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segunda-feira, 1 de maio de 2017

1972-06-07-00 - Luta Popular Nº 007 - MRPP

ÓRGÃO DE MASSAS DO M.R.P.P.
MOVIMENTO REORGANIZATIVO DO PARTIDO DO PROLETARIADO
número: 7 
MAIO/JUNHO/71  
preço 1$00

VIVA O 1º DE MAIO

Camaradas Operários
A grande festa dos operários do mundo inteiro, aproxima-se. O 1º DE MAIO é o dia em que os proletários de todos os países celebram o seu despertar para uma vida conscientes nova, comemoram as formidáveis vitórias alcançadas pelos trabalhadores na REVOLUÇÃO e construção socialistas, celebram a sua união indestrutível na luta contra toda a opressão e toda a humilhação, a sua aliança inabalável no combate que varrera da face da Terra toda a exploração do Homem pelo Homem e instituirá o SOCIALISMO e o COMUNISMO, uma sociedade verdadeiramente digna de ser vivida livre e fraterna.
O 1º DE MAIO é um dia de luta e de revolta.
Dois mundos se defrontam à escala do globo e dois mundos se defrontam também no interior do nosso próprio país: o mundo dos exploradores e o mundo dos explorados; o mundo da exploração e da escravidão e o mundo da liberdade e da fraternidade.
Duma parte um punhado de parasitas milionários. São os que açambarcam as fábricas, as máquinas e os instrumentos de produção; os que se apoderaram de imensas extensões de terra e fizeram dela sua propriedade privada; os que extorquíram e a cumularam em suas mãos rapaces toda a riqueza da sociedade, sem que tivessem produzido coisa alguma. São os que dispõem das polícias, dos exércitos, das cadeias, dos tribunais, etc., para legitimarem a roubalheira, para perpetuaram o banditismo, para defenderem o produto do saque e da exploração.
Da outra parte, a multidão dos deserdados. São os que criaram toda a riqueza e todos os dias se consomem em busca de um bocado de pão; são os que construíram os palácios e ergueram as cidades, mas têm de viver nas grutas, nos palheiros, nos bairros de lata infectos; são os que pedem aos parasitas licença para trabalhar para eles como quem mendiga uma esmola à porta do cemitério; são os que arruínam as suas forças e destroem a saúde, tanto em consequência do desemprego, como em resultado do excesso de trabalho.
Mas, camaradas, que os deserdados, os humilhados e oprimidos ousaram declarar a guerra aos senhores do capital, aos parasitas, aos exploradores. Eis que os proletários de todos os países se levantam como um só homem e dizem: NÃO À EXPLORAÇÃO!
Em todo o mundo a classe operaria está cada vez mais decidida a libertar o trabalho da escravidão assalariada, da fome, da doença e da miséria. Os operários exigem e lutam por uma sociedade nova, uma sociedade sem ricos nem pobres, uma sociedade em que o conjunto das riquezas criadas por um trabalho colectivo, aproveite quem trabalha e não aos parasitas milionários que vivem à custa do nosso sangue. Os operários querem e lutam para fazer das fábricas, das máquinas, das terras e dos instrumentos de produção a propriedade colectiva de todos os que trabalham, de maneira que todas as conquistas do espírito e do labor humanos todos os aperfeiçoamentos da ciência e da técnica revertam em maioria constante da existência dos trabalhadores e não em meios da sua opressão.
Esta grande luta do trabalho, contra o capital, tem custado imensos sacrifícios aos operários de todos os países. Eles têm pago com torrentes do seu sangue as justas aspirações a um mundo novo, ao mundo da liberdade e da felicidade. A burguesia e os seus governos reaccionários moveram e movem aos trabalhadores a mais feroz e odienta das perseguições que a História conhece milhões de mártires proletários, combatentes intrépidos da sociedade sem classes aí estão para certificar a fúria assassina dos gangsters exploradores. Mas eles mostram-nos, acima de tudo, que o trabalho pode e deve vencer o capital, que os parasitas tem os dias contados, que e preciso opor à violência reaccionária da burguesia, a violência revolucionaria do proletariado organizado, que essa e a única maneira de por termo a toda a violência e a todos os ataque; os que nesse admirável combate, os operários nada tem a perder a não ser as cadeias da sua escravidão; nada têm a pender mas têm todo um mundo a ganhar!
