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domingo, 9 de abril de 2017

1972-04-00 - DOCUMENTO INTERNO Nº 1 - CLAC's

DOCUMENTO INTERNO Nº 1

TRABALHAR DURO E PERSEVERAR NA LUTA!

CLAC CENTELHA VERMELHA — COMITÉ DIRECTIVO DOS CLACs ESTUDANTIS
ABRIL DE 1972

 O POVO RASGA A LONGA E TENEBROSA NOITE COLONIAL!
Após os primeiros meses de agitação e propaganda anti-colonial impõe-se um tudo aprofundado do estado da luta, no sector estudantil, que permita uma correcta avaliação do verdadeiro avanço obtido durante as campanhas de Janeiro e Fevereiro.
Nesse sentido vamos partir da situação objectiva e subjectiva da luta anti-colonial em Dezembro de 1971, ou seja, imediatamente antes do começo da 1ª campanha de 1972 era por comparação com a situação da luta no final dessa campanha - em Março de 1972 - podermos apreciar o modo como foram cumpridas as nossas tarefas, quais os erros que cometemos em que medida foram alcançados os nossos objectivos.
É esta a base que nos permite avançar no nosso trabalho, avaliar os resultados dos nossos esforços, estudar a maneira de corrigir os erros cometidos e delinear os motivos tácticos a atingir na segunda campanha e as tarefas práticas que lhes corresponde.

1. SITUAÇÃO DA LUTA ANTI-COLONIAL EM DEZEMBRO DE 1971
(A). Situação objectiva.
A guerra colonial-imperialista é a arma a que a burguesia colonial-imperialista; portuguesa e os seus patrões internacionais tiveram de lançar mãos para poderem fazer face aos gloriosos movimentos de libertação nacional e às grandes e invencíveis, insurreições armadas dos povos de Angola, Guiné e Moçambique afim de poderem prolongar, por mais alguns anos de ladroeira, a dominação, a opressão e a exploração dos povos trabalhadores daquelas nações colonizadas.
A posse das colónias é absolutamente essencial à burguesia colonial-imperialista portuguesa para se manter como classe dominante na relação de forças que a opõe às classes trabalhadoras na sociedade portuguesa.
A posse de colónias é uma necessidade essencial da burguesia colonial-imperialista. Como território económico para aplicações altamente vantajosas dos "seus" capitais. Como fonte riquíssima de sobre-lucros provenientes da exploração colonial, fundamentais à sua acumulação de capital. Como fonte inesgotável de matérias primas a baixo preço (o domínio monopolista das fontes de maiorias-primas é uma condição histórica do imperialismo). Como mercado para o escoamento dos seus produtos.
A guerra colonial-imperialista, ao mesmo tempo que é essencial à burguesia arrasta consigo um conjunto de consequências a todos os níveis que a torram o nó de todas as contradições da sociedade portuguesa.
Ao nível económico, a guerra colonial-imperialista dificulta e entrava todo o processo de desenvolvimento. Pelas suas despesas, ela dificulta a acumulação privada e pública. Significando mais de 50% do orçamento público impede o Estado de desempenhar modernizador e impulsionador da recuperação e reconversão. Acumula um processo crescente de inflação e de agravamento geral do custo de vida. Acentua as condições de exploração das amplas massas trabalhadoras.
Ao nível político, a guerra colonial-imperialista agrava as contradições inerentes à classe dominante. A burguesia industrial vê a sua modernização dificultada por factores de vária ordem. Acentua a crescente dependência do imperialismo, que vem superar as carências de acumulação, apoderando-se doa sectores estratégicos da economia e lançando mãos dos ramos e zonas mais rentáveis.
A guerra colonial-imperialista, o descontentamento popular e a propaganda anti colonial crescente dos núcleos anti-colonialistas, contribuem para manter e agravar a repressão e o controle do parelho repressivo pela camada ultra-reaccionária colonial militar-fascista da burguesia portuguesa.
Ao nível do proletariado industrial, que se aglomera em duas ou três zonas de grande concentração industrial - zonas mais combativas e de maior consciência de classe - as despesas da guerra colonial-imperialista obrigam a uma crescente rigidez e a um controlo agravado dos salários, como forma de superar as deficiências da acumulação privada; obrigam a um fomento intensivo da “produtividade no trabalho” como forma de intensificar a exploração e de garantir a acumulação de capital privado, tendo como consequências o agravamento dos ritmos, cadências, horas extraordinárias, policiamento no trabalho, um aumento da mecanização e o aparecimento de crises de desemprego nos sectores em concentração e/ou mecanização, por exemplo, no sector industrial das conservas.
No campo acentuam-se a exploração dos camponeses pobres e pequenos proprietários e a proletarização de certas zonas do campesinato. Acentua-se a emigração e a incorporação aos jovens as fileiras do exército colonial-fascista. É no campo que a burguesia tem a sua principal fonte “carne para canhão” e onde encontra mais facilmente os veículos para a sua ideologia podre, racista e reaccionária e para o seu patrioteirismo.
