domingo, 14 de maio de 2017

1977-05-14 - Academia de Coimbra, Universidade do Porto, Ensino Secundário, Ensino Superior - um só Combate no Caudal da Luta do Povo! - FEML

Federação dos Estudantes- Marxistas - Leninistas
Organização de PCTP/MRPP para a Juventude Comunista Estudantil

Academia de Coimbra, Universidade do Porto, Ensino Secundário, Ensino Superior - um só Combate no Caudal da Luta do Povo!

DECLARAÇÃO DO COMITÉ PERMANENTE DO COMITÉ CENTRAL DA FEM-L SOBRE O RECENTE AGUDIZAR DA LUTA DA JUVENTUDE ESTUDANTIL PORTUGUESA  

Os processos de luta ultimamente desencadeados nas Academias de Coimbra e Porto a par de numerosos combates travados um pouco nas escolas de todo o país, colocaram toda a burguesia no mais perfeito pânico. Se não é órgão da imprensa burguesa que não ataque essa luta, também não há ministro da educação ou polícia de choque que a consiga calar. Apesar de todos os ataques, calunias e mentiras vociferadas aos quatro ventos pela televisão, jornais e outros Órgãos da comunicação social capitalistas, a luta iniciada em Coimbra, prosseguida no Porto e continuada por todo o país mantém-se firme e vitoriosa. Se ela logra ser alvo de todos os ataques dos serventuários do capital e porque goza de uma grande simpatia, estima e apoio por parte de todo o povo explorado e oprimido da nossa pátria.
A luta dos estudantes, sejam eles de Coimbra, do Porto, de Lisboa ou de qualquer outro ponto do país é uma luta inteiramente justa: Ela centra-se no ataque à Reforma Burguesa para o ensino, iniciada por Veiga Simão, prosseguida pelos ministros de Vasco Gonçalves e agora continuada por Cardia. É uma luta contra essa reforma burguesa aquilo que em boa verdade se passa; reforma essa que visa colocar os estudantes a aprenderem a melhor explorar e oprimir o povo; uma reforma que quer transformar o Ensino Secundário numa escola de formação de desempregados e o Ensino Superior num campo de treino de uma elite de bons guardas do capital; uma reforma que mantém como objectivo formar técnicos e intelectuais que sirvam Povo e resolvam os seus problemas, mas que antes pelo contrário os visa transformar em exploradores "aperfeiçoados" e aptos a melhor extorquírem ao Povo o fruto da sua força de trabalho, do seu suor e do seu sangue.
É por isso que os estudantes se revoltam, contra isso que eles lutam e nada nem ninguém os fará demover do rumo traçado.
Nos últimos dias as Assembleias de massas, as manifestações, os confrontos com as polícias do capital e outras acções de luta tem-se multiplicado. Em Coimbra as massas estudantis têm-se vindo a mobilizar, mantendo a greve geral 100% vitoriosa e ainda há poucos dias voltaram a reafirmar numa Assembleia Magna com cerca de 4000 estudantes o seu desejo de prosseguir o combate. No Porto 1000 estudantes saem para a rua enfrentando as polícias assassinas e juntando a sua manifestação a dos operários dos Serviços de Transportes Colectivos do Porto igualmente em luta. Em Lisboa e por todo o país se travam, combater e se preparam formas de solidariedade activa.
O exemplo dos estudantes do Porto e Coimbra mostra-nos claramente o caminho a seguir; prosseguir o combate e uni-lo no caudal da luta do Povo. Nesse exemplo não falou o Dr. Cardia na sua meia-hora de verborreia reaccionária. Que melhor prova quer o ministro do que os estudantes estão unidos ao Povo? É que a luta dos estudantes e a luta de Povo e uma só: e a luta contra as medidas reaccionárias e anti-populares do governo de serventuá­rios do capital que 2 o governo do Dr. Soares. Quer eles queiram quer não, a luta dos estudantes é a mesma que a dos operários dos STCP, da Marriott, da Auto-Reconstrutora do Barreiro e dos operários de Vieira de Leiria:- e a luta contra uma política, contra a política de uma classe, da classe dos exploradores.
