sexta-feira, 26 de maio de 2017

1972-05-26 - AO POVO DE LISBOA - MRPP

AO POVO DE LISBOA
preparemo-nos para a luta
morte aos carrascos do povo

No espaço do todo um mês, desde o meio de Abril a meados de Maio raro terá sido o dia em que o povo não foi assediado por mais uma nota oficiosa da camarilha marcelista ou por Uma nova comunicação das suas polícias, a respeito daquilo a que a repressão fascista chama de perturbação da ordem e “tranquilidade públicas" - expressão pela qual designa eufemisticamente as justas lutas do povo contra a insuportável exploração e opressão de que é vitima.
Que um governo corrupto, como aquele que nos oprime, mente e deturpa a verdade, ludibria, ameaça, espanca e aterroriza o povo, não é novidade para ninguém; mas o que é novo — e deveras significativo do estado de bancarrota económica, social e politica do nosso país e do pânico dum governo que se sente atacado nos seus pés de barro - é que a camarilha marcelista já não tem força para continuar a esconder dos olhos da opinião publica as centenas de lutas populares que por todo o lado impetuosamente, despontam, crescem, se desenvolvem e convergem para o invencível caudal revolucionário que varrerá da face de Portugal não só a camarilha marcelista, como o sistema de exploração do homem pelo homem que a sustenta. Que o poder qualifique de "perturbação da ordem" as lutas populares de massas, que as calunie e vitupere pouco importa; ele foi forçado, a reconhecer quase diariamente durante o ultimo mês que, do norte a sul e de lés a lés, o povo se levante poderoso livre e forte contra a "ordem" fascista estabelecida, isto é, contra o arbítrio, o despotismo o roubo, a especulação, a fome, a guerra, a doença e a miséria.
No dia 15 de Abril, na cidade do Porto, mais de 10000 pessoas concentraram-se na Av. dos Aliados e na Praga da Liberdade, desfraldaram cartazes, distribuíram comunicados à população e manifestaram-se audaciosamente contra a "ordem" do latrocinio e do capital; contra a carestia da vida, contra o aumento dos preços da carne, dos transportes, das rendas de casa, das subsistências mais necessárias. Que reclamavam e exigiam os manifestantes? Que queria o povo? Queria e reclamava exigia o pão, a paz, a terra, a liberdade, a democracia e a independência nacional, isto é, uma nova ordem, a ordem do povo, livre e fraterna. Centenas de polícias de choque, pides e GNR, acometeram barbara e selvaticamente sobre o povo e fizeram dezenas de feridos e realizaram mais de cem prisões. Porem o povo não temeu a sanha assassina das tropas de choque, não se atemorizou e contra atacou resolutamente o inimigo, enviou para o hospital duas dezenas de, polícias e provocadores, e continuou a manifestar-se pela noite adiante durante mais de 4 horas. No dia 1 de Maio o povo voltou à rua e à luta pelos seus legítimos direitos e justos objectivos.
Há cerca de 4 anos, quando o governo de Marcelo Caetano, lacaio dos imperialistas, se instalou no Poder, alguns sectores das massas, sob a influência traidora do revisionismo, julgaram dever acreditar no despertar duma qualquer “primavera politica", na abertura duma era de "descompressão" e "concórdia". Os operários de vanguarda, os verdadeiros marxistas-leninistas sempre chamaram o povo a desmascarar esses delicodoces cânticos das "sereias governamentais" e mostraram que a camarilha marcelista nada tinha para oferecer ao povo que não fosse a intensificação da guerra colonial-imperialista, o aumento da exploração e da opressão. Em consequência, o caminho que se abria frente às amplas massas era o caminho da luta, da Revolução e do combate libertador.

(…?)