Todo o processo decorrente da guerra colonial-imperialista agrava a pressão económica sobre a pequena burguesia urbana. A especulação do capital bancário com os terrenos, que faz aumentar desmedidamente as rendas das casas, o aumento contínuo dos preços, o agravamento constante do custo de vida, a intensificação da opressão, a violenta repressão e o alargamento das incorporações de jovens no exército colonial-fascista são condições que impelem inelutavelmente largas camadas da pequena burguesia urbana para as fileiras da luta anti-colonial.
O descontentamento de estudantes e intelectuais percute o autoritarismo e a opressão fascistas, a imposição das “reformas” da burguesia a toque de cacete, o carácter anti-científico e anti-popular de tal ensino, tudo isto agravado com a incorporação forçada de largas massas de estudantes e intelectuais à máquina de guerra da burguesia assassina, são condições que agravem e radicalizam a resistência estudantil e intelectual.
(B). Situação subjectiva.
Desde Fevereiro atá Dezembro de 1971 decorreu todo um período em que nenhum dos CLACs, que se formaram e desenvolveram trabalho para a manifestação anti-colonial de 19 de Fevereiro, conseguiu sobreviver.
Isto foi, fundamentalmente devido a:
1. à fraqueza do objectivo da sua constituição, ou seja, formaram-se para a manifestação anti-colonialista de 19 do Fevereiro o cumprida a sua missão desapareceram;
2. má assimilação do carácter unitário da luta anti-colonialista e anti-imperialista. Este não foi correctamente aplicado e deu origem ao aparecimento de algum sectarismo e algum estilo burocrático;
3. a não se ter sabido libertar as inesgotáveis energia e capacidade criadora das massas. Não se praticou no nosso trabalho uma justa linha de massas e um correcto estilo de trabalho.
4. ao estilo estereotipado de agitação e propaganda que não tinha geralmen­te em conta as características políticas do sector a que fundamentalmen­te se dirigiam;
5. à incapacidade dos organismos centrais do movimento anti-colonial para estimularem e manterem activa a agitação e propaganda dos organismos unitários.
Surgida em Outubro de 1971 a iniciativa da vanguarda organizada do proletariado para a criação de um forte poderoso e invencível Movimento Popular Anti-Colonial, logo se constituíram alguns CLACs que, munidos de um programa político concreto, passaram à prática da luta anti-colonial, enveredando decididamente por um novo estilo de trabalho.
E a seguinte a situação subjectiva da luta anti-colonial, no sector estudantil, em Dezembro de 1971:
(a)alguns CLACs desenvolvem na universidade agitação e propaganda contra o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista;
(b) formara-se os primeiros CLACs bairro;
(c) a agitação e propaganda é ainda incipiente, esporádica e de certo modo - limitando-se aos aspectos gerais da luta - aparece apenas em algumas escolas e não há agitação nos bairros;
(d) o grau de conspiratividade dos CIACs é ainda fraco, apesar do seu espírito combativo e ousado;
(e) o trabalho anti-colonial é ainda pouco profundo. O programa politico do MPA-C, era 4 pontos, é ainda pouco conhecido das, massas (sendo divulgado, nessa altura apenas pelo CLAC “Viva o Internacionalismo Proletário";
(f) A situação dos estudantes, especialmente os mais jovens, degrada-se dia a dia, e eles mostram uma predisposição cada vez maior para a luta. Entre a espada e a parede, ou seja, apertados entre a rigorosa selecção do ensino burguês, a falta de empregos, por um lado, e, a consciência da sua posição na sociedade, a violenta repressão e opressão, e a sinistra perspectiva da incorporação no exército colonial-fascista, por outro, as camadas estudantis mais conscientes sentem a necessidade de reagir à opressão que se lhes aperta à volta do pescoço e implacavelmente os asfixia. Basta uma centelha para incendiar toda a planície do seu descontentamento.
(g) A consciência politica das amplas massas do povo é ainda recuada em relação à sua consciência de classe. Pela sua inserção na produção pelo sofrimento das consequências a todos os níveis da guerra colonial-imperialista, as amplas massas populares adquirem consciência de classe, que só não encontra a correspondente consciência política, porque durante dezenas de anos se fez sentir a falta de uma verdadeira direcção proletária da luta.
A ausência de um trabalho politico anterior contra a guerra colonial imperialista junto das grandes massas do povo o domínio reaccionário, colonialista, neocolonialista e patrioteirista das poucas abordagens desta questão (ao nível das massas) e a intensa doutrinação fascista, chauvinista, racista e patrioteirista feita pela burguesia através de todos os meios e de todas as suas instituições, dificultam em grande medida o trabalho politico dos militantes anti-colonialistas nos bairros.
