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quarta-feira, 12 de abril de 2017

1977-04-12 - I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL - PCTP/MRPP

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)

I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL
16/17 ABRIL-LISBOA

SESSÃO DE ENCERRAMENTO
VOZ DO OPERÁRIO - DIA 17, 21H.
COM A PRESENÇA DO CAMARADA ARNALDO MATOS

À CLASSE OPERÁRIA
AO POVO PORTUGUÊS
Camaradas
Nos próximos dias 16 e 17 de Abril, realizar-se-á na Voz do Operário em Lisboa a I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL.
A classe operária e todos os trabalhadores portugueses que durante os regimes fascistas das camarilhas de Salazar e Caetano viram os seus Sindicatos usurpados por estas camarilhas e controlados pelos seus lacaios, não podendo utilizar estes organismos na defesa das suas reivindicações económicas, não vergaram, como é próprio dos explorados, e recorreram a formas de organização sindical clandestinas que cumpriram no essencial os seus objectivos.
Logo a seguir ao golpe militar de Abril de 1974, a classe operária e os trabalhadores portugueses mais uma vez viram os seus organismos sindicais subtraídos ao seu controlo. Continuaram a ser órgãos da contra-revolução em vez de órgãos da Revolução, a servirem os interesses do patronato explorador em vez de servirem os interesses dos trabalhadores explorados. Desta feita, as cliques haviam sido substituídas: a clique fascista de Salazar e Caetano deu lugar à clique social-fascista de Cunhal e de todos os bufos conhecidos do povo português desde Cabrita a Canais Rocha.
Os Sindicatos, tomados de assalto e a golpe pela clique social-fascista, passaram não só a ser instrumentos de traição à classe, de conciliação com o capital explorador, como também veículo importante da demagogia, das ilusões, enfim, do revisionismo - inimigo principal do movimento sindical. Bastantes vezes a classe foi mobilizada pelos sindicatos controlados pelos social-fascistas para os seus fins golpistas sob a demagogia de “luta” por CCTs ou tabelas salariais mais favoráveis. Quem não se lembra dos Metalúrgicos, da Construção Civil e, mais recentemente, das Madeiras ou do Material Eléctrico e Electrónico?
Mais uma vez, e perante situação idêntica à que viveu no fascismo, a classe não vergou e a sua camada mais avançada, encabeçando a luta contra o oportunismo, a demagogia e a traição revisionistas, ousou conseguir importantes vitórias sobre o domínio social-fascista nos Sindicatos.
Para dar um exemplo, entre vários, recordemos o Sindicato dos Telefonistas de Lisboa onde os operários nele sindicalizados, numa dura e intrincada luta contra o revisionismo e a direcção social-fascista, ousaram escorraçar esta clique traidora e no seu lugar colocar os mais destacados defensores da classe, a lista da linha político-sindical LUTA-UNIDADE-VITÓRIA.
Os trabalhadores deste Sindicato, tendo à sua cabeça a primeira direcção sindical revolucionária do nosso país, conseguiram durante os dois anos do seu mandato importantes vitórias, a mais importante das quais foi a apresentação da política sindical da linha LUTA-UNIDADE-VITÓRIA, o total desmascara­mento da política de traição da Intersindical social-fascista, e a apresentação de um programa político que reuniu à sua volta o apoio dos representantes de 39000 trabalhadores portugueses, no II Congresso da cisão e da traição falsamente chamado “Congresso de todos os sindicatos” promovido pela Intersindical social-fascista em Janeiro de 1977.
A vitória alcançada no Sindicato dos Telefonistas de Lisboa foi o impulso e o incentivo a que a nossa política de alianças na base dos princípios da Frente Única correctamente aplicados viesse a resultar no Verão de 1975 numa poderosa vaga de limpeza e escorraçamento dos social-fascistas das direcções de um grande número de Sindicatos, como por exemplo: Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Sindicato da Indústria e Comércio Farmacêutico, Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Técnicos de Desenho, Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Aeronavegação e Pesca, entre outros.
Com o golpe social-fascista de 25 de Novembro de 1975 a situação política alterou-se, a pequena-burguesia hesitou e temeu e o partido dito socialista que a representa conciliou, rompeu a Frente na maioria desses Sindicatos, permitindo assim à política oportunista e golpista dos social- -fascistas não só retomar alguns deles, como seguir no caminho que tinha percorrido dois anos antes e realizar o II Congresso da cisão.
Este II Congresso da traição teve dois méritos fundamentais: o primeiro, foi demonstrar claramente aos olhos do povo trabalhador que a cisão existe no movimento sindical português e é da inteira responsabilidade da política oportunista do secretariado da Intersindical; o segundo, foi demonstrar que a política sindical autónoma da classe operária - única capaz de resolver a cisão e criar a unidade na base dos princípios, de organizar a classe na luta e dirigi-la à vitória - existe de facto e que essa política foi corajosamente apresentada ao Congresso pelo Sindicato dos Telefonistas de Lisboa, no Programa Político dos Sindicatos e no Manifesto Sindical.
