quarta-feira, 26 de abril de 2017

1977-04-26 - O 1.° DE MAIO É VERMELHO! ERGAMOS A NOSSA BANDEIRA! - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

O 1.° DE MAIO É VERMELHO! ERGAMOS A NOSSA BANDEIRA!

Comunicado do Comité Permanente do Comité Central do PCTP/MRPP acerca do 1.° de Maio

   1. O 1.° de Maio é a jornada de combate e de luta dos operários. Nesta data, os proletários do mundo inteiro erguem a ideologia jovem, revolucionária e libertadora do marxismo-leninismo-maoismo com o despertar primaveril das forças da natureza, numa celebração de alegria e de luta à batalha dos explorados pela sua emancipação da escravidão assalariada. No 1.° de Maio, o operário lança o olhar e estende o braço poderoso de produtor ao seu irmão de todos os países e nações, para com ele renovar a disposição de, sob as bandeiras do Comunismo e do Internacionalismo Proletário, prosseguir com ardor no combate pelo derrube do capitalismo e da ditadura do capital, pelo triunfo da Revolução Mundial Proletária e a instauração da ditadura do proletariado e do Socialismo. No 1.° de Maio, o operário recolhe-se numa homenagem feita de vontade e de confiança no futuro da sua classe honrando a memória dos milhões de camaradas tombados no campo da luta para que a sua rubra bandeira flutue um dia sobre os povos do mundo inteiro.
É essa a bandeira do 1.° de Maio. É esse o 1.° de Maio dos operários. O 1.° de Maio Vermelho. O 1.° de Maio do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.
   2.    Desde sempre procurou a burguesia proibir, reprimir ou aviltar o 1.° de Maio como jornada de luta e de festa dos operários. Basta reparar um pouco para o que se passou no nosso país para verificar que assim é. A ditadura fascista sempre conjugou a mais feroz e desbragada repressão contra as grandes jornadas operárias do 1.° de Maio Vermelho dirigidas pelo MRPP, com a mais branda e protectora política as festarolas e jantaradas dos «1.° de Maio» amarelos com que os revisionistas do P"C"P procuravam inculcar na classe operária, o pacifismo, a degenerescência e o amolecimento que à burguesia convinham.
Desde o 25 de Abril de 1974, o 1.° de Maio tem sido o terreno fértil em ensinamentos, onde a burguesia e o proletariado travam um duro combate pela disputa da hegemonia do movimento operário e popular no nosso país. Incapaz de se erguer contra o 1.° de Maio, a burguesia, através dos seus destacamentos próprios para operários, através do partido revisionista e seus lacaios neo-revisionistas tenta meter-se dentro dele para lhe retirar o seu conteúdo proletário e o desviar dos seus objectivos políticos revolucionários. O que foram os «1.° de Maio» promovidos pelo P"C"P, pela confraria neo-revisionista e pelo partido governamental desde 1974 até hoje (porque só desde esta data ousaram sair à rua) senão o dia da conciliação entre as classes, do hino ao «pacto social», da desmobilização sistemática dos operários das suas tarefas revolucionárias, do culto do economicismo e do aviltamento da consciência política dos proletários, da tentativa de procurar arrebanhar a classe como tropa de choque dos manejos e dos golpes social-fascistas; de subverter a natureza operária do 1.° de Maio através de festarolas corruptas e decadentes?
Ao «1.° de Maio» amarelo e da traição onde sempre chafurdaram em harmonioso entendimento todos os partidos traidores e seus cães de trela, sempre opôs a classe operária e o seu Partido, desde a data da fundação do MRPP em 1970 e também desde o 1.° de Maio de 1974, o 1.° de Maio Vermelho. O 1.° de Maio da Revolução Proletária, do Socialismo e do Comunismo. Remando por vezes contra a corrente, arrostando de outras com algumas ilusões espalhadas entre as massas, os verdadeiros comunistas nunca deixaram, nem deixarão, tombar a bandeira do 1.° de Maio autónomo da classe operária.
   3. No nosso país, o 1.° de Maio decorre este ano nas condições duma aguda batalha de classe. O povo trabalhador levanta-se para impor a solução que lhe é própria para a crise e rejeita as medidas de miséria e de fome que o Governo a soldo do grande capital decreta com vista a fazer pagar a crise do capitalismo pelos operários e camponeses. Todo o campo da contra-revolução se uniu em torno desse projecto insano de fazer dobrar o movimento operário e popular aos desígnios dos monopólios, dos grandes agrários, dos imperialistas e dos social-imperialistas. Desde o CDS fascista ao P"C"P social-fascista e seus lacaios, todo o capital responde aos preparativos que a classe operária realiza para a luta, armando e reorganizando as suas polícias, adestrando os seus «destacamentos sindicais» próprios, activando as manobras de divisão no seio da classe, operária.