Estes são preciosos ensinamentos, que nos legaram, a nós operários de hoje, os heróicos combatentes da COMUNA DE PARIS, os primeiros que se atreveram a marchar resolutamente ao assalto dos céus. De aí para cá, os proletários de todos os países enriqueceram notavelmente a sua experiência, fortaleceram a sua unidade internacionalista e aumentaram o seu poder. Dirigidos pelo glorioso PARTIDO BOLCHEVIQUE, tendo à frente LENINE e ESTALINE, os operários da velha Rússia czarista instituíram a DITADURA DO PROLETARIADO e começaram a construir a sociedade nova. As chamas da grande REVOLUÇÃO SOCIALISTA DE OUTUBRO atearam-se em todo o planeta e da longa e tenebrosa noite da exploração capitalista, surgiu a aurora VERMELHA DO SOCIALISMO e da LIBERDADE. Centenas de milhões de trabalhadores, puseram-se de pé e extirparam o despotismo do capital sobre o trabalho, em seus países. A despeito da ignominiosa traição revisionista da camarilha de Kruschov e seus continuadores, - Brejnev, Kossigin e companhia - a época actual é aquela em que as forças da socialismo ganharam uma superioridade esmagadora sobre as forças do imperialismo, incluindo o social-imperialismo dos novos czares do Kremlin; a época em que o imperialismo e o social-imperialismo se precipitam para a ruína total e o SOCIALISMO avança para a vitória no mundo inteiro.
Depois que os comunistas albaneses e chineses, sob a direcção dos camaradas ENVER HODJA e MAO TSÉ-TUNG começaram a desmascarar o revisionismo de Krushov e seus apaniguados, a aliança do proletariado internacional pode crescer e reforçar-se, como nunca antes. Os trabalhadores unem-se cada vez mais estreitamente e cerram fileiras no seio dos verdadeiros partidos marxistas-leninistas. A passos firmes e seguros eles dirigem-se para a vitória sobre a classe dos capitalistas e seus lacaios.
Também o proletariado português desperta para uma vida nova e para uma luta nova. Já se lá vão os tempos em que os operários do nosso país, iludidos com a mistela revisionista e reformista do Partido de Barreirinhas Cunhal, não viam qualquer saída para a sua existência de escravos, que não fosse a de continuar a vergar a espinha ao jugo do capital. O marxismo-leninismo-maoísmo indica-nos qual é essa saída, quais são as nossas tarefas e como devemos realizá-las. Sob a BANDEIRA VERMELHA do Marxismo-Leninismo-Maoismo, os trabalhadores portugueses agrupam as suas forças, consolidam as suas posições e preparam-se para a grande (batalha que se avizinha.
Fome, doença, analfabetismo, miséria, escravidão, emigração, guerra colonial, morte - eis o que a ditadura fascista da classe exploradora, tem para "oferecer" aos trabalhado. O povo não dispõe da mínima partícula de liberdade: é proibido informar-se, discutir, reunir-se, reclamar, protestar ou lutar. A repressão fascista procura manter o povo atado de pés e mãos. O mais inofensivo murmúrio de descontentamento, é reprimido com a polícia de choque, a pide, as cadeias, a tortura, os espancamentos e a liquidação física.
A exploração, a opressão e a humilhação nas fábricas e nas empresas é cada vez maior e mais insuportável. A seu bel-prazer, o capitalista despede os operários, aumenta as cadências, intensifica os ritmos, fixa a jornada de trabalho em 12 e 14 horas, estabelece a obrigatoriedade das horas extraordinárias, aplica multas, ameaça com suspensões, impõe turnos, revista nas entradas e saídas, provoca, vexa e pratica toda a casta de tropelias e arbitrariedades.
