sexta-feira, 12 de maio de 2017

1977-05-12 - Folha CDS N.° 89 - CDS

Folha CDS N.° 89
12.V.77

Assim vão as coisas
   1. O CDS COM OS REFUGIADOS DE MOÇAMBIQUE. ENVIE DONATIVOS, ROUPAS, GÉNEROS PARA OS QUE CHEGAM DE MOÇAMBIQUE.
O nosso partido lançou uma campanha de apoio aos refugiados que chegam ao Aeroporto da Portela onde montou um posto de recepção em permanência. Vá até lá dar uma ajuda e envie roupas, dinheiro e géneros. Para o Largo do Caldas, 5 em Lisboa. Pode contactar pelos telefones 861048 e 861173.
2. DISCURSO DE FREITAS DO AMARAL: A PEDRA NO CHARCO. Continuam as reacções ao Diogo Freitas do Amaral proferiu na Assembleia da República. Políticos das mais diversas tendências tomam posição sobre o que disse aquele que, depois do Presidente da República é o político cuja cotação mais tem subido — no dizer insuspeito de muitos observadores estranhos ao CDS. Por isso mesmo, apesar de terem passado uns dias, e porque o seu conhecimento — num país onde a «crise da imprensa» se vem revelando como uma das mais eficazes formas de censura — é incompleto por parte de largas camadas de portugueses aqui recordamos algumas das suas passagens;
Depois de frisar que o CDS tem mantido uma oposição clara e moderada ao 1.° Governo constitucional, Freitas do Amaral recordou que «não para proporcionar ao PS ser Governo mas para propor­cionar aos portugueses serem governados» o CDS não rejeitou o Programa do Governo em Agosto de 75 e absteve-se nos votos «cruciais» do Plano e Or­çamento para 1977 e propôs, em especial aos res­tantes partidos da oposição um período de acalmia política para vencer a crise económica. «Fizemo-lo por nossa exclusiva iniciativa e unicamente baseados na nossa própria análise do interesse nacional» disse o presidente do nosso Partido que salientou dar o Governo mostras de desorientação «quando inexplicavelmente sem que, quem quer seja tenha sugerido a sua queda ou proposto a sua substituição começa ele mesmo a travar em público um debate que nin­guém abrira sobre a sua própria sobrevivência. Não ê de estranhar assim que os partidos da oposição comecem a pensar porventura mais cedo do que o previsto, nas alternativas possíveis (...). Não pode um Governo democrático estranhar ou levar a mal que se fale em alternativas pois que estas são essen­ciais à noção de democracia. (...) É mau para a de­mocracia que se espalhe a ideia de que não há alternativas. (...) Foi decerto por esta razão que no dia 25 de Abril, nesta sala, o Presidente da Repúbli­ca proclamou que «é ainda a defesa da democracia que exigirá a procura de alternativas que a garan­tam». Tê-lo-ia dito o general Ramalho Eanes para pôr em causa neste momento a subsistência do Go­verno? É preciso ter feito uma leitura muito apres­sada, ou muito angustiada, da mensagem presiden­cial para nela não ter encontrado senão referências ao problema do Governo. (...) Todas as forças polí­ticas foram chamadas às suas responsabilidades. (...) Quantos responderam? (...) O CDS vê com apreensão este silêncio e (...) declara-se pronto a
No Aeroporto posto de recepção CDS aos refugiados dialogar com o Governo e com os partidos democráticos representados nesta Assembleia sobre as plataformas programáticas que forem necessárias à superação da crise. (...) O que está em causa não é saber se presentemente a maioria presidencial existe ou não, mas saber se ela deve ou não passar a existir. (...) Ao apresentar esta proposta concreta o CDS quer contribuir para que Portugal encontre no seu sistema político cada vez menos razões de desencanto e cada vez mais motivos de esperança. A fórmula do governo minoritário adoptada em meados do ano passado está a esgotar a sua suposta capacidade. (...) Os portugueses aspiram a um esquema maioritário que funcione com clareza e em termos seguros, previsíveis».
3. FANFANI, LEO TIRDEMANS, EDUARDO FREI, HELMUT KOHL COM FREITAS DO AMARAL m BRUXELAS. Juntamente com os líderes de 60 partidos e movimentos defensores, nesses continentes, da Democracia Social Cristã, o presidente do CDS participou em Bruxelas num evento promovido pela União Mundial das Democracias Cristãs durante o qual foi aprovado o Manifesto Mundial da Democracia Cristã: a maior força mundial democrática que se opõe ao instável «socialismo democrático» (ou social democracia).

