quinta-feira, 4 de maio de 2017

1977-05-00 - O Pão Nº 10 - Sindicatos

editorial
ÁFRICA do SUL e RODÉSIA

O empenhamento dos países capitalistas no apoio aos regimes racistas da Rodésia e África do Sul, apesar das decisões da ONU e da opinião pública internacional, tem por base a defesa dos poderosos interesses das multinacionais, que exploram a mão-de-obra barata e as riquezas da região.
Os dados das Nações Unidas sobre os investimentos das companhias estrangeiras na África Austral ajudam a compreender esta situação que os próprios países de "democracia ocidental” tem dificuldade em justificar o apoio maciço, e constante aos regimes fascistas, onde impera o terror e a discriminação racial.
Segundo esses dados, o investimento das multinacionais na África do Sul quintuplicou no último decénio, atingindo no ano passado 14,7 biliões de dólares. No fim de 1975 os investimentos dos EUA ultrapassavam 1,7 biliões de dólares. No total, cerca de 350 monopólios americanos operam actualmente na África Austral, dominando a indústria automóvel, electrónica, electrotécnica e petrolífera da Republica da África do Sul.
Os monopólios da Grã-Bretanha e dos outros países da NATO também partilham do bolo em boas condições: dispõem de cerca de 70% de todos os investimentos estrangeiros.
Segundo os cálculos do "Christi na Science Monitor", os monopólios estrangeiros controlam 80% da produção do sector privado da África do Sul.
Os interesses imperialistas não se limitam e esse país, desempenhando um importante papel na manutenção do regime de Smith, apesar das sanções económicas decidas pela ONU.
Mais de 80% da indústria mineira da Rodésia é controlada; pelos monopólios dos EUA, Grã-Bretanha, e África do Sul; os monopólios petrolíferos destes países fornecem este produto, de que carece a Rodésia.
Estes dados confirmam a ligação entre os interesses económicos imperialistas e os regimes racistas de Vorster e Smith.
A existência destes regimes minoritários, que se mantém a custa da repressão e do terror sobre a esmagadora maioria da população, seria impossível sem o apoio económico, militar e político dos países capitalistas que defendem os superlucros das multinacionais. A demagogia da defesa dos direitos humanos desaparece, quando se trata de salvaguardar esses interesses, mesmo a custa da opressão, exploração e miséria de milhões de pessoas.

José António dos Santos Rodrigues

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