segunda-feira, 10 de abril de 2017

1977-04-00 - I CONFERENCIA DA ZONA ESTUDANTIL SERVIR O POVO DA UJCR - TEXTO Nº 1

TEXTO Nº 1

I CONFERENCIA DA ZONA ESTUDANTIL SERVIR O POVO DA UJCR
ABRIL DE 1977

BALANÇO BA ACTIVIDADE DO SEGUNDO PERÍODO
Com este texto não pretende o Conselho do Zona fazer uma profunda analise do trabalho realizado pela organização, apontando a origem dos nossos erros e qual o meio de os combatermos e transformarmos cada vez mais a UJCR, numa poderosa força no Movimento Estudantil — esse papel cabe, no fundamental, ao texto sobre a revolucionarização; com este texto, procuramos essencialmente contribuir para a discussão preparatória do Encontro de Zona referindo-nos as tarefas principais defenidas pela organização para vermos se, no essencial, foram cumpridas e apontar os principais entraves que encontramos.
1. No campo das lutas reivindicativas e dos processos referentes à legislação reaccionária do MEIC, podemos afirmar que a organização não se refez da confusão que se gerou  no 1º período em torno da luta contra o decreto de gestão. Notou-se assim, no 2º período o desenvolvimento de processos locais (por exemplo, em torno dos decretos de gestão, faltas, entradas e saídas dos estabelecimentos de ensino e direito de reunião e expressão) no entanto não conseguiram alcançar grande projecção e que estavam descoordenados entre si. Destes processos podemos destacar o que decorreu no PAV em torno da liberdade de expressão e reunião, que teve, como ponto alto um “meeting" com 300 estudantes, provando assim que onde há trabalho com um mínimo de persistência e virado para o esclarecimento das amplas massas estudantis, por intermédio do contacto directo com elas, mais facilmente elas se mobilizarão.
Quanto à gestão, neste período, o essencial da nossa actividade devia-se ter virado para as eleições de Conselhos Directivos e Conselhos Pedagógicos. Tanto umas como outras foram encaradas duma forma muito pouco entusiástica e com posições ambíguas; esta falta de empenhamento e hesitação verificadas decerto contribuírem para os maus resultados obtidos nessas eleições. A título de exemplo podemos referir o caso de uma escola; Liceu Nacional de Sintra) onde não apresentámos lista para o Conselho Pedagógico, por os nossos camaradas não se terem informado dos prazos eleitorais, deixando assim que só fascistas e revisionistas se candidatassem enquanto nós estávamos completamente fora do processo. Um outro exemplo a referir é o do liceu D. Pedro V onde, aquando das eleições para o CD, se tinha provado que manter-nos fora deste tipo de eleições só pode conduzir ao nosso isolamento; apesar disto, com a realização de eleições para o C. Pedagógico, posição idêntica foi tomada por nós o deixamos assim o campo aberto a que os reaccionárias transformassem o C.P. em mais um órgão seu. Este período, neste campo veio mais uma vez, demonstrar que não há frente de luta que possamos desprezar e que a tomada de posições aparentemente radicais nada mais é que a melhor forma de nos acomodarmos ao predomínio dos fascistas. Onde posições distintas foram tomadas os próprios resultados eleitorais o demonstraram: em Queluz, na Amadora e no Cacem, por exemplo há elementos progressistas nos C.P.s, o que poderá ser aproveitado por eles para se afirmarem como os reais defensores das aspirações estudantis. Quanto às eleições para os CDs, elas provaram-nos já o enorme grau de partidarização do Movimento Estudantil, a que nós não soubemos dar resposta, e que viria a ser também a principal causa aos resultados das eleições associativas.
No final deste período uma tarefa importante se nos colocava, mas que não veio a ser cumprida. Tratava-se da formação de CPDEs, para o lançamento da luta contra os despachos reaccionários referentes aos exames do ensino secundário ao acesso a universidade. Aqui, houve uma total incompreensão, na maioria dos casos da importância desta luta para o despoletar do Movimento Estudantil, noutros de como preparar correctamente o trabalho para motivar os estudantes para a criação das OPDEs quebrando a desconfiança nas suas forças que caracteriza o estado de consciência actual nas massas estudantis. Os resultados são concludentes, em nenhuma escola do Ensino Secundário de Lisboa existe OPDE e só num número muito reduzido se tentou cria-lo (liceus Passos Manuel, de Sintra e da Amadora).
A experiência do 2ª período lectivo, no campo dos processos contra a política do MEIC, ajuda-nos a concluir que os militantes da organização além de terem de compreender a importância política das tarefas (como já há bastante tempo tem vindo a ser apontado); tem de acabar definitivamente com a recusa a assumir o papel dirigente de todos os processos o que está ligado ao "medo” das massas e de lançar os processos em estrita ligação com elas, assim como têm de acabar com a incompreensão da importância da táctica e de como ela em cada escola se aplica, o que tem levado a que sejam raros as núcleos a preparar sistemática o concretamente a intervenção política na sua escola. Sem isto ser feito o que existirá será uma "compreensão; abstracta das tarefas; o dizemos abstracta porque a ela, os militantes não se sentem fortemente ligados nem se tem procurado de um modo justo e coordenado cumprir essas tarefas.