As massas populares, todavia, sentem nas suas próprias costas todo o peso da opressão e da exploração burguesas e, na sua própria carne, quanto custa ao povo a guerra colonial de agressão promovida pela burguesia têm disso consciência e estão em condições de assimilar a experiência do actual momento revolucionário. As condições nunca foram tão radiosas para o lançamento de um forte, impetuoso e triunfante Movimento Popular Anti-Colonial e de um amplo trabalho de educação política entre as amplas massas do povo português.

   2.     SITUAÇÃO DA LUTA ANTI-COLONIAL EM MARÇO DE 1972
  (A). Situação objectiva.
Há a notar algumas transformações importantes em relação à realidade de Dezembro de 1971.
A burguesia viu aumentar o seu pânico com o surgir de um amplo movimento político organizado contra o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista.
Após um primeiro período de surpresa, a burguesia tentou opor-se por todos os meios ao seu dispor à nova situação. Procurou, desse modo, colmatar ou reparar a intensidade dos golpes mortais nos centros nevrálgicos que a paralisam:
(a) intensificando a vigilância policial e "vomitando cá para fora todas as suas reservas de bufaria" e provocação pidesca;
(b) promovendo gigantescas operações stop de busca e tentativa de detecção da material, propaganda e militantes anti-colonialistas
(c) recorrendo a rusgas em determinadas zonas (urbanas ou operárias)
(d) tentando por todos os meios - no entanto cautelosamente — travar a expansão da agitação e propaganda anti-colonialistas.
Com todo o reforço da sua defensiva a burguesia procurou cometer o mínimo de erros. Procurou não evidenciar demasiado aos olhos do Povo a extraordinária quantidade de material repressivo e de "gado policial" que pôs em movimento nas suas manobras.
A burguesia promoveu a regulamentação dos desportos e artes marciais (escafandria, tiro, esgrima, judo, karaté, etc. etc.) tentando com essa manobra limitar o campo da preparação militar do Povo.
Fez decretar, através da sua Assembleia Nacional Fascista o "estado de subversão" e ataca no terreno onde os revolucionários recuam ou estão enfraquecidos, por exemplo, nas cooperativas, nos sindicatos fascistas, etc. e ocupa todos os espaça de luta que os revolucionários abandonam – ainda - que temporariamente - como, por exemplo, a agitação anti-colonial aos bairros.
No primeiro caso serve-se das suas forças repressivas, e no segundo dos seus meios de "informação" onde desenvolve grandes ofensivas ideológicas colonialistas racistas e patrioteiristas – caso do Angola Comittee e o café de Angola, caso das declarações do ministro dos estrangeiros da Dinamarca, caso do congresso anual da ANP, ida a Londres do Patrício, etc. etc.
(B). Situação subjectiva.
1. Bairros.
Após as intensas campanhas de agitação nos bairros, cujos efeitos foram assimilados lentamente, em silêncio, pelas massas, a situação tornou-se radiosa para a continuação do combate.
Durante a primeira campanha intensiva de agitação anti-colonial deste ano nem sempre foram aproveitados todos os efeitos políticos da agitação desenvolvida pelos CLAGs nos bairros, através de intensa propaganda desenvolvendo e aprofundando, de um modo coerente e completo, todas as palavras de ordem e todos os factos agitados.
As consequências, a todos os níveis, da guerra colonial-imperialista afectam cada vez mais largas massas dos povos aumenta o número de mortos, feridos e mutilados na guerra; é patente o crescente estado de degradação física e psíquica dos soldados e marinheiros que voltam das colónias; prosseguem o aumento desmesurado das rendas das casas, dos preços dos bens de primeira necessidade; intensificasse a opressão e a repressão nas fábricas, nos quartéis;  em todos os locais de trabalho o crescente policiamento e o aumento da exploração são patentes; aumenta a opressão politica e assiste-se a uma militarização da toda a sociedade etc.
Embora as grandes, massas ainda não o tenham mostrado abertamente, todo o povo se sente profundamente atingido pela guerra colonial-imperialista e todo o seu descontentamento pode ser reunido, "formando uma poderosa torrente que crescerá na medida do nosso trabalho de agitação, propaganda e organização no seu seio”.
Existem vários CLACs que desenvolvem trabalho político de agitação nos bairros, embora não estejam neles radicados. Este trabalho político está de acordo com o esforço de orientar a agitação e propaganda anti-colonialista na direcção do proletariado e demais classes trabalhadoras, saindo assim do campo estritamente estudantil e intelectual.
O programa político do MPA-C, em 4 pontos, foi levado às grandes massas através da agitação dos CLACs. Contudo, não o foi suficientemente o não é actualmente profundamente conhecido das amplas massas populares.
Após as amplas campanhas de agitação e propaganda, nota-se actualmente um abrandamento e mesmo uma paragem da agitação nos bairros. Isto não está a permitir que grande parte dos efeitos da agitação desenvolvida sejam aproveitados politicamente. Todavia, a burguesia não abrandou, antes a intensificou, a sua propaganda colonialista e ocupa o espaço de agitação conquistado pelos CLACs durante as campanhas de agitação intensa.
