segunda-feira, 3 de abril de 2017

1977-04-00 - RELATÓRIO FEVEREIRO – MARÇO - PCTP/MRPP

RELATÓRIO
FEVEREIRO MARÇO 1977

ACERCA DO PLANO DE ACÇÃO E TAREFA CENTRAL

III REUNIÃO DO COMITÉ REGIONAL DE LISBOA
     1. 2 e 3 Abril 1977

RELATÓRIO
Cabe à III REUNIÃO DO COMITÉ REGIONAL proceder a um balanço da sua actividade política e de organização, do grande cumprimento das tarefas e objectivos fixados para a Organização Regional de Lisboa para o período de Fevereiro-Março, dos problemas que a direcção do movimento prático suscitou, das questões relevantes da actividade sindical, da situação da vida interna das nossas organizações de Partido, do desenvolvimento e da aplicação da Ofensiva Política e das decisões do I Plenum do Comité Central do Partido.
3 dias de intenso trabalho é o que espera todo o Comité Regional que tem de ser capaz de fazer a síntese da rica experiência concreta destes 2 meses, das dificuldades e dos revezes, dos êxitos e aos avanços, de todas as questões políticas, tácticas, ideológicas e de organização que se colocam à Revolução Portuguesa e aos Comunistas na complexa situação política, na direcção da luta das massas na Região e no interior das nossas organizações partidárias, com vista ao seu contínuo reforço, avanço e consolidação, com vista à Edificação dum forte, justo e correcto Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses.
A região de Lisboa cumpriu com sucesso grande parte das tarefas que se tinha proposto na sua II Reunião e aprovadas no Plano de Acção e Tarefa Central, reforçou-se a atmosfera de vitalidade, dinamismo e confiança dos nossos quadros, simpatizantes, activistas e aderentes na Revolução, no caminho a seguir, nas tarefas e no trabalho.
A vida confirmou que a chave dos nossos avanços são a linha geral revolucionária proletária do nosso Partido Comunista, a influência do Congresso de Dezembro, as directivas e orientações do I Plenum do Comité Central.
Vistas as coisas do seu conjunto que lições básicas e imediatas poderemos tirar na Região de Lisboa?
Que estes dois meses provaram que só o Partido se ligando intimamente à sua classe para a dirigir nas duras, complexas e prolongadas batalhas políticas em curso, esta pode ter uma solução operária para a crise, o revisionismo e o Oportunismo poderão ser isolados e a Revolução Portuguesa sair do impasse, ganhar um novo ímpeto e ser levada até ao fim da actual etapa.
Estes dois meses comprovam que a força de aço do nosso Partido marxista-leninista está em que ele é o Partido da classe operária, apoia-se e cimenta-se principalmente na classe operária, força principal e decisiva na Edificação do Partido dos Comunistas, ficou igualmente demonstrado, a correcção de CONCENTRAR FORÇAS NAS 100 GRANDES FÁBRICAS DA REGIÃO DE LISBOA, de intensificar a um ritmo e a um grau mais elevados de TRABALHO ENTRE OS OPERÁRIOS e à justeza e o alcance de REFORÇAR A COMPOSIÇÃO PROLETÁRIA das nossas fileiras.
Estes dois meses confirmaram que A CORRENTE PRINCIPAL NA REGIÃO DE LISBOA E A OFENSIVA POLÍTICA E A EDIFICAÇÃO, O MOVO IMPULSO NA ACTIVIDADE SINDICAL com a apresentação de 4 LISTAS SINDICAIS LUTA-UNIDADE-VITÓRIA (Telefonistas, Bancários, Químicos e Gráficos) e a preparação final duma quinta (a dos Professores da Grande Lisboa), a apresentação de cerca de uma dezena de Projectos de Estatutos ou listas para Comissões de Trabalhadores de grandes fábricas ou locais de trabalho, a participação na Contratação Colectiva, com particular destaque para o Material Eléctrico, a luta das 40 Horas nos Correios, são uma justa aplicação da Resolução do Comité Central:
“Do ponto de vista da nossa actividade externa, a ofensiva política do Partido é essencialmente uma batalha pelo incremento do nosso trabalho de massas, pelo reforço da nossa união às massas, pela aplicação duma correcta linha de massas e pelo exercício da influência, direcção e hegemonia sobre o movimento de massas operário e popular”.
O movimento de massa de adesão, tarefa central de todas as organizações, verificou um desenvolvimento desigual, COMEÇOU SÓ A DAR OS PRIMEIROS PASSOS, MAS AS 651 ADESÕES SÃO JÁ UMA FONTE RICA EM ENSINAMENTOS, de conclusões sobre o significado desta batalha do Partido e das alterações que irão necessariamente originar em toda a Região SE ESSE MOVIMENTO DE ADESÃO FOR FEITO POR CADA MILITANTE, PLANEADO POR CADA CÉLULA E CONTROLADO E DIRIGIDO POR CADA ORGANISMO DO PARTIDO.
Nestes dois meses entraram decididamente em cena na nossa Região, AS MULHERES TRABALHADORAS, FORÇA DECISIVA DA REVOLUÇÃO E sector de choque na situação actual de agravamento da vida do povo.
As 300 mulheres que participaram na I Reunião de Mulheres do Distrito de Lisboa, tem o apoio e a admiração de todo o Partido e igualmente enormes tarefas e grandes responsabilidades futuras.
UM RITMO DE PARTIDO, UMA ATMOSFERA DE VIVACIODADE E UM NOVO DINAMISMO PERCORRE A MAIORIA DAS NOSSAS ORGANIZAÇÕES nos diversos escalões e foi comprovado por um grande número de boas reuniões de quadros, tanto Regionais como Concelhias, locais ou de sector.
Ao mesmo tempo, que DIVERSOS ORGANISMOS SE EMPENHARAM NUMA PROFUNDA REVOLUCIONARIZAÇÃO DOS MÉTODOS DE DIRECÇÃO E DE TRABALHO.
ESTES DOIS MESES PROVAM FINALMENTE, QUE A LUTA ENTRE AS DUAS LINHAS NÃO ACALMOU, nem abrandou, nem passou para segundo plano, mas ao contrário, com a expulsão da oportunista Teresa é uma intensificação dessa luta centrada na questão de saber se que remos um Círculo de Propaganda ou um Partido Comunista, que está a abalar todas as nossas organizações; que caminho deve seguir a Revolução Portuguesa? o da Revolução Democrática Popular, baseada na aliança operário-camponesa e na revolução armada, ou o da Europa dos capitalistas, o pacto social, o parlamento burguês e a democracia burguesa; o marxismo-leninismo e uma filosofia de luta, ou o revisionismo, a capitulação e o abandono da Revolução?
Os sucessos, os avanços, as lições destes dois meses levam a encarar o futuro e as tarefas com confiança, determinação e optimismo revolucionários.
No conjunto da Região, o trabalho avançou, alargou-se a influência do nosso Partido junto da classe operária e do povo; estabeleceu-se novos laços com as massas; o conjunto dos quadros adquiriram uma maior maturidade nas batalhas travadas; foram ultrapassadas muitas dificuldades, corrigidos erros e alcançados importantes objectivos e assinaláveis êxitos nos diversos domínios da nossa actividade partidária na Região.

