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terça-feira, 9 de maio de 2017

1972-05-09 - 1 - ELEIÇÕES NA ASSOCIAÇÃO - Movimento Estudantil

por um ensino popular
PROGRAMA DE TRABALHO ASSOCIATIVO AEIST 1972

1 - ELEIÇÕES NA ASSOCIAÇÃO (*)

COMO ORIENTAR O PROCESSO
O período eleitoral que agora começa reveste-se de uma grande importância para os estudantes do Técnico. E durante este período que se estabelece uma orientação ELEITORAL geral para o trabalho, uma linha de orientação que permita englobaras largas massas de estudantes num trabalho continuo em que todos participem e na formação de uma consciência critica.
No ano passado, concorreram duas listas às eleições. Em que consistia a diferença fundamental entre as propostas dessas duas listas?
Uma entendia que uma Associação de Estudantes é uma organização de carácter sindical onde os estudantes trabalham com vista à defesa dos seus interesses, com vista à aquisição de uma posição critica e actuante face ao ensino e à realidade social. A outra solidarizava-se com o trabalho até então realizado e que tinha conduzido o movimento a sucessivos impasses, e ao afastamento da associação em relação aos estudantes.
Os estudantes elegeram por larga margem a primeira das duas listas que definia com base na orientação aprovada, as seguintes prioridades de trabalho:
1) Aplicar e defender os princípios do Movimento Associativo, em especial o da democraticidade, como única forma de fomentar uma participação cada vez mais intensa dos estudantes no desenvolvimento da actividade associativa e para uma radicação da associação entre as largas massas de estudantes.
2) Dar uma atenção especial à formação de colaboradores e de comissões de curso com correctos métodos de trabalho, capazes de organizar e mobilizar os estudantes na luta pela defesa dos seus interesses e promover a sua compreensão global e unitária das causas dos problemas que diariamente se lhes põem.
3) Sendo a Reforma o aspecto da política governamental que mais incidências tinha e tem no dia a dia dos estudantes do Técnico, uma desocupações fundamentais do trabalho seria a tomada de posição face a ela. Como fazê-la? Por um lado, orientando o trabalho das comissões de curso no sentido de pôr a claro o que traz para os estudantes e o que se pretende com a sua aplicação. Por outro lado, promovendo um amplo trabalho cultural, através de discussões, textos, etc., um trabalho de esclarecimento sobre o seu significado na actual fase de evolução da sociedade portuguesa.
4)  Lutar contra a repressão no sentido de garantir e alargar o campo de actuação das actividades associativas, pela reabertura das associações encerradas, pela revogação da legislação anti-associativa e anti-estudantil, pela garantia das liberdades de reunião, informação e associação.

