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quarta-feira, 5 de abril de 2017

1977-04-05 - MANIFESTO - Sindicatos

MANIFESTO

COLEGAS
  1  - Dentro de alguns dias vão os professores sindicalizados da Zona Norte escolher democraticamente não só os futuros corpos dirigentes distritais e de zona, mas também a futura orientação que querem para o seu sindicato do qual são a razão da sua existência. A hora é portanto de reflexão, de estudo e de acção.
REFLEXÃO que nos é imposta, a todos, pelas características da actual situação do Ensino em geral e mais particularmente pelos reflexos reais e risíveis dessa situação quer nas escolas quer no seio do nosso sindicato. É indiscutível a desmobilização que grassa entre os professores da Zona Norte, quer a nível dos núcleos sindicais de base quer na participação da vida sindical mais lata (Assembleias Gerais, grupos de estudo, quotizações, etc.) e que traduz um elevado grau de alheamento por parte dos professores face aos seus problemas sócio-profissionais ou pedagógicos.
REFLEXÃO obrigatória perante a importância e significado do acto eleitoral que se avizinha, já que forças existem que continuam apostadas nessa desmobilização para mais facilmente porem em causa as conquistas realizadas depois do 25 de Abril.
ESTUDO que, arme todos os professores com o espírito crítico e a lucidez que o processo eleitoral e as suas consequências exigem e que naturalmente decorre da existência de alternativas distintas e de programas diversos.
ESTUDO que, partindo da análise da situação com que todos os dias nos confrontamos, possibilite a aferição da justeza e eficácia de métodos de discussão e de trabalho, de alternativas e programas, enfim que impeça e afaste a inconsciência, o oportunismo e o divisionismo que se insinuam aberta ou camufladamente.
ACÇÃO no apoio a métodos de trabalho que tenham em conta a auscultação directa dos interesses gerais da classe e que se querem baseados na mais larga participação e discussão de todos aqueles professores para quem um sindicato é prioritariamente um órgão de defesa dos interesses e objectivos dos professores enquanto trabalhadores. Acção que, sendo conscientemente assumida, possibilite a criação de um forte movimento que represente a unidade de todos os professores, independentemente das suas opções ideológicas» movimento esse virado para o desenvolvimento de um programa e para a apresentação de uma lista que se candidate ao próximo acto eleitoral, construída numa base de competência, expressa em autêntica militância sindical e traduzida num empenhamento permanente na luta pelos interesses fundamentais da classe.
  2  - Não temos dúvidas de que os professores e a sua luta se inseres num processo mais geral que é a luta de todos os trabalhadores portugueses entendida na dinâmica da defesa e construção das condições que possam conduzir o país para a sociedade socialista.
Essa certeza permite-nos, portanto, afirmar que apesar das dificuldades, existem hoje as condições mínimas indispensáveis para a edificação de um sindicato que, por congregar a classe e dar corpo às suas mais sentidas aspirações, possa operar um corte definitivo com as práticas sindicalistas anteriores e constituir-se como uma alavanca até agora inexistente.
Por outro lado, essa certeza resulta de que para nós a UNIDADE É POSSÍVEL E NECESSÁRIA, A INDEPENDÊNCIA É POSSÍVEL E NECESSÁRIA, A DEMOCRACIA É POSSÍVEL E NECESSÁRIA.
A UNIDADE É POSSÍVEL porque os professores sabem distinguir o essencial do acessório consciência dos perigos que a divisão deixa antever, sentem que aquilo que os une é mais forte que aquilo que os divide.
A UNIDADE É NECESSÁRIA porque os professores sabem que o êxito da sua luta depende da coesão e massificação do movimento, porque querem um sindicato forte e representativo de todos os sectores e graus de ensino, porque querem um sindicato onde possam estar representadas as diversas opções sindicais.
A INDEPENDÊNCIA É POSSÍVEL porque os professores não querem que o seu sindicato seja uma correia de transmissão dos partidos ou do Governo, porque não admitem ingerências ou pressões sobre o movimento sindical, porque não lhes interessa que a sua militância sindical seja a água onde o partidarismo vá beber.
A INDEPENDÊNCIA É NECESSÁRIA porque os professores sabem que melhor do que ninguém são as suas organizações de classe quem conhece a sua situação real, as suas condições de vida e de trabalho, porque sabem que as suas aspirações e reivindicações não podem constituir moeda de troca para mingua (quer se trate de partidos, Estado, Igreja ou sectores unilaterais do sistema educacional).
A DEMOCRACIA SINDICAL É POSSÍVEL porque os professores não têm sede de discutir as suas opções sindicais abertamente e de uma forma construtiva, porque já se dotaram dos instrumentos capazes de propiciar essa discussão, porque não pretendem ver perpetuados, no seu sindicato, o monolitismo e o sectarismo que no passado próximo tão maus resultados deram.
 A DEMOCRACIA SINDICAL É NECESSÁRIA porque os professores querem firmes garantias de fazer chegar a sua voz a todos os níveis, porque consideram que só na submissão das minorias sindicais às maiorias bem como no respeito destas para com aquelas será possível encetar um sindicalismo eficaz e representativo junto da entidade patronais.
Mas para que a nossa prática sindicalista, baseada na unidade, na independência e na democracia, possa na realidade operar um corte radical com as práticas anteriores e exemplificar a concepção do sindicalismo que todos os trabalhadores exigem, será necessário uma luta intransigente pela Unidade do Movimento Sindical que passa pela defesa da democracia no seu seio e pela rejeição de qualquer tentativa camuflada ou não de cisão sindical.
3. - Será, pois na base destes pressupostos de indiscutível significado e alcance que a nossa acção bem como a dos seus apoiantes virá desenvolver a todos os níveis reflectindo o espírito de ampla unidade que caracterizou todo o nosso trabalho anterior ao nível da quotidiana militância sindical. Não pretendemos pois forjar uma falsa unidade nem esvaziar o conteúdo desse “slogan" habitual.

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