I - PERSISTIR NA OFENSIVA E NA EDIFICAÇÃO DO PARTIDO E REVOLUCIONARIZAR OS MÉTODOS DE DIRECÇÃO
Trava-se no seio da nossa Região uma aguda luta entre as duas linhas ao redor da Ofensiva Política e da Edificação do Partido contra a linha burguesa, capitulacionista, anti-Congresso e anti-partido. Alguns camaradas e mesmo alguns dirigentes, em discussões, em documentos ou em reuniões de quadros, colocavam a tónica de que A OFENSIVA POLÍTICA, A LINHA DO CONGRESSO, AS DIRECTIVAS E ORIENTAÇÕES DO I PLENUM, A EDIFICAÇÃO DO PARTIDO, O SEU ALARGAMENTO CONTÍNUO, O AUMENTO DA SUA INFLUÊNCIA, A CONSOLIDAÇÃO DAS SUAS ORGANIZAÇÕES NÃO SERIAM A CORRENTE PRINCIPAL, mas sim a corrente capitulacionista, liquidacionista e anti-Partido.
O Comité Regional, na sua III Reunião, considera importante analisar em detalhe este assunto e travar à sua volta uma acesa discussão, de forma a clarificar as questões controversas e a realizar a unidade ideológica das nossas fileiras.
Nas "VINTE QUESTÕES", o camarada Arnaldo Matos afirma:
"É manifesto que, em todos os domínios, a luta contra a linha revisionista do traidora. Crespo continua a ser tarefa política e ideológica principal da Organização Regional do Norte e de todo o nosso Partido o que se verifica, todavia, é que expressamente se nega que esta seja a nossa tarefa principal, ou, quando se a finge aceitar como tal, se lhe deturpa o sentido, o alcance, a profundidade e a extensão."
Na nossa Região a luta entre as duas linhas intensificou-se com o Congresso da Fundação, acentuou-se com a "Campanha de Fundos do Povo para o Jornal da Verdade" e desenvolveu-se com as tarefas e os objectivos fixados no Plano de Acção e Tarefa Central para Fevereiro-Março. O desmascaramento, isolamento e expulsão para sempre das nossas fileiras da oportunista Teresa, fiel seguidora da pandilha do Crespo foi uma magnifica vitória de ofensiva política, reforçou e uniu o Partido na Região.
Ainda nas "VINTE QUESTÕES", quando trata a questão da atitude face à luta ideológica, se indica:
"É preciso compreender que a luta ideológica tem de estar permanentemente ligada aos problemas postos pelo movimento revolucionário pela luta das massas e pela nosso trabalho prático e que, em nenhum caso, é admissível deixar que ai células, comités e organismos do Partido sejam transformados pelos oportunistas em palco de lutas fracionistas e de torneios metafísicos”.
Para centrar a luta entre as duas linhas tendo como eixo a luta de classes e para realizar um balanço criterioso do trabalho político e de organização destes dois meses, na nossa Região, temos de ter como base de partida, o Plano de Acção e Tarefa Central e os objectivos precisos que fixou, a saber:
1. 1000 adesões nas 100 Grandes Fabricas e Empresas
2. Tomar em mãos toda a contratação colectiva dos 35 sindicatos ao Plano
3. Participar em todas as eleições sindicais do Plano
4. Organizar uma célula, um núcleo ou um aderente nas 100 grandes fábricas e empresas da Região de Lisboa
5. Pagamento integral do Luta Popular
6. 2 campanhas de propaganda centrais em toda a Região
7. 2 Comícios do Partido na Região
Antes de passar à análise do grau de aplicação do Plano, importa realçar que o próprio PLANO REGIONAL FOI UM INSTRUMENTO DE LUTA, DE UNIÃO E DE MOBILIZAÇÃO DE NOVAS AS FORÇAS e que à sua volta se começaram por travar 7 importantes lutas.
EM PRIMEIRO LUGAR, A APLICAÇÃO DO PLANO REGIONAL A CAPA CÉLULA de fábrica, empresa, local de trabalho, bairro ou freguesia; a aplicação a cada organização local ou de sector e a aplicação a cada Concelho, bem como, aos diversos Departamentos Regionais e frentes de luta.
CONSTITUI UMA COISA NOVA, A ORGANIZAÇÃO DUM GRAME NUMERO DE PLANOS DAS CÉLULAS DE BASE, organizações intermédias e concelhia e é necessário que no futuro esta corrente se torne na corrente principal e que a maioria das nossas células, comités e organismos apliquem de uma forma criadora as directivas e a linha do Partido aos seus locais de trabalho revolucionário.
EM SEGUNDO LUGAR, A LUTA PELA MARCAÇÃO DE OBJECTIVOS EM CAPA PLANO, a questão de marcar objectivos avançados ou recuados e a luta a travar para alcançar os objectivos fixados, foram os 3 aspectos que se revestiu tanto em Janeiro na Campanha de Fundos, como no Plano Regional de Fevereiro-Março. Algumas organizações continuam a trabalhar de uma forma rotineira, sem vida própria, limitando-se a cumprir certas tarefas locais ou centrais em determinados períodos, portanto, NÃO TRAÇAM OBJECTIVOS POLÍTICOS, TÁCTICOS E DE ORGANIZAÇÃO; outras das nossas organizações têm "objectivos" mas OBJECTIVOS RECUADOS, QUE NÃO PRODUZEM TENSÃO E NÃO SÃO FACTOR DE MOBILIZAÇÃO, são aqueles dirigentes que querem ter "vitórias seguras” e existem organizações que TRAÇAM OBJECTIVOS CORRECTOS MAS QUE NÃO CUIDAM DOS MÉTODOS, DOS MEIOS, DAS FORÇAS QUE É NECESSÁRIO MOBILIZAR, DA PROPAGANDA ENTRE OS QUADROS, DO PAPEL DOS DIRIGENTES ISTO É, esquecem que não basta marcar objectivos, é preciso travar uma luta por alcançá-los.
EM TERCEIRO LUGAR, A QUESTÃO DA TAREFA CENTRAL produziu acesa discussão e controvérsia, tanto na questão de saber se devia ou não haver uma única tarefa central como qual devia ser essa tarefa central. No decorrer das discussões travadas nas células e nas reuniões de quadros, a maioria dos quadros compreenderam a necessidade de realizar várias tarefas e ter várias frentes de luta e, da necessidade de acordo com as circunstâncias passar de uma tarefa a outra tarefa.
EM QUARTO LUGAR, A QUESTÃO DO CENTRO DE GRAVIDADE DO TRABALHO DE MASSAS foi o foco principal da luta entre as duas linhas no que concerne à actividade do movimento de massas, no entanto, operou-se um salto na compreensão e assimilação das particularidades - actuais do movimento operário, corrigiu-se erros e desvios, superou-se atrasos e insuficiências, seguiu-se com êxito as indicações do Comité Central:
"Uma atenção muito particular e muito especial deve ser dada por todas as nossas organizações e por todos os nossos militantes, por todo o Partido às lutas sindicais, ao Movimento Sindical e ao trabalho dos comunistas sindicatos.
No que concerne ao trabalho de massas, o centro de gravidade desse trabalho e o trabalho no Movimento Sindical".
EM QUINTO LUGAR, O PROBLEMA DA CONCENTRAÇÃO DE FORÇAS Muitos camaradas dirigentes não dão a devida atenção a esta política nos organismos que lhes estão subordinados, por essa razão, o trabalho do Partido não pode consolidar-se, tornar-se estável, adquirir regularidade e evitando assim recaídas, outros camaradas dispersam forças ora nesta tarefa ora naquela, ora neste lugar ora naquele, impedindo o Partido de aplicar as suas forças nos lugares principais e desenvolver-se a um ritmo mais elevado.
