quinta-feira, 4 de maio de 2017

1977-05-04 - Bandeira Vermelha Nº 068 - PCP(R)

EDITORIAL
O 1º DE MAIO APONTA O CAMINHO

l. As grandes movimentações de massas realizadas neste 1º de Maio de 1977 reacenderam no coração de todos os homens avançados a chama luminosa da esperança num futuro melhor. Os superiores ideais do proletariado ganharam os céus.
Dias antes, a 25 de Abril, o Presidente da República discursara ameaçadoramente na Assembleia fazendo-se porta-voz fiel das exigências do grande capital e do imperialismo. As palmas frenéticas da direita reaccionária aplaudiram-no, desenharam-se sorrisos de arrogância revanchista entre as bancadas direitistas ao parlamento. O receio e a vacilação apoderaram-se dos sectores reformistas e revisionistas.
Mas a resposta do movimento operário e popular não tardou. Já nas próprias comemorações do 25 de Abril ela se fizera ouvir. Agora, no 1º de Maio, ela aí está de novo, pujante, plena, de força e dinamismo. Para quem ainda tivesse dúvidas, a valorosa classe operária lusitana, os heróicos proletários rurais, os agricultores sacrificados, os trabalhadores pobres e os homens de esquerda vieram à rua dizer que não deixarão atraiçoar Abril, que ninguém poderá espezinhar os seus direitos e elevadas aspirações. O 1° de Maio no país de Abril reafirmou que os governantes são homens provisórios e fracos e que o futuro pertence ao proletariado e ao socialismo.
     2. Para os comunistas autênticos, para os que se esforçam por ser dignos herdeiros das velhas tradições bolcheviques, o 1º de Maio de 77 não constituiu surpresa. Antes confirmou as suas previsões e recompensou a sua acção.
O 1° de Maio de 77 é o culminar de um ascenso no movimento de massas que remonta aos princípios do ano. De Janeiro a Abril fez-se sentir em Portugal uma poderosa onda grevista e reivindicativa que abarcou centenas de milhar de trabalhadores, galvanizou sectores antes adormecidos, fez fracassar numerosas leis e decretos reaccionários governamentais.
Ligeiramente atenuada no mês de Abril, a onda grevista deu no entanto lugar a importantes acções de massas que prepararam a jornada do 1º     de Maio. As realizações unitárias no aniversário do assassinato do padre Max e de Maria de Lurdes, o aniversário da Constituição, o grande comício do nosso Partido em Lisboa, as visitas da delegação do PTA junto dos operários e do povo, as grandes comemorações do 25 de Abril, o prosseguimento da luta nas empresas desintervencionadas onde se destaca a Tomé Feteira e, finalmente, a luta vitoriosa na Madeira que fez tremer o governo regional, tudo isto fermentou entre as massas como poderosa alavanca para a grande jornada do passado domingo.
     3. Um obstáculo traiçoeiro, um escolho enganador dificulta contudo a marcha vitoriosa dos trabalhadores portugueses. Muitos o ignoram ainda, inúmeros são os que não acreditam no que vêem. Mas a verdade nua e crua é que o partido revisionista usa abusivamente o nome do velho PCP e actua no seio do movimento operário como perigoso agente do inimigo de classe. Lacaio do social-imperialismo, servidor da burguesia portuguesa, o partido revisionista é acima de tudo um hábil malabarista e um eficiente travão do movimento revolucionário.
Nas comemorações do 25 de Abril, os revisio­nistas apoiaram inteiramente as hipócritas comemorações oficiais, deram o seu aval ao cortejo militar de Lisboa, discursaram inofensivamente na Assembleia da República, procuraram boicotar de dentro realizações antifascistas como as de Ovar.
No 1º de Maio procuraram esvaziar as iniciativas populares do seu sinal classista e revolucionário, procuraram abafar a sua disposição combativa, na impossibilidade de as reduzir a meras festas adornativas. Em Lisboa impediram os sindicatos revolucionários de entrar no Estádio 1º de Maio. Em Coimbra não deram a palavra às empresas em luta. Na heróica Marinha Grande fizeram discursos cobardes e impediram a grande demonstração de força que se exigia. Em todo o lado espalharam vacilação, cedência, temor de ir à luta e enfrentar a reacção.
Para os descrentes e os cépticos, para os que insistem em ver no partido revisionista um aliado possível, é útil meditar na experiência recente. Os revisionistas desejariam que o proletariado deixasse de pensar na revolução, se limitasse a exigir a manutenção do sistema parlamentar e a liberdade de penetração do social-imperialismo em Portugal.
Impedir que os revisionistas capitalizem em seu proveito as grandes movimentações do 1º de Maio é um dever primeiro dos comunistas e dos autênticos revolucionários. O 1º de Maio não pode ser apropriado pelas ideias da capitulação e do pacto social porque ele foi combativo e classista.
    4. A grande jornada de luta nacional do passado domingo tem de ser colocada ao serviço da acumulação revolucionária das forças do Progresso e da Liberdade. O nosso Partido é aí chamado a desempenhar relevante papel.
Urge intensificar a acção diária, a luta de massas pelos seus legítimos direitos e sentidas aspirações. Os exemplos vitoriosos da Madeira e da Tomé Feteira precisam ser amplamente divulgados com vistas a rechaçar a demagogia revisionista. É na acção de massas de todos os dias, nos confrontos massivos em defesa dos direitos alcançados e pela sua ampliação que se preparam os combates decisivos.
É preciso reforçar a intervenção nos sindicatos e órgãos de massas, nomeadamente entre os camponeses. A vida está comprovando que é aí, na organização paciente, que se decidem os grandes êxitos da mobilização.
Revela-se indispensável o reforço do nosso Partido, a sua afirmação crescente é continuada no seio da classe operária e dos trabalhadores.
Com entusiasmo e determinação, prosseguindo o caminho já aberto pelas grandes movimentações de massas e aplicando as sábias conclusões do II Congresso todos os dias confirmadas, os comunistas estarão mais uma vez, e sempre mais, à cabeça do movimento operário e popular.

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