sexta-feira, 21 de abril de 2017

1977-04-21 - Revolução Nº 105 - PRP-BR

EDITORIAL

A aproximação das comemorações do 25 de Abril trouxeram-nos algumas revelações. É curioso notar que raras são as vozes de esquerda que por todo o País se dispuseram a tomar iniciativa duma alternativa de esquerda aos festejos oficiais. E a verdade é que esses festejos são, na maioria dos casos, dum tal cunho conservador que mais lembram as comemorações do «Dia da Raça» do que as comemorações duma jornada libertadora. Os palanques oficiais vão mostrar a galeria daqueles que não estiveram no 25 de Abril, daqueles que são contra o 25 de Abril, enquanto que os oficiais que organizaram a queda do fascismo estão já no banco dos réus.
As eleições realizadas nos anos de 75 e 76, no dia 25 de Abril, esconderam as contradições que então saltariam, à vista se essa data fosse comemorada. Mas neste ano de 77, apenas três anos depois do derrube do fascismo, podemos perguntar onde estão os oficiais do 25 de Abril, onde está Otelo, onde está Vasco Gonçalves? O Poder já se arrogou o direito de esconder, à descarada, que esses homens foram os obreiros do 25 de Abril. O Poder gostaria mesmo de julgar o 25 de Abril, em vez de o comemorar. E serão as fardas, as condecorações e as faces duma galeria de figuras que nos lembra bem o fascismo que farão a fantochada de comemorar a sua queda.
Mas é perante esta imposição duma hipocrisia revoltante, que é também paradoxal que não vejamos erguer-se uma alternativa unitária de toda a esquerda e que organizações ditas de esquerda apoiem os festejos oficiais. A ausência dessa alternativa unitária de esquerda significa decerto um impasse na organização de unidade. Mas os trabalhadores e a sua organização autónoma não se podem condoer da unidade que os partidos não fazem, e têm que rapidamente encontrar as formas de organização que se baseiam na unidade e que a ela conduzam. Sem unidade e sem organização dos trabalhadores, dentro em breve será mesmo um palanque fascista a comemorar o fascismo, aquilo que teremos
Mas a verdade é que, a um certo impasse que significa não surgir neste dia de festa da queda do fascismo uma alternativa unitária de esquerda, corresponde também um impasse do próprio Poder.
Não tem este que ceder, colocando, apesar de tudo, Loureiro dos Santos como vice-CEMGFA? Não tem que ceder colocando Marques Júnior como Presidente da Comissão das Comemorações do 25 de Abril? Não tem que ceder entregando a Vasco Lourenço o comando do desfile militar em Lisboa? Mas não cedeu também Marques Júnior e Vasco Lourenço, aceitando «esquecer» nesse dia o seu camarada Otelo e todos os outros que os acompanharam no outro 25 de Abril, no de 1974?
Situação de impasse, com dificuldades para a direita, com dificuldades para a esquerda, mas ma qual os trabalhadores têm os trunfos suficientes para poderem afirmar que ainda é possível vencer.

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