EM SEXTO LUGAR, COMO UTILIZAR OS QUADROS?
O nosso Partido necessita dum grande número de novos quadros, de dirigentes de massas de primeira qualidade e de quadros capazes para o trabalho do Partido. Nestes dois meses verificou-se que se não se aplica duma forma judiciosa os nossos homens e mulheres comunistas nas tarefas principais e nos lugares adequados, a ofensiva e a edificação não podem ser vitoriosas.
EM SÉTIMO LUGAR, QUESTÃO DA REVOLUCIONARIZAÇÃO DA DIRECÇÃO
Verificou-se nestes dois meses que o ponto fraco da nossa cadeia de direcção se encontrava nas direcções concelhias e que sem um profundo movimento de educação, consolidação e rectificação nas direcções intermédias que os objectivos fixados dificilmente seriam alcançados.
No conjunto do Distrito tem de se considerar 2 tipos de Concelhos.
- os que formam a área industrial e urbana (Loures, Lisboa, Vila Franca, Oeiras Sintra e Cascais) onde vivem e trabalham 80% da população ao Distrito e estão concentradas as Grandes Fábricas, unidades fabris e outros sectores da pequena burguesia urbana e os Concelhos semi-industriais ou exclusivamente rurais que constituem uma superfície de mais de 60% do Distrito e que são (Torres Vedras, Azambuja, Mafra, Alenquer, Arruda, Sobral, Lourinhã e Cadaval).
Destes 14 Concelhos cuja superfície é de 2.762 Km2 e que tem uma população de 1 Milhão e 568 Mil pessoas a situação ao ponto de vista da consolidação das organizações concelhias é a seguinte: Constituem a frente avançada e relativamente consolidada os 6 Concelhos principais — constituem parte intermédia, os Concelhos onde existe um mínimo de organização e se realiza um certo trabalho político entre as massas (Torres Vedras, Alenquer, Azambuja e Arruda) e forma a parte relativamente atrasada caracterizada pela ausência ou irregularidade, de trabalho político, os Concelhos ao Sobral, Lourinhã e Cadaval.
O Plano de Acção e Tarefa Central na sua política de concentrar forças visava consolidar e fortalecer os 6 Concelhos principais do Distrito, criando condições para superar o atraso da parte intermédia e estabelecer uma organização estável em toda a superfície Distrital.
Tendo em vista esta orientação estratégica, o Comité Regional debruçou-se, analisou, debateu e traçou uma linha com vistas consolidação e revolucionarização das direcções concelhias, que foi aprovado na II Reunião de quatros dirigentes da Organização Regional de Lisboa.
"TOMAR EM MÃOS TODAS AS LUTAS, APRENDER COM A BASE DO PARTIDO, ELEVAR A SUA CAPACIDADE DE DIRECÇÃO POLÍTICA É A VIA PARA A REVOLUCIONARIZAÇÃO POLÍTICA DAS DIRECÇÕES CONCELHIAS" no relatório "os 17 problemas das direcções Concelhias da Organização Regional de Lisboa" onde são indicados:
1. O PROBLEMA DA APLICAÇÃO DA LINHA POLÍTICA E IDEOLÓGICA DO t PARTIDO
2. ELEVAR O NÍVEL DE DIRECÇÃO CONCELHIA, A SUA PREPARAÇÃO IDEOLÓGICA E A SUA FORMAÇÃO TEORICA MARXISTA-LENINISTA
3. DIRIGIR O CONCELHO, DIRIGINDO AS LUTAS OPERÁRIAS E DO POVO
4. SEPARAR A DIRECÇÃO DAS MASSAS, SEPARAR A POLÍTICA DA TÁCTICA; SEPARAR A TEORIA EM PRÁTICA, DESVIO PRINCIPAL A COMBATER NOS MÉTODOS DE DIRECÇÃO
5. TER UM PLANO POLÍTICO PARA CADA CONCELHO – agarrar-se às tarefas principais, começar por realizar bem um terço do trabalho e resolver as contradições uma a uma.
6. FAZER O BALANÇO E O CONTROLE SISTEMÁTICO DAS TAREFAS, fazer inquéritos e investigações para resolver os problemas surgidos no movimento prático e na edificação do Partido.
7. O PROBLEMA DO TRABALHO SINDICAL
8. O PROLEMA DAS GRANDES FÁBRICAS
9. SABER PERSEVERAR NO ESTILO DE TRABALHO PROLETÁRIO, PRATICAR A CRÍTICA E A AUTO-CRÍTICA, SABER TOMAR MEDIDAS ADEQUADAS A TEMPO E EVITAR AS RECAÍDAS NESTA OU NAQUELA OR­GANIZAÇÃO
10. O NÚCLEO DIRIGENTE TEM DE REVOLUCIONARIZAR-SE E ALTERAR A SUA COMPOSIÇÃO NO DECURSO DAS LUTAS, CAMPANHAS E DAS LUTAS POLÍTICAS
11. AS 5 CONDIÇÕES DE UM NÚCLEO DIRIGENTE
12. A LINHA DE MASSAS E O MOVIMENTO DE ADESÃO
13. REFORÇAR A DIRECÇÃO COLECTIVA E APOIAR-SE NA MAIORIA DOS QUADROS
14. A DIRECÇÃO DO CONCELHO E O SECRETARIADO CONCELHIO
15. O ESPÍRITO DE PARTIDO E A UNIDADE DO PARTIDO
16. A RECTIFICAÇÃO E A MODIFICAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA
17. O PAPEL DO SECRETÁRIO DO CONCELHO
Vistas as coisas do seu conjunto, o Plano de Acção e Tarefa Central é o segundo passo numa longa marcha pela Edificação na nossa Pátria dum verdadeiro e autentico Partido dos Proletários, como assinala o I Plenum do Comité Central:
"A tarefa de edificar o Partido dos proletários, de edificar o nosso Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, é uma tarefa árdua e prolongada, que dura por todo o período histórico em que existissem classes, contradições de classe e luta de classes.
Dai que a Ofensiva Política pata edificação do Partido não possa nem deva ser entendida como uma Ofensiva Política para obter num curto prazo, um objectivo que só deixará de ser tarefa do proletariado na Sociedade Comunista".
Nestes 3 meses que passaram depois do Congresso da Fundação comprovaram-se correctas e justas as indicações ao PLANO ANUAL PARA A REUNIÃO de LISBOA e principalmente as 3 transformações que a ofensiva política e a edificação do Partido visam:
1. A REVOLUCIONARIZAÇÃO DOS MÉTODOS DE DIRECÇÃO
2. A FORMAÇÃO DE UM NOVO TIPO DE DIRIGENTE, O DIRIGENTE PRÁTICO
3. O REFORÇO DA CLASSE PROLETÁRIA DO PARTIDO
No conjunto das organizações da Região travou-se uma grande luta ao redor dos problemas da direcção, mas no essencial, os principais dirigentes não deram, ou não foram capazes de aplicar de forma viva e criadora o Plano Regional, não tiveram em conta os problemas levantados pela nova situação política com um Plano de Acção e Tarefa Central para dois meses, com um grande número e tarefas, vários objectivos fixados e 7 frentes de luta.
Ao voltar de novo a abordar este assunto da direcção na III REUNIÃO DO COMITÉ REGIONAL e, principalmente dos métodos, dos meios, das formas e da atitude como cada Comité, cada organismo e cada dirigente aplicou ao seu local próprio, o Plano de Acção, é porque no essencial esses problemas não foram numa grande medida resolvidos e por uma boa parte dos nossos dirigentes ainda nem se quer compreendidos.
Sem todo o Comité Regional se empenhar na revolucionarização, em primeiro lugar de si próprio e depois de todas as direcções intermédias, em particular, as concelhias - a Ofensiva Política e a edificação do Partido Comunista estarão seriamente comprometidas, sofrerão atrasos e reveses, e a corrente anti-partido, capitulacionista e liquidacionista pode então tornar-se a corrente principal,
Persistir na Ofensiva e na edificação e revolucionarizar os métodos de direcção, eis a via a seguir para alcançar novos sucessos no nosso trabalho.

