segunda-feira, 24 de abril de 2017

1977-04-24 - DIVIDIR PARA REINAR - PCTP/MRPP

PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP)

DIVIDIR PARA REINAR

RESISTÊNCIA ACTIVA ÀS DESOCUPAÇÕES!
O Governo anti-operário e anti-popular de Mário Soares, sabe que quando pretender entregar os 53.000 pontos do "direito de reserva" - da lei da "Reforma Agrária " de Vasco Gonçalves - a um Margaça, a um Mariano das Candeias, a um Marujo, ou outro latifundiário, terá de contar com a resistência firme e decidida da parte dos trabalhadores rurais da ESQUERDA VENCERÁ, que já têm um longo passado de luta contra esta cáfila de parasitas.
Não será a GNR nem a demagogia dos falsos amigos e defensores da Reforma Agrária que os impedirão de lutar em defesa da magnífica conquista que foi para todo o povo camponês a ocupação das terras e a organização da Unidade Colectiva.
Por isso o Governo do Capital, ensaia todo o tipo de manobras com vista a preparar o terreno favorável para desencadear o ataque. Pretenda tomar o pulso para ver se há ou não resistência.
Não hesita em servir-se de todas as armas que a burguesia tem na mão: desde a GNR, aos falsos amigos do povo e explorando também as contradições existentes no seio das massas trabalhadoras, para tentar lançar uma parte do povo contra a outra seguindo o seu velho lema de dividir para reinar.
Apoia as desanexações, apoia a entrega de terras das UCPs a seareiros e a outros indivíduos - contra a vontade dos trabalhadores - com o objectivo claro de colher os frutos da política daqueles que aos gritos de "Unidade, Unidade" só provocaram uma maior divisão e desunião do povo.
E não pensemos que isto é só um ataque aos trabalhadores rurais. Encerra também um ataque aos pequenos camponeses e a todo o povo trabalhador, na medida em que pretendem destruir por todos os meios os órgãos dos trabalhadores, as UCPs e Cooperativas para submeter o campo a uma intensa exploração capitalista, provocando todo o tipo de dificuldades a quem trabalha a terra e a rega com o seu suor e sangue. Começam por atacar a cabeça para depois virem ao copo. E senão vejamos; onde estão as promessas de auxílio aos pequenos e médios agricultores? Tal como todas as outras já estão também no caixote do lixo, e cada dia que passa as dificuldades vão aumentando.
Será agora que também irá ajudar essas Cooperativas formadas pela saída de terras das UCPs? Também elas ficaram submetidas ao mesmo regime de crédito, bem assim como aos mesmos problemas como na obtenção dos meios necessários à produção e na colocação dos produtos.
com a unidade de todo o povo trabalhador, camponês pode lutar, contra as pretensões dos capitalistas e grandes agrários de transformarem: campo a medida dos seus interesses, como revelam as "reivindicações" da CAP entre as quais conta a destruição das conquistas doe assalariados rurais e a expropriação das terras dos pequenos a médios agricultores para formarem “empresas agrícolas da dimensão europeia”; só pode lutar contra as desocupações e os ataques às UPCs e Cooperativas; só pode lutar contra as dificuldades cada vez maiores com que se debatem os pequenos camponeses e todo o povo trabalhador.
Mas é preciso que fique claro, que a política de defesa dos interesses dos latifundiários do Governo dito "Socialista", é o seguimento e aplicação da política dos vendidos oportunistas e traidores que fizeram todo o tipo de leis contra-revolucionárias (como a famosa lei da "Reforma Agrária" de Julho de 75); é a aplicação da política que impede a livre discussão dar ideias diferentes existentes no saio dos trabalhadores; da política que transformou as UCPs e Cooperativas em coutadas da um grupo de novos agrários; da política dos que já não podem fazer outra coisa que não seja passear do Jipe; da política dos que atacaram os pequenos agricultores aos gritos de fascistas e reaccionários, dividindo assim o povo. É a aplicação da política dos Chicos Valvergueiroa e dos Tibérios: enfim, da política dos revisionistas que dizendo defenderem a Reforma agrária, procurem arrastar-nos na defesa “da lei e da Constituição" - lei e constituição essas ao abrigo das quais foram feitas uma série de desocupações como foi o caso das GARGANTAS, LOBATA, MONTE DA CIGANA, MONTE DA RIBEIRA” e tantas outras.
É preciso que fique claro, que não é possível lutar contra os velhos latifundiários, sem se travar a luta contra os novos. Que não e possível lutar vitoriosamente em defesa da Reforma Agrária Camponesa com as mãos atadas pelas algemas da traição revisionista.
Mas a luta contra os oportunistas e novos patrões faz-se dentro das UCPs onde eles existem, no sentido de manter a integridade das suas terras e a unidade dos trabalhadores. Atacar de fora, quer pelas desanexações, quer pela forma como aqueles que pretendem os LAGARES, LAGARES de JOSÉ MARIA e parte do BURRICO para formarem uma pretensa Cooperativa, é como jogar bolegadas sem direcção, partindo a cabeça a quem não deve partir já que os oportunistas estão protegidos por capacetes!
Se uns semearam a divisão e outros pretendem colher os frutos, é porque tão bons são os primeiros como os últimos.
Preservar a unidade das terras ocupadas pala ESQUERDA VENCERÁ, é condição de evitar futuros ataques, quer na base da lei da “Reforma Agraria" de Vasco Gonçal­ves, quer na base da "nova" lei da Reforma Agraria que o Governo tem em preparação e tão anti-camponesa como a primeiro.

A REFORMA AGRARIA CAMPONESA VENCERÁ!
NEM UM PALMO DE TERRA PARA OS LATIFUNDIÁRIOS!
VIVA O POVO!

Pias, 24 de Abril de 1977
O Comité Local de Pias do PCTP/MRPP

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