sábado, 1 de abril de 2017

1977-04-01 - POR UM 1º DE MAIO DE UNIDADE E LUTA ANTI-CAPITALISTA - USR

POR UM 1º DE MAIO DE UNIDADE E LUTA ANTI-CAPITALISTA

CAMARADAS:
O 1º de Maio não pode ser mais uma festa despreocupada, mas tem que ser, agora mais do que nunca, uma jornada de luta na unidade, fraterna e democrática de todos os trabalhadores, cimentando as bases que permitam relançar a ofensiva anti-capitalista, contra a reacção, o patronato e os seus políticos.
Vimos a assistir, desde o 25 de Novembro de 1975, a um golpear cada vez mais profundo das conquistas democráticas do Movimento Operário e Popular, das condições de vida, de trabalho e habitação das massas populares.
Todos estes ataques se fazem à sombra da politica suicida do Governo do Partido Socialista, nas suas cedências do dia a dia à reacção e ao imperialismo.
Atendendo às "reivindicações" da CAP, ataca-se a Reforma Agrária, ao mesmo tempo que se apela ao regresso dos capitalistas sabotadores, apresentados agora como indispensáveis à recuperação económica. Vai-se dizendo que os trabalhadores são os responsáveis pela crise económica e, sob pretexto de dar garantias ao capitalismo imperialista, autoriza o Ministério do Trabalho do Snr. Gonelha, despedimentos em massa, que violam a própria Constituição, de que o Governo P.S. se diz intransigente defensor.
É o controle operário que é atacado. É o direito à greve que é ameaçado de limitação. É a restituição ao patronato das empresas industriais e agrícolas recuperadas economicamente à custa de grandes sacrifícios pelos trabalhadores. É a sugestão da introdução de "novos agentes no mercado financeiro" ou seja, a possível abertura à iniciativa privada na Banca. É o aumento em flecha do custo de vida que cada um de nós experimenta dia a dia, sem precisar de ser técnico em assuntos económicos. É o aumento do número dos pasquins fascistas. São os bombistas a fugirem das salas de audiência dos tribunais, é a escandalosa libertação de Pides e bufos, que foram algozes dos operários e trabalhadores portugueses. É a manutenção em regime de limitação de liberdades individuais, de militares que foram capazes de se colocar do lado do Movimento Operário e Popular. É a tentativa de divisão do Movimento Sindical, pelo aparecimento de "embriões" de novas centrais sindicais, de sindicatos paralelos, tal como o desejam os patrões.
Portanto camaradas, só na mais ampla unidade e luta autónoma, que corte em absoluto com os patrões e todos os seus serventuários, e na maior intransigência anti-capitalista conseguiremos resolver os nossos problemas, defender as nossas conquistas, e lançar a iniciativa operária e popular para a resolução da crise em que se encontra mergulhada a sociedade burguesa.
É falso e demagógico afirmar que a defesa da democracia é possível fora de uma alternativa operária e popular, fora da alternativa dos trabalhadores.
E a alternativa, camaradas, a alternativa dos operários e trabalhadores é a luta em tomo de objectivos comuns que ultrapassem as divisões partidárias, a luta em torno de um programa unitário de combate à reacção e à recuperação capitalista assumido pelos mais amplos sectores do Movimento Operário e Popular. E uma das bases de que podemos partir para tal é a luta imediata para que seja levado à prática o Caderno Reivindicativo dos Trabalhadores Portugueses, aprovado no Congresso de Todos os Sindicatos, exigindo que as direcções sindicais não façam cedências nem capitulem. Alem disso, é necessário prosseguir no aprofundamento politico dos objectivos de luta no campo da defesa dos direitos económicos e sociais dos trabalhadores e das massas populares, da defesa dos próprios direitos sindicais, da defesa das conquistas económicas e sociais da Revolução, contra as dependências e pressões económicas, politicas e militares do imperialismo, contra o fascismo e a escalada terrorista e golpista da reacção, contra a repressão capitalista e pela defesa dos direitos democráticos dos trabalhadores e dos soldados, contra a politica anti-operária e anti-popular de cedências à recuperação capitalista do Governo P.S..
É necessário que da unidade de luta por estes objectivos anti-capitalistas e da discussão democrática em todas as estruturas do Movimento Operário (Sindicatos, Comissões de Trabalhadores, etc.) possa sair um Plano Operário e Popular para resolução da Crise em que está mergulhada a sociedade burguesa, plano esse, em que se empenhe um GOVERNO DE UNIDADE SOCIALISTA, um governo dos partidos e organizações operárias que corte radicalmente com a burguesia e os seus políticos e se coloque ao serviço do avanço revolucionário dos trabalhadores.
Que este 1° de Maio seja um passo em frente na unificação das fileiras do campo socialista contra a recuperação e reacção capitalistas, contra o avanço do fascismo.

- POR UM PROGRAMA UNITÁRIO DE LUTA CONTRA A REACÇÃO E RECUPERAÇÃO CAPITALISTAS!
- POR UM GOVERNO DE UNIDADE SOCIALISTA!
- PELA REVOLUÇÃO SOCIALISTA!

1.4.1977
secretariado permanente da UNIÃO SOCIALISTA REVOLUCIONÁRIA (USR)

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