O 1.° de Maio deste ano é a expressão dessa situação. Desde logo começou a burguesia por ensaiar a manobra de tentar desviar os esforços de mobilização da classe operária das sua jornada de luta própria, o 1.° de Maio, para uma data que o poder pudesse mais facilmente domar como data sua, do seu golpe de estado militar: o 25 de Abril. O rotundo fracasso que tais manifestações constituíram, o completo desprezo a que as massas o votaram é uma sintomática expressão da vontade que anima o proletariado e o povo não só de lutar, como de lutar trilhando o seu caminho autónomo.
Mas o inimigo não desistiu dos seus intentos de transformar este 1.° de Maio numa jornada especialmente consagrada à difusão das ideias da colaboração de classes, da «reconstrução nacional», da «necessidade da maioria de esquerda», da cisão do movimento sindical, ou seja o 1.° de Maio — mordaça da luta dos operários contra as medidas anti-populares do Governo. Todos os partidos burgueses se puseram mais uma vez de acordo neste plano. É assim que os partidos ligados ao grande capital privado e o seu lacaio do Governo deixam habilmente o terreno livre ao partido revisionista e seus lacaios do P"C"P(R), M"ES”, etc., para poderem dirigir as «comemorações» do 1.° de Maio amarelo em todo o pais. Dar ao partido revisionista a tarefa de procurar arregimentar o proletariado para o apoio à política de recuperação capitalista aos gritos de fingir opor-se a ela; dar-lhe a tarefa de procurar isolar o 1.° de Maio Vermelho de tentar desviar os operários da luta; combater o 1.° de Maio dos proletários como o fantasma que assola as noites povoadas de pesadelos dos exploradores - eis a política de desespero do grande capital para o 1.° de Maio.
   4. Mas para o povo trabalhador do nosso país passou o tempo das ilusões na «revolução das flores», na «aliança Povo-MFA» e noutras promessas que ele hoje vê transformadas na invasão da «Marriot» pela GNR, nas cargas da polícia de choque sobre os trabalhadores da hotelaria no Funchal, nas desocupações pela força de centenas de famílias em Lisboa, Setúbal, no aumento dos preços em 40%, etc.
A classe operária portuguesa, ainda que um seu sector possa não ter ainda a clara consciência disso, prepara-se afanosamente para os mais duros combates contra a fome, contra o desemprego, contra o regresso dos patrões, contra os salários de miséria, contra as desocupações das casas, contra a exploração e a repressão.
A classe operária portuguesa toma consciência que para que um tal combate seja vitorioso ela tem antes do mais de desmascarar, isolar e escorraçar os revisionistas, os agentes do inimigo que no seu seio ainda alberga.
A classe operária sabe que tal como há duas classes, a burguesia e o proletariado, há dois 1.° de Maio: o da política dos exploradores e o da política dos explorados. O da solução burguesa e o da solução operária para a crise. O 1.° de Maio amarelo da capitulação e da traição e o 1.° de Maio Vermelho da luta e da Revolução.
A classe operária portuguesa quer a Revolução. Ela saberá fazer do seu 1.° de Maio, do 1.° de Maio Vermelho uma grande jornada de luta pela solução que lhe é própria para conjurar a crise, acumular forças e esmagar os exploradores e marchar à conquista do poder.
   5. O Comité Permanente do Comité Central do PCTP/MRPP chama todos os quadros, activistas e simpatizantes desde os grandes centros operários, às vilas, aldeias e cooperativas agrícolas, aos centros piscatórios, às escolas quartéis, a tomarem decididamente em cada local de trabalho e frente de luta, a cabeça das jornadas de combate t de festa do 1.° de Maio Vermelho. Desde as manifestações e outras realizações nos principais centros operários, às pequenas e médias jornadas do 1.° de Maio promovidas quer pelo nosso Partido, quer por organizações de massa que mereçam a confiança dos trabalhadores, há que erguer em todo o país, no Continente e nas Ilhas a rubra bandeira do 1.° de Maio dos explorados! Há que fazer do 1.° de Maio Vermelho em cada fábrica, em cada aldeia, em cada bairro o poderoso catalisador da revolta que irrompe do povo em luta.
A classe operária portuguesa face à crise actual tem um programa. O programa da solução operária para a crise que lhe apontam os verdadeiros comunistas. Tem um Partido: o Partido Comunista do Trabalhadores Portugueses, seu destacamento de vanguarda que a conduzirá à tomada do poder. A classe operária portuguesa só conhece uma barricada no 1.° de Maio: a do 1.° de Maio Vermelho contra o 1.° de Maio amarelo da traição revisionista.
VIVA O 1.° DE MAIO!
VIVA A BANDEIRA VERMELHA!

Lisboa, 26 de Abril de 1977
O Comité Permanente do Comité Central do PCTP/MRPP

Sem comentários:

Enviar um comentário

1977-06-00 - ER Boletim Nº 01

O QUE É E PARA QUE SERVE ESTE   BOLETIM Os militantes sem partido da Unidade Popular são um largo conjunto de militantes revolucioná...

Arquivo