A aliança internacionalista militante que une o nosso povo e os povos oprimidos das colónias na luta contra o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista foi levada às grandes massas do povo português. Contudo, não o foram completamente denunciadas as "soluções" reaccionárias, colonialista e neo-colonialistas da questão colonial, nem a dominação, a opressão a exploração e a agressão armada aos povos oprimidos das colónias movidas pela burguesia colonial-imperialista portuguesa e os seus patrões internacionais.
2. Escolas.
A agitação e propaganda anti-colonial chegou a muitas escolas da universidade de Lisboa e a algumas escolas secundárias. Elas forem de grande amplitude e chegaram à grande massa dos estudantes. Entre estas estão agora popularizadas as palavras de ordem da luta anti-colonial e o programa político do MPA-C. Os CLACs gozam de grande prestígio entre as massas nas quais se encontram fortemente radicadas. Os sectores mais conscientes das massas estudantis foram amplamente mobilizados pela nossa agitação e propaganda e pedem-nos agora que continuemos a avançar.
O colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista foram amplamente denunciados na nossa empresa. Foram desnudados no seu carácter de classe. A guerra colonial-imperialista foi denunciada como o última e desesperada tentativa da burguesia colonial imperialista, para se manter como classe dominante. Foi dada alguma informação das gloriosas vitórias que os heróicos povos irmãos das colónias alcançaram sobre a burguesia colonial imperialista portuguesa e os seus patrões internacionais.
A aliança internacionalista militante entre o nosso povo e os povos coloniais foi, também na universidade, uma palavra de ordem do MPA-C levada ao conhecimento das grandes massas.
Com a ampla campanha de intensa agitação política foram lançadas, no essencial as bases de um poderoso MPA-C na universidade. Existe actualmente em muitas escolas um núcleo coeso de estudantes anti-colonialistas organizados em ClACs.
O revisionismo e o chauvinismo do P."C".P. foram desmascarados e isolados, no essencial, durante a luta anti-colonial nestes primeiros meses de 1972. Também as manobras divisionistas, oportunistas e arrivistas da gentalha do C”M-L".P. (ou P."C”.P. (“m-l")) para se tentarem aproveitar - para a sua sobrevivência política parasitária — do trabalho politico desenvolvido pelos CLACs e se apoderarem da direcção ao movimento foram oportunamente denunciadas como aquilo que de facto são; diversionistas, pidescas e provocatórias, ao colocarem-se ao lado da burguesia colonialista tentando introduzir-se, diversificar e cindir o movimento.
Muitos camaradas, porém, não compreendem a necessidade de isolar o oportunismo de não o admitir nas nossas fileiras e de o combater intransigentemente. Dai que apenas parcialmente se tivesse isolado o oportunismo e o arrivismo do C"ML"P e que este tente actualmente recuperar dos golpes que sofreu o seu arrivismo dizendo que ”de facto” não deviam "ter marcadora manifestação para o dia 19" e procurando novamente infiltrar-se nas nossas fileiras.

3. A CONSTRUÇÃO DE UM FORTE, IMPETUOSO E TRIUNFANTE MPA-C - tarefa central na actual fase da nossa luta - NECESSITA SER COMPLETADA, CONTINUA E CRESCENTEMENTE DE MODO CADA VEZ MAIS PERFEITO E COMPLETO, PELAS SEGUINTES TAREFAS REVOLUCIONÁRIAS ANTI-COLONIALISTAS:
a. Assumir uma atitude prática internacionalista na luta contra o colonialismo o imperialismo e a guerra colonial-imperialista, fazendo da palavra de ordem “Proletários de todos os países, povos e nações oprimidas do mundo, uni-vos” o centro da educação politica e ideológica de todos os nossos camaradas e a gloriosa bandeira vermelha do internacionalismo militante de todos os anti-colonialistas portugueses.
Para distinguir os verdadeiros anti-colonialistas dos oportunistas, dos chauvinistas e sociais-chauvinistas, dos colonialistas e dos neo-colonialistas, só há um critério seguro, um critério de verdade, a atitude prática que se toma em relação ao colonialismo e à guerra colonial-imperialista da burguesia portuguesa e dos seus patrões internacionais.
b. Desencadear um intransigente combate ideológico contra o chauvinismo, o patrioteirismo - principal veiculo ideológico dos interessas da burguesia no seio do proletariado e do povo. O chauvinismo, o patrioteirismo, o racismo e o paternalismo em relação aos "coitados dos indígenas” são as armas ideológicas da burguesia para veicular no seio do proletariado e do povos os seus interesses colonialistas. Eles ocultam o carácter de classe burguesa, da dominação, da opressão, da exploração colonial e da guerra colonial-imperialista e difundem a ignominiosa ficção de que os interesses do proletariado e demais classes trabalhadoras são os mesmos que os interesses coloniais da burguesia.
