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segunda-feira, 24 de abril de 2017

1972-04-24 - Binómio Nº 50 - I Série - Associações de Estudantes - AE IST

EDITORIAL
O FEITO E O POR FAZER

A 4 de Novembro de 1964, surgiu o primeiro número do BINÓMIO, trazendo sob o seu cabeçalho, em vez da sigla "Por um ensino popular", a sigla: OS PROBLEMAS DO ESTUDANTE.
O aparecimento de um novo boletim, com um novo nome e novas características correspondia ao desenvolvimento que se vinha operando no Movimento Associativo desde as lutas estudantis de 1962.
Como se afirmava no seu primeiro editorial, o nome do novo boletim "não era devido a qualquer veneta inspirada de um qualquer dos seus colaboradores", mas ao facto de se pretender com ele contribuir para a resolução do problema que era o afastamento entre os dirigentes associativos e os estudantes do técnico. Problema traduzido no binómio que relaciona os dirigentes associativos com os estudantes.
Os problemas resultantes do tipo de ensino injectado aos estudantes, da má qualidade pedagógica dos professores, das formas de avaliação de conhecimentos, eram na sua maioria considerados como problemas menores a que se dava pouca importância e não mereciam a devida atenção dos que se diziam dirigentes associativos.
Contudo eram esses os problemas mais sentidos pela maioria dos estudantes e, como afirmava o editorial do BINÓMIO 1, “as pessoas nunca se negaram a resolver os seus problemas desde que os compreendam”.
Por isso foi colocada a resolução dos PROBLEMAS DOS ESTUDANTES e a clara explicitação das suas causas como a mais importante prioridade do trabalho associativo a desenvolver a partir daí no técnico.
For isso surgiu o BINÓMIO, um boletim que correspondia a essa prioridade do trabalho associativo. Através da divulgação dos problemas comuns dos estudantes do técnico, dos problemas dos estudantes de outras escolas, como portador de palavras de ordem que uniam os estudantes para a resolução desses problemas, através da explicitação e aprofundamento das causas desses problemas, o BINÓMIO transformou-se numa importante arma dos estudantes do técnico na luta pela defesa dos seus interesses.
Hoje surge o 50º número do BINÓMIO, trazendo sob o seu cabeçalho a sigla POR UM ENSINO POPULAR.
Ao longo destes 8 anos, o desenvolvimento do trabalho associativo mostrou que aquilo que fora colocado no editorial do primeiro binómio como a mais importante prioridade de trabalho das associações de estudantes, exprimia a própria finalidade do trabalho das associações de estudantes como organizações sindicais das massas estudantis. Ao longo destes 8 anos, o trabalho associativo no técnico seguiu diferentes orientações que na falta de perspectivas correctas não cumpriram efectivamente a finalidade do movimento sindical dos estudantes.
Hoje, a experiência do movimento associativo mostrou que na resolução dos PROBLEMAS DOS ESTUDANTES, a perspectiva a dar às suas acções, a perspectiva que permite a compreensão correcta da origem desses problemas é aquela que põe em evidência o facto dessas lutas se integrarem na luta por um ensino ao serviço da maioria da população portuguesa na luta POR UM ENSINO POPULAR.
O BINÓMIO contribuindo para a explicitação do carácter do Ensino, do carácter das pretensas reformas "democráticas" que lhe querem introduzir.

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