sexta-feira, 14 de abril de 2017

1977-04-14 - Revolução Nº 104 - PRP-BR

EDITORIAL

A seguir à vaga de lutas de trabalhadores que, de Norte a Sul do País, se radicalizava, observamos actualmente uma série de cedências a esse nível que se podem enquadrar no chamado Pato Social. E assim que das violentas lutas dos têxteis, com resistência dos trabalhadores e com confrontos com a Polícia, se passou à cedência em relação ao patronato.
Do mesmo modo, a contratação dos vidreiros que se iniciou dura e com posições violentas de parte a parte, passou à cedência da parte do sindicato.
As razões destas cedências temos que encontrá-las no Pacto Social, o qual se fundamenta no reformismo. E o reformismo, em situação de crise, cede sempre.
Perante a situação actuai de profunda instabilidade económica e social, perguntar-se-á qual é a táctica justa: ceder perante o avanço das medidas antioperárias ou radicalizar as lutas? Argumenta o reformismo no sentido de demonstrar que é necessário ceder porque a radicalização das lutas desestabiliza a situação. E verificamos mesmo que o reformismo prefere a estabilização com um poder de direita do que a chamada «desestabilização» com hipótese de uma reviravolta do poder para a esquerda.
Nesse aspecto é interessante verificar que o actual poder tem ameaçado e isolado o PC no sentido de o pôr entre a espada e a parede. Isto transparece nos discursos oficiais, apareceu provocatoriamente no discurso de Mário Soares na tomada de posse de um novo Governo e lê-se na Imprensa pró-governamental. A par deste isolamento e ameaças ao PC, aparecem convites a que se comporte como um partido berlingueriano, enfim um partido «democrático», civilizado, europeu.
E a este isolamento ao longo da história, responde não com firmeza e maior radicalização mas com cedências. A sua prática condena-lo a comportar-se de modo a ser suportado, a ser tolerado pela burguesia. Todo o seu esforço passa a ser no sentido da demonstração de um «bom comportamento» perante aqueles que os ameaçam. E assim passam a actuar de tal modo que são incapazes de sacrificar tudo para se manterem legais, para se manterem no estatuto de oposição tolerada.
Essa táctica conduz, por um lado, à cedência no campo das lutas dos trabalhadores e, por outro, ao ataque às organizações que se colocam à sua esquerda, atingindo-as por carambola exactamente com o mesmo tipo de acusações que recebem da direita. Mário Soares fala do PC chamando-lhe depreciativamente «comunistoides» e a direcção do PC em seguida fala da esquerda revolucionária em termos de «pseudo-revolucionários»,
Há pois que esperar da táctica do reformismo estes dois pontos fundamentais: cedência na luta dos trabalhadores e ataques aos revolucionários. Torna-se pois numa táctica extremamente perigosa para a esquerda e para os trabalhadores em geral, pois conduz ao enfraquecimento da luta, à divisão no seio do movimento operário e à denúncia e calúnia a que todos estamos habituados ao longo destes três anos.
Quer isto dizer que os revolucionários não continuam a fazer um esforço no sentido da unidade? Não, neste momento é mais do que nunca errado responder ao sectarismo com outro sectarismo. Neste momento ou os trabalhadores e as bases dos partidos de esquerda se unem ou a batalha está perdida. Que, na perspectiva do 25 de Abril, se trabalhe mais e mais na unidade.

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