Nós podemos ser levados a pensar que o chauvinismo não contaminou profundamente o povo português. Isso seria um grave erro. Nas fileiras do exército colonial-fascista os jovens são constantemente assediados por uma autêntica lavagem ao cérebro. Os jornais, a rádio, a TV, o cinema, o teatro, os sindicatos fascistas, a igreja, a escola, etc. etc. são os meios de opressão e repressão ideológica de que a burguesia se serve para introduzir e difundir entre as massas populares - em particular o proletariado e os camponeses - o chauvinismo, o patrioteirismo, o racismo, e todas as manifestações da sua pútrida ideologia reaccionária.
Abaixo o chauvinismo! Viva o internacionalismo!
c. Travar uma decidida batalha contra o social-chauvinismo e o neo-social-chauvinismo. O social-chauvinismo e o neo-social-chauvinismo têm a mesma essência, natureza e conteúdo de classe: a diferença entre ambos é simplesmente formal e reside no facto de o neo-social-chauvinismo ser o social-patriotismo daqueles que — como a ralé do CM-L"P — gritam, todavia, abaixo o social-chauvinismo.
O social-chauvinismo — socialismo em palavras e patrioteirismo em actos do P"C"P e o neo-social-chauvinismo do C”M-L”P constituem, tanto uma como outra, uma corrente ideológica burguesa e as organizações que a difundem destacamentos políticos da burguesia, agentes desta classe no seu do movimento operário e principal pilar social dela. O patrioteirismo do popularucho do P"C"P é do C”M-L"P é, contudo, mais subtil do que o patrioteirismo da camarilha marcelista e, por isso, é mais eficaz na sua tarefa de enganar, mistificar e iludir o proletariado e o povo.
O combate ao chauvinismo da burguesia colonialista deve ser acompanhado e combinado com o combate ao social-chauvinismo nas suas múltiplas formar, sob pena de pouco se avançar na luta, ou de vermos a nossa retaguarda so­cavada pelo inimigo de classe infiltrado no seio do povo.
Abaixo o social-chauvinismo! Viva o internacionalismo!
d. Manter e ampliar constante e crescentemente a agitação e propaganda revolucionárias contra o colonialismo português, o imperialismo internacional o a guerra colonial-imperialista.
Desencadear periodicamente ou a propósito de acontecimentos relevantes intensas campanhas de agitação e propaganda por forma e educar as amplas massas populares, elevar o seu nível de consciência politica, uni-las e mobilizá-las para formas de luta crescentemente audazes.
A nossa agitação e propaganda política anti-colonialista e contra a guerra colonial-imperialista entre as massas populares deve ser alvo de uma atenção muito especial da nossa parte, quanto ao seu carácter e conteúdo essencial. O nosso objectivo é estabelecer e selar sobre o nosso povo e os povos irmãos das colónias uma aliança inabalável contra o inimigo comum com a finalidade de destruir, em primeiro lugar, o seu poder político.
Para destruir o poder político é sempre necessário, antes de tudo, criar a opinião pública e trabalhar no terreno ideológico, assim procedem as classes revolucionárias e também as classes contra-revolucionárias.
Para criar a opinião pública e trabalhar no terreno ideológico a agitação e propaganda revolucionárias desempenham um papel de enorme importância. Todas as manifestações da ideologia colonialista, neo-colonialista, imperialista e social-chauvinista, por mais ínfimas que seja e qualquer que seja a classe ou camada social em que se manifestem devem ser objecto da nossa atenção o do nosso combate.
Divulgar entre as amplas massas do povo português as linhas políticas dos movimentos populares de libertação das colónias e os sucessos que estão a obter nas suas guerras de emancipação, bem como popularizar e difundir junto das largas massas populares as palavras de ordem de combate contra o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista são duas das nossas tarefas mais importantes e às quais devemos dar todo o nosso esforço revolucionário.
Abaixo o colonialismo e a guerra colonial-imperialista!
Viva a grande, gloriosa e justa insurreição armada de libertação nacional dos povos oprimidos das colónias!
e. Unir e organizar todas as classes, camadas e elementos da população susceptíveis de serem unidas, na base do nosso programa político.
1. Lutar contra o colonialismo português, lacaio do imperialismo internacional, e contra a guerra colonial-imperialista de destruição rapina e genocídio dos povos oprimidos das colónias.
2. Apoio internacionalista activo e militante à grande, gloriosa e justa insurreição armada de libertação nacional dos povos oprimidos das colónias.
3. Defesa intransigente do direito inalienável dos povos oprimidos das colónias à, autodeterminação, à separação, a completa independência politica, económica e cultural.
4. Combate a todas as "soluções" "burguesas e reaccionárias, colonialistas e neo-colonialistas da questão colonial, tais como, as que se escondem sob as ideias de "referendum", “debate nacional", "negociações prévias".
