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sexta-feira, 12 de maio de 2017

1972-05-12 - INFORMAÇÃO SOBRE 11 DE MAIO - Movimento Estudantil

INFORMAÇÃO SOBRE 11 DE MAIO

21,30h. - Interjuntas cuja ordem do dia foi: informações; resposta a dar à "serenata".
O local da serenata permanecia secreto para os estudantes e era apenas do conhecimento dos reaccionários.
24 h. - Cerca de três a quatro mil pessoas encontravam-se na Sé Velha sendo na esmagadora maioria constituída por estudantes dispostos a boicotar a farsa. A polícia informa entretanto que a serenata não se realizará ali. Faz ameaças. Gritam-se espontaneamente alguns slogans. Após certa confusão que se gerou os estudantes dispersam-se pelos acessos à Sé Velha.
Soube-se entretanto que a "serenata" estava a ser realizada por um pequeno grupo de reaccionários no Penedo da Meditação. Apesar da distância um grande grupo de estudantes dirigiu-se para lá.

NO ACESSO AO PENEDO DA MEDITAÇÃO - lá chegados verificaram que a dita "serenata" tinha acabado. Os vários reaccionários que nela tinham tomado parte são insultados e alguns "mimoseados" pela multidão de estudantes que ali se concentrou. Elementos da Pide-DGS que tomavam parte na evacuação dos provocadores sofreram a mesma sorte. Quando já os estudantes dispersavam, apareceu a polícia de choque que carregou sobre os estudantes concentrados na Bissaia Barreto e nas ruas que lhe dão acesso.
Em virtude da carga policial uma colega de letras caiu, bateu com a cabeça no pavimento e teve que receber tratamento hospitalar. Sabe-se também que três elementos reaccionários receberam tratamento hospitalar.

O BOICOTE À "QUEIMA" CONTINUA UNIDADE CONTRA A REACÇÃO
Interjuntas hoje às 21,30 h. - COMPARECE
Coimbra, 12 de Maio de 1972

A – OFENSIVA REACCIONÁRIA EM COIMBRA É A CONTRAPARTIDA DA REPRESSÃO POLICIAL
Em 1972 Coimbra tem assistido a una ofensiva dos sectores mais reaccionários da Academia. Essa campanha assenta em algumas estruturas - Orfeon, OTUC (OTEC), Cidadela, ACM, onde esses sectores se vinham entrincheirando deliberadamente, actuando como sector marginal à espera da sua hora. Ultimamente eis que surgem comissões, provenientes ou assentando nessas estruturas, que apoiadas na barragem da propaganda e com o beneplácito das autoridades civis e académicas se lançam à organização de lactadas e queimas.
Uma ideia essencial a tirar desde já é a seguintes
Esta, ofensiva de reacção é a contrapartida exacta da vaga de repressão que culminou no Fevereiro de 71. O objectivo fundamental dessa repressão foi (e permanece) a destruição das organizações e estruturas democráticas dos estudantes, o aniquilamento de qualquer resistência à política governamental para a Universidade. A ofensiva dos sectores reaccionários pretende cimentar os efeitos da repressão. Já foi dito que as medidas de repressão mais brutais, aquelas que são executadas pelos órgãos especiais, não oferecem ao Governo garantias a longo prazo. Mais cedo ou mais tarde o crescimento da coesão estudantil o avanço na organização e na consciência, recuperarão posições perdidos e avançarão para outras conquistas. A vaga repressiva carece de alternativas (Vê o campo de silêncio que as suas baionetas criaram e esse silêncio mete-lhe medo. Precisa de o povoar de fantoches). Os sectores reaccionários da Academia em colaboração intima com as autoridades, ao promoverem a Queima das Fitas constituem, neste momento, a contrapartida mais espectacular da repressão.
Os reaccionários são o apêndice purulento da repressão. Existem para a servir e só existem porque esta lhes garante a sobrevivência.

