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sexta-feira, 21 de abril de 2017

1977-04-21 - SOBRE A SITUAÇÃO ACTUAL NO ISE - UJCR

SOBRE A SITUAÇÃO ACTUAL NO ISE

O ISE atravessa actualmente uma grave situação quer ao nível pedagógico quer no que diz respeito à Gestão. Esta situação a não "ser encarada" de frente e com realismo poderá levar a curto prazo, por um lado à total paralisação administrativa, e por outro a uma situação de progressiva indefinição pedagógica que provocaria problemas inultrapassáveis quanto à conclusão do ano lectivo, mesmo sem que se verifique uma intervenção repressiva do MEIC impondo medidas autoritárias para a finalização do ano lectivo.
O arrastamento do processo de Gestão e de Avaliação, que se coloca desde, Novembro-Dezembro, a inexistência de órgãos de gestão na Escola, conjugado com as recentes posições demissionistas dos reformistas e a existência de perspectivas pouco claras por parte das forças revolucionárias, criou em grande número do estudantes um sentimento de apatia e impotência. Esta situação permitiu que sectores importantes da população da Escola não se tenham apercebido claramente das reais dimensões do problema e das consequências, que a sua não resolução, pode trazer.
No entanto, nem por esta situação se tornar cada dia mais insustentável, se verifica uma profunda e generalizada tomada de consciência e de posição, no sentido de se adoptarem medidas conducentes à sua resolução. E isso torna-se tanto mais necessário quanto é certo que a degradação progressiva da situação escolar só serve aqueles que, apontando depois a situação hoje existente, vão levantar a voz para defender o funcionamento da Escola a todo o custo; isto é, defender o 0 a 20, os testes individuais, os exames finais, a destruição do trabalho em grupo e da avaliação contínua, etc., etc..
A TÁCTICA DO MEIC PARA O ISE
A degradação progressiva só serve a política do MEIC e é essa a sua táctica. O MEIC quer destruir o que de novo se ergueu nas escolas após o 25 de Abril, mas sabe o encerramento violento do ISE (como aconteceu na FEP e no ISCSP) poderia trazer-lhe custos políticos elevados, por isso prefere deixar que, através do boicote administrativo, o funcionamento do ISE se torne insustentável, que a Escola se divida, para depois intervir numa situação de confusão e de desmoralização.
Neste momento e face à apatia existente em parte importante da população da Escola devemos perguntar: que perspectivas se nos abrem, que propostas de luta?
A TÁCTICA DA UE"C".
A UE"C” tem cumprido bem o papel de tentar aplicar uma política de conciliação e pactuação com as medidas anti-democráticas do governo e de ser ela própria a promover a introdução de métodos de avaliação reaccionários, como é o caso dos testes individuais. Aliás, desde a saída da legislação do MEIC sobre a Gestão e mais tarde sobre avaliação, a UE"C" tem tentado demonstrar que é possível a aplicação “progressista” de medidas reaccionárias. Fez a interpretação progressista do Decreto de Gestão, propôs ainda em Dezembro de 76, a introdução da A.R., promoveu a nível nacional a demissão dos Conselhos Directivos, traindo assim a luta contra o Decº. e conseguindo espartilhar una luta que até então possuía uma cabeça única do coordenação nacional, e unis recentemente no ISE, vem tentar demonstrar que os testes individuais, bem vistas as coisas, também são progressistas e pedagogicamente correctos.
Neste momento, como sempre, a EU”C” não está interessada na organização de formas de luta pela homologação dos órgãos eleitos e joga também no caos administrativo e pedagógico numa estratégia partidária clara.
Tal estratégia passa por responsabilizar os revolucionários pela situação que vier a ser criada face a uma futura intervenção do MEIC sobre o funcionamento, métodos de trabalho, conteúdos de matérias e avaliação, no ISE; manter-se numa certa oposição ao MEIC, surgindo aos olhos dos estudantes com a capa do esquerda necessária para que, embora facilitando eu toda a linha a entrada no ISE da política do MEIC, esta os faça emergir e afirmar-se partidáriamente. Para a UE"C”, perder a G.D. e os métodos de avaliação e de trabalho, é defensável, desde que tal processo possa trazer-lhes trunfos partidários para as negociações com o MEIC. Sacrificar os interesses dos estudantes à sua estratégia partidária, tal é a política dos revisionistas.
Defendendo o "Pacto Social" com o MEIC, tal como o P”C”P defende o "Pacto Social" do governo e ataca as "reivindicações irrealistas" do movimento popular, a UE"C” ajuda o MEIC a enterrar as conquistas democráticas dos estudantes, como o P"C"P ajuda a burguesia a aplicar a sua política, tentando desarmar os trabalhadores o traindo as suas lutas.
A POSIÇÃO DA DIRECÇÃO DA AE