Sem organização, todo o trabalho que se faça nos domínios da agitação e propaganda, da luta ideológica e politica, por mais correctamente que seja planeado e executado, por maior ardor entusiasmo e imaginação que os militantes anti-coloniais ponham na recolha das partículas de indignação popular, não conseguirão formar com elas senão uma fraca torrente, um pequeno caudal, um riacho. As partículas do descontentamento popular devem passar por um leito adequadamente organizado para que possam engrossar e, pouco  a pouco, formar um grande caudal, uma forte torrente, uma poderosa vaga vermelha que varrerá para sempre da face da nossa terra todos os escolhos do colonialismo, do imperialismo e da guerra colonial-imperialista.
Ousemos organizar as amplas massas populares e, em particular, as grandes massas estudantis!
5. Imprimir a todo o nosso trabalho de propaganda, agitação e organização políticos um carácter acutilante audaz e combativo.
As massas populares dispõem de um poder criador ilimitado. Elas podem organizar-se e marchar para todos os lugares e sectores de trabalho onde possam dar livre curso à sua energia. Nós devemos e podemos mobilizar e organizar as massas, não para as manter peadas, amarradas e travadas, mas para libertar toda a sua fantástica energia criadora, o seu inesgotável poder revolucionário o dirigi-las inteiras sobre o inimigo colonialista assomando-lhe golpes crescentemente demolidores até o destruir e aniquilar.
O colonialismo é um espantalho de palha. Na aparência os colonialistas são terríveis, mas na realidade não são assim tão poderosos. Vendo a longo prazo, não são os colonialistas fascistas mas sim o Povo quem e realmente poderoso. Contudo, o colonialismo, por mais velho que seja - como é o caso do colonialismo português - não abandona voluntariamente e de bom grado os campos onde implantou "o terror da passarada". O colonialismo não se esboroará por si mesmo; tem de ser combatido, atacado por todas as formas e destruído pela violência revolucionária dos povos.
Se fazemos propaganda e lançamos agitação, se vamos a todas as camadas da população susceptíveis de serem unidas e as organizamos é para a luta que o fazemos. Devemos lançar mãos de todas as formas de luta, recorrer a todos os meios e a todas as armas, combinando-as  correctamente, tendo presente o nível de consciência das massas e a sua disposição para o combate e a capacidade organizativa e politica para as conduzir à vitória.
Ousemos lutar, ousemos vencer!

4. NA PRIMEIRA CAMPANHA DE INTENSA AGITAÇÃO E PROPAGANDA ANTI-COLONIALISTA DE 1972 ERAM OS SEGUINTES OS OBJECTIVOS PARTICULARES A ATINGIR E AS CORRESPONDENTES TAREFAS REVOLUCIONÁRIAS:
 (1). Acelerar a construção do MPA-C através do lançamento de uma ampla e intensa campanha de agitação e propaganda anti-colonialista com o fim de educar as amplas massas populares, elevar o seu nível de consciência politica, uni-las e mobilizá-las para jornadas de luta anti-colonialistas.
(2). Divulgar o programa político do MPA-C entre as largas massas, em geral, o entre os estudantes, em particular, através de intensa agitação e propaganda.
(3) Aumentar o número de CIACs e de militantes anti-colonialistas no decorrer desta campanha de agitação intensa. Ao mesmo tempo que se fortaleciam a organização, a capacidade combativa, a ousadia, a imaginação, e a audácia dos CLACs já existentes.

5. TAREFAS REVOLUCIONÁRIAS REALIZADAS, COMO FOI ACELERADA A CONSTRUÇÃO DO MPA-C E EM QUE MEDIDA FORAM ALCANÇADOS OS OBJECTIVOS PARTICULARES DA 1ª CAMPANHA.
Durante a primeira campanha a de intensa; agitação e propaganda anti-colonial foi acelerada na prática a construção de um ferie e poderoso MPA-C. Neste período as tarefes centrais do Movimento não foram realizadas de um modo homogéneo. Umas foram-no mais correcta, adequada e completamente do que outras. Durante este período os CLACs:
(a) levantaram bem alto a grande bandeira vermelha do internacionalismo proletário ao assumirem uma atitude prática proletária e revolucionária em relação ao colonialismo, ao imperialismo e à guerra colonial-imperialista.
(b) denunciaram com costa profundidade o carácter chauvinista, colonialista, reaccionário e inimigo do Povo da ideologia patrioteirista da burguesia colonial-imperialista, que, oculta o carácter e o conteúdo de classe do colonialismo e da guerra colonial-imperialista.
(o) combateram com grande tenacidade, na sua imprensa, o social-chauvinismo em especial o patrioteirismo do P"C"P, bem como todas as "soluções" burguesas colonialistas e neo-colonialistas da questão colonial. Todavia, não lançaram um oportuno combate ao arrivismo e social-chauvinismo do C"M-L”P.
(d) realizaram com grande imaginação, audácia uma intensa e campanha de agitação e propaganda, que levou as palavras de ordem da luta anti-colonial do MPA-C às grandes massas populares da zona de Lisboa, cimentando solidamente os primeiros passos na verdadeira aliança internacionalista militante entre o nosso povo e os povos oprimidos das colónias.
