sábado, 29 de abril de 2017

1972-04-29 - ABELHEIRA: ESCREVER DIREITO POR LINHAS TORTAS? - MRPP

ABELHEIRA:
ESCREVER DIREITO POR LINHAS TORTAS?

Decorridos quase quatro meses de encerramento da fábrica de papel da Abelheira, os credores começam a movimentar-se e a estudar qual o melhor processo de safar o capital que lá "enterraram".
Ainda no mês de Março teve lugar a primeira reunião destas sanguessugas, e que foi adiada a pedido dum “ilustre democrata”, grande defensor dos interesses do grupo explorador Champalimaud, o qual deu a entender que tinha surgido um forte capitalista interessado na aquisição da fábrica e que havia um grupo técnico a estudar as possibilidades de exploração da mesma. Perante tão sugestiva hipótese foi marcada nova reunião para o dia 9 de Abril do corrente ano.
No dia aprazado voltaram a reunir-se as sanguessugas, sabendo-se então que o interessado na aquisição da fábrica era o Banco de Fomento, os técnicos concluíram o que toda a gente sabia; onde se explora a força de trabalho os exploradores enriquecem!
Todavia e encetados que foram os contactos preliminares, o grupo capitalista do Banco de Fomento viu baldadas as suas tentativas para se apoderar da presa ensanguentada, pois que organismo do estado fascista se lhe opusera. Seguidamente a estas revelações uma sanguessuga do grupo da Cacia propôs o adiamento da reunião pois que os seus patrões estavam a estudar uma proposta para apresentarem.

PARA SAFAR O CAPITAL SÓ EXPLORANDO OS OPERÁRIOS!
O   significado destas ”peripécias” é bem claro, os grupos de credores digladiam-se entre si disputando a mesma presa. Cada qual move céu e terra procurando obter as indispensáveis influencias dos ministérios da camarilha marcelista a qual apoiará o grupo que mais dinheiro lhe meter nas unhas, já que em qualquer sociedade capitalista a corrupção é moeda corrente no aparelho de Estado burguês e em todas as suas instituições. Afastados os concorrentes menos poderosos, o combate travar-se-á entre os tubarões do Banco de Fomento e os jacarés do grupo Cacia. Ambos chegaram à mesma conclusão: arrebanhar a fábrica, pô-la em funcionamento e através duma exploração desenfreada que vão submeter os operários, que eles pensam ir encontrar muito agradecidos, recuperar o capital que lá têm encravado, multiplicando-o depois.
Torna-se assim possível a reabertura da fábrica de papel da Abelheira, mas será uma reabertura para a qual os operários e operárias contribuíram ou mesmo nada, a decisão pertence somente aos “senhores” do capital devido à fraqueza demonstrada pelos operários e operárias.

SE TIVESSE HAVIDO LUTA OUTRO GALO CAMARIA!
A dependência dos operários e operárias em relação aos tubarões e jacarés é o resultado da sua fraca combatividade, é o resultado da aplicação prática da linha revisionista que visa travar todas as lutas da classe operária assegurando a paz e a ordem da burguesia exploradora e a salvaguarda dos seus interesses. O processo culminou com a cedência do pagamento de quatro dias e todos os operários e operárias pelo Fundo de Desenvolvimento de mão-de-obra, reforçado pelo peditório efectuado por certos meios na órbita do partido revisionista, foi o primeiro e o segundo passo para aplacar a justa revolta dos operários e operárias da fábrica. A lógica destes lacaios é a seguinte: assegurar a sobrevivência dos operários e suas famílias através de esmolas, para impedir que eles se revoltem contra o poder do capital, contra a ditadura da burguesia, contra a exploração capitalista; estes lacaios negam a luta de classes e decreta a proibição da Revolução Proletária, visando manter o poder eterno do capital.
Se os operários e operárias da fábrica, de papel da Abelheira, tivessem lutado, se alem de outras coisas tivessem começado por vender o recheio da fábrica para fazer frente à fome, veríamos os tubarões capitalistas, correr apressadamente, para resolver o problema da abertura da fábrica, a fim de salvarem os frutos obtidos ao longo de muitos anos de exploração do proletariado.

