quinta-feira, 11 de maio de 2017

1977-05-11 - Bandeira Vermelha Nº 069 - PCP(R)

EDITORIAL
17 de Abril, 25 de Abril, 1o de Maio: O PARTIDO E O MOVIMENTO DE MASSAS

As gigantescas movimentações de massas do 25 de Abril e do 1o de Maio são os factos de maior relevo político dos últimos meses.
Foram a reafirmação do repúdio popular ao fascismo e à política reaccionária de recuperação capitalista conduzida pelo imperialismo e pela grande burguesia. A força indesmentível das manifestações que percorreram o país repercutir-se-á na evolução política imediata. As forças fascistas puderam não só comprovar o isolamento a que são votadas pelas massas populares como a activa oposição dos trabalhadores portugueses às suas ofensivas políticas. Para as forças no poder, as manifestações populares representam um considerável obstáculo à sua política reaccionária; a caminhada para a direita que julgavam poder prosseguir calmamente sofreu fortes perturbações. Os conflitos e as divergências políticas agravar-se-ão forçosamente.
O nosso Partido participou activamente e contribuiu para incentivar por todo o país estas grandes acções dos trabalhadores e do povo. Os nossos militantes e simpatizantes trabalharam aplicadamente, lado a lado com outras forças revolucionárias e antifascistas, para que o 25 de Abril e o 1° de Maio fossem jornadas de luta contra o fascismo e contra a recuperação capitalista.
O PCP(R) tinha revelado já no comício de 17 de Abril, que constitui uma força política de peso nacional que não pode ser ignorada por nenhum partido, por nenhuma classe. As responsabilidades crescentes que, por este facto, temos perante o movimento popular e o movimento revolucionário das classes trabalhadoras serão plenamente assumidas por todos os nossos militantes, por todas as nossas organizações partidárias.
Participámos, com outras forças políticas revolucionárias, na poderosa manifestação antifascista da noite de 24 de Abril, em que esteve presente o general Otelo, comemorativa da queda da ditadura. Defendemos nos festejos do dia 25, o espírito de luta antifascista do 25 de Abril, contra a pretensão reaccionária de fazer dos desfiles militares a confirmação do 25 de Novembro. Enquanto isso, o PS procurava reduzir o dia 25 a simples festa sem espírito de luta e os revisionistas não organizavam a nível nacional nada de significativo.
No 1o de Maio, apoiámos as manifestações convocadas pelos sindicatos revolucionários que, nos mais importantes centros laborais do país, contribuíram significativamente para a poderosa demonstração de força dos trabalhadores portugueses. A corrente sindical revolucionária, apesar de ser ainda fraca, é a única que combate de forma coerente a hegemonia revisionista no movimento sindical. O facto de se integrar nos grandes desfiles da CGTP e de aí marcar posição independente, de afirmar uma linha política oposta à dos revisionistas para o movimento sindical e para a crise, é de grande significado para o futuro próximo do movimento operário e sindical. Trata-se de disputar o domínio revisionista no próprio campo da luta das massas trabalhadoras e não apenas contestar de fora a influência maioritária que aquela corrente contra-revolucionária exerce sobre o movimento operário.
Trata-se de realçar a existência e reforçar as posições políticas próprias da corrente revolucionária sem deixar que os compromissos a diluam e a apaguem. Para que a sua força aumente, é preciso que ao trabalho paciente e persistente junto das massas sindicalizadas se associe a definição clara de alternativas políticas que apontem a saída da crise ao conjunto do movimento operário. Alternativas essas que apresentem aos trabalhadores caminhos de combate ao fascismo e à recuperação capitalista, que se oponham ao pacto social e rejeitem as falsas soluções dos revisionistas.
As manifestações do 1o de Maio por todo o país revelaram o peso não desprezível dos sindicatos revolucionários no conjunto do movimento e mostraram mesmo o seu predomínio em certas regiões do país. Apesar de a corrente revolucionária ser ainda pequena no conjunto do país, apesar das suas fraquezas, apesar mesmo dos erros que tenham sido cometidos, ficou vincado que as palavras de ordem revisionistas e a orientação política que pretendem imprimir ao movimento operário na presente crise têm opositores decididos com palavras de ordem próprias e orientação política revolucionária.
A força do movimento revolucionário reside na unidade política das massas, em particular na unidade política da classe operária, construída em torno de objectivos revolucionários. Mas nunca a unidade da classe operária e do movimento popular será obtida na ausência de perspectivas políticas globais ou com posições políticas frouxas. O nosso Partido defende, de acordo com a táctica elaborada no seu II Congresso, que a alternativa global para a situação política do país, é um governo do 25 de Abril do povo e que, nas condições particulares que atravessamos, se impõe orientar o movimento das massas trabalhadoras para a resistência à ofensiva fascista-capitalista, obrigando os ricos a pagar os custos da crise, defendendo as liberdades, exigindo a repressão sobre os fascistas. Estes os caminhos de luta que compõem a alternativa revolucionária global. Esta a perspectiva política que constitui o cimento da unidade operária e popular.

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