II - AS VITORIAS E AS INSUFICIÊNCIAS DO MOVIMENTO DE ADESÃO AO PARTIDO NA REGIÃO DE LISBOA
Tendo decidido ser o movimento de adesão ao Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses a batalha de classe, o fio condutor e unificador, de todo o nosso exército proletário, seja na célula de fábrica, empresa, local de trabalho, bairro, freguesia, vila, sindicato, clube ou associação popular, importa analisar o estado do movimento de massa de adesão, que o Plano Anual estipulou para a região de Lisboa, até Maio inclusive, 4.000 adesões ao nosso jovem Partido Comunista.
Até ao dia 31 de Março deram entrada na Comissão de Organização e Fundos da Organização Regional de Lisboa, 657 adesões de operários, camponeses, empregados, intelectuais, mulheres trabalhadoras, estudantes e outros elementos cio povo.
No que concerne ao único objectivo fixado para o movimento de adesão para Fevereiro-Março para a Região - 1.000 adesões das 100 grandes fábricas, empresas e locais de trabalho de Lisboa. Verificou-se 217 adesões de 30 grandes empresas.
TLP (42); OGMA (30); TAP (28); CARRIS (22); CP (16); CTT (14); com menos de 10 adesões todas as restantes fábricas e empresas; FMBP; Baptista Russo; Automática; ITT; Mague; Gel-Mar; Eurofil; Fundição de Oeiras; Utic; OGME; CTM; Rodoviária; Hipólito; Sorefame; Dialap; CNN; Datsun; J. Pimenta; Cimianto; Intento; G. Motors; CRGE; Efacec; Sipe.
Quanto aos sindicatos as adesões concentram-se em 24 dos 35 Sindicatos do Plano e na existência de um certo número de aderentes de 14 sindicatos que não constituem o plano actual.
Metalúrgicos, Construção Civil, Comércio, Industria Hoteleira, Telefonistas, Ferroviários, SNTCT, Funcionários Públicos Escritórios, Madeiras, Têxteis; Ind. Farmacêutica, Enfermeiros, Rodoviários, TUL, Panificação, Químicos, Gráficos, Administrativos da Marinha Mercante, Seguros, Bancários, Professores, Doçaria.
E dos sindicatos que não constam no Plano: Bebidas, Cobradores, Cimentos, Cartonageiros, Espectáculos, Pescadores, Cortadores de Carnes, Câmara Municipal de Lisboa, Estivadores, Ourives, Contínuos, Vidreiros e Agricultura e Pescas.
Das 657 adesões da Região 207 foram recolhidas em bairros, vilas e freguesias, com particular destaque para a organização de Marvila, Alcabideche, Odivelas, Alcântara e S. Domingos de Rana.
Das 657 adesões operários e trabalhadores são 71%, mulheres constituem 33% das adesões e a média de idade 28 anos.
QUE LIÇÕES TIRAR?
1. QUE O MOVIMENTO DE MASSA DE ADESÃO NÃO SE TRANSFORMOU NUMA GRANDE BATALHA POLÍTICA DE TODO O PARTIDO, DE TODAS AS ORGANIZAÇÕES E DE TODOS OS MILITANTES NA REGIÃO DE LISBOA, que se travou à volta desta tarefa, sua importância e significado para o nosso trabalho futuro uma aguda luta entre as duas linhas e que O DESVIO PRINCIPAL QUE INTERFERIU NO SUCESSO E NO ALCANCE VOS OBJECTIVOS FIXADOS FOI EM PRIMEIRO LUGAR O SECTARISMO NA NOSSA INTIMA LIGAÇÃO COM A CLASSE E COM AS MASSAS.
2. UM GRANDE NUMERO DE ORGANIZAÇÕES E ORGANISMOS DIRIGENTES NÃO PLANEARAM O MOVIMENTO DE ADESÃO, não souberam ligar às lutas, às greves, às contratações, às eleições sindicais, desligando o movimento de adesão do calor dás lutas e das tempestades de classe, pensavam esses dirigentes ou que não há condições para realizar essa tarefa ou que ela se fazia por si própria e espontaneamente.
3. Alguns Concelhos, Sectores, Organizações locais e células de base elaboraram os seus planos e realizaram debates e discussões sobre a tarefa, mas NÃO EXERCERAM UM CONTROLE ESTREITO E APERTADO, NÃO VERIFICARAM AS DIFICULDADES, NÃO CORRIGIRAM OS DESVIOS, NÃO TRAVARAM A LUTA IDEOLÓGICA ACTIVA no seio do Partido pelo cumprimento aos objectivos traçados;
4. Em alguns lugares, NÃO SE CUIDOU DOS MÉTODOS, DUM ESTILO VIVO, DO PORTA A PORTA, DE TER EM CONTA AS CONDIÇÕES DE CADA LOCAL e pensaram alguns dirigentes que basta marcar objectivos e depois não cuidam dos meios e dos métodos, Resultado, o trabalho não avança.
5. A INCOMPREENSÃO DA BASE DE MASSAS DO PARTIDO COMUNISTA, muitos camaradas dizem que "não vale a pena porque elas já estão feitas", para esses camaradas trata-se de, uma inutilidade e de uma extravagância, o movimento de massa de adesão ao Partido.
Embora não se trate pôr dentro das nossas organizações esses; elementos que nos apoiam, a verdade é que A ADESÃO SIGNIFICA UMA LIGAÇÃO ORGÂNICA AO PARTIDO, em qualquer momento, as células poderão convocar os aderentes com vista as manifestações políticas, a assembleias sindicais, para receber imprensa, e materiais do Partido, para o trabalho local de massas seja no clube, na cooperativa, na autarquia local.
Além disso, A PRÁTICA IRÁ DEMONSTRAR UMA BOA PARTE DESSES ADERENTES SE TRANSFORMARÁ EM ACTIVISTAS, em simpatizantes organizados e uma parte em Militantes do Partido, no decurso do trabalho, das tarefas e da educação se estiverem em contacto directo e estreito com a vida da organização.

