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sexta-feira, 7 de abril de 2017

1977-04-07 - Luta Popular Nº 538 - PCTP/MRPP

EDITORIAL
O SEMANÁRIO

Reiniciamos hoje a publicação do nosso «Luta Popular», agora como semanário. O que significa que damos um importante passo na política definida pelo Congresso e pelo I Pleno do Comité Central do Partido para contra atacar o cerco que o inimigo de classe montou contra o nosso Órgão Central e conquistar o jornal diário.
Ao dirigir-se, no termo da grande batalha vitoriosa que foi a Campanha «Fundos do Povo para o Jornal da Verdade», às delegações das organizações do Partido que tinham cumprido os seus objectivos, o camarada Arnaldo Matos colocou com grande clareza o tipo de opção que tínhamos a fazer.
O Povo confiara-nos, com enorme sacrifício e numa luta repassada de magníficos exemplos repassados de heroísmo de massa, mais de 2000 contos para que salvaguardássemos e edificássemos o nosso — o seu — «Luta Popular» diário. Foi um mandato imperativo que o PCTP tem que saber cumprir face à política de chantagens, de sabotagens e de boicotes de toda a ordem que contra a publicação do nosso Órgão Central — diário ou não — se levanta e, na situação política actual, constantemente se agudizará, o que é uma coisa boa: o que demonstra que o nosso Jornal é o inimigo dos nossos inimigos. que a classe cuja política representa e defende é a classe dos proletários e a que ataca é a dos capitalistas, donos das tipografias e das reservas de papel. O que em última análise vem tornar claro perante o povo que fazer um jornal operário comunista não é uma questão «técnica» ou de «boa vontade», mas uma particularmente dura batalha política de classe.

Nestas condições como cumprir um tal mandato? Entregando incondicionalmente aos capitalistas o fruto da campanha, ou saia, aguentando sem saída o jornal diário por mais um ou dois meses para ao fim desse tempo estarmos sem jornal nem fundos?
Ou, pelo contrário, arrastar com as consequências previsíveis da não adopção duma tal política de cega liquidação — nomeadamente a eventualidade de nos vermos impedidos pela burguesia de fazer o jornal diário nas suas instalações — e concentrar forças na obtenção dos instrumentos indispensáveis à conquista para o nosso Partido da autonomia e auto-suficiência no tocante aos meios técnicos de impressão? Abandonar o diário liquidando-o ou abandonar o diário para conquistar o diário?
O nosso Partido, como nesse dia 31 de Janeiro foi anunciado, só podia seguir esta segunda via, a que cumpre o mandato que o Povo nos deu: a que vê a longo prazo, a que caracteriza o ponto de vista dos proletários sobre a análise de cada situação e a forma de resolver as contradições que encerra. Arrastou com as consequências: «O Século» foi encerrado logo de seguida, o «Jornal do Comércio» levantou toda a espécie de boicotes, a imprensa privada recusou-se a imprimir o jornal de conluio com a estatizada. Contra-atacando, sai o nosso «Luta Popular» semanário.
Traz um novo cabeçalho. As mudanças de cabeçalho no nosso jornal foram sempre a expressão da aguda luta de classes que acerca do seu conteúdo e concepção — que é o mesmo que dizer acerca da linha do Partido — se tem travado entre a linha geral proletária revolucionária do Partido e a linha revisionista e oportunista. O renegado Sanches mudou o cabeçalho ao «Luta Popular», nas costas do Comité Central, para dele fazer tribuna da sua política contra-revolucionária e revisionista. Hoje ostentamos um novo cabeçalho animados da determinação de que os restos da peçonha que tal linha cá deixou fiquem enterrados com o velho — e que este cabeçalho possa vir a ser o do Jornal das Teses da Imprensa aprovadas pelo Congresso do Partido.
O cerco do inimigo de classe ao nosso Órgão Central não varia com a alteração da sua periodicidade e os obstáculos que o nosso semanário teve que vencer para sair são o mais eloquente testemunho desse facto. Apoiando-nos nas massas e confiando no Partido, estamos crentes de poder levar por diante a nossa tarefa, que é também a vossa. Pelo nosso lado não pouparemos esforços para sermos dignos dum tal apoio e confiança. De um e de outros depende o êxito da dura batalha de classe em que estamos empenhados.

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