O ministro Cardia falou. Todos tiveram oportunidade de o ouvir. Seria fastidioso e numerar aqui todas as enormidades reaccionárias proferidas pela sua boca de reles lacaio do capital. Não houve calúnia ou acusação que ele não atirasse sobre os estudantes. Algumas delas são novas, na medida em que a sua terminologia e mais reaccionária, mas a maior parte herdou-as ele dos seus antecessores, nomeadamente de Veiga Simão. Vejamos algumas delas: "grupos de formação fascizante", "continuadores da obra de Salazar", "elementos não estudantis", "forças extremistas", "demagogos da ultra-esquerda", etc., etc. Como vêem o vocabulário dos reaccionários foi bastante enriquecido pela verborreia do meritório Cardial
O ministro falou ainda das verbas para o ensino que os estudantes estariam "a esbanjar a custa do Povo". Esta também não e nova mas seria bom perguntar ao sr. ministro qual foi a verba atribuída ao exercito, às policias parasitas e ao arsenal bélico destinado a oprimir e afogar em sangue a revolta do Povo. Nos lembramos-lhe que se ao ensino couberam 23 milhões de contos, ao aparelho repressivo no seu conjunto, foram destinados 33 milhões de contos.
Reunidos em RGA os estudantes de Coimbra escutaram atentamente as enormidades do ministro e deram-lhe logo ali a única resposta que ele merece: Continuar a luta? Essa e igualmente a resposta de todos os estudantes do país, desde o Ensino Secundário ao Ensino Superior. A resposta de não vergar face a luta e de se unirem ao Povo e alcançarem a vitória.
Os próximos dias vão ser dias de luta dura nas escolas de todo o país, de norte a sul do continente aos Açores e Madeira. Essa luta travar-se-á em diversas frentes na medida em que, se hã um inimigo externo perigoso, existe todavia um inimigo interno mais perigoso ainda: os revisionistas e oportunistas. Analisemos sumariamente o que se passou em Coimbra: a proposta da UE"C" tem sido do seguinte teor - "nós não podemos impedir a reintegração dos saneados, por isso apenas devemos protestar para manifestar o nosso descontentamento" - enquanto os seus filhotes da UDPide clamavam igualmente - "impossível lutar". Mas como as massas não foram atrás da sua cantilena reaccionária eles lá se resolveram a ir com a luta para a traírem na próxima oportunidade que se lhes depare. Ou não foram eles que impediram que se decretasse greve geral no Porto, mas apenas paralização? Ou não são eles que convocam uma "jornada de luta do Ensino Secundário" para dia 18 sem que a maioria dos estudantes o saibam, com o objectivo de dispersar forças? A missão dessa cana lha a sempre a mesma: colocar-se no seio da luta para melhor a traírem aplicando a política do MEIC. Assim foi quanto ao decreto de gestão e assim continuará a ser até que os estudantes lhe dêem o destino apropriado.
Se em Coimbra a luta é contra a reintegração de alguns parasitas fascistas, no Porto contra o numerus clausus e no Ensino Secundário contra os exames nacionais e a selecção, ela e, todavia, uma única luta: a luta contra a reforma burguesa do ensino - integrem-se num só caudal - o caudal da luta do Povo.
Os estudantes portugueses estão a travar combates de grande envergadura e que são decisivos para a continuação da luta. Todos esses combates fazem parte de uma guerra e, como tal, devem ser unidos. A solidariedade estudantil e, neste momento, uma arma de extremo alcance, na medida em que impedirá o isolamento de uma Academia ou de uma escola.
A Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas incita os estudantes portugueses a prosseguirem a sua justa e valorosa luta, apela a que se multipliquem as formas de solidariedade com Coimbra e Porto e conclama as largas massas da juventude estudantil a unirem a sua luta num caudal único, tal como o fizeram admiravelmente os estudantes do Porto; o caudal da luta do Povo.
Nada nem ninguém fará parar as massas em revolta!

VIVA A JUSTA LUTA DA JUVENTUDE ESTUDANTIL PORTUGUESA!
FOGO SOBRE A REFORMA BURGUESA DO ENSINO!
VIVA A SOLIDARIEDADE ESTUDANTIL!
MORTE AO REVISIONISMO E AO OPORTUNISMO!
A LUTA CONTINUA!
VIVA O PCTP/MRPP!
VIVA A FEM-L!

Lisboa, 14/5/77
O COMITÉ PERMANENTE DO COMITÉ ESTRELA VERMELHA-RIBEIRO SANTOS COMITÉ CENTRAL DA FEM-L 

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