O  Revisionismo - narcótico das lutas operarias
Desta forma a iniciativa pertenceria aos operários e só a eles pois os credores limitar-se-iam a ir a reboque. Não o entendem assim os revisionistas do P"C"P e então é vê-los a obter por portas travessas a manutenção da paz, da ordem e da legalidade da burguesia capitalista colonial-fascista que é a única beneficiada com tal política. E tanto assim é que não se importa mesmo nada que um dos seus organismos esteja a manter a base económica dos trabalhadores um tanto ou quanto à margem das leis por eles impostas, e como se isso não bastasse é o próprio partido revisionista que dá uma ajuda movendo influencias para organizar peditórios a fim de "socorrer os desgraçadinhos dos operários e operárias".
Em vez de elevar a consciência política e a combatividade dos operários, estes escroques da burguesia fazem precisamente o contrário: narcotizam as classes trabalhadoras procurando adormecê-las.
Quarto a nós sempre defendemos que os operários os e operárias da Abelheira deviam lutar, apontamos vários métodos de luta a levar à prática apelámos para a organização, desmascaramos o processo “legal” de luta (revisionista) dizendo claramente aonde ele iria conduzir, dissemos aos operários e operárias da Abelheira que poderiam contar com o nosso apoio incondicional desde que lutassem; nós entendemos que os operários não precisam nem querem nada disto. Eles precisam e querem lutar pelos seus interesses e necessitam de quem os guie a apoie durante a luta.
O 1º DE MAIO É DIA DE LUTA NA FÁBRICA E NA RUA
CAMARADAS
No 1º de Maio de 1896 a classe operaria do mundo inteiro uniu-se para travar um duro combate contra a fome, a miséria, a doença, e a exploração capitalista, a classe operária de todo o mundo lançou um ultimato aos capitalistas obrigando-os a reduzir a jornada de trabalho de 16 horas para 8 horas.
O aspecto fundamental da luta residiu na unidade indestrutível do proletariado mundial e no seu indomável espírito de luta. Neste dia os operários dos países socialistas (a Albânia e a Republica Popular da China) fazem grandes desfiles agitando rubras bandeiras ao vento, nestes países o 1º de Maio é um verdadeiro dia de festa para os operários e o povo, enquanto que nos países capitalistas, imperialistas e social-imperialistas, as manifestações dos operários e do povo são duramente reprimidas, pela repressão da burguesia exploradora. Se quisermos ser dignos daqueles que ao longo dos anos nos deram tão grande exemplo de unidade e combatividade, teremos de acabar com a repressão da burguesia para assinalar condignamente este dia que é um dia vitorioso da luta do proletariado pela emancipação da escravidão capitalista. Nos países capitalistas, imperialistas e social-imperialistas tendo por chefes de fila a camarilha revisionista de Brejnev, Kossiguine e compª, o 1º de Maio é um dia de luta, o 1º de Maio é um dia vermelho, é um dia de combate na fábrica e na rua.
Devemos recusar energicamente a droga revisionista e contribuir com as nossas lutas para que o MRPP, núcleo embrionário para a criação dum verdadeiro PARTIDO MARXISTA-LENINISTA PORTUGUÊS, se desenvolva mais rapidamente e crie as condições mínimas para o surgimento dum partido verdadeiramente revolucionário que conduza os proletários e o povo à conquista do PÃO, PAZ, TERRA, DEMOCRACIA, LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA NACIONAL.
Devemos recusar energicamente a droga revisionista que procura transformar o 1º de Maio num dia branco, dia de reaccionários e contra-revolucionários. Estes reles lacaios pretendem levar a classe a classe operaria a pedir à burguesia que conceda feriado no 1º de Maio. Estes esbirros querem assim desviar os operários das fábricas e das desviar os operários das fábricas e das ruas mete-los em casa para que a burguesia exploradora viva mais descansada e segura.
Nesta jornada de luta do proletariado português, os operários da fábrica de papel da Abelheira devem desenvolver a sua luta, devem começar por recusar as esmolas que lhes adormece a combatividade e defender os bens armazenados na fábrica e que foram produzidos pelas suas próprias mãos.
O 1º DE MAIO É DIA DE LUTA – recusemos esmolas!
O 1º DE MAIO É DIA DE LUTA – expropriemos o patrão!
O 1º DE MAIO É DIA DE LUTA – unamo-nos para vencer o inimigo de classe!
O 1º DE MAIO É VERMELHO – lutemos contra a exploração capitalista, o imperialismo, o colonialismo, o social-imperialismo, o revisionismo

COMITÉ DIRECTIVO DA ZONA ESTALINE DO MRPP

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