A carestia de vida, conjugada com o congelamento legal dos salários, assume proporções dramáticas para as amplas massas exploradas. Só no ano de 1971, o custo de vida subiu 20%, relativamente ao ano anterior. Isto significa que, apenas por esse facto, um operário ganhando setenta escudos diários em 1970, viu o seu salário diminuído, no ano seguinte, em 14$00 por jornada. Juntemos a este roubo, um outro roubo que o capital efectua através das multas, dos descontos, dos impostos e de mais alcavalas fiscais: veremos como um salário nominal de 70$00 se reduziu a um salário real de 40$00, no curto espaço de 12 meses. Porém, o capitalista rouba sempre o trabalhador mesmo que as massas o obriguem a deixar de praticar estes descontos sobre os salários nominais.
Na década de 60, um milhão de trabalhadores portugueses viu-se forçado a abandonar o país, indo alugar os seus braços noutras regiões especialmente da Europa. A sangria provocada pela emigração e os milhares de operários e camponeses assassinados pela burguesia na criminosa guerra colonial-imperialista, tiveram como consequência imediata que a população do nosso país seja substancialmente inferior, em 1970, à de 1960.
Durante o período considerado Portugal é o único país do mundo em que existe semelhante redução.
Um milhão de emigrantes portugueses reuniu-se na Europa com dez milhões de emigrantes de outros países escravizados, para continuarem a ser esmagados pelo mesmo capital, e, frequentemente, pelos mesmos capitalistas que os oprimiam em suas pátrias de origem. Milhares de trabalhadores africanos, especialmente da GUINÉ-CABO-VERDE são compelidos também a deixar os seus países e a virem trabalhar em Portugal. Os operários de todo o mundo proclamam; Abaixo a inimizade entre os proletários dos diferentes países! Uma tal hostilidade apenas serve os interesses dos tiranos e opressores, os quais vivem, precisamente, da ignorância e da divisão que fomentam e inculcam no seio do proletariado todos os operários são irmãos! O capital escraviza o trabalho tanto ao norte como ao sul do universo.
A burguesia, dirigida pela camarilha marcelista, procede a ferro e fogo à completa militarização da sociedade portuguesa. Trata-se do projecto sinistro de fazer de Portugal um imenso campo de concentração moderno, uma "aldeia estratégica" onde o povo português se deixe explorar algemado, vergado e calado. Esse é o verdadeiro sentido da política chamada da "evolução na continuidade" ou do "Estado social” liberalista. Cinquenta por cento do orçamento do Estado - ao que se pode deduzir dos números publicados pela própria camarilha marcelista e destinada à "Defesa" isto é, à agressão do povo ao reforço e alargamento do aparelho militar fascista Destacamentos armados da GNR, estacionam permanentemente no interior das fábricas e das empresas não para trabalhar evidentemente – coisa que nunca souberam fazer mas para reprimir de pronto qualquer esboço de protesto: é o caso da LISNAVE em Cacilhas, da SIDERURGIA no Seixal, da CUF no Barreiro, da CPE no Carregado, etc., etc.. Diariamente gigantescas operações stop procuram intimidar o povo. A cada instante, bandos de pides e de legionários irrompem pelas casas dos trabalhadores, saqueiam-nos, prendem-nos e espancam-nos. Pela calada da noite grupos terroristas das polícias cercam e invadem os bairros de lata, destroem as barracas e os haveres e, fiados na força das baionetas, intimam os operários a dispersar; foi assim em Campolide, no Lumiar, nos Olivais, no aeroporto, etc., etc.. Amanhã será em Cheias, em Marvila, em Moscavide, em toda a parte. Protegida pela cortina de fume do "Estado de subversão", declarado pela Assembleia "Nacional" fascista, a camarilha marcelista submeteu os doentes, enfermeiros, serventes e médicos dos Hospitais civis de Lisboa ao bárbaro controle do exército colonial-fascista; decreta a extinção das cooperativas; lança a polícia sobre os estudantes; prepara-se para multiplicar os actos de brutalidade e violência sobre o povo - sobre aquilo a que a burguesia chama o "inimigo interno.”
