sexta-feira, 12 de maio de 2017

1977-05-12 - Unidade Popular Nº 118 - PCP(ml)

A verdadeira «alternativa» de Mário Soares

Quanto tempo mais irá durar o minoritário e conciliador Governo do PS?
«Essa é uma pergunta com a qual apenas os estrangeiros se preocupam, não os portugueses», respondeu Mário Soares recentemente a um entrevistador do jornal inglês Herald Tribune.
A verdade, no entanto, é outra. E Mário Soares sabe-o melhor que ninguém. A crise económica que o seu governo se mostra incapaz de resolver está em vias de se tornar uma verdadeira crise nacional. Os partidos democráticos portugueses, à excepção do PS, têm vindo a defender a necessidade de se procurarem alternativas de governo que ponham cobro a esta perigosa situação para a independência nacional e a democracia. O PCP(m-l), em particular, propôs há muito a formação de um governo de unidade da burguesia nacional que una os principais partidos democráticos - PS, PSD e CDS - com base num programa de salvação nacional.
Mas, apesar de tanta gente em Portugal se preocupar com a duração do seu antipatriótico governo minoritário, Mário Soares sobranceiramente afirma que apenas os estrangeiros se preocupariam com tal assunto.
Por isso, quando no passado dia 25 de Abril o Presidente da República em pessoa vem afirmar que «é a defesa da democracia que exigirá a procura de alternativas que a garantam», Mário Soares e o seu governo entraram nessa altura verdadeiramente em pânico.
Declarações sucederam-se a declarações - «o governo não está em causa pelo discurso do Presidente», «não há alternativas ao governo PS», «o PS continuará a governar sozinho» — numa vã tentativa de apagar a enorme receptividade da afirmação de Ramalho Eanes junto do povo português e de todos os meios políticos democráticos nacionais.
Já ninguém hoje desconhece, nem em Portugal nem no estrangeiro, que Mário Soares continua a alimentar um velho sonho; concretizar em Portugal um «programa comum de Governo da esquerda», ou seja, fazer uma aliança de governo com o partido social-fascista de Cunhal. Essa é, aliás, a razão de todo o barulho que faz contra as alternativas democráticas ao seu governo.
A sua prática tem demonstrado que a maior preocupação de Mário Soares hoje e tentar desesperadamente ganhar tempo e aguentar-se no poder até conseguir «democratizar» o nazi Cunhal, até o forçar a adoptar uma táctica eurodiversora, e po­der chamá-lo ao governo. Veja-se o recente estardalhaço em tomo do boicote de Salvaterra de Magos, vejam-se os constantes elogios ao «eurocomunismo».
Assim se compreende que Mário Soares e outros dirigentes do PS fossem tomados de pânico com aquela pequena frase do discurso de Ramalho Eanes. É que o Presidente da República, ao admitir publicamente a possibilidade de alternativas, veio como é natural acelerar o processo de criação das condições para um programa de salvação nacional entre as forças democráticas nacionais; e roubar tempo a Mário Soares para a criação das condições do seu almejado «programa comum de Governo da Esquerda».
Mário Soares perde inutilmente o seu tempo ao tentar mascarar de potencial «democrata» e impor ao povo português um partido que ele apenas conhece como social-fascista. Porque se hoje o povo português ainda aceita uma alternativa democrática de governar com o PS, amanhã provavelmente deixará de o aceitar.

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