III – PASSOS EM FRENTE E UMA EXCELENTE SITUAÇÃO NO TRABALHO SINDICAL NA REQUIÃO DE LISBOA
A situação do nosso trabalho sindical deu nestes dois meses enormes passos em frente, fruto de uma paciente e prolongada luta, e da tenacidade, persistência e capacidade do nosso Departamento Sindical que tem sido um vivo exemplo de marchar contra a corrente, que despreza, não realiza, não conhece, nem dirige a actividade sindical, facto ainda largamente desenvolvido na maioria das nossas células de base e dos organismos dirigentes. Importa realçar porém que em Fevereiro-Março se notou uma certa viragem que deve ser saudada não para iludir as nossas reais fraquezas, o nosso enorme atraso e mesmo algumas derrotas sérias que sofremos, com a perca do único Sindicato operário que o Partido até hoje dirigiu, os Telefonistas de Lisboa.
Esta situação representa que o Partido no seu conjunto se em penha em corrigir os desvios que se verificam no nosso trabalho nos sindicatos, e é a melhor situação que até hoje se viveu na nossa Região.
A apresentação de 4 listas sindicais Luta-Unidade-Vitória para os sindicatos dos Telefonistas de Lisboa, Bancários Sul e Ilhas, Químicos do Centro e gráficos do Sul e Ilhas é uma importante vitória política do nosso Plano de Acção, a maior vitória aliás, se considerarmos que neste campo foi cumprido o objectivo fixado, que era de concorrer e lutar por expulsar os social-fascistas das direcções dos 35 sindicatos principais do Plano, e se tivermos ainda em conta, que tanto nos químicos como nos Gráficos, nunca tínhamos concorrido, as nossas forças são exíguas e a nossa presença sindical regular nestes sectores é bastante reduzida nos gráficos e era inexistente entre os Químicos.
De realçar ainda pela primeira vez os sindicatos operários começam a ocupar o centro das nossas atenções, o grosso dos nossos esforços e o melhor das nossas energias.