Mas nenhuma força do mundo poderá vencer o povo; nenhuma força poderá de ter milhões de trabalhadores cada vez mais conscientes, mais unidos, mais dispostos para o combate libertador. Em toda a parte onde haja opressão há resistência, O povo português quer a REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA POPULAR pela PAZ pelo PÃO, pela TERRA, pela LIBERDADE, pela DEMOCRACIA e pela INDEPENDÊNCIA NACIONAL. Ninguém conseguirá fazer parar a REVOLUÇÃO; ninguém poderá metê-la na cadeia.
Não é apenas o nosso povo que a burguesia portuguesa oprime. Ela oprime também, da forma mais cruel e repugnante os heróicos e invencíveis povos das colónias. Ela intensifica e alarga a criminosa guerra colonial imperialista, de agressão, rapina e genocídio. Todavia a camarilha marcelista, o exército colonial fascista e a burguesia coleccionam derrotas sobre derrotas, precipitando-se inexoravelmente para a sua ruína total, enquanto os povos das colónias marcham irresistivelmente para a sua vitória histórica: a Libertação e a INDEPENDÊNCIA NACIONAIS.
A burguesia tudo faz para iludir e mistificar os trabalhadores portugueses na ânsia de os atrelar ao carro da guerra colonial-imperialista. Porém, foi precisamente a guerra que despertou o interesse das camadas mais atrasadas do proletariado, pelas questões políticas que interessam à sua classe. A guerra pôs a nu como nenhuma outra coisa, a verdadeira natureza do regime, a corrupção e o banditismo do governo, a escravização do povo. Hoje, sectores cada vez mais vastos da classe trabalhadora, recusam-se a participar na carnificina colonial.
A necessidade e urgência da aliança internacionalista militante entre o povo português e os povos das colónias contra o inimigo comum - a burguesia portuguesa e o imperialismo - aparece como um imperativo irrecusável na consciência dum cada vez mais vasto número de proletários,
A tempestade revolucionária ronda Portugal. As contradições em que se debate a burguesia são intransponíveis para ela. A sua agonia começou já, por muito que ainda possa estrebuchar. Mas só um proletariado consciente, unido, organizado num verdadeiro PARTIDO revolucionário - um PARTIDO marxista-leninista-maoista poderá vibrar na burguesia o golpe de misericórdia. Só assim poderá ser conquistada para o povo uma liberdade verdadeira, CAMARADAS OPERÁRIOS! O 1º DE MAIO É VERMELHO! O 1º DE MAIO É UM DIA DE LUTA E DE REVOLTA!
Nos devemos redobrar os esforços na preparação dessa jornada de luta. O 1º DE MAIO tem entre o proletariado gloriosas lutas revolucionárias. Não é com piqueniques que a classe operária esmagada pela agressão do capital, celebre o 1º DE MAIO. É no combate, que o proletariado oprimido reconhece a sua festa. Que os proletários comunistas cerrem fileiras! Que a sua propaganda se estenda cada vez mais! Que se faça corajosa e intensa agitação em favor das reivindicações operárias!
O l° DE MAIO É DIA DE GREVE!

O COMITÉ LENINE Órgão Central do MRPP

CONTRA A CARESTIA DE VIDA!
CONTRA AS HORAS EXTRAORDINÁRIAS!
CONTRA A GUERRA COLONIAL! IMPERIALISTA!
CONTRA A REPRESSÃO FASCISTA!
CONTRA A EXPLORAÇÃO CAPITALISTA!
A FÁBRICA É NOSSA! OCUPEMOS A FÁBRICA!
VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR!
VIVA O COMUNISMO!
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!

PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, POVOS E NAÇÕES OPRIMIDOS DO MUNDO, UNI-VOS!

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