(e) divulgaram amplamente o programa político do MPA-C na universidade e nos bairros; aqui, todavia, ainda de uma forma incipiente, esporádica e pouco profunda.
(f) mobilizaram toda a sua capacidade para esta ampla campanha, levando os seus esforços, em alguns domínios, acima das suas possibilidades.
No decorrer da campanha formaram-se outros CLACs e novos militantes vieram engrossar as fileiras anti-colonialistas. No entanto o número de militantes incorporados às nossas fileiras não foi tão elevado como poderia ter sido se se tivessem orientado esforços; adequados nesse sentido.
De um modo geral podemos dizer que, apesar de algumas deficiências importantes na agitação e propaganda e da falta de CLACs organizados nos bairros, os nossos objectivos foram atingidos e constituem uma importante vitória para o crescente Movimento Popular Anti-Colonial.

6. ALGUMAS TAREFAS NÃO FORAM REALIZADAS CONVENIENTEMENTE, O QUE ORIGINOU QUE OS NOSSOS OBJECTIVOS NÃO FOSSEM COMPLETAMENTE ATINGIDOS.
No decorrer da agitação e propaganda nos bairros urbanos e de concentração operária da cintura de Lisboa, não foram:
(a) denunciadas vivamente e em termos de luta de classes:
1. o chauvinismo, o racismo e o patrioteirismo da burguesia colonialista?
2. o social-chauvinismo e o patrioteirismo dos revisionistas e "liberais" burgueses.
(b) divulgado amplamente o programa político do MPA-C junto das grandes massas de modo a popularizá-los a torná-lo conhecido entre o povo.
(c) aproveitados os efeitos da agitação inscrita nos muros e paredes, nas tarjetas, e vinhetas distribuídas, através de propaganda, explicando as palavras de ordem lançadas e enquadrando-as politicamente.
(d) desenvolvidos os esforços essenciais à constituição de novos CLACs, organizando-os em vários ou em cada um dos bairros onde se fez agitação, de modo a aproveitar completamente os frutos da agitação e propaganda desenvolvida
(e) feitos os esforços necessários à continuação da agitação e propaganda nos bairros após o termo da campanha de intensa agitação, não compreendendo que apesar da campanha ter culminado com a manifestação anti-colonial de 25 de Fevereiro agitação e propagando nos bairros é de carácter constante e crescente.
Nas escolas também houve algumas tarefas que não foram convenientemente cumpridas.
(a) apenas na universidade e nas escolas médias havia CLACs, que desenvolviam agitação e propaganda, enquanto nas escolas secundárias e liceus a propaganda que lhes chegava era escassa ou nenhuma. Largas massas de estudantes mais jovens ficavam assim privados da agitação e propaganda anti-colonialista.
(b) a agitação anti-colonialista na universidade não foi tão profunda e intensa como poderia ter sido.
(o) o social-chauvinismo e o patrioteirismo dos revisionistas e “liberais” burgueses não foi combatido no seu carácter e conteúdo de classe de um modo suficientemente activo e profundo,
(d) o neo-social-chauvinismo o patrioteirismo, o arrivismo e o oportunismo da gentalha do C”ML”P não foi oportuna e eficientemente combatidos pela propaganda de todos os CLACs e, naqueles que os combateram, não o fizeram de um modo correcto, claro e consequente.
(e) o recrutamento de novos militantes e a formação de novos CLACs foram, de certo modo, descuidados nas escolas. Não se desenvolveram todos os esforços que seria possível para incorporar um grande número de novos militantes e a própria forma como é feito o recrutamento apresenta importantes deficiências.

7. COMETERAM-SE OS SEGUINTES ERROS POLÍTICOS E ORGANIZATIVOS RELEVANTES:
 (A) Na propaganda politica
Para além da geralmente má apresentação da propaganda, há a notar ainda os seguintes erros do seu conteúdo:
1. nos bairros apenas foram agitados e propagandeados apelos gerais;
2. não difundiu amplamente os 4 pontos em toda a propaganda;
3. não se assiste a uma diversificação do conteúdo da propaganda de um CLACs para outros;
4. não se antevê uma planificação na propagada, e no seu conteúdos;
5. não manteve uma isenção política em relação aos movimentos de libertação dos povos oprimidos das colónias;
6. não propagandeia amplamente as formidáveis vitórias dos povos das colónias na luta contra o colonialismo e o imperialismo;
7. não desenvolve combate ao social-chauvinismo nos bairros e ao neo-social-chauvinismo nas escolas.
(B) Na agitagao
No desenvolvimento da campanha de agitação houve vários erros cometidos. Alguns foram de certo modo graves, como, por exemplo, o facto de vários camaradas terem sido surpreendidos a fazer agitação, o que demonstra que não só foi feito um mau estudo dos locais dessa agitação, como não tiveram o cuidado de colocar vigias, é um erro igualmente importante o dos camaradas que não distribuem propaganda discretamente.