despótico e arbitraria que oprime o povo. Os cooperativistas compreende mais que não podem limitar-se a lutar pela liberdade para os cooperativistas; eles compreenderam que têm que lutar pela liberdade para todo o povo e ao lado das massas populares. Porque lutam os estudantes? Porque se recusam a aceitar a albarda que a burguesia lhes talha e com que quer selá-los; porque se recusam a ser transformados em cães de fila do capital, isto é, técnicos e quadros que explorarão "cientificamente" e "racionalmente, em nome dos capitalistas, os trabalhadores das fábricas e dos campos e oprimirão “eficientemente" o povo, como porta-vozes da podre e reaccionária ideologia dominante. Porem, os estudantes conscientes, compreenderam que a sua luta pode ser uma luta por meras reformas, as quais se limitam a vestir com roupagens aparentemente mais atraentes um cadáver adiado e irremediavelmente condenado ao enterro histórico. Os estudantes transformaram a sua luta de recuada luta pelas liberdades "académicas” em um combate pelo futuro do povo. Esta aquisição do movimento de massas dos estudantes é absolutamente irreversível.
Exactamente por sentir que a luta dos movimentos de massas dos estudantes e cooperativistas é uma séria ameaça à sua "ordem" fascista, o governo da camarilha marcelista desencadeou sobre eles uma repressão selvática, uma verdadeira carnificina. No dia 16, a polícia de choque e a PSP, armados de metralhadoras e o respectivo contingente de pides cercou o quarteirão do Instituto Superior Técnico para dissolver uma reunião democrática de 1.500 estudantes. A repressão prendeu 16 estudantes, encerrou o Instituto e lacrou a Associação a pedido do director da escola. Neste mesmo dia desenrolaram-se os acontecimentos sangrentos de Económicas. Cerca de 500 estudantes estiveram reunidos na sua Associação, discutindo a repressão sobre os seus camaradas do Técnico. A polícia de choque cercou o quarteirão e atacou. Os estudantes com determinação, e coragem defendem-se à pedrada, e repelem o primeiro ataque. O inimigo retira e vai buscar reforços. Regressa, meia hora depois, em força. Os estudantes repelem o segunde, ataque. Então o inimigo faz uso das armas, disparando vários tiros. Os estudantes desarmados lutam conforme podem. Uma hora depois os atacantes retiram: cantina, salas de aula, associação, anfiteatros, gabinete do director e professores, biblioteca, etc., tudo foi destruído pelos terroristas da polícia. Dezenas de estudantes são hospitalizados, entre os feridos 2 assistentes. A polícia retirou com 16 baixas confirmadas. Os estudantes passam ao contra-ataque decretando a greve geral. Os assistentes colocam-se sem tibiezas ao lado dos estudantes, elaboram um vigoroso protesto, exigem a retractação das autoridades fascistas e declaram a greve até à satisfação das exigências apresentadas.
No dia 17 de Maio, os estudantes retomaram na luta da véspera. Uma manifestação parte da Estefânia e dirige-se para o Martim Moniz. Uma vez mais a população se incorpora com decisão e audácia. Os manifestantes exigem, agora sempre, ao pão, a paz, aterra, a liberdade e a independência nacional. São vitoriadas as guerras de libertação dos povos de Angola, Guiné e Moçambique e a luta do Vietnam heróico contra a agressão americana e pela salvação da pátria. Denunciaram a carestia da vida, a exploração e opressão do povo.
Também em Coimbra, no dia 13 de Maio, os estudantes e a população destroçaram as celebrações reaccionárias da "Queima das Fitas", que um grupo de legionários e fascistas tentou fazer reviver. A luta prolongou-se até à uma hora da madrugada, altura em que foi imposto o estado de sítio e o recolher obrigatório. A despeito dos tiros disparados e das prisões, a determinação de continuar o combate é mais firme do que nunca.
Em Alcântara, no dia 6 de Maio, exactamente no dia em que entrava em vigor a nova tabela especulativa do preço da carne, as "donas de, casa" insurgiram-se abertamente contra o roubo legalizado e atacaram os talhos existentes naquela zona da cidade. Como de costume, a polícia interveio em defesa da lei e da especulação, mas as mulheres juraram continuar a luta.
Por toda a parte o povo levanta-se destemidamente e exige o fim da miséria, da fome, do despotismo e da opressão. Não é senão o começo do movimento popular de massas do movimento revolucionário, aquilo a que assistimos. Mas não nos podemos limitar a ser espectadores - ainda que espectadores interessados deste combate prolongado e difícil. A libertação, do povo é obra do próprio povo. E na rua, em corajosas manifestações de massas, que devemos lutar pelos nossos direitos, pela conquista das liberdades usurpadas, pela derrota da repressão fascista. O sistema de exploração capitalista, a ditadura de burguesia, a camarilha marcelista, atravessam uma fase das mais difíceis. A táctica justa da classe operaria e do povo, é a de não deixar o inimigo respirar, e não deixá-lo restabelecer-se, um pouco que seja, dos golpes demolidores que sobre ele desferem os povos das colónias. De atacá-lo nos pontos mais sensíveis.
A Revolução é uma luta dura e prolongada. Quaisquer que sejam os sacrifícios que tenha de suportar e os reveses que haja de experimentar, o povo fará a Revolução. O POVO VENCERÁ!

CONTRA A CARESTIA DA VIDA.    
CONTRA A REPRESSÃO FASCISTA
CONTRA A TRAIÇÃO REVISIONISTA!
CONTRA A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!
VIVA O VIETNAM HERÓICO. ABAIXO A AGRESSÃO AMERICANA.
PÃO PAZ TERRA LIBERDADE DEMOCRACIA E INDEPENDÊNCIA NACIONAL!
VIVA A REVOLUÇÃO POPULAR!      
VIVA A DITADURA DO PROLETARIADO!
VIVA O COMUNISMO!
VIVA  O MRPP!

TODOS À MANIFESTAÇÃO POPULAR NO LARGO DO RATO - dia 26 DE MAIO - às 18.30H -
Comité Directivo da Zona Karl Marx do MRPP

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