sábado, 20 de maio de 2017

1977-05-00 - ALAS Nº 01

ALAS – ALIANÇA LIBERTÁRIA E ANARCO-SINDICALISTA

BOLETIM INTERNO Nº l
MAIO / 77

APRESENTAÇÃO
Tornava-se necessário estabelecer contactos mais intensos, agora que o imperativo da nossa organização é maior para corresponder às necessidades de resposta do anarquismo às ambiguidades e decepções do que foi a Revolução delapidada pela demagogia, pela ambição do poder, pelo totalitarismo das "vanguardas" que falaram em seu nome.
Esta revolução, que no povo teve sentido e capacidade realizadora, foi frustrada porque os sindicatos deformados pelo corporativismo continuaram deformados pelos partidos chamados operários, e não poderiam realizar a verdadeira função revolucionária. Foi deformada pelo reformismo e pelas tentações ditatoriais sob a máscara do proletariado.
O que resta dessa revolução é a frustração, a crise sindical, a ambição das "vanguardas”, e a falta duma consciência revolucionária e da verdadeira noção de socialismo e liberdade.
Nós anarquistas e anarco-sindicalistas temos de intensificar a nossa organização e estar presentes nesta viragem histórica em que o Estado e o sistema económico e social acentuam a sua crise total. Este boletim será portanto o elo de relação das actividades e das ideias que se desenvolvem na A.L.A.S.
A C.N.T. está presente em Espanha O Comício de Madrid.
A crise do fascismo espanhol ao acentuar-se fez aparecer em Espanha partidos políticos nua fizeram pactos para a conquista do poder. Algumas organizações de tipo sindical, a D.G.T., as C.C.O.O. e a U.S.O. entrarem na órbita de partidos e imitaram a Coordenação Sindical.
A imprensa e a rádio falavam apenas dos partidos e seus apêndices sindicais. Intencionalmente omitia-se a C.N.T., que fora o grande factor da Revolução da 36/39, cujos mártires avassalam a História, e estava na hora das suas actividades.
A C.N.T. marcou para 27 de Março o reaparecimento público num Comício que se realizou na Praça de Touros de San Sehastian de los Reys, a 12 Km de Madrid, com uma assistência considerada de mais de 25.000 pessoas.
Mais importante que o número foi o entusiasmo, a mesma presença anarco-sindicalista, radicada numa juventude em vibração que continua actual a C.N.T. de ontem, de hoje e do futuro.
O Comício reafirmou a independência dos trabalhadores perante os partidos políticos negou a falsidade M-L dos "vanguardas" e da ditadura como forma de realização do socialismo: confirmou a sua posição anarquista, e repudiando os reformismos de vário tipo, reafirma o movimento sindical como veículo revolucionário e de Auto-gestão generalizada na construção duma sociedade comunista libertária.
O Comício viria confirmar o trepar incontestável da C.N.T., e prenuncia o revigoramento do anarco-sindicalismo que se supunha prostrado pela sociedade de consumo, pelos vários reformismos preponderantes e pelas “ditaduras do proletariado".

