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terça-feira, 2 de maio de 2017

1977-05-02 - A nossa posição face à c.d.p - UJCR

A nossa posição face à c.d.p

A nossa escola tem sofrido por parte do MEIC os mais variados ataques e as mais variadas tentativas para abalar e contrariar as conquistas que já alcançamos, ao longo de todos estes anos.
Na sua situação actual, pensamos ser o processo de reestruturação a questão chave de toda a vida futura da Faculdade – dela depende a escola que vamos ter para o ano; que tipo de matérias, que cadeiras do curso, que professores e que métodos de ensino, que métodos de avaliação de conhecimentos, etc.
A UJCR, como organização que intervém no GDUP, tem desenvolvido os seus esforços no sentido de que nenhuma destas questões de importância vital para a escola sejam decididas sem a discussão e o acordo de todos os estudantes e professores, e no sentido de que não venham a ser irremediavelmente postas em causa conquistas como a avaliação contínua, o trabalho em grupo e o curso nocturno, bem como a participação democrática da escola na decisão de todos os processos que lhe digam respeito.
Por isso nos opomos neste momento à CDP e denunciamos a eleição deste órgão directivo provisório, como mais uma medida antidemocrática do MEIC em prosseguir o já institucionalizado "estado de excepção" da FDL, que faz a nossa escola andar arredada da mais elementar prática democrática há já bastante tempo.
Denunciamos uma Comissão de Reestruturação a funcionar com poderes que não são os que lhe foram atribuídos no seu processo de eleição.
E denunciamos a criação da CDP, opomo-nos à sua eleição pelas seguintes razões fundamentais, derivadas quer do seu próprio modo de eleição, quer do fim que prossegue para a política do MEIC:
I - O modo de eleição do órgão é antidemocrático, ou seja, os 4 Profs não são eleitos, mas sim nomeados pela C. de Reestruturação. Vicia à partida as eleições.
II - A CDP funciona alegada à C. de R. e directamente controlada por ela, com funções por ela imitadas e sem qualquer papel de relevo na reestruturação da escola, limitando-se  a dar seguimento às questões burocráticas e ao que for decidido pelo C. de R.
III— Concorrer a estas eleições é, como o MEIC quer, dar uma cobertura democrática a esta manobra, pretendendo fazer crer que há possibilidades das funções do órgão serem modificadas ou de ele servir de algum modo para a participação da escola na reestruturação, o que é falso, dado estar definida à partida a sua correlação de forcas interna.
A CDP não tem nada a ver com uma gestão democrática — é o seu contrário.
Concorrer a estas eleições com o objectivo de impedir, dentro do órgão, que sejam tomadas decisões anti-estudantis (como pretende o Mrpp) é pura e simplesmente, demagogia de quem não sente responsabilidades face aos estudantes por estar cada vez mais afastado dos seus reais interesses, e de quem, objectivamente, ou por não saber fazer contas, os pretende enganar.
É de espantar também os argumentos da uec: como é que se pode concorrer (para não deixar campo aberto à direita) se a direita, golpista, ainda antes das eleições, já tem a maioria garantida? não há argumentos que possam justificar a antidemocraticidade do órgão e o aval que se lhe dá ao concorrer a estas eleições. Que política é esta de, por um lado andar a embalar os sentimentos anti-fascistas dos estudantes com cantigas de unidade e “maioria de esquerda”, quando afinal colaboram nas trapaças antidemocráticas da direita e do MEIC, incapazes que são de (…?) estudantes nas turmas e nos cursos (e não na pretensa unidade de gabinete com a JS)?
COLEGA
Não participar nestas eleições é ser coerente com a defesa de uma gestão democrática e exigir a reestruturação da escola em moldes científicos e progressistas.
Não votar para a CDP, é desmascarar os falsos amigos dos estudantes.
Pela defesa da avaliação contínua, pela gestão democrática e por uma reestruturação democrática para a escola.
NÃO VOTES PARA A CDP!

Sobre a situação do gdup/fdl
A UJCR tem, desde o início, apoiado conjuntamente, com outras forças partidárias e camaradas apartidários, o GDUP da FDL.
Neste momento em que foi já comunicado a saída do GDUP dos representantes da célula do MES e de alguns camaradas sem partido, a UJCR reafirma o seu apoio ao GDUP, e ao trabalho que este tem desenvolvido. Vários factores nos levam a esta decisão:
O MUP mantém-se a nível nacional, permanecendo válida a alternativa de unidade popular de que é neste momento embrião e dinamizador.
II - O espaço político e a alternativa revolucionaria que o GDUP tem apresentado mantém-se e a oposição firme à fascização da escola e a defesa das conquistas alcançadas passa pelo GDUP, passa pela unidade de todos os estudantes nas turmas e na sua intervenção organizada na reestruturação da escola. São prova o interesse dos apoiantes do GDUP em se esclarecer sobre a situação e em continuar o trabalho já iniciado.
Não pretendemos entrar em polémica com quem agora abandona o GDUP, nem provocar situações de ruptura que comprometam a unidade em futuros processos de luta comuns. Independentemente do muito ou pouco trabalho que tenham efectuado dentro do GDUP, os revolucionários devem estar unidos no campo popular e não se devem afastar dele. Achámos no entanto que temos o dever, como militantes de uma org. comunista, de esclarecer algumas afirmações que foram feitas, quer pelo MES, quer por esses carradas, referidas à nossa organização:
I - Sempre a UJCR levou para o GDUP as suas alternativas para o movimento estudantil na escola e sempre as pôs à discussão; se na maioria das vezes as orientações gerais para a actividade do GDUP foram tomadas por unanimidade por todos os seus membros, e outras alternativas não surgiram a questão não pode ser posta, evidentemente, em termos de controleinismo de estruturas, e torna-se bem patente que são falsas as acusações referidas; serve como ex. a discussão das teses para o Cong. do MUP ou a composição da luta é apoiada pelo GDUP, etc. Isto é bem evidente, e tem algum significado o facto de camaradas apartidários terem recusado as críticas que, nesse sentido, são feitas e decidido não abandonar a actividade do GDUP, firmes na continuação do trabalho.
II -   A saída destes camaradas, num momento em que a direita avança organizada apenas pode servir a quem pretende ver os revolucionários divididos.
Aos camaradas que abandonaram o GDUP com ilusões acerca de uma lista da "maioria de esquerda” para a CDP dizemos que a alternativa revolucionária não se consolida com alianças com quem já provou não defender de forma consequente as conquistas estudantis e lutar contra o fascismo. Revela, quanto a nós, falta de confiança nas suas próprias capacidades e de firmeza na sua actuação política, quem desiste de apresentar as suas próprias alternativas e cai, comodamente, na conciliação com os próprios conciliadores. É, quanto a nós, oportunismo, falar do processo eleitoral para a CDP a causa próxima para o abandono do trabalho e opor-se à sã discussão sobre as perspectivas para o futuro e até sobre o próprio trabalho passado do GDUP.
Também os companheiros do MES devem ter em atenção as consequências da precipitação da sua saída do GDUP, quando a nível nacional o seu partido permanece no MUP.
Só aproveita à direita a recusa dos antifascistas em não discutir e esclarecer os problemas; só a ela aproveita a sua divisão.
CONTRA O FASCISMO, A LUTA CONTINUA!

O NÚCLEO DE DIREITO DA UJCR (organização juvenil do PCP(R))

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