Analisando agora a actuação da Direcção da AE, o que surge do imediato é o facto de ela actuar como qualquer outra força política não conseguindo traduzir na sua forma de actuação prática que é uma estrutura eleita e representativa dos estudantes. As suas propostas não surgem como o resultado e síntese das discussões prévias às AGEs, que deveriam dinamizar nas turmas para que os estudantes discutissem e sobre elas tomassem posição. A forma de actuação da Dir. AE criou em muitos estudantes o sentimento de que a Associação é algo que lhes é exterior. Generalizando-se o sentimento que a Dir. AE é a Associação e não que a Associação somos nós todos, os estudantes do ISE.
Este tipo de prática longe de contribuir para o reforço o alargamento do MA partidariza a vida associativa e contribui, antes, para o afastamento progressivo dos estudantes cuja participação se reduz quase exclusivamente a por o seu voto numa urna de ano a ano ou ir às AGEs. Tal prática conjugada com posições hesitantes, que vacilam sistematicamente entre as propostas revolucionarias e as de pactuação revisionistas, tem levado a que a Dir. da AE não apresente qualquer alternativa de luta para a presente situação, não lutando com firmeza pelo levantamento e unificação do movimento de resistência face ao MEIC. Prova disso, é que pensando à partida propor, na última AGE, '3 ou 4 dias de paralisação’, passaram a defender a existência de apenas um dia (o que nos parecia correcto) para depois acabarem por não vir a propor paralisação alguma, após contactos com a UE"C". De notar ainda que tudo isto se passou no espaço de um dia, o que demonstra uma total inconsequência política e uma falta de ligação aos estudantes que lhes permitisse sentir o estado de mobilização da Escola para a partir daí, defender uma proposta clara de acordo com a situação. Aliás a sua proposta em tudo semelhante à da UE"C", revela um claro demissionisno, visto que, passados que são 2 meses sobre a eleição dos órgãos de gestão, e de todo o processo de luta já desenvolvido, está provado à evidência que a situação não se resolve com apelos ao MEIC para a homologação de tais órgãos.
Também ao nível pedagógico a Dir. da AID não apresenta qualquer proposta para responder à situação criada com o problema da avaliação de conhecimentos mostrando estar mais interessada em não se ‘queimar’ eleitoralmente, do que tentar resolver um problema decisivo para o futuro da Escola.
Saliente-se ainda que perante a gravidade da situação a Dir. AS limitou-se a anunciar a realização da AGE para o dia 19 através de cartazes, furtando-se ao papel de mobilização que se impunha, face às importantes decisões que a AGE deveria tomar.
COMO RESISTIR À AVANÇADA DO MEIC
Face à gravidade da situação e à conciliação e demissionismo das forças reformistas, os revolucionários não souberam dinamizar correctamente o processo de discussão destes problemas, a nossa falta de iniciativa contribuiu também para a falta de esclarecimento e mobilização estudantil, o que objectivamente tem aberto campo à desagregação da situação na Escola e contribuído para que não se tenha organizado de forma correcta a luta de resistência contra o MEIC.
Também no campo da avaliação, os revolucionários não souberam ter a iniciativa suficiente para através da discussão nos cursos e nas turmas, sintetizar propostas que traduzindo o sentimento dos estudantes pudessem correctamente ultrapassar a situação.
Afirmamos que os verdadeiros revolucionários não devem escamotear as suas responsabilidades e a nossa autocrítica mais não pretende demonstrar que, longe de nos demitirmos da luta, preferiremos de facto aprender com os erros e corrigi-los, para mais firmemente nos opomos ao avanço do fascismo nas escolas.
Ao contrário de outras forças políticas que privilegiam a aplicação de uma táctica partidária, mesmo que isso implique a perda de conquistas importantes do ME, a UJCR defende que só pela luta será possível conservar as conquistas que pela luta alcançámos.
Resistindo à avançada do MEIC, importa desde já desenvolver e autonomizar as estruturas estudantis de forma que elas se consolidem como órgãos representativos e actuantes, não só no campo pedagógico, mas também assumindo estes as responsabilidades que lhes cabem na definição de uma táctica de luta, integrada num projecto político progressista.
Foi por isto que dinamizámos o aparecimento de propostas que, não conciliando com a situação, avançassem com formas de luta efectivas pela homologação dos órgãos eleitos e que ao nível da avaliação de conhecimentos, pudessem garantir os pontos essenciais das formas do estudo e avaliação definidas em reuniões de massas, que privilegiou o trabalho e a avaliação em grupo.

MOBILIZAÇÃO NAS TURMAS PARA QUE A PRÓXIMA AGE (dia 28/4) POSSA SINTETIZAR E CONCLUIR UM PROCESSO DE DISCUSSÃO ALARGADO A TODA A ESCOLA.

21 de Abril de 1977
NÚCLEO GEORGE DIMITROV da UJCR
União da Juventude Comunista Revolucionária

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