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terça-feira, 16 de maio de 2017

1977-05-16 - Improp - Suplemento - IV Série - Movimento Estudantil

EXIGIMOS:
REABERTURA IMEDIATA DA ACADEMIA DE COIMBRA

A Academia de Coimbra foi encerrada pelo MEIC. No Porto, a polícia de choque carregou brutalmente sobre os estudantes. Em Coimbra, no Porto, em Lisboa, no Ensino Secundário, sucedem-se os actos prepotentes do ministério, dos quais ressaltam a situação dos estudantes de Psicologia, das Medicinas, do Instituto Superior de Economia, etc.
Os estudantes de Coimbra e do Porto estão em luta por objectivos inteiramente justos e que nos dizem respeito de muito perto. Em greve geral há cerca de 2 semanas, a Academia de Coimbra está a dar um exemplo de unidade estudantil a toda a Universidade e a todo a país. Após diversas e importantes manifestações e de um dos maiores Plenários de sempre, a Academia do Porto estará amanha, 3ª feira, em greve geral de protesto contra a acção das forças repressivas, em apoio à luta dos colegas de Psicologia e pela reabertura da Universidade de Coimbra.
Os estudantes protestam contra a política repressiva do MEIC de Cardia. A recusa de homologação dos órgãos de gestão legalmente eleitos no ISE, a não resolução dos inúmeros problemas quanto ao seguimento dos cursos de Medicina, o corte de subsídio ao curso de Serviços Sociais de Lisboa; o não reconhecimento por parte do MEIC das anteriores avaliações realizadas pelos estudantes de Psicologia do Porto, quando estes ainda estavam integrados na Faculdade de Letras, avaliação de conhecimentos esta reconhecida como válida pelos CD, Conselho Pedagógico e Conselho Científico da dita escola; nomeadamente a situação existente na nossa escola, de não concessão de verbas para pagamento de professores cujas consequências são sobejamente conhecidas, são, entre outros, exemplos que mostram claramente o teor dessa política.
Exigimos a justa resolução dos graves problemas que se estão a criar e que ameaçam directamente o direito ao ensino de todos os estudantes universitários. Exigimos que os estudantes não sejam tratados como antes do 25 de Abril: com a polícia e o encerramento das escolas!
Perante esta situação, da qual o discurso demagógico de Cardia não deixa ilusões, temos de assumir uma posição activa imediata. A não ser assim, onde irão parar as actuais medidas do MEIC? Que futuro terão, não só a Universidade de Coimbra, como a nossa própria Faculdade, em relação à qual certas acções do MEIC se fazem também sentir?
O Encontro Nacional de Direcções Associativas do Ensino Superior, ontem realizado, após ter analisado a situação extremamente grave que o MEIC criou nas escolas e em particular nas academias de Coimbra e do Porto, decidiu propor a levar a todos os estudantes a posição de que é necessário que a Academia de Lisboa assuma as suas responsabilidades, juntando-se às outras escolas numa luta que é essencialmente de todos os estudantes. O Encontro aprovou como perspectiva convocar para breve (ainda esta semana) Plenários de cada uma das 3 Academias, onde deverão ser aprovadas as formas de luta que a situação exige e, nomeadamente se tal for necessário perante a posição do MEIC, a Greve Geral Nacional pela obtenção dos pontos básicos de reivindicação das escolas.
O encerramento da Academia de Coimbra não pode passar. O desprezo pelos problemas das escolas não pode ser aceite como política de um MEIC. A repressão e a recusa ao diálogo não pode ser uma norma num país democrático.
Por isso é necessário que na Reunião Geral de Alunos, que desde já convocamos para amanhã, 3ª feira, às 10h, todos os estudantes de Ciências participem e que ai sejam aprovadas formas de apoio e de luta a encetar pela nossa escola.

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