quinta-feira, 20 de abril de 2017

1977-04-20 - MANIFESTAÇÃO DE UNIDADE

MANIFESTAÇÃO DE UNIDADE

POR UM 25 DE ABRIL DE LUTA DO POVO TRABALHADOR

O 25 de Abril é dos trabalhadores e dos revolucionários - não é da burguesia. Não foi uma oferta feita por alguns militares românticos, foi a consequência da pressão exercida pela luta de classes em Portugal e nas colónias sobre o exército. Foram os trabalhadores e os revolucionários que durante dezenas de anos, pelas suas lutas e pela sua organização, contribuíram decisivamente para a queda do odiado regime fascista que oprimia e explorava os trabalhadores portugueses e os povos das colónias. E foram os trabalhadores e os revolucionários que ao longo destes três anos levaram a cabo importantes conquistas e se bateram e continuam a bater em defesa delas.
Para a burguesia, o 25 de Abril foi uma pesada derrota, pois significou o desmantelamento do seu aparelho repressivo, a perda das colónias, a perda do poder político-militar e a contestação do próprio poder económico. Por que razão quer então a burguesia festejar uma data que lhe é odiosa?
Na realidade, o que a burguesia vai comemorar não é o 25 de Abril. Vai comemorar a recuperação de muito do que havia perdido, aquilo a que chama a "normalização" da vida nacional e que mais não é do que a recuperação dos mecanismos de exploração das classes trabalhadoras. Em suma, a burguesia não quer comemorar o 25 de Abril, quer festejar a traição ao 25 de Abril consumada em 25 de Novembro de 1975. E é esclarecedor que o partido do Governo tenha escolhido o dia 24 como momento mais alto para os seus festejos, como se festejasse saudosamente o último dia do fascismo e não o primeiro dia da democracia. E é também esclarecedor que o número principal das comemorações oficiais seja uma parada militar, evidente manobra de intimidação aos trabalhadores. Neste 25 de Abril a burguesia vai tentar demonstrar aos trabalhadores e aos revolucionários que o 25 de Abril morreu.
Quando os militares progressistas e revolucionários que, pela sua ousadia, pelo seu esforço e pela sua generosidade, contribuíram de forma importante para que se fizesse um 25 de Abril para os trabalhadores portugueses e para os povos das colónias e que ainda hoje se batem na defesa das grandes conquistas dos trabalhadores e dos revolucionários, quando aqueles que nesta data deviam ser o alvo de saudações calorosas estão a contas com a justiça militar, haverá motivo para fazermos festas?
Quando estão a ser retiradas, ou estão em perigo, muitas das conquistas dos trabalhadores e dos revolucionários e a burguesia e o imperialismo retomam a ofensiva, quando o perigo de regresso ao fascismo em Portugal é um facto real e iminente, haverá motivos para fazermos festas?
As organizações de trabalhadores signatárias pensam que não. Vêm afirmar que para sermos dignos de quantos, nas fábricas, nos bairros, nos campos, nos barcos, nos quartéis, nas escolas, estão em luta na defesa das suas conquistas, devemos transformar o 25 de Abril de 1977 numa grande jornada de luta na rua, em torno dos objectivos concretos e imediatos, capazes de mobilizar, unir e organizar todos aqueles que estão firmemente dispostos a opor uma barreira revolucionária ao avanço do fascismo e a lutar com tenacidade em defesa das grandes conquistas dos trabalhadores.
Em frente, pois, por um grande 25 de Abril de luta contra o avanço do fascismo, contra a recuperação capitalista, contra a informação reaccionária, contra o saneamento dos militares revolucionários e progressistas, contra a Nato e contra o Mercado Comum, pela Independência Nacional, pelo poder democrático dos trabalhadores.
CASAS SIM; BARRACAS NÃO.
CONTRA AS DESOCUPAÇÕES - DIREITO A HABITAÇÃO.
ABAIXO A VIDA CARA - ABAIXO A EXPLORAÇÃO.
FORA COM A CAP, FORA COM BARRETO - SIM A REFORMA AGRÁRIA.
CONTRA A INFORMAÇÃO REACCIONÁRIA - INFORMAÇÃO REVOLUCIONARIA.
FORA A NATO, FORA A CIA - INDEPENDÊNCIA NACIONAL.
CONTRA 0 PODER DA BURGUESIA - O PODER A QUEM TRABALHA.
MORTE AO FASCISMO E A QUEM O APOIAR.
TRABALHADORES UNI DOS CONTRA A REPRESSÃO.
ABRIL LIBERTAÇÃO - NOVEMBRO REPRESSÃO.

Lisboa 20 de Abril de 1977
Associação de Moradores de Pego Longo, Comissão de Moradores do Murtal, Comissão de Moradores do Bairro de Miraloures, Direcção do Sindicato Livre dos Pescadores, Comissão de Trabalhadores de Publicações Alfa, Representante do Plenário de Trabalhadores da CUF-Têxteis-Lar, Comité Unitário de Sacavém, Comité Unitário do Bairro da Horta-Nova, Comité 25 de Abril de Benfica, Comité Unitário de Campolide, Grupo Autónomo de Moradores da Parede, Comité das Comemorações do 25 de Abril do Centro Popular de Alcântara, Comissão de Moradores de Alcântara, Comité Unitário do Barreiro, Comité Unitário da Setenave, Comissão de Trabalhadores da Companhia de Seguros Douro, Comité Unitário do INII, Comité Unitário da Marconi, Comité 25 de Abril do Hospital de Santa Maria, Comité Unitário da TAP, Membro da Assembleia de Delegados da FMBP, Comissão de Moradores do Bairro de Angola, Comité unitário dos TLP-Barreiro.
- TODAS AS ORGANIZAÇÕES POPULARES DE BASE E ORGANISMOS UNITÁRIOS QUE QUEIRAM ADERIR A JORNADA DE LUTA DO 25 DE ABRIL, CONTACTAR PARA CALÇADA DA BOA HORA, 142 - TEL. 640010.

CONCENTRAÇÃO 25 DE ABRIL - ÀS 16 HORAS NO LARGO DO CAIS DE SODRÉ.

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