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quinta-feira, 20 de abril de 2017

1977-04-20 - VIVA O 1.° DE MAIO - PCP

APELO DO PCP
VIVA O 1.° DE MAIO

JORNADA DE UNIDADE E DE LUTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES!

À CLASSE OPERÁRIA, AOS TRABALHADORES, AO POVO PORTUGUÊS!
Nas vésperas do 1.° de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, o Partido Comunista Português saúda a classe operária e os trabalhadores portugueses, toda a população laboriosa de Portugal que com a sua luta, o seu trabalho e o seu esforço criador tem vindo corajosamente a defender a revolução portuguesa e as grandes conquistas democráticas do nosso povo, que são a base indispensável para uma vida melhor, na paz, na liberdade e no caminho do socialismo.

1.° de Maio:
data histórica da resistência ao fascismo e da revolução portuguesa.
No quadro de um combate prolongado e persistente, contra a ditadura fascista, feito de sacrifícios sem conta, a classe operária e os trabalhadores portugueses, ergueram corajosamente, em históricas jornadas do 1.° de Maio, a bandeira da luta pela paz, pela liberdade, pelo pão, abrindo caminho para a vitória final sobre o fascismo e o colonialismo.
O 1.° de Maio de 1974, exprimindo o imenso e esmagador apoio popular à acção libertadora dos militares patriotas, testemunhou a impressionante grandeza do levantamento popular convergente com o levantamento militar e marcou decisivamente a força da intervenção autónoma e independente do movimento operário e popular que seria determinante para o sucesso do processo de democratização da vida nacional.
Desde então, o 1.° de Maio tem assumido para os trabalhadores e o povo português o alto significado de marcar o papel da classe operária e das massas populares na luta pela liberdade e na construção de uma sociedade democrática a caminho do socialismo.
O PCP exprime a sua profunda convicção de que o 1.° de Maio deste ano constituirá seguramente uma nova e valiosa demonstração da unidade e determinação combativa dos trabalhadores e das massas populares, em defesa das liberdades e das outras grandes conquistas da revolução portuguesa, em defesa do regime democrático consagrado na Constituição.

Recuperação económica, sim!
Recuperação capitalista, não!
Os trabalhadores portugueses vão celebrar o 1.° de Maio num momento em que as conquistas da revolução estão submetidas a uma grave ofensiva, em que os direitos e liberdades conquistados são objecto de crescentes violações e medidas restritivas, em que o agravamento da situação económica e financeira e as actividades reaccionárias projectam sobre o regime democrático perigos consideráveis.
O aumento vertiginoso do custo de vida; o congelamento virtual da contratação colectiva; a intensificação dos despedimentos e o crescimento do desemprego; a entrega de empresas intervencionadas ao patronato que as arruinou; a ofensiva de atropelos, abusos e ilegalidades contra a Reforma Agrária; a humilhante dependência do imperialismo; a numerosa legislação antioperária; a vaga impune de agressões e violências do patronato reaccionário contra trabalhadores em luta; os projectos de indemnizar largamente agrários e monopolistas à custa dos dinheiros públicos; a impunidade de que gozam conspiradores activos e bombistas confessos; as perseguições e afastamentos de trabalhadores progressistas das empresas e aparelho de Estado; o sistemático desprezo pela vontade e opinião de quem trabalha — são, entre muitos, aspectos que definem uma política de recuperação capitalista, agrária e imperialista, que é contrária aos interesses e aspirações dos trabalhadores, compromete a resolução efectiva dos graves problemas nacionais e que, a prosseguir, significaria novas, amargas e insustentáveis dificuldades para o nosso povo e perigos mortais para a democracia portuguesa.
A firme resistência e a sólida unidade que os trabalhadores estão opondo ao agravamento das suas condições de vida, à ofensa dos seus direitos e aspirações, às manobras para abrir caminho à intensificação da exploração pela divisão dos trabalhadores, comprovam, de forma inequívoca, que na situação difícil e complexa que hoje se vive, da acção, da unidade e da luta da classe operária e das massas populares, depende, em parte decisiva, a sobrevivência da democracia portuguesa, a defesa dos interesses nacionais, o desenvolvimento e o progresso do país.
Na situação actual, marcada por uma profunda crise da economia, que tende a agravar-se por força de uma política irresponsável e divorciada da Constituição, novas e acrescidas responsabilidades pesam sobre a iniciativa e o esforço da classe operária e dos trabalhadores portugueses.
Defendendo com firmeza os seus interesses imediatos, os trabalhadores estão afirmando ao mesmo tempo por todo o país, o seu desejo de contribuírem de forma responsável e construtiva para encontrar uma solução nacional para os graves problemas do país.
Sair da crise em que a economia nacional está mergulhada, travar a marcha para o colapso através de uma solução democrática capaz de vencer as dificuldades e os perigos actuais, tal é a tarefa nacional mais urgente ao serviço da qual os trabalhadores portugueses desejam colocar a sua experiência, dedicação e imaginação criadora, o seu patriotismo.

1.° de Maio de 1977: por uma grandiosa jornada de unidade e de luta
O PCP apela para a classe operária, para todos os trabalhadores, para todos os democratas, a fim de que as próximas comemorações do 1.° de Maio constituam uma grandiosa jornada unitária que marque a firme determinação popular de defender a democracia portuguesa das ameaças da reacção, de a manter no rumo do socialismo, como consagra a Constituição.
O PCP apela à classe operária, a todos os trabalhadores portugueses para que participando em massa nas comemorações unitárias já convocadas para Lisboa, Porto e outros pontos do país, façam do próximo 1.° de Maio uma vibrante jornada de desmascaramento de novas manobras divisionistas, pelo reforço da sua unidade, pela consolidação das suas estruturas de classe e do seu movimento sindical unitário, que constituem fortes barreiras ao avanço da reacção e sólida garantia da defesa dos interesses populares e nacionais.
O PCP exorta a classe operária, os trabalhadores portugueses a que, por todo o país, por ocasião do 1.° de Maio, realizem uma unida e combativa jornada de luta em defesa das liberdades, das nacionalizações, da Reforma Agrária, do controlo operário, pela recuperação económica contra a recuperação capitalista, pela defesa e aplicação da Constituição, por uma solução democrática e patriótica para os graves problemas nacionais, assente na intervenção determinante dos trabalhadores e das massas populares.

AVANTE PELO 1º. DE MAIO, DIA DA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES! AVANTE PELO 1.° DE MAIO, JORNADA DE UNIDADE E LUTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES! VIVA A UNIDADE DOS TRABALHADORES PORTUGUESES NA CONSTRUÇÃO DE UM PORTUGAL LIVRE, DEMOCRÁTICO E INDEPENDENTE, A CAMINHO DO SOCIALISMO!

20-4-77
O Comité Central do Partido Comunista Português

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