B - A TÁCTICA ACTUAL DA REACÇÃO
- Intima- Colaboração com as autoridades. O facto é que essa colaboração sempre existiu. Todavia, neste momento importa realçar este aspecto por ser cada vez mais ostensivo. São as facilidades financeiras cada vez maiores dadas à OTUC, ao Orfeon, etc., são as salas da OTUC na AAC, a propaganda feita na rádio e televisão à ”queima”, a protecção policial dada às suas provocações, o paternal apoio de algumas figuras bem conhecidas na política nacional, etc..
Neste momento, constitui um erro crasso ignorar estes factos ou subestimá-los. Mais do que nunca, a actuação da reacção é deliberada e bem estudada.
— O aproveitamento das debilidades internas do M.A.. As povoações e todas as actividades, evidentemente só são possíveis devido às dificuldades que sofre o M.A. A reacção só sobreviva pelas dificuldades impostas à informação e reunião. Mas para além deste aspecto a reacção sabe aproveitaria de todos os divisionismos que surgem no MA. Sabe aproveitar as suas dificuldades de organização e não desdenha por vezes era aparecer mascarada por uma posição pretensamente neutral que se dirige sobretudo na direcção dos novos alunos, que não tiveram a experiência das lutas estudantis dos últimos anos nem conheceram a desesperada violência policial que lhes sucedeu.
- Promoção de latadas, queimas, praxes, etc. Utilizando demagogicamente uma série de práticas que a tradição reaccionária insiste em considerar coimbrãs, prosseguem assim a intenção de escamotear totalmente a actual realidade de Coimbra, as suas lutas mais importantes, as alterações radicais que sucederam na sua fisionomia. Através do aparelho de Informação dirigido e obscurantista a realidade de Coimbra tem sido sistematicamente escondida à Nação é neste facto assenta toda esta espécie de actuações, que conseguem ainda fazer alguma confusão.
O que há de essencial a dizer sobre as “queimas” “latadas” e “praxes”, é que pertencem ao passado. Caíram por si. Ou melhor, desapareceram porquê deixaram de cumprir qualquer função histórica. Os objectivos e as lutas dos estudantes de Coimbra são outros. Coimbra em 1972, já não é a Coimbra de 1967 ou 68. No permeio há 1969, 1970, 1971. Nem essas praxes constituíram por si alguma vez um interesse ou um mal fundamental a escorraçar pelos estudantes de Coimbra. A história das lutas dos estudantes de Coimbra não é a história das suas praxes ou da destruição dessas praxes. De facto este problema já não nos interessa.
Interessa a quem vê nos jovens universitários os acólitos inconscientes duma forma de dominação que precisa de manifestações do tipo da queima para bem funcionar. A queima foi uma festa colectiva, historicamente datada da Academia de Coimbra. Hoje os estudantes de Coimbra são, ainda, alegres. Mas, rejeitaram definitivamente a exibição pública do seu estatuto de privilégio. Hoje os estudantes de Coimbra querem conviver. Mas querem conviver nos seus locais de trabalho e não em faculdades transformadas em campos de concentração, querem — homens e mulheres de hoje, que são conviver nas tarefas que se põem aos homens e mulheres de hoje e não em situações de farsa que escamoteiam o verdadeiro convívio.
- Intensa campanha de promoção dos organismos reaccionários — Otuc, Orfeon, Tuna –
Dispondo de apoios oficiais de garantias financeiras, levam a efeito uma campanha subtil de captação, tentando ao mesmo tempo mascarar a sua face recentes a de provocadores, a que levou ao 9 de Maio de 1970, processo dos orfeonistas suspensos em 71, etc. Este processo é acompanhado de toda a espécie de entraves posta ao funcionamento dos organismos que sempre estiveram ao lado dos estudantes: TEUC, CITAC, Coro Misto, Coral e GEFAC.
— Recurso a grupos de estrema direita e a toda a espécie de provocações. Disso é exemplo a vária papelada como a da Ansa, alguns folhetos de anedotário da reacção e ainda algumas publicações ditas “teóricas”) como a Frente), que dado o estremo cuidado com que são impressas e distribuídas demonstram uma bem planeada campanha política.
C - Pelos factos referidos, a luta contra a reacção é uma tarefa importante neste momento. Aniquilar as suas manobras, significa também a falência da política repressiva. Significa que os objectivos essenciais dos estudantes de Coimbra:
Abertura da AAC
Liberdade de reunião em Assembleia Magna
Normalização académica e fim da vaga repressiva, não serão escamoteados e permanecerão centro das suas lutas e mobilizações.
UNIDADE contra a reacção, UNIDADE na luta, UNIDADE pelos objectivos unitários da Academia.
BOICOTE à Queima das Fitas. BOICOTE às manobras da reacção.
Este o objectivo de todos os estudantes de Coimbra que não deverão facilitar as manobras dos reaccionários, devendo comparecer em massa nos locais onde se pretenda realizar tal farsa.
Desta “QUEIMA” como da última “latada" deverá sobressair o cada vez mais extremo isolamento da reacção em Coimbra deverá resultar a irreversível falência das suas manobras.


A COMISSÃO ASSOCIATIVA

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