1. Quatro eleições sindicais, 12 lições a tirar
Embora, o Departamento Sindical, vã abordar esta matéria seria útil que o relatório dedicasse uma especial atenção às principais lições, aos problemas e às tendências que se manifestam no nosso trabalho sindical, começando por referir as 4 Eleições Sindicais.
A primeira lição das eleições sindicais: NÃO BASTA ESTAR NA DIRECÇÃO DO SINDICATO É PRECISO CONSOLIDAR POSIÇÕES E OBTER A UNIÃO COM A MAIORIA DA CLASSE.
O assunto e o aspecto mais importante destes 60 dias em mate ria do nosso trabalho nos Sindicatos, foram as eleições para o Sindicato para os Telefonistas de Lisboa, nos primeiros dias de Fevereiro, a qual se apresentaram 3 listas oportunistas de diversos sectores da burguesia e uma revolucionária, a lista sindical Luta-Unidade-Vitória.
Os social-fascistas que tinham sido expulsos vai para dois anos pelo nosso Movimento numa das lutas mais aguerridas, complexas e prolongadas que dirigimos no movimento sindical, viriam a ganhar as eleições com 1.186 votos; a lista afecta ao Partido dito socialista com 818; a nossa lista em terceiro lugar com 608 votos, com 19% da percentagem de votantes e em último lugar os GDUPs-UDP-PCP(R) com 570 votos.
Esta derrota gerou uma viva controvérsia na célula dos TLP, apreensão em toda a Região e despertou certos sentimentos pessimistas e de capitulação face ao revisionismo. Algumas pessoas punham em causa, a pretexto dessa derrota a nossa autonomia sindical como força política independente no seio do movimento sindical e no seio dos sindicatos, a derrota e a perca da direcção tinha servido a alguns oportunistas para voltarem com as teorias do renegado e traidor Crespo, tratava-se dum ponto de vista e de uma posição ideológica burguesa, reaccionária,de capitulação face ao social-fascismo nos sindicatos, enquanto que no seio da célula dos TLP se travou uma aguda luta à volta da análise dos resultados e das conclusões e lições a tirar. Alguns camaradas, tentavam encontrar a raiz da derrota fora do nosso trabalho anterior no Sindicato, não analisando com seriedade os erros e insuficiências que a nossa Campanha tinha manifestado, a acção das forças do Partido, mas tentando ver as coisas de fora e como sendo os factores externos, o principal e o decisivo para o desfecho da batalha então travada.
O Camarada Mao já tinha ensinado, em "SOBRE A CONTRADIÇÃO"
"A causa fundamental do desenvolvimento das coisas e dos fenómenos não é externa, mas interna; ela reside nas contradições existentes no interior das próprias coisas ou fenómenos. No interior de toda a coisa ou fenómeno há contradições, daí o seu movimento e desenvolvimento.
Onde residem as razões da derrota e da perca do Sindicato dos Telefonistas de Lisboa? residem no seio ao nosso Partido, na linha política que se seguiu na Campanha, de erros verificados na nossa prática de direcção sindical e em insuficiências, erros e desvios que se verificaram nos últimos tempos na nossa célula dos TLP.
Embora tenhamos estado 2 anos na direcção do Sindicato, embora a direcção sindical veiculasse no interior do movimento sindical as posições dos comunistas, as posições mais avançadas desde o 25 de Abril, a primeira direcção sindical comunista, a guarda avançada no grande ataque ao social-fascismo nos sindicatos, em diversas manifestações sindicais e políticas, porta-voz da linha Luta-Unidade-Vitória ao II congresso da Intersindical, o subscritor do histórico manifesto sindical e do programa político para os sindicatos.
No entanto, não organizamos suficiente apoio ao redor da direcção sindical, particularmente, O PAPEL DOS DELEGADOS SINDICAIS; como agentes e vectores duma actividade sindical em cada central, em cada local de trabalho e como rede e força de choque na ligação à maioria da classe, como seus propagandistas e agita dores mais eficazes, prestando contas e obtendo um crescente apoio. Os resultados provam que uma massa importante que nos apoia, não foi votar, não cerrou fileiras para defender a sua direcção e o Seu Sindicato do inimigo, porque não foi mobilizada, porque não soubemos ou não fomos capazes de arrastar a massa, de chamar à lista a grande maioria da classe.
A consolidação duma direcção realiza-se numa prática diária e na defesa dos interesses económicos, políticos e sociais dos diversos sectores dos trabalhadores e do conjunto dum sector ou ramo de indústria. ALGUNS ERROS NA ELABORAÇÃO DUM CADERNO REIVINDICATIVO, erros que levaram à divisão de categorias profissionais e ao enfraquecimento da nossa base principal de apoio os Mecânicos de Telefones embora revista esta posição no actual ACT, os problemas que suscitou, a controvérsia que gerou e as divisões que provocou foram em larga medida factores para a nossa derrota.
A Segunda lição das eleições sindicais: SABER LIGAR A CONTRATAÇÃO COLECTIVA A ELEIÇÃO PARA A DIRECÇÃO.
Embora tivéssemos uma experiência grande de luta nos TLP por anteriores combates travados que levaram a greves, a manifestações de rua, à intervenção do COPCON e à ocupação pelos trabalhadores dos locais de trabalho, embora soubéssemos que as eleições sindicais se aproximavam e tivessem sido os obreiros do acordo colectivo de trabalho, não demos suficiente atenção, à ligação desta luta à eleição, da condução do combate económico e do isolamento do oportunismo, do papel de mobilização que encerram os contratos em alturas de eleições sindicais. Este erro, de não aparecer aos olhos da classe como uma direcção madura, capaz de obter melhorias reais da sua vida, foi decisivo para a reconquista pelos revisionistas do sindicato, tratava-se como sempre indicou o nosso Partido de fazer do sindicato um instrumento de luta; de defesa da classe de unidade e de vitória.
A Terceira lição das eleições sindicais: A SUBESTIMAÇÃO DO REVISIONISMO NO SEIO DA CLASSE OPERÁRIA ABRE O CAMINHO AO REVISIONISMO.
Os nossos camaradas dos TLP "não viam revisionistas à sua volta", para eles o revisionismo "tinha desaparecido do seio dos trabalhadores” não existia já na empresa e "estava mesmo enterrado", nunca aliás, lhes passou pela cabeça a possibilidade do inimigo poder voltar ao sindicato ou ganhar as eleições.
O revisionismo é uma ideologia que existe no seio dos operários e que no nosso país se encontra e partilha o poder económico e de Estado, seja pelas posições que ocupa nas empresas nacionalizadas, seja pelo controle que exerce sobre as unidades colectivas de produção, seja pelas posições que dispõe no Exército e no Parlamento, os marxistas-leninistas não podem esquecer, abrandar ou subestimar o perigo, o papel e a luta de morte que tem de travar sem desfalecimento contra o revisionismo, no movimento operário.
Influenciados e iludidos pelas magníficas vitórias obtidas na Empresa no decurso de mil e um combates, temperados em agudas é complexas lutas, gozando de um inegável prestigio, carinho e apoio dum largo sector das massas e dum real apoio da vanguarda da classe, os nossos camaradas descansaram, não se empenharam a fundo, não lutaram cara a cara desta vez e desta vez saíram derrotados.
Que a derrota seja a mãe da vitória, que todo o Partido na Região de Lisboa aprenda com este exemplo e que ele sirva para intensificar em toda a parte a luta contra o revisionismo.
Quarta lição das eleições sindicais: PLANEAR E EXECUTAR UMA CAMPANHA AVANÇAVA; EMPENHAR-SE A FUNDO PARA OBTER VITORIAS, RESPONDER TACO A TACO AO INIMIGO E CONTROLAR A EXECUÇÃO DAS TAREFAS.
Revelaram-se claramente duas atitudes, suas posições face ao trabalho e portanto duas linhas, as campanhas realizadas, por um lado, pelos camaradas da nossa fracção sindical dos telefonistas e por outros, a organização comunista dos bancários e o núcleo dos químicos.
Enquanto existiu uma frouxa direcção do Partido na lista dos Telefonistas, a propaganda foi pouca, atrasada e de má qualidade, não existiu controle suficiente das tarefas e das dificuldades surgidas e, principalmente não se mobilizou todas as nossas forças, todas as nossas energias e apoios de que dispomos, acabando a campanha por ficar reduzida ao trabalho de um pequeno grupo de quadros do Partido, que não viram ou não souberam ver a tempo a importância da vitória ou da derrota para o movimento sindical que se iria decidir naquela eleição.
Ao contrário, tanto a organização dos Bancários como o núcleo dos Químicos, empenharam-se a fundo, realizaram tuna campanha de tipo novo, que deve ser estudada, analisada e assimilada por todas as nossas organizações sindicais na Região.
Quinta lição das eleições sindicais: AS CONDIÇÕES PARA A FRENTE ÚNICA E A DEFESA DE UM PROGRAMA AUTÓNOMO.
Verificaram-se neste dois meses, a derrota da linha sindical oportunista da Carta Aberta, principalmente nas eleições dos Bancários do Sul e Ilhas e o reforço das posições do PPD nos Sindicatos; esta nova situação cria diferentes condições para o sistema de alianças e torna bastante difícil a unidade feita na base dos partidos. Como ensina a lista dos Químicos e dos Gráficos, devemos persistir numa política de unidade da classe, de Frente Única no seio das massas com elementos de outros partidos ou sem partido, homens e mulheres influentes, respeitados, activos e lutadores.
Essa política tem permitido sem peias apresentar a milhares de trabalhadores a nossa política e o nosso programa autónomo.
Sexta lição das eleições sindicais: UMA CAMPANHA SINDICAL EM EXTENSÃO E PORTA A PORTA.
Um dos aspectos mais relevantes das actuais eleições sindicais é que elas são autênticas batalhas de classe e vão exigir das nossas organizações, uma grande concentração de forças, maiores meios económicos, uma participação mais activa das organizações locais e concelhias em cada eleição - desde as colagens, as distribuições de programas, os comícios às portas das Empresas, aos contactos - é errado pensar que a eleição sindical é um assunto dos 15 camaradas que compõem cada lista e o Partido ficava à espera dos resultados de cada eleição.
Esta atitude passiva da parte do Partido tem de ser radicalmente alterada, passando cada eleição sindical a ser discutida em cada Concelho e organização local e decididas as formas, os meios e os métodos para que cada eleição seja um avanço e uma vitória da linha sindical Luta-Unidade-Vitória.
Importa realçar que os nossos camaradas bancários realizaram pela primeira vez uma vasta, ampla e profunda campanha sindical, que constitui uma enorme contribuição para o trabalho sindical do Partido na Região de Lisboa.
Sétima lição das eleições sindicais: O SIGNIFICADO DAS VITÓRIAS SOBRE O NEO-REVISIONISMO DA UDP-GDUPS-PCP(R).
A nossa organização dos Bancários ao ficar em 4º lugar à frente desta escumalha oportunista e contra-revolucionária desferiu um poderoso golpe para o seu isolamento e desagregação, e alcançaram o principal objectivo que fixaram para a sua campanha eleitoral.
Nas 4 eleições, sindicais verificou-se que nos Telefonistas e Bancários ficámos à sua frente, nos Gráficos não apresentam lista, só ficando a uma escassa margem de 100 votos nos Químicos ao Centro.
Devemos intensificar o combate a todas as formas de oportunismo no movimento operário, continuar a considerar o revisionismo do PCP o principal inimigo, mas dar uma atenção redobrada a es te inimigo, atacá-lo a fundo e obter vitorias.
Oitava, lição das eleições sindicais: LIGAR O MOVIMENTO DE ADESÃO ÀS ELEIÇÕES SINDICAIS.
Tanto nos Químicos como nos Bancários não se ligou no decorrer da campanha, a propaganda, a denúncia das direcções vendidas, o pacto social que faz congelar a Contratação Colectiva ao movimento de adesão, por outro lado, o facto de cada eleição permitir ir a inúmeros locais de trabalho contactar com centenas de trabalhadores e de se realizar uma vasta propaganda e agitação oral criarem as melhores condições para grandes sucessos na adesão ao nosso Partido.
Nona lição das eleições sindicais: A APRESENTAÇÃO DAS LISTAS NOS 35 SINDICATOS É UMA GRANDE VITÓRIA, NÃO SE FAZ SEM LUTA E SEM GRANDES ESFORÇOS.
A apresentação da lista dos Químicos só foi possível devido a uma grande luta no seio do Partido e medidas adequadas de direcção, isto é, colocar membros responsáveis do Comité Regional a planear, organizar e dirigir cada eleição sindical.
Deve realçar-se que embora não fazendo parte dos 35 Sindicatos, o Concelho de Sintra agarrou em mãos a possibilidade de apresentar uma lista para o Sindicato dos Tabacos e está em fase de acabamento a nossa participação nos Professores da Grande Lisboa.
É necessário organizar com a maior antecedência todos os preparativos e persistir na apresentação durante todo o ano de listas sindicais que sejam a voz da classe operária e do seu Partido.
Décima lição das eleições sindicais: UMA PROPAGANDA VIVA, VARIADA E CAPAZ DE MOBILIZAR OS TRABALHADORES.
Grandes progressos foram realizados para superar um estilo morto, repetitivo e sem acutilância que vinha a caracterizar a nossa propaganda e agitação sindicais.
O Manifesto dos Químicos representa uma viragem na linha para a propaganda e aponta a via a seguir no nosso trabalho futuro.
Décima primeira lição das eleições sindicais: A DIRECÇÃO DO PARTIDO NAS LISTAS SINDICAIS.
Nem sempre a organização do Partido encontra a forma, justa e adequada de exercer a direcção, tendo-se verificado listas e campanhas sem direcção, sem responsáveis e sem controle, que criando toda a espécie de conflitos, enfraquecendo a capacidade de trabalhar e à unidade com os elementos das massas sem partido ou com os elementos doutros partidos; outro aspecto negativo que se tem vindo a revelar é a fraca participação dos camaradas mais responsáveis e a entrega activa de simpatizantes ou activistas.
Tornasse imperioso reforçar a direcção do Partido em cada lista e em cada campanha, pela clarividência, pela disciplina, pela actividade intensa pelo exemplo que devem dar os quadros comunistas.
Décima segunda lição das eleições sindicais: CONTINUAR O TRABALHO DEPOIS DAS ELEIÇÕES SINDICAIS.
Num passado recente apresentamos algumas listas sindicais que não tiveram depois uma continuidade, um aproveitamento correcto dos elementos que despertaram e a sua organização própria.
Que os camaradas responsáveis apliquem uma linha que edifique solidas fracções sindicais, que dêem estabilidade e continuidade ao nosso trabalho sindical entre as massas.

