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domingo, 23 de abril de 2017

1977-04-00 - Boletim da FAPIR Nº 04

Três anos depois…

A 25 de Abril de 1974, com tanques e soldados nas ruas; o povo, ignorando os comunicados que o mandavam ficar em casa, veio para a rua e fez história; lado a lado com os soldados, libertou todos os presos políticos, caçou e prendeu pides, explodiu em cantos e danças pelas ruas e praças de todo o país.
Nesse dia, o povo, em muitos lugares deste país, tomou a história em mãos e imprimiu-lhe a sua velocidade. O regime fascista foi derrubado com a alegre violência que só o povo pode ter; patrões parasitas, os seus lacaios e bufos foram corridos das fábricas, empresas e escritórios, etc., etc...
O povo unido na luta avançou passos de gigante no caminho da sua libertação total. Criou as suas escolas de poder. O relógio da história corria estonteantemente.
Lado a lado com a luta política, a cultura popular explodiu: o povo criava cantigas e peças onde as suas lutas eram contadas e exaltadas. A força da unidade popular aí estava com todas as suas consequências.
Durante meses e meses, o 25 de Abril foi avançando por Portugal dentro, numa onda avassaladora que fazia tombar fascistas e tremer capitalistas.
Os inimigos do povo não ficaram, como é natural, parados. Contra-atacaram. Primeiro, metendo-se no meio do movimento popular, criando falsas divisões e verdadeiros oportunismos, depois desmobilizando e finalmente atacando abertamente.
Durante todo este tempo que fizeram os artistas e intelectuais?
Todos saíram para a rua com o povo em 25 de Abril. Alguns ficaram lá e lutaram, outros voltaram a recolher-se â sua concha, outros ainda tentaram encavalitar-se.
Quando a pró-FAPIR nasceu, em 3 de Novembro de 1975, já muita água tinha corrido debaixo das pontes da nossa revolução. Já tinha passado o grandioso momento da total unidade na luta; passara-se ao tempo da divisão acentuada, baseada em questões que, muitos hoje, ainda não saberemos explicar.
A pró-FAPIR foi fruto exclusivo da necessidade que sentimos de nos unirmos no essencial, para lutarmos, lado a lado, com o povo, contra os seus grandes inimigos, que víamos avançar por todo o lado. Vinte e dois dias depois era 25 de Novembro, dia do primeiro ataque em força ao 25 de Abril, que o Povo tinha feito nas ruas.
Nós, na pró-FAPIR, ainda não sabíamos muito bem como cimentar a nossa unidade; tínhamos apenas um grande desejo dela. Assim, com tropeções e avanços, aqui caindo, além saltando, fomos dando forma à FAPIR.
Hoje, três anos após o 25 de Abril, ano e meio após o 3 de Novembro, o que somos?
Ainda não somos a Grande Frente que teremos de ser nem a frente que poderíamos ser. Muitos artistas populares existem que ainda nem sequer nos conhecem; muitos intelectuais desejosos, como nós, de lutar contra o fascismo, e o imperialismo, ainda não estão aqui connosco, muitos apenas porque desconhecem o que verdadeiramente somos.
O Festival Popular do 25 de Abril, no Porto, é a primeira grande iniciativa unitária em que nos empenhamos. Não sendo a FAPIR responsável pela sua realização, terá de ser a FAPIR a melhor lutadora pela sua concretização. Se o conseguirmos, daremos um grande passo em frente na afirmação de que realmente a nossa vontade de unidade e luta é inabalável. O sectarismo levará uma grande machadada e a Grande Frente dos artistas e intelectuais, um impulso poderoso.
... E de hoje a um ano, este artigo será substancialmente diferente!

O Secretariado Nacional Provisório

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