O QUE NOS ENSINAM OS ERROS COMETIDOS
Passado pois um ano de trabalho sobre estas eleições, vejamos como orientar neste momento o processo eleitoral:
1) Analizar e criticar o trabalho feito, evidenciar os erros cometidos, ver as suas consequências e tirar lições para uma correcção futura do trabalho.
2)  Corrigir e aprofundar a orientação a seguir definindo um programa de trabalho para 1972/73.
Quanto a nós os erros principais que se verificaram no trabalho deste ano foram os seguintes:
a) O problema da informação
A informação que foi feita aos estudantes do Técnico sobre os vários problemas dos cursos, sobre a situação e os problemas dos estudantes noutras escolas,- sobre os problemas nacionais e internacionais não existiu em muitos casos e na maior parte das vezes foi deficiente.
Porque é que consideramos esta deficiência como extremamente importante, como um obstáculo à concretização das prioridades de trabalho acima enunciadas, uma deficiência que urge corrigir radicalmente?
O simples facto de os estudantes de todos os cursos estarem a par das lutas desenvolvidas pelos estudantes dos outros cursos e mesmo das outras escolas, a simples constatação de que a sua luta não é um caso isolado e uma excepção, põe em evidência que os problemas que se lhes põem não são problemas particulares mas têm um carácter eminentemente colectivo e possibilita assim a unificação das suas lutas baseada numa compreensão das causas comuns dos problemas.
Ora durante este ano a maior parte dos estudantes do Técnico nem sequer sabiam o que se passava noutros cursos e noutras escolas perdendo assim as suas lutas um importante incentivo. Um exemplo do que poderia ter sido feito nesse sentido é o comunicado "Brotas, Abranhos e Chá da China".
Além disso a informação nacional e internacional teria um importante papel a desempenhar na divulgação, dinamização e promoção de discussões e estudos sobre temas de ordem vária e em particular sobre a situação da economia portuguesa, mercados de emprego, temas que têm também relação directa com a reforma do ensino. Ora esse trabalho praticamente não foi feito. Não se concretizou assim este importante aspecto duma das prioridades de trabalho.
b) As comissões de curso: onde se organizam os estudantes interessados em trabalhar
Vejamos agora como foi cumprida outra das prioridades definidas para o nosso trabalho: a formação das comissões de curso. Comissões com correctos métodos de trabalho, dispostas a trabalhar para os estudantes só se formaram praticamente nos dois primeiros anos. E isto explica-se pelo facto da Direcção, contando com poucos colaboradores realmente dispostos a trabalhar, assediada pelos grupos que não pretendiam aplicar o programa aprovado pelos estudantes, impossibilitada assim de fazer reuniões de colaboradores (pois elas eram boicotadas por esses grupos), se ter visto obrigada a definir quais os cursos que poderia acompanhar mais assiduamente. Era aí também, nos primeiros e segundos anos, que os colaboradores, porque mais inexperientes, necessitavam de um maior acompanhamento. E foi desse modo que o trabalho foi extremamente reduzido em todos os outros anos do Técnico.
No entanto esse acompanhamento teve frutos que se traduzem por exemplo no 1º Ano, pela existência de um grande número de colaboradores que se esforçam ai, por um esclarecimento aprofundado dos estudantes em torno dos problemas, como é o caso da Análise I e Álgebra.
E é agora a existência de um grande número de colaboradores dispostos a trabalhar para os estudantes e a aprender com os erros cometidos, que possibilita o funcionamento da reunião de colaboradores e uma generalização do trabalho associativo aos outros anos.
c) O trabalho dos estudantes de Lisboa, o trabalho dos estudantes portugueses
Este ano o trabalho associativo esteve sempre fechado nas escolas sem que todos os estudantes fossem chamados a pronunciar-se sobre problemas que são comuns a todos eles; por exemplo a atitude a definir face à reforma do ensino,
As posições adoptadas pela Direcção da AEIST em relação aos problemas respeitantes â condução global da luta dos estudantes de Lisboa e Portugueses foram posições sempre baseadas no programa de trabalho que tinha sido aprovado e nos princípios porque ele se rege. Quais foram essas posições?
- Necessidade de definir um programa de trabalho a ser aprovado por todos os estudantes de Lisboa.
- E caminhar decididamente para a Federação dos Estudantes de Lisboa.
Mas isto não chega. Se a maior parte das escolas estava de acordo com a nossa posição, cabia-nos a iniciativa de, entre os estudantes do Técnico promover o esclarecimento sobre os problemas levantados pela condução global do trabalho, e a nível federativo dar uma contribuição importante para a elaboração desse programa.
Isto será um passo para tomadas de posições dos estudantes face a problemas nacionais e para um apoio da população a essas posições dos estudantes que são sistematicamente deturpadas pelo governo.
Revelam-se assim com maior acuidade as consequências das limitações do nosso trabalho neste campo, que não poderemos portanto continuar a deixar passar em claro.
d) A democracia na actividade associativa
O desenvolvimento de todos os esforços para a participação consciente e esclarecida dos estudantes no trabalho, a aplicação das regras democráticas eis em que consiste fundamentalmente a democratização da actividade associativa.
E assim que a aplicação do princípio da democraticidade passou em determinada altura pela extinção das reuniões de colaboradores porque estas impediam a realização de trabalho junto aos estudantes. Não foi no entanto dado o devido relevo pela Direcção à promoção entre os estudantes, em todas as reuniões realizadas de uma crítica ao trabalho que estava a ser feito.
- PARTICIPEMOS POIS ACTIVAMENTE NA ANALISE DO TRABALHO REALIZADO
- TIREMOS AS LIÇÕES DOS ERROS COMETIDOS
- PARTICIPEMOS NA ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DE TRABALHO PARA 72/73

(*) Texto já divulgado a 18/4/72 por este grupo de colaboradores, sob o cabeçalho "Por um Ensino Popular", quando do inicio do processo eleitoral.

lista B “Por um Ensino Popular"
9/5/72

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