sábado, 27 de maio de 2017

1972-05-27 - ARRASAR PARA EDIFICAR - Movimento Estudantil

ARRASAR PARA EDIFICAR

— CONTRA AS CONCEPÇÕES OPORTUNISTAS!
— ORGANIZEMOS VERDADEIROS DEBATES!

Na R.G.A. de 25/5/72 surgiram de início duas propostas, uma apresentada pela direcção da AE e OUTRA pelos autores deste texto. Estas propostas eram, na realidade, diametralmente Opostas. Os autores da proposta "Estar na Luta", não pretendendo escamotear o carácter antagónico das propostas, afirmam a inevitável luta entre as tendências que elas representam, considerando que ela e, em última análise, o reflexo da própria luta travada entre as forças de classe representadas pelo governo e pelas "autoridades” a vários níveis e as forças de classe a que a maioria dos estudantes se alia.
E afirmam mais, que a condenação feita beatificamente pela direcção em comunicado nº 5 de 29/5/72,— "tornou-se a verificar que passados momentos mais agudos de crise, logo proliferam propostas, não no sentido dum avanço objectivo da luta estudantil, mas para reforçar determinados tipos de posições" pretende ela própria reforçar a posição que a direcção representa.
O que a direcção não pode, não quer, nem sabe compreender e que só as tendências que sintetizam as aspirações progressistas dos estudantes, têm capacidade para se enraizar no seu seio; as tendências reaccionárias serão fatalmente varridas... e disto, o grupo de estudantes "estar na luta" não tem medo!
Efectivamente a proposta da direcção era reformista e reaccionária pelo conteúdo dos temas que propunha para o seminário.
Será que a direcção propunha a discussão da guerra colonial, e se referia às despesas militares apenas como capa legalista?
— Se era isto, a direcção peca por não ter compreendido que, com o recente avanço da luta, os estudantes já reconquistaram o direito à livre discussão da guerra colonial.
—   A comprovar esta afirmação, está a aprovação maciça, na R.G.A. de 25/5/72, dos comunicados à população, que se referia abertamente à guerra colonial, defendida em RIA pelas delegações de Direito, Livrelco e Comercial.
Ou não será antes que a direcção nem sequer pensava na discussão da guerra colonial?
—  Isso seria a traição mais descarada à firme determinação dos estudantes em discutir a guerra colonial.
De facto, o que a direcção propunha era a discussão de "a inflação e despesas militares suas relações". Ora, é radicalmente diferente pretender explicar a inflação pela existência de despesas militares (e não pela crise geral do capitalismo português) do que abordar a guerra colonial como uma violação do direito de todos os povos à autodeterminação e à independência.
As duas propostas são ainda integralmente opostas quanto à ligação dos cursos livres ou debates à prática de luta dos estudantes.
O facto de a direcção se ter "esquecido" de se referir a qualquer prática activa de luta dos estudantes, e após ter reparado que a outra proposta se referia a essas formas de luta, ter vindo à última hora com uma adenda folclórica que, ao jeito de informação à população pretendia fazer distribuir um comunicado pelas “Festas dos Santos populares” e na “Feira do livro” não sem alterar em nada a sua intenção de reduzir os estudantes à expectativa passiva e de quebrar o seu ímpeto na luta.
A proposta antagónica a esta, por seu lado, propõe que os estudantes, a par da actividade cultural, organizem as suas formas práticas de luta, que lhes permitam sair da escola, e promover a informação sistemática da luta estudantil junto dos outros estudantes e da população trabalhadora.