2. A luta por nos metermos dentro da Contratação Colectiva, e por disputar a direcção aos traidores revisionistas

Outro dos objectivos fixados pelo Plano de Acção e Tarefa Central era tomar em mãos toda a contratação colectiva dos 35 Sindicatos principais.
Grandes ensinamentos poderemos retirar da participação activa do nosso núcleo do Material Eléctrico, desde a necessidade de actuar dentro do Sindicato, às Assembleias de fábrica, do papel do delegado sindical à necessidade da propaganda nos locais de trabalho ligada ao desenrolar do processo, da unidade das massas ao crescente isolamento das posições revisionistas, da apresentação de propostas à tomada da palavra nos Plenários Sindicais, toda essa rica experiência servirá para o avanço, para a aprendizagem e para a preparação dos nossos quadros dirigentes sindicais e para o alargamento da influência da nossa política e da nossa linha sindical.
Assume também grande significado que a alguns meses das eleições para o Sindicato dos Ferroviários do Centro, a célula da CP tenha deitado mãos à obra, ousado tomar a iniciativa, nota-se com os revisionistas apresentando aos ferroviários um PROJECTO DE ALTERAÇÃO DO ACORDO COLECTIVO DE TRABALHO.
Ainda relativo à Contratação participamos de uma forma organizada nos Plenários da Construção Civil que decretou greve no sector, apresentando aí uma proposta; tivemos um papel activo na greve da Marconi pelo seu ACT; participámos em reuniões gerais dos Metalúrgicos, Têxteis, Comércio, Químicos, Seguros; influenciámos ou dirigimos os Contratos das Agências de Viagens e o ACT dos TLP e da TAP; participámos dentro das nossas forças na luta pelo ACT dos CTT - no conjunto destes 2 meses operou-se grandes progressos e um novo ímpeto pelo trabalho sindical percorre todas as nossas fileiras.
Realizou-se o II Colectivo de Activistas Sindicais que constituiu um salto na aplicação da política e das decisões do Plano de Acção e revelou uma nova mobilização pelo trabalho nos Sindicatos.

