Translate

sexta-feira, 7 de abril de 2017

1977-04-07 - Unidade Popular Nº 114 - PCP(ml)

Na hora de acertar o passo pela Europa
O Governo promete firmeza face à nova ofensiva social-fascista no Alentejo

Uma intervenção do Ministro António Barreto e uma incisiva nota oficiosa do Ministério da Agricultura e Pescas centraram bruscamente, no início da semana passada, a atenção geral do País sobre o Alentejo, ao revelarem o recrudescimento nessa zona e em larga escala da violência social-fascista. António Barreto, numa curta e enérgica intervenção televisionada, pouco usual nos palavrosos e conciliadores ministros PS, denunciou a ocupação simultânea pelas tropas de choque sociais-fascistas de várias pequenas courelas integradas em unidades «colectivas» sociais-fascistas do distrito de Évora, atribuídas legalmente a seareiros, de acordo com a Constituição.
A importância da intervenção de António Barreto não residiu na denúncia de mais este surto de terrorismo social-fascista mas sim no facto de, pela primeira vez, um membro do Governo desmascarar perante a opinião pública as manobras sociais-fascistas, neste caso no Alentejo, não como simples acções desconexas de desestabilização (como era seu costume, para não aborrecer os parceiros da «maioria de esquerda»), mas como fazendo parte de uma operação concertada e organizada com objectivos políticos mais vastos. Segundo o Ministro, o principal objectivo visado na presente ofensiva seria impedir que a Assembleia da República se debruce sobre uma nova proposta de lei da reforma agrária a ser aí apresentada brevemente pelo Governo. «Pretende-se criar uma situação de instabilidade tal, de perturbações, conflitos e tensões, que impeçam que haja uma discussão política de fundo e um debate nacional para que esta lei seja aprovada».
Anunciada maior firmeza contra os sociais-fascistas
Face a estas ocupações ilegais, realizadas obviamente de acordo com um plano pré-estabelecido, e às ameaças sobre trabalhadores agrícolas que as acompanharam, o Ministro afirmou que «o Governo está atento e não permitirá, de modo algum, que esses acontecimentos se repitam e os seus responsáveis serão devidamente punidos». Disse ainda, em termos pouco usuais na terminologia social-democrata, que «o Governo será impiedoso para impedir que tais acontecimentos se reproduzam». Tal firmeza de propósitos foi igualmente manifestada, em entrevista a um matutino lisboeta, por Manuel Costa, Governador Civil do PS do distrito de Évora, que repetiria que «o Governo será intransigente no cumprimento da lei».

Mudança de tom na hora europeia de um governo conciliador
Tal mudança de tom nas «repreensões» do conciliador Governo PS aos sociais-fascistas revisio­nistas pode ser hoje compreendida se atendermos ao fasto de o ingresso de Portugal na CEE, que é neste momento o cavalo de batalha de Mário Soares para assegurar a sobrevivência do seu Governo minoritário, é incompatível com a continuação do controle exclusivo do partido social-fascista na zona da reforma agrária, onde este sabota impunemente a produção agrícola nacional, travando as hipóteses de desenvolvimento auto-sustentado, e impede a criação de quaisquer condições de rendibilidade e eventual competitividade dos nossos produtos no mercado europeu. Num segundo comunicado do Ministério da Agricultura e Pescas, publicado igualmente na semana passada, é extensamente relatado o estado desastroso para a produção cerealífera nacional a que conduziu a contínua sabotagem agrícola do partido social-fascista.
É preciso não esquecer que se António Barreto anuncia, neste momento «europeu», a prometida nova lei da reforma agrária, ainda em Novembro do ano passado o PS votou lado a lado com Cunhal contra os outros partidos democráticos sobre a questão da revisão da lei das expropriações. Para obter o apoio dos sociais-fascistas para a aprovação do seu Plano para 1977, capitulou ainda descaradamente aceitando a continuação das expropriações exigidas pelos sociais-fascistas. Resta saber se o PS, que agora procura visivelmente o apoio dos outros partidos democráticos para a aprovação da nova lei da reforma agrária na Assembleia da República, reproduzirá em acções concretas a firmeza demonstrada nas palavras do seu Ministro António Barreto.
O PCP(m-l), que de há muito apoia e defende a necessidade de reprimir energicamente a actuação terrorista dos novos latifundiários sociais-fascistas e de restabelecer a democracia nos campos, continuará a denunciar sem vacilações os crimes dos agentes do social-imperialismo russo, a lutar por arrancar o campesinato à sua influência e mobilizar os assalariados agrícolas para que os sociais-fascistas sejam completamente varridos das planícies alentejanas.

Sem comentários:

Enviar um comentário