domingo, 2 de abril de 2017

1977-04-02 - O “PLURALISMO” NA E.P “NOTÍCIAS-CAPITAL” - PCP

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
ORGANISMO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA GRÁFICA

O “PLURALISMO” NA E.P “NOTÍCIAS-CAPITAL

Quando prolifera a Imprensa reaccionária e fascista, em clara violação do prescrito na Constituição? com a "pluralista” conivência do Governo, quando o P.S. monopoliza a Informação estatizada, a administração da E.P.N.C, tenta desesperadamente evitar que os trabalhadores se organizem, recorrendo à manipulação, à demagogia e/ou à intimidação.
Assim, depois de ter tentado desmobilizar os trabalhadores da votação para aprovação dos estatutos da sua organização de classe e antes que elejam a sua Comissão de Trabalhadores (segundo constitucionalmente consignado), que pretenderá a administração com a imposição à Tipografia de “A Capital” de chefes clara e inequivocamente rejeitados pelos trabalhadores em moção aprovada por voto directo e secreto em 24/11/77, apenas com um voto branco?
Esta é a “democracia” da administração da E.P.N.C., assim se cumpre a contratação colectiva de trabalho em vigor, que impõe a participação dos trabalhadores na nomeação das chefias…
Estando o sector considerado “em crise” sucedem-se os diplomas e as “Comissões de Reestruturação” sem que se vejam outros resultados que não a instabilidade permanente doe postos de trabalho.
E que pretenderá a administração de uma empresa cronicamente deficitária ao aceitar clientes que antecipadamente se sabe não virem a pagar os serviços recebidos? Será que a administração não tem conhecimento das dívidas do "Luta Popular"? Será que não sabe que o "Luta Popular” ficou a dever mais de 6 000 000$ ao jornal ”O Século”, que teve de contratar pessoal para o fazer, tendo assim contribuído duplamente para agravar a crise dessa empresa? Que ao Mirandela a dívida ascende a 700 000$ e, ao "Jornal do Comércio”, a 1 200 000$? E a quanto não ascenderá já a dívida a outras pequenas tipografias em que a “folheca” foi já impressa? Porque pretendem voltar à Imprensa estatizada? Será que a administração não sabe que "A Capital” nem sequer está dimensionada para este tipo de trabalho?
Ou será que sabe?
Ou será que desestabiliza apenas?
E porquê acenar constantemente com o prejuízo económico, enquanto vão colhendo o lucro político?
Sim, o que é feito do "pluralismo” e da liberdade de Imprensa que tanto apregoam?
Os trabalhadores da Sanimar, Metalúrgicos o Têxteis e, mais recentemente, a Comissão de Trabalhadores da Mampril, cujos comunicados foram censurados pelo director de "A Capital”, poderão responder. E os trabalhadores de ”A Capital” também sabem por que motivo a publicidade dos trabalhadores tem diminuído no jornal que fazem.
Os trabalhadores de ”A Capital”, que ao longo do processo político iniciado após o 25 de Abril sempre souberam lutar corajosamente e com unidade exemplar pela defesa dos seus postos de trabalho, nunca descurando os interesses mais gerais do Povo português, saberão uma vez mais encontrar, o caminho da unidade e da luta organizada para enfrentar os ataques que lhes são dirigidos.
O P.C.P., organização da classe operária e de todos os trabalhadores, não pode deixar de, mais uma vez, vir publicamente denunciar e desmascarar a actuação do Governo na Informação - actuação de monopolização partidária e de cedência às pressões da direita,- que não defende o consignado na Constituição, pondo em causa o direito ao trabalho e o próprio processo democrático - e reafirmar que a reestruturação da Imprensa só poderá ser feita com a participação activa dos trabalhadores e no sentido da defesa da democracia, rumo ao Socialismo.

POR UMA INFORMAÇÃO LIVRE E DEMOCRÁTICA!
PELO REFORÇO DA UNIDADE DOS TRABALHADORES DA E.P.N.C.

2 de Abril de 1977
O Secretariado dos Jornais

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