MAS OPORTUNISTAS NÃO OS HÁ SÓ NA DIRECÇÃO, HÁ-OS TAMBÉM NUM “GRUPO DE ESTUDANTES QUE INTEGRA MEMBROS DA MESA DA ASSEMBLEIA GERAL”!
Perante duas propostas que representam duas posições antagónicas alguém apareceu com uma terceira-via que pretendia ser a síntese. Ora, não passa pela cabeça de ninguém a não ser pela dos oportunistas que duas posições irredutíveis possam ser sintetizadas numa!
Estes senhores, não se apercebendo de "que naquele momento as propostas materializavam duas linhas, uma correcta a outra oportunista, para a continuação da luta, pretenderam demarcar-se, afirmar-se, dizer que também existem e por isso apresentaram mais uma proposta. Ora, ao não apoiarem a posição correcta, a proposta "síntese” o negociar de princípios — só veio reforçar, a curto prazo, à posição oportunista da direcção.
Na R.G.A. de 30/5/72 as "contradições" no seio dos oportunistas tinham (oh! espantação!) são superadas. Reunidos no mesmo-saco, vamos encontrar agora a direcção, "um grupo de estudantes integrando membros da mesa da Assembleia Geral" e os demais oportunistas os tais, que pretendem encurtar a legalidade do M.A. ainda mais do que o governo — que na R.G.A. de 22/5/72 foram vivamente apupados pelos estudantes.
Cometeram os autores do presente texto, na referida R.G.A. um grave erro de demissionismo, por não terem mantido a sua justa posição ao não terem apresentado a sua proposta, deixando, por isso, o campo completamente livre a duas (ou serão uma só?) propostas oportunistas.
Oportunistas porque COMO A EXPERIÊNCIA JÁ DEMONSTROU:
l) Quanto à organização dos debates a "Santíssima-Trindade" é unânime" — A anarquia e o espontaneísmo campeiam.
Já na R.G.A. de 30/5, aprovada a proposta, quando alguém dizia que a organização e reuniões devem ser abertas e realizadas no instituto; os proponentes, com um ar muito douto, respondiam "cada um mora onde mora…, e reúne onde reúne...” - É o que se tem verificado.
   2)    Os textos de apoio "Porquê a intervenção Policial?" nº. l, 2 e 3 são, exclusivamente, simples amontoados de estatísticas tirados da informação das instituições burguesas.
Não nos opomos À utilização de estatísticas mas com um carácter secundário na compreensão e interpretação dos fenómenos. A visão puramente estatística é uma visão altamente mistificatória. O exemplo mais flagrante é o do caderno nº 3 em que se dão apenas estatísticas sobre o nº de mortos na guerra. Pergunta-se: Para que?
—  Para chorarmos por eles?
—  Para os glorificarmos como faz o Governo?
—  Para concluirmos que a, guerra é uma coisa má porque nos sujeitamos a um tiro na cabeça?
Face a isto todas as especulações são possíveis.
   3)    A excessiva extensão dos intervalos entre os vários debates (um na 4ª feira e outro na 2ª seguinte) o que equivale a mandar os estudantes para casa é a melhor maneira de os dividir, quebrar a sua unidade e sabotar a sua luta.
CONQUISTAR OS VERDADEIROS DEBATES!
Na continuação da defesa das posições por nós já assumidas e explicitadas na proposta À R.G.A, de 25/5 e de acordo com a crítica formulada neste documento aos efeitos práticos das orientações dominantes na fase de luta posterior à R.G.A. de 6/6/72, a seguinte proposta de continuação da luta:

PROPOSTA À RGA
1) A carência de organização posterior dos debates é responsável pelo não avanço destes é, consequência, pela desmobilização dos estudantes.
  2) A guerra colonial é uma questão da maior importância para a luta estudantil e que nos debates sobre este tema ela deve ser abordada como questão principal, de forma sistemática e consequente.
   3) A questão da África Austral embora seja de grande importância para a análise do colonialismo e do imperialismo mundiais, deve ser abordada em função da questão principal: a guerra colonial.
   4) A posição firmemente tomada pelos assistentes se encontra neste momento com sérias vacilações, devido a certas posições que surgiram entre eles, algumas das quais pretendem o encerramento do Instituto a 30 de Junho e a sua reabertura em Setembro e Outubro para realizar exames em Novembro.
   5) Isso nada mais visa do que retirar aos estudantes os seus locais de reunião e a possibilidade de se organizarem para continuar a sua luta.
   6) Os estudantes decidiram em R.G.A. impedir o funcionamento da instituição, decretando greve geral e ocupando a escola com debates por si organizados, até à completa satisfação das reivindicações que formularam.
   7) Em face das reivindicações formuladas não terem ainda sido satisfeitas, devendo, portanto, manter-se a decisão inicial de greve geral, não faz sentido falar-se de qualquer avaliação de conhecimentos.
PROPÕE-SE:
I — continuação da greve geral até:
a) libertação de todos os estudantes presos
b) Arquivação de todos os processos judiciais instaurados aos estudantes durante os últimos acontecimentos.
c) reabertura da AE
d) desocupação total da Universidade pela polícia.
II — continuação da ocupação da escola com debates ou cursos livres mas organizados numa base diferente e que:
a) o debate sobre a guerra colonial continue, tendo esta como questão principal e sendo a questão da África Austral tratada em função daquela.
b) a par deste se organizem imediatamente debates ou cursos livres sobre os temas mais importantes aprovados pelos estudantes na última R.G.A., organizados de modo a não colidirem uns com os outros mas a completarem-se.
III - informação organizada e sistemática da luta estudantil
a) aos estudantes de outras escolas sobretudo liceus e escolas técnicas e à população trabalhadora.
IV — FORMAS DE ORGANIZAÇÃO
1 - núcleo organizador e coordenador dos vários temas dos debates, bem como da informação ao exterior.
2 -   Grupo preparatório alargado para preparação de cada tema a debater.
3 - Grupos informativos alargados, que organizarão meetings, distribuições de comunicados, etc.; consoante as condições das escolas ou das zonas populacionais onde se desloquem.
PELO AVANÇO DA CONSCIÊNCIA DOS ESTUDANTES - ESTAR NA LUTA!
CONTRA OS OPORTUNISTAS, REFORMISTAS E DIREITISTAS - ESTAR NA LUTA!

PELA ESCOLA DO POVO - ESTAR NA LUTA!

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