O Partido
1. FALECIDOS EM PLENA RUA. Vítima de atropelamento morreu o nosso amigo Álvaro Miranda Gomes, um dos primeiros militantes do CDS de Oeiras. Com poucos dias de intervalo faleceu a dr.a Mariana Santos, fundadora do 1.° núcleo do CDS de Portimão.
O seu exemplo de luta e de dedicação ao CDS fica.
2. NO DIA 21 ALMOÇO EM LISBOA. O produto das inscrições (500$00 cada) destina-se à angariação de fundos. Freitas do Amaral estará presente.
3. NO DIA 5 DE JUNHO FESTA CDS EM COIMBRA.
4. NO DIA 19 DE JULHO O CDS FAZ 3 ANOS!
5. NUMA CARTA QUE NOS CHEGOU DE OLHÃO DIZEM-NOS: «Logo que conseguirmos casa instalaremos aqui a sede local».
6. ALMADA CORAGEM CDS NA DEFESA DA DEMOCRACIA. Do presidente da concelhia do CDS de Almada recebemos nova versão, corrigida, sobre uma notícia publicada no n.° 87 de «Folha CDS». Que transcrevemos: «Tem sido difícil a missão dos representantes do CDS na Assembleia Municipal de Almada, na qual as suas intervenções, em defesa dos interesses dos munícipes, da legalidade e da democracia, se têm desenrolado em ambiente desfavorável, por vezes escaldante e até hostil, por parte, mais dos GDUP's, menos da FEPU, e muito da sempre numerosa assistência, perante a complacência, quando não mesmo colaboração, do Presidente da Assembleia, representante da FEPU».
7. FOI O CDS QUE PROPÔS QUE A AMADORA FOSSE ELEVADA A MUNICÍPIO. E nesta vila de 100 mil habitantes o CDS prepara-se para vencer as próximas eleições. Para já o núcleo local começou a publicar uma folha «Informação CDS/Amadora» onde anuncia que vai proceder à cobrança das quotas e que o horário de abertura da sede é de 2.ª a 6.ª das 21 às 23 h. Uma delegação da JC da Amadora deslocou-se a Setúbal onde trabalhou com a JC daquela cidade.
8. BANDA DE MÚSICA DE ANCEDE RECEBE FREITAS DO AMARAL EM BAIÃO. No dia 30, com a presença de Amaro da Costa, do Presidente e de outros dirigentes do Partido foi inaugurada a nova sede do CDS em Baião. A Banda de Ancede, presente, fazia nesse dia 125 anos.
9. TIRO AOS PRATOS EM SINTRA. Em Junho, com almoço no campo. Neste concelho onde o núcleo local começou a publicar um boletim do CDS, foram, inaugurados os centros de convívio de Colares e do Cacém.

Juventude Centrista
1- NO PROGRAMA DA JC (CAP. IV) LÊ-SE: «A Juventude Centrista deverá combater nos jovens a aceitação de qualquer meio de degradação da sua personalidade, tais como a droga, o alcoolismo e a imoralidade».
2. FREITAS DO AMARAL NA REUNIÃO DO DEMYC. A «Democrat Youth Comunity of Europe» cujo comité executivo reuniu há pouco em Lisboa com a presença do presidente do CDS produziu no final uma declaração, na qual confessa que ficou impressionada «com o contraste verificado entre a situação portuguesa actual e a existente há cerca de dois anos quando os seus membros pela primeira vez visitaram Lisboa. De uma situação de anarquia e revolução permanente o povo português evoluiu no sentido ordeiro e correcto do desenvolvimento da, democracia».

Pé de página
      Em democracia é muito importante reduzir os grandes problemas à sua expressão mais simples, para que todos possamos participar na busca das soluções ou aderir de boa mente às soluções  encontradas.
      Por isso, é obrigação dos responsáveis apresentar no País de forma simples, os chamados problemas-chave, isto é, aqueles que, enquanto não estiverem resolvidos não permitirão a resolução dos seguintes.
Um exemplo: NATO.
A NATO é uma aliança militar para se opor ao comunismo. Portugal, depois da Revolução de Abril, reafirmou a sua opção: ser membro da NATO.
Parece, portanto, evidente que enquanto Portu­gal pertencer à NATO não pode haver comunistas no aparelho militar português. Só quando assim suceder haverá estabilidade nas Forças Armadas. E como todo o País está dependente da estabilização das Forças Armadas, só então será possível estabilizar o aparelho de Estado, a vida social, a actividade económica e as relações internacionais, em especial com os países nossos aliados na NATO.

PEDRO DE VASCONCELOS
Presidente da Mesa do Conselho Nacional Secretário Nacional para a Administração Interna

Departamento de Opinião Pública/Propaganda — Largo do Caldas, 5 — Lisboa — Telef. 865642
Tiragem: 145.000 exemplares

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