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sexta-feira, 28 de abril de 2017

1977-04-28 - VIVA O 1º DE MAIO - FEML

VIVA O 1º DE MAIO

AOS ESTUDANTES DE LISBOA EM LUTA:

CAMARADAS!
Aproxima-se o lº de Maio, a festa vermelha dos operários, dos camponeses e de todo o Povo oprimido. Ao contrário de todos os partidos do capital que pretendam fazer desse dia a festa da exploração e opressão, a classe operária e o seu Partido, preparam a sua festa de luta, a sua festa de unidade e de vitória. Não uma festa que sirva para adormecer os operários e fazer esquecer a sua situação de fome e miséria crescentes, mas uma, festa que sirva para os preparar para a luta, que os mobilize para os combates que se avizinham.
A festa, do lº de Maio Vermelho coincide nas escolas com o início de um conjunto de lutas que se começam a levantar, que se intensificam dia para dia ganhando maiores proporções e arrastando consigo mais vastas camadas de estudantes. Em Lisboa é rara a escola, em que os combates não se iniciaram. Se alguns deles são ainda pequenos e de fraco alcance, isso significa todavia que se preparam novos e maiores confrontos.
Nos Hospitais Civis de Lisboa, onde desde o início do ano lectivo os estudantes esperam e lutam pelo início das aulas, travam-se agora combates decisivos. Os estudantes candidatos a Psicologia e a Belas Artes, que se vêem alvo da mais desbagada selecção, levantam-se com mais vigor para impor o seu ingresso nas Faculdades. No ISE, em Direito, em Letras, em Farmácia, em Ciências e em muitas outras escolas iniciam-se processos de luta, de forma ainda surda e recuada, mas que antecedem grandes confrontos.
O Ensino Secundário não está fora deste movimento. Bem pelo contrário, a luta está a intensificar-se, as forças começam a organizar-se, as turmas põem-se em movimento protestando contra toda a sorte de arbitrariedades de que vêem sendo alvos os estudantes: os exames nacionais, os exames de aptidão, o intensificar da selecção, etc.
Os agentes do inimigo, os revisionistas da EU”C" e o seu bando de filhotes UDPides e trotsquistas de todas as raças multiplicam também a sua actividade traidora, enquanto os conciliadores afectos ao governo tentam igualmente ser os melhores aplicadores da sinistra "Reforma Democrática do Ensino" que tem os seus expoentes na selecção em Psicologia e Belas Artes, na falta de aulas dos Hospitais Ci­vis, no intensificar da selecção, nos exames nacionais do Ensino Secundário, nos exames de aptidão a Universidade, nos "numerus clausus", etc.
Em boa verdade essa é a Reforma a que alguma lei “democrática”. Essa é a Reforma burguesa do ensino que tem como objectivo colocar as escolas a formar técnicos, intelectuais e quadros administrativos para intensificar a exploração sobre os operários e camponeses e para ajudar a burguesia a sair da crise em que se encontra mergulhada.
Essa reforma, a ser aplicada, terá consequências funestas para os estudantes. O Ensino Secundário passara a um campo de concentração onde os estudantes serão meros assimiladores da ideologia dominante, dóceis instrumentos do capital. A Universidade ficaria reservada a uma ínfima minoria de estudantes, a uma pequena elite de indivíduos dispostos a aprender com rigor aquilo que os seus mestres lhe colocam à frente. Esse e o "Ensino para todos" que o partido dito socialista tanto apregoou nas campanhas eleitorais e nos seus intervalos, durante as longas discursatas na rádio, na televisão e nos jornais.
Esse plano implica que dos milhares de estudantes que frequentam o Ensino Secundário, só um pequeno número terá acesso a Universidade. O resto é para lançar no desemprego, para aumentar o já catastrófico contingente de mais de meio milhão de desempregados. Para os que frequentam o Ensino Superior, isso implica que uma boa parte deles seja lançada a força para fora das escolas. E isso que se passa com os Hospitais Civis de Lisboa em que cerca de 900 estudantes são ameaçados de ficarem pura e simplesmente com o curso em meio. O mesmo no ISCSP e o mesmo em Letras e no ISCTE onde alguns cursos não são homologados pelo MEIC.
No meio de toda esta situação, qual a saída da juventude estudantil? Ainda que possa parecer que existam várias saídas, o facto é que só existem duas: a saída de vergar a cerviz perante a reforma burguesa aceitando pacificamente todos os seus ditames e a saída da luta contra todo esse sinistro plano. Não apenas a luta contra um ou outro aspecto da reforma burguesa mas a luta contra todas as medidas reaccionárias, contra os próprios objectivos dessa reforma, que são profundamente anti-populares
Os estudantes não podem mais embarcar na demagogia dos revisionistas e oportunistas. Os estudantes de Lisboa tem já uma grande experiência acerca da traição revisionista. Ninguém se esqueceu ainda da traição a luta contra, o decreto de gestão que levou a que ele esteja hoje a ser aplicado. Ninguém se pode esquecer que na Escola de Belas Artes são os revisionistas quem fura as greves, em Medicina foram eles que aplicaram e aplicam os "numerus clausus", em suma, eles são os mais fieis aplicadores da política do MEIC, em troca de alguns “tachos" no aparelho de estado
Quanto aos conciliadores, os defensores da política do MEIC, esses não tem a apresentar outra alternativa aos estudantes que não seja a de aceitarem "civiliza­damente", todas as medidas segundo a fórmula de "comer e calar". Essa saída também não interessa à maioria da juventude estudantil.
A luta terá que ser dura e prolongada. Não se pode pensar em obter vitórias fáceis, como pregam os revisionistas para melhor traírem os estudantes. Todo o com bate que se travam sem as forças estarem bem preparadas e conscientes do alcance da sua luta, conduzirá inevitavelmente à derrota. Nem são tampouco as festas burguesas os bailes e os piqueniques do 25 de Abril das ilusões que vão resolver essa situação. Só a luta dura o poderá fazer.
O 1º de Maio aproxima-se. Com ele aproximam-se grandes lutas. Os estudantes de Lisboa devem fazer desta festa uma forma de se prepararem, de se unirem mais ao povo e de se colocarem sob a direcção da única classe consequentemente revolucionárias a classe operária. TODOS ÀS REALIZAÇÕES PROMOVIDAS PELO PCTP! 
17 H MANIFESTAÇÃO POPULAR - Rossio

VIVA O 1º DE MAIO VERMELHO!
ADERE AO PCTP/MRPP!
VIVA O PCTP!
VIVA A FEM-L!

LISBOA, 28 Abril 1977
COMITÉ REGIONAL DE LISBOA DA FEM-L    

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