2. Como e evidente, impõe-se que também estudemos a situação do MA, a nossa intervenção no seu seio e os resultados das eleições associativos, o que está ligado ao essencial da nossa actividade pela implantação da democracia, nos escolas e pela criação das estruturas representativos dos estudantes.
Em relação à situação do MA, notou-se um nítido mau aproveitamento das estruturas que controlávamos, no sentido de alargarmos a nossa influência e do criar hábitos de organização democrática no seio dos estudantes. A título de exemplo, podemos ver: das escolas do Ensino Secundário de Lisboa, onde há militantes da UJCR, no período passado em 13 elas havia Executivo de Delegados de Turma, (ou estruturas semelhantes) dos quais 10 eram controlados por nós; agora só um número re­duzidíssimo tem actividade, procurando dinamizar as ADTs, afirmar-se no sentido de isolar a DAE fascista, e criar imprensa associativa Anti-Fascista. Em relação às secções associativas, continua-se a verificar um trabalho reduzido dos nossos militantes no seu seio. No entanto, houve já um aumento dessa actividade principalmente no campo desportivo e cultural, escolas houve onde foram organizadas secções sobre diversos temas. É de referir o caso do Liceu Gil Vicente onde se tornou uma iniciativa que pode dar bons frutos. A criação de um núcleo de banda desenhada. Contudo, a escola onde o nosso trabalho no MA está mais desenvolvido é sem, dúvida no liceu Passos Manuel, onde tem havido preocupação em lançar a organização associativa em todos os anos e no trabalho cultural e desportivo.
Quanto às eleições associativas, como é do conhecimento de todos os camaradas elas saldaram-se, em vitórias dos fascistas e, num número significativo de escolas, por maioria absoluta (ex: liceu de Sintra, Rainha D. Amélia, Pedro Nunes, Camões o D. Pedro V, para só nos referirmos a escolas onde há núcleos da UJCR).
Outras há onde, caso tivesse havido segunda volta, os fascistas teriam sido derrotados (por ex. liceu da Amadora em favor da EU”C” - ou na “escola" Técnica de Cacem - a nosso favor), ou, pelo menos, havia grandes possibilidades de tal suceder (como no liceu Passos Manuel).
A não realização de secundas voltas em escolas onde isso poderia ter evitado a vitória dos fascistas, deve-se quer a erros da nossa parte por não apresentarmos a proposta nesse sentido, quer por em alguns casos onde a apresentámos ela ter sido recusada.
Devemos realçar aqui a vitória revolucionária, obtida na escola Comercial Veiga Beirão; neste momento são duas as Direcções Associativas revolucionárias no Ensino Secundário de Lisboa - esta e a da Escola Fonseca Benevides.
Os resultados das eleições para as DAEs são o melhor ponto de referência para vermos o estado do ME. Em primeiro lugar comprovam-nos o elevado grau de partidarização em que este se encontra, em segundo lugar revelam grande repúdio dos estudantes para com a política do MEIC I; em terceiro lugar, fazem-nos aparecer em muitas escolas como a única alternativa aos fascistas, e em quarto lugar vem por a nu importantes erros da nossa parte. Estes, são no essencial, a falta de um trabalho profundo, planeado, controlado, clarividente e exercido no seio de cada turma, e com, o desprezo pela procura do máximo de unidade anti-fascista (o que levou, em certos casos, sectores de esquerda da JS a unirem-se aos revisionistas), a falta do trabalho quotidiano de desmascaramento os fascistas, a pequena demarcação em relação aos revisionistas, o facto de não ter sabido aproveitar as campanhas eleitorais para radicalizar a luta contra as medidas do MEIC e o facto de não termos sabido actuar de modo a que os estudantes se interessassem por ele e apoiassem aqueles que defendem de facto as suas aspirações. Ao cometermos estes erros não conseguimos evitar que os estudantes submetidos, pelo aparelho cultural e informativo da burguesia analisassem a sua revolta, face à política reaccionária do “PS" para uma alternativa ainda mais reaccionária - a do PPD o ao CDS.
3. Uma outra tarefa importante que havia a cumprir, e que estava também ligada à luta pela democracia nas escolas embora dum modo aparente indirecto, era a do lançamento de propaganda e campanhas políticas nas escolas. Assim, neste período houve um acréscimo da propaganda anti-fascista e a divulgação de processos como o do BRASIL, e o do Rui Gomes; no entanto foram raros os sítios onde essa propaganda tinha continuidade e estava submetida a um plano geral, o que levou a que iniciativas de maior envergadura, como sessões e exposições, fossem levadas a cabo num número insuficiente de escolas e sem o impacto necessário. Revelou-se pois a necessidade da planificação central das campanhas políticas para estas serem levadas a cabo, com a obtenção do máximo de frutos.