IV - A LUTA PELA SALVAGUARDA DA AUTONOMIA DAS COMISSÕES DE TRABALHADORES, PRINCIPAL COM BATE TRAVADO NAS 100 GRAN­DES FABRICAS
A batalha das 100 grandes fábricas será necessariamente uma batalha prolongada, nestes 60 dias embora não se tenha conseguido alcançar os dois objectivos fixados para as 100 grandes fábricas e empresas - 1000 adesões e organizar uma célula, um núcleo ou um aderente em cada uma.
Acentuou-se a consolidação ao sector avançado, poucos passos na maioria das empresas e fábricas onde a nossa ligação é fraca, e bastantes dificuldades por entrar na parte onde o Partido não realizou ainda um trabalho entre os operários.
Será necessário redobrar de esforços, concentrar forças, realizar balanços para vencer as dificuldades e o atraso, adoptar meios e métodos no contacto e no trabalho de ligação, mais virado para as questões práticas e imediatas da fábrica.

1. As eleições, os programas e os estatutos para as C.T.s

A questão principal que ocupou um bom número de células de base das nossas fábricas foi o problema dos ESTATUTOS ou de ELEIÇÕES para as Comissões de Trabalhadores.

CTM
PCP - 898
PCTP – 586 (36,9%)
GDUP - 102

TAP
PPD - 2020
PS - 1345
PCP - 1165
PCTP – 209 (4,4%)

AUTOMÁTICA
PCP - 114 3
PS - 753
PCTP – 127 (6,2%)

BEIERSDORF
PCP - 112
PCTP – 86 (43,4%)

GRIS
PS - 143
PCP - 61
PCTP - 60

DGTT
PCTP – 183 (60,2%)
PCP - 85

OGME
PCP - 245
PS - 60
PCTP - 21

CAMBOURNAC
PS - 280
PCTP – 106 (27,4%)

MARCONI
PS - 327
PCP - 205
GDUP - 164
PCTP - 62

CAIXA GERAL DEPÓSITOS - Venceu a Lista de Frente Única

2. O significado do ataque à semana das 40 H nos Correios
Travaram-se ainda nas fábricas e empresas lutas importantes, sendo de realçar o significado do ataque às 40 horas nos CTT e a derrota temporária infligida aos trabalhadores aos Correios por toda a contra-revolução conluiada desde o governo dito socialista, aos revisionistas e à direcção sindical vendida.
O ataque às 40 horas semanais nos CTT é para o nosso Partido uma declaração de guerra, pois foi o único que se bateu por essa reivindicação da classe operária e o único que a incluiu no seu Programa.
Ao aumentar a jornada de trabalho nos Correios, a burguesia prepara as condições para atacar de seguida as restantes empresas e fábricas que conquistaram as 40 horas, passar de seguida ao aumento dos trabalhadores do sector de serviços, como o Comercio, Funcionários Públicos, Bancários e Seguros, para em seguida aumentar a jornada de trabalho aos operários.
Para resolver a crise à sua maneira a burguesia e os capitalistas precisam de acumular capital, intensificar a exploração, aumentar os ritmos de trabalho, dessa maneira não poderiam tolerar a semana das 40 horas.
O nosso Partido deve explicar à classe operária que ela deve lutar, resistir, defender a semana das 40 horas nos lugares onde foi conquistada, alargar a luta aos diversos sectores e não deixar-se isolar numa empresa ou num sector. Os trabalhadores vão lutar, os comunistas e o seu Partido Devem estar à sua frente, os nossos camaradas nos CTT devem pôr-se à cabeça da luta, isolar a direcção sindical vendida, centrar o ataque às medidas anti-populares do governo, saber ligar a defesa das 40 horas ao Acordo Colectivo de Trabalho.

V - A EXPULSÃO DA OPORTUNISTA TERESA É ÓBVIA VITORIA DA OFENSIVA POLÍTICA
A oportunista Teresa foi desmascarada no recurso duma aguda luta de classes no período da Campanha de Fundos do Povo para o Jornal da Verdade, aí ela revelou à luz do dia a sua verdadeira face de capitulacionista, de liquidadora e seguidora fiel de todos os renegados e traidores.
Anarquista e arrivista, nunca alterou os seus propósitos de mudar o Partido da classe operária por Dentro, minando-lhe os alicerces, travando batalhas para alterar-lhe o estilo de trabalho revolucionário proletário por um estilo burguês e revisionista, as concepções organizativas comunistas por concepções espontaneístas, o materialismo e uma filosofia de luta pelo idealismo e pela entrega ao grande capital, a análise da situação concreta e uma táctica de Partido, pelo subjectivismo e pela aventura radical, a luta ideológica activa pela paz podre e pelo deixa-andar.
Incapaz de resistir por mais tempo à pressão da situação das massas, à influência histórica do Congresso, à força da ofensiva política, a oportunista Teresa teve que se revelar como um elemento estranho às nossas fileiras, nelas se tendo infiltrado para usurpar cargos ao proletariado revolucionário.
O Comité Regional analisou o itinerário desta radical burguesa, a sua miserável cobardia, a sua salda pela porta baixa, a luta que quis travar com o Partido e decidiu expulsá-la para sempre das nossas fileiras.

VI - AS FINANÇAS DA REGIÃO

FEVEREIRO
QUOTAS - 58.400$00

DESPESAS
Salários de Profissionais - 63.500$00
Tipografia Regional - 6.100$00
Conservação e Obras - 2.569$70
Transportes - 1.340$00
Materiais - 2.237$30
Aparelho Legal – 7.500$00
Total - 83.247$00

MARÇO
QUOTAS - 107.357$50

DESPESAS
Salários de Profissionais - 73.000$00
Comissão Central de Fundos- 18.000$00
Tipografia Regional - 10.879$00
Conservação e Obras - 1.837$70
Materiais - 2.155$70
Transportes - 800$00
Aparelho Legal - 3.000$.00
Material de Escritório – 520$00
Materiais - 951$00

Total - 111.143$40

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