O Anarquismo e Anarco-sindicalismo em Espanha
O Anarquismo atingiu a sua maior expressão realizadora, o seu maior dinamismo como movimento organizado e como prática revolucionária na Espanha.
O Anarquismo em Espanha, enriquecido doutrinariamente pelos seus militantes e pensadores, colheu na experiência quotidiana e na prática de organização federalista todo o seu vigor e poder de realização, os anarquistas espanhóis nunca se narcisaram em grupos restritos e de concemplação doutrinária; levaram as suas ideias a todos os sectores de actividade humana, contagiando-as com a sua prática e a sua dinâmica.
Desde a 1ª Internacional que o Anarquismo em Espanha se traduziu, e o movimento sindical, num elevado teor revolucionário pelo influxo sindicalista revolucionário, diferentemente, por exemplo da França, onde o anarquismo se atomizou em grupos de um certo pendor individualista e de afinidade quase o marginalizando.
E, ainda, é essa característica que está presente na nova ascensão do anarquismo em Espanha através da C.N.T. que volta, no mundo do hoje, tecnoburocratizado, a ser una central anarco-sindicalista.
Analisamos como a C.N.T. ressurgiu.
Os anarquistas e anarco-sindicalistas concentraram no terreno sindical, que se insere em todas as esferas do trabalho e da produção, as suas preferências dando-lhe o dinamismo das ideias e o objectivo revolucionário para funcionar como alternativa à sociedade em decadência. Grupos da fábrica, do bairro ou localidade, agruparam militantes activos e simpatizantes para, convergindo para uma organização ampla mas insuflada da nossa ideologia, exerceram una acção directa no campo da produção, nos locais habitados como noutras modalidades.
A C.N.T. é o grande campo de acção e de experiência do anarquismo espanhol, que não se deixou pulverizar em grupos fluidos de restrito cunho doutrinário ou de afinidade.
Oeste modo, num espaço de poucos meses, surdiram sindicatos considerados, federações locais, comarcais e regionais, a funcionaram, e esses grupos amplos e activos acorram a ajudar por vezes, protestos populares suplantando as formas reformistas organizadas que já lá estejam instaladas.
A organização específica anarquista resulta depois como o cenáculo de ideias que, posta em experiência, carecem de análise.
Quando uma análise fatalista da sociedade burguesa presente, burocratizada, reformista e de consumo, ou centralista e burocratizada tipo Leninista, considera frustrada a hipótese anarco-sindicalista, a C.N.T. vem propor a hipótese de um movimento sindical com capacidade de transformação social.
A acção desenvolvida em Espanha foi do tipo da acção da A.L.A.S., apenas com uma maior latitude no campo sindical como Boletim do ALAS uma maior latitude no campo sindical com a criação de sindicatos em movimento. Isto deve ser ponderado para ser desenvolvido.

Conferência de Núcleos
As bases da A.L.A.S. foram admitidas em princípio, e necessário se torna levar a efeito uma Conferência de núcleos que as altere ou confirme.
O Secretariado propõe que inicialmente os núcleos levem a efeito reuniões regionais para um maior orçamento e debate de problemas do organização como preparação para a Conferência Nacional.
O Secretariado convoca uma reunião de Núcleos de Lisboa e Setúbal para debate dos seus problemas:
a) Intensificação dos Núcleos Libertários e sue definição
b) Propaganda e divulgação da nossa imprensa
c) Acção sindical de base como reestruturação do movimento sindicalista
Desde já aguardamos que os Núcleos apresentem as suas sugestões para o efeito, considerando que a Conferência Regional de Lisboa se efectuará na segunda quinzena de Maio.
O Secretariado convida os Núcleos das outras regiões a levar a efeito reuniões semelhantes. Para o contacto com os Núcleos da mesma região os camaradas devem-se dirigir ao Secretariado por carta.
O lº de Maio - Esta jornada revolucionária de profundas tradições anarquistas tem sido sempre deturpada pelos reformismo e, tornada festa ou exibição política, quando tem origens numa tragédia de repressão sanguinária capitalista.
A A.L.A.S. e os grupos anarquistas da F.A.R.P. ou autónomos estão conjugando esforços para levarem a efeito um 15 de Maio Libertário como expressão do seu significado.
O Secretariado espera as sugestões e possibilidades de participação, assim como as críticas, por parte dos Núcleos.
Federações Locais - O Núcleo de Campo de Ourique, zona de Lisboa, propôs ao Secretariado para sugerir aos Núcleos existentes a formação da Federação Local de Lisboa, assim como de outras regiões, para o que, o Secretariado propõe aos Núcleos o estabelecimento de contactos com outros núcleos com os quais seja possível estabelecer laços federais. Estes contactos serão feitos através do Secretariado pelo que este aguarda as notícias e decisões dos Núcleos.
Quotização - O Secretariado vai mandar imprimir, de acordo com as bases da A.L.A.S., uma quotização por selos, ao custo de 10$00 cada para os filiados, que serão debitados aos Núcleos a cinco escudos, cuja diferença será para os encargos do Núcleo.
Igualmente será imprimido o “Carnets” da A.L.A.S. emitido para todos os filiados.
Para isso, os Núcleos solicitarão os "Carnets" com a indicação do seu nome ou pseudónimo se o preferirem.

CORRESPONDÊNCIA DIRIGIDA PARA A.L.A.S. - CAIXA POSTAL - 5085

LISBOA - 5

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