A cisão existente no movimento sindical português, extremamente prejudicial aos trabalhadores, é uma cisão entre trabalhadores, promovida por duas políticas burguesas: a do secretariado da Intersindical e a “Carta Aberta” - políticas igualmente reaccionárias e igualmente anti-operárias. Trata-se de uma luta entre duas cliques da burguesia que visam assenhorear-se dos Sindicatos para os porem ao serviço, quer do social-imperialismo revisionista soviético, quer ao serviço do imperialismo e da política da “Europa connosco”. As duas são reaccionárias e no essencial as mesmas; ambas têm medo dos operários e estão contra a democracia no seu seio, a primeira pela agressão e o terrorismo social-fascista, a segunda pelo recurso aos referendos e o combate às Assembleias Gerais.
A actual situação, em que a luta de classes se agudiza, reflecte que a classe operária e o povo compreenderam ou estão a compreender, porque o sentem na pele, como as promessas de “mel” feitas em altura de eleições pelo partido governamental se transformaram em realidades de fel e veneno. O aumento da fome, da miséria e do desemprego; o custo de vida a subir a um ritmo galopante; as contratações colectivas de trabalho miseravelmente congeladas; as tabelas salariais limitadas ao aumento de 15% que mesmo assim não é cumprido; a ameaça de aumento do horário de trabalho; os mais de 600.000 desempregados - são a paga das promessas feitas. Esta política, que no essencial é a mesma que os social-fascistas já tentaram aplicar nos seus governos provisórios, necessita, para ser aplicada, que os Sindicatos a apoiem, é assim que o governo apresenta à Intersindical o chamado “pacto social” que irá, com certeza, dada a semelhança das duas políticas, apoiar, no sentido de fazer com que a crise seja paga pelos trabalhadores.
A classe operária e o povo trabalhador perante esta situação, fartos das traições revisionistas e das carpideiras da “Carta Aberta”, desejosos de lutar contra todas as medidas anti-operárias e anti-populares do governo dito socialista começam a compreender que a única política sindical que lhes serve é a da linha LUTA-UNIDADE-VITÓRIA, começam a compreender e a exigir que esta Conferência se realize e que seja uma resposta clara ao II Congresso da traição, ao “pacto social” e às medidas anti-populares e anti-operárias do governo. AI Conferência Nacional sobre o Trabalho Sindical assumirá na actual situação o papei histórico objectivo (quer dizer, independentemente da consciência individual que do facto tenha este ou aquele operário) dum autêntico Congresso Operário Comunista destinado a armar todo o proletariado e todo o movimento sindical dos trabalhadores dum programa político, duma linha política e duma táctica susceptíveis de unir toda a massa dos assalariados e de empenhá-la vitoriosamente em lutas que se revestirão dum enorme alcance para a Revolução Portuguesa.
A Associação Cultural que é a Voz do Operário, com profundas tradições de luta conhecidas de todos os operários, de todos os trabalhadores portugueses, foi berço da fundação do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses no histórico Congresso do MRPP realizado nos dias 26, 27 e 28 de Dezembro e passou a estar ligada mais profundamente à vida e à luta do nosso Partido, da classe operária e do povo trabalhador português. É, pois, justo que a I Conferência Nacional do PCTP sobre o Trabalho Sindical se realize nas instalações da Voz do Operário que irá enriquecer mais as suas tradições de luta.
Esta Conferência culminará com um Comício aberto a toda a classe operária e ao povo, que se realizará na Voz do Operário no dia 17 às 21 horas e que contará com a participação do camarada Arnaldo Matos, Secretário-Geral do PCTP/MRPP. Para esta Sessão de Encerramento conclamamos todo o povo a estar presente, encerrando assim com uma importante realização de massas no mais vivo espírito de participação militante.
VIVA A I CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE O TRABALHO SINDICAL!
VIVA A CLASSE OPERÁRIA!
VIVA A LINHA POLÍTICO-SINDICAL LUTA-UNIDADE-VITÓRIA!
VIVA O PCTP/MRPP!

Lisboa, 12 de Abril de 1977
A Comissão Organizadora da I Conferência Nacional sobre o Trabalho Sindical

1 comentário:

  1. Muito foram aqueles, que lutaram antes e depois do 25 de Abril de 74, mas hoje poucos o querem fazer! Porque houve uma linha revisionista, que tentou liquidar o único partido dos operários e trabalhadores. Hoje o MRPP, esta a passar uma fase de dificuldades económicas, por culpa dos anterior responsáveis do CC, que se dizem inocentes "virgens"! Mas foram essas "virgens" que tentaram destruir o partido, e com algumas tentativas negociatas com os inimigos do partido... E como não conseguiram, fugiram como ratos...
    Viva PCTP/MRPP

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