃO ESTAS AS MEDIDAS "PACÍFICAS E EFICAZES” COM QUE O MEIC RESPONDE ÀS DECISÕES DEMOCRÁTICAS DOS ESTUDANTES.
Cardia, entretanto, veio à RTP e RDP "explicar" estas medidas, com um célebre discurso parecido com os de antigamente em que o tom geral é a mentira, a calúnia, a provocação baixa, com apelos às "maiorias silenciosas." na tentativa clara de dividir os estudantes e os isolar do povo. Este discurso, caluniando os estudantes e as suas assembleias democráticas, chamando-lhes fascistas e fasciszantes visava nem mais nem menos do que por um ­lado justificar as suas medidas repressivas e por outro pela coação e chantagem fazer com que os estudantes desistissem de de lutar.
NO ENTANTO AS DUAS RGA’s DE 6ª F: E A PRÓXIMA A.M. E MANIFESTAÇÃO SERÃO A PROVA CLARA DE QUE NADA DEMOVERÁ OS ESTUDANTES DA JUSTA LUTA QUE HOJE TRAVAM.
Cardia veio propor no seu discurso o “método democrático“ que é o “referendo” cujos resultados à partida já estão forjados quer pela forma como é realizado quer pela alternativa que colocará. Alias, que garantias de respeito pela democracia dá Cardia quando recorre sistematicamente à falsificação e à mentira como o demonstra o seu discurso? As A.M.s em que todos os estudantes participaram livremente e em que podem controlar as decisões são mil vezes mais democráticas que o “seu refendo”. Desde há muitos anos que as A.M.s são  o órgão máximo deliberativo da Academia. A ela se subordinaram todos es estudantes. Nao aceitados hoje que alguém nos venha propor um método com o qual pensa forjar os resultados e em que a resposta é necessariamente dada sob coação de diversos tipos (familiar, encerramento das cantinas, etc.), quando as suas posições são claramente repudiadas em amplas e democráticas A.M.s que chegam a atingir 40% dos estudantes da Academia.
OS ESTUDANTES SÃO SUFICIENTEMENTE E NÃO ACEITAM QUE ALGUÉM LHES QUEIRA COMPRAR O VOTO COM PROMESSAS E CHANTAGEM. SÓ SE SUBORDINARÃO ÀS DECISÕES DA A.M. 
Mas Cardia utiliza ainda outro "democrático” argumento que é o encerramento das cantinas, o não pagamento de bolsas e o encerramento da Universidade. Com isso Cardia tenta dividir os estudantes e criar condições para os fazer "render" pelas suas dificuldades materiais. Mas também a este argumento a unidade e a organização dos estudantes dará a sua resposta. Quanto às cantinas já foram encontradas algumas soluções que, naturalmente, insuficientes apontam algumas pistas. Entretanto, deve exigir-se a utilização da cantina do ISEC por todos os estudantes, pois isso em nada prejudica os alunos do instituto e conseguir a utilização de outras cantinas de estudantes ou não.
Quanto ao ano escolar os estudantes não querem passagens administrativas e unidos em torno das Comissões de Curso saberão encontrar soluções para os problemas pedagógicos. No entanto desde já responsabilizam o MEIC pois é ele o único e exclusivo responsável pela situação criada e não os estudantes que repudiam o regresso dos saneados.
UMA RESPOSTA NACIONAL À POLÍTICA DO CARDIA É UMA QUESTÃO DECISIVA PARA LEVAR A LUTA À VITÓRIA E FAZER RECUAR O MEIC.
A política de Cardia tem o mais vivo repúdio por parte da esmagadora maioria dos estudantes portugueses. De Norte a Sul os estudantes de todos os graus de ensino desenvolvem lutas contra tal política.
As decisões do último ENDA do Ensino Superior, tendente a desenvolver a solidariedade com Coimbra e o Porto e ao apontar para a greve geral das 3 academias, apontou para uma posição correcta que, tendo embora em conta as particularidades de cada academia, possa no entanto dar a resposta nacional que as medidas de Cardia exigem.
A SOLIDARIEDADE DO POVO DE COIMBRA É FUNDAMENTAL NA LUTA QUE TRAVAMOS.
Hoje os trabalhadores desenvolvem uma luta intensa contra a política anti-popular e de direita do governo de Soares de repressão sobre o povo e de cedência total aos fascistas e imperialistas, de aumento da miséria com o constante aumento do custo de vida e do desemprego, de ataque à Reforma Agrária e às nacionalizações, etc.
A luta dos estudantes é hoje uma parte importante da luta do povo e serve os objectivos revolucionários da luta popular. Nós hoje não podemos ceder como os trabalhadores também não estão dispostos a ceder. Devemos seguir o seu exemplo e avançar na luta.
A manifestação de terça feira, tem um grande significado que mostrará necessariamente a solidariedade do povo de Coimbra a nossa luta apesar de todos os entraves que estão a ser colocados. Conquistar o apoio do povo para a nossa luta é fundamental para a vitória desta.
TENDO EM CONTA ESTA SITUAÇÃO A UJCR PROPÕE:
1. Reabertura imediata da U.C. e da FCTUC sem os saneados e continuara luta até agora desenvolvida.
2. Reabertura das cantinas e que se desenvolvam esforços para se utilizar outras cantinas estudantis ou não.
3. Dizer não ao referendo e reafirmar que a A.M. é o órgão máximo deliberativo da Academia e só às suas decisões os estudantes estão vinculados.
4. Marcar nova A.M. para a próxima 3ª f. para analisar a situação em Coimbra e a nível nacional e decidir das formas de continuação da luta.
5. Saudar as posições do último ENDA e apelar aos estudantes das Coimbra e nível nacional e apelar aos estudantes das outras academias para que se mantenham firmes na luta.

Coimbra, 16/5/77
CONSELHO DE ZONA ESTUDANTIL DA UJCR

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