quinta-feira, 13 de abril de 2017

1977-04-13 - Bandeira Vermelha Nº 065 - PCP(R)

EDITORIAL
INTENSIFICAR AS ACÇÕES DE MASSAS

Aproximam-se duas datas de profundo significado para todos os trabalhadores: o 25 de Abril e o 1o de Maio. Para os comunistas, para os revolucionários e todos os homens de esquerda, elas simbolizam a força indomável da classe operária e do povo pobre, a energia e o poder criador das massas populares, a certeza de que o futuro pertence aos povos e ao socialismo e não à burguesia e ao capitalismo.
Comemorar em Portugal o 25 de Abril e o 1o de Maio é relembrar o poderoso movimento de massas que a partir destas datas, em 1974, percorreu em turbilhão todo o país, abalou as estruturas podres do capitalismo monopolista, desferiu golpe sobre golpe no poder político, económico e militar do grande capital e dos agrários e abriu um caminho novo à nossa pátria. Comemorar hoje estas datas é reafirmar que Portugal é e será cada vez mais o país de Abril, apesar do esforço desesperado da reacção para recuperar o que perdeu.
Também a burguesia vai este ano comemorar o seu 25 de Abril. Incapaz de fazer esquecer entre as massas laboriosas essa semana de alegria e determinação que abriu uma nova página na nossa História, a burguesia procura recuperar as comemorações, esvaziá-las da sua beleza revolucionária e transformá-las em demonstrações de força militar, conciliação de classes, cobardia e mediocridade. A burguesia quer comemorar o 25 de Novembro fingindo enaltecer o 25 de Abril.
Neste ano de 1977, as suas cínicas comemorações são dominadas por um traço característico: o chamado pacto social que, unanimemente, é considerado pelos diversos sectores reaccionários como fundamental para a "recuperação económica". No seu entender, este pacto social, esta trégua na luta de classes seria a única forma de salvaguardar e estabilizar a democracia, salvar o país da ruína.
O seu objectivo é claro. O grande capital e o imperialismo procuram remover o mais poderoso e o mais ameaçador obstáculo à sua política de recuperação reaccionária - a luta da classe operária e dos trabalhadores pelos seus interesses vitais, pelas suas sentidas aspirações. Os monopólios e os grandes agrários procuram, pela boca do governo social-democrata, amordaçar a combatividade das massas laboriosas agitando o velho espantalho do perigo da desestabilização. Querem ganhar tempo para recompor o seu poderio ganancioso de senhores da finança e homens do capital.
Contam com o apoio dos renegados revisionistas neste vil projecto antipopular. Respeitando a tradição do revisionismo internacional, o partido do dr. Cunhal acaba de tornar pública a sua disposição de analisar a possibilidade de um acordo social, de um apaziguamento da luta de classes desde que certas condições sejam respeitadas. Preparando o terreno, o partido revisionista apela já aos trabalhadores para que evitem formas de luta que atinjam o sistema produtivo nacional. Vendendo por um mísero prato de lentilhas as elevadas aspirações da classe operária e dos trabalhadores, este partido burguês para operários embarcou de imediato nas propostas de ordem, estabilidade e paz social hipocritamente avançadas pelo capital.
Para os comunistas, para a esquerda no seu conjunto, o 25 de Abril e o 1o de Maio serão datas de alegria, de combate e de unidade. As forças de esquerda precisam reafirmar a sua disposição combativa, a sua determinação de enfrentar a ameaça da reacção e do capital. Em grandes acções massivas, os pobres deste país, e todos os; homens de ideias avançadas, irão demonstrar a sua convicção de que as liberdades e as conquistas obtidas em anos de luta serão defendidas das arremetidas da burguesia reaccionária e consolidadas como vitórias históricas do povo português.
O que é urgente fazer ver ao mundo é que o povo trabalhador de Portugal não esqueceu as suas responsabilidades históricas. Nenhum pacto social, nenhuma chantagem social-democrata poderá vergar a determinação de luta, apagar as convicções socialistas da classe operária e do povo.
A semana que decorre entre o 25 de Abril e o 1o de Maio é uma semana de grandes acções de massas. Os comunistas precisam encabeçar as iniciativas populares, incutir-lhes audácia e amplitude. Não se podem limitar às comemorações oficiais, não podem respeitar os apelos à cínica concórdia nacional. Denunciam as traições ao 25 de Abril, relembram as heróicas lutas travadas e as conquistas democráticas tão duramente alcançadas. Nas grandes comemorações de massas, os comunistas chamam o povo às ruas, retomam as consignas de Abril. Exigem respeito pelas liberdades e repressão aos reaccionários. Apelam à unidade entre o povo e os soldados, exigem a reintegração dos capitães de Abril. Denunciam a recuperação capitalista, exigem que sejam os ricos a pagar a crise. Insurgem-se contra a escandalosa hipoteca do país ao estrangeiro, exigem a expulsão do imperialismo para fora de Portugal.
Em grandes acções massivas, que reforcem a unidade e a determinação dos trabalhadores, o 25 de Abril e o 1o de Maio serão festejados com justiça. Não serão apenas relembrados. Será alimentada a certeza de que é possível prosseguir o caminho de Abril, é possível conquistar um verdadeiro governo de esquerda, um governo do 25 de Abril do Povo que, assente na luta de milhões de trabalhadores, quebre a arrogância da reacção e aproxime do nosso país a Democracia Popular e o Socialismo.

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