4. Relativamente ao papel desempenhado pelas várias organizações revolucionárias, no segundo período notou-se já a tendência para, dar a importância devida ao MUP (embora isso ainda não suceda nas escolas mais importantes. Assim apareceram GDUPs, por exemplo, nos liceus Gil Vicente e de Queluz; ao mesmo tempo mais GDUPs passaram a editar boletins e a propaganda sofreu um certo incremento; foi também neste segundo período que se realizaram 2 Plenário de activistas estudantis do MUP para a aprovação dum programa de acção e eleição da Comissão Auxiliar Estudantil da Comissão Distrital do MUP.
Em contrapartida, o MUP nas escolas manteve uma grande desorganização a nível central, muitos GDUPs não têm vida política, outros só teoricamente existem e um chegou até ao ponto de se dissolver (o do liceu Pedro Nunes). Estes factos não podem ser só atribuídos as forças pequeno-burguesas do MUP; têm também de ser atribuídos ao nosso mau trabalho, ao nosso desprezo pelo MUP e nalguns casos, ao nosso sectarismo para com elementos de ideologias diferentes da nossa, o que contraria frontalmente a táctica definida pelo Partido.
Quanto à relação entre o trabalho da UEDP e da UJCR, neste 2º período deram-se os passos que levaram a que de facto a UJCR passasse a ter o papel de direcção política. No entanto é necessário que a Direcção Regional da UEDP rectifique o seu trabalho, pois neste momento há núcleos da UEDP que estão completamente isolados por na sua escola não existir núcleo comunista. Além disto não foram asseguradas outras tarefas importantes pela UEDP como pagamento de quotas e a venda da "VP" em todas as escolas. Verificou-se, pois, que o facto de se ter passado a dar mais importância à afirmação da UJCR foi confundido com a paralisação da UEDP a todos os níveis quando tal ainda não se revelou como útil (se não já se teria assistido à sua dissolução).
Foi precisamente a nível da UJCR que se verificaram mais avanços neste 2º período. Desde a divisão do antigo Conselho de Zona Estudantil de Lisboa em dois (um para o ensino superior e médio, outro para o secundário) tem-se verificado uma boa expansão da nossa organização.
Quanto ao número de militantes, este mais que duplicou desde a divisão já referida (verifica a em 31 de Janeiro deste ano). O número de núcleos, assim como as escolas por eles abrangidas também aumentaram (aumento esse que é sensível se compararmos com o estado de organização no final do 1º período). Desde a divisão do antigo Conselho de Zona, também, foram criadas as condições para uma cada vez maior afirmação pública da organização, o que de facto se veio a verificar, assim como uma mais eficaz ligação do Conselho de Zona aos núcleos, apesar dos importantes avanços conseguidos não podemos deixar de referir erros importantes, que se verificaram principalmente ao nível dos métodos de trabalho como uma deficiente planificação do trabalho (o que levou por exemplo a uma má intervenção no processo de luta pela admissão no ensino superior) e um deficiente controle de execução de tarefas a todos os níveis. Estes erros no entanto serão mais aprofundados no texto sobre a revolucionarização.
Da nossa actividade do período lectivo que terminou antes das férias da pascoa devemos salientar a importância fundamental que teve a mudança de rumo que ela sofreu nos últimos meses e que fez com que a UJCR deixasse de ser uma organização praticamente estranha ao movimento estudantil. Hoje o sector estudantil da UJCR já não é composto por estruturas cuja "actividade" é a realização de reuniões de balanço de crítica e de auto-crítica onde se conclui sempre que temos muitos erros mas onde pouco se faz para alterar essa situação hoje, na nossa organização há a preocupação com a direcção do trabalho virado para os problemas das massas, hoje, a nossa organização já faz sentir o seu peso nas escolas do ensino secundário de LISBOA. No entanto, muito precisamos de alterar na nossa actividade, na qual se nota a falta de um trabalho profundo no seio das massas e de ligação a todos os seus problemas e não só às "grandes questões", pois, sem fazermos o movimento estudantil vitalizar-se ao longo de todas as pequenas batalhas, ele estará mais facilmente sujeito a derrotas nas grandes lutas.
Há pois, que ver que os avanços foram insuficientes. Rectificando o nosso trabalho no sentido apontado, levantando a organização associativa dos estudantes, afirmando o MUP nas escolas e fazendo com que a UJCR se torne vanguarda reconhecida da juventude também nas escolas técnicas e liceus, podemos estar certos de cumprir o nosso dever perante o Partido e a revolução e de seguir o lema que nos orienta; "SERVIR O POVO"

CONSELHO DE ZONA ESTUDANTIL "SERVIR O POVO DA UJCR

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