Muitos outros camaradas não se encontram muitas vezes munidos de álibis que justifiquem a sua presença nos locais de agitação ou nas suas imediações.
Em todo o trabalho de agitação - à semelhança do que passou com a propaganda – também se nota que ou não se planificou convenientemente o trabalho ou se programou não foi cumprida. Isso é também um erro importante a ser corrigido.
(C) Na segurança.
Muitos erros por falta de vigilância na segurança pessoal foram cometidos pelos nossos camaradas. Exposições desnecessárias em locais públicos, atrasos e falta da pontualidade por sistema foram erros abundantemente cometidos e que engendraram outros erros, como atrasos nas reuniões, aglomeração de contactos, obstáculos demasiado frequentes, descompartimentações, etc.
As descompartimentações são erros que podem, a mais ou menos longo prazo, por em perigo a vida da organização. Trata-se de um erro que alguns dos nossos camaradas cometeram. Em nenhuma situação a descompartimentação deve ser admitida nas nossas fileiras, a sua mínima manifestação deve ser activamente combatida até à liquidação desse erro, por completo.
(D) Na organização central.
A coordenação e direcção central da luta anti-colonial durante a campainha foi praticamente inexistente. Uma ausência de directivas, objectivos e tarefas determinadas foi o aspecto principal neste domínio. As suas principais consequências foram a má divisão das tarefas, o alcance de certo modo parcial dos nossos objectivos e as sérias deficiências na organização da manifestação.
(E) No estilo de trabalho.
Também no que se, refere ao estilo de trabalho há muitas deficiências que devem ser prontamente corrigidas.
Os CLACs não tem, de um modo geral, tomado em conta o estado de consciência das massas - tanto nas escolas como nos bairros - a sua disposição para o combate e, portanto, não têm realizado, a partir de um inquérito rigoroso da consciência política das massas e da sua disposição para a luta, um consciencioso trabalho de agitação e propaganda política que combine os apelos gerais da luta anti-colonial com os diversos problemas particulares da vida das massas. Isto tem dado origem ao aparecimento de um estilo estereotipado de agitação e propaganda que não tem em conta, de um modo geral, senão os aspectos gerais da luta, esquecendo as condições particulares em que essa luta se desenvolve.
Outra das deficiências do nosso trabalho é não termos sabido dar suficientes provas de um grande espírito de iniciativa, estando dentro da todas as lutas em cima de todos os acontecimentos para, com oportunidade, os explicar, aproveitar, denunciar e apelar para o combate, intervindo na luta a todos os níveis onde ela possa ser travada, não desprezando nenhuma oportunidade de agir por mínima que seja de atacar o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista.
A paragem da agitação e propaganda nos bairros e nas escolas, a que se assiste no fim da 1ª campanha de luta anti-colonialista deste ano, mostra um certo afastamento dos CLACs em relação à linha de massas e revela uma certa incapacidade dos militantes anti-colonialistas para manter uma estreita ligação às grandes massas de modo a assegurar um constante e crescente trabalho de agitação e propaganda nos bairros e nas escolas.
Saber, a todo o momento, quais são os problemas das massas, saber enquadra-los, explicá-los, um a um levantá-los e aproveitá-los apelando para o combate, é uma das bases da correcta ligação do geral ao particular e da estreita ligação às massas em todo o trabalho político do nosso Movimento.

II. FAÇAMOS DE UMA IMPORTANTE VITÓRIA A ESCOLA DE GRANDES VITÓRIAS!!

1. O NOSSO OBJECTIVO CENTRAL É CONSTRUIR UM FORTE E PODEROSO M.P.A.-C.
Todo o nosso esforço fundamental deve ser orientado para a construção do MPA-C. Devemos, por isso, executar sempre na prática da luta com ousadia, imaginação e audácia crescentes as tarefas fundamentais que completam aquela construção. Estas estão descritas com algum pormenor no ponto 1.3. do presente documento e com maior detalhe na directiva “GUERRA DO POVO À GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA”.
2. CONSTITUEM OBJECTIVOS PARTICULARES A ATINGIR, DURANTE A 2ª CAMPANHA INTENSIVA DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA ANTI-COLONIALISTA DE ACELERAÇÃO DA CONSTRUÇÃO DO MPAC OS SEGUINTES:
A intensificação da agitação e propaganda anti-colonialista nas escolas e nos bairros deve atingir os seguintes objectivos particulares.
(A). Principais.
1. corrigir os desvios da linha de massas, e os vários erros cometidos durante e apôs as primeira campanha.
2. o enraizamento de uma orientação ideológica consequente entre os militantes anti-colonialistas.
3. aproveitar os frutos da intensa agitação e propaganda desenvolvidas na primeira campanha, ampliando os seus efeitos com uma nova campanha por forma a educar as largas massas do povo, a elevar o seu nível de consciência política, uni-las para formas de luta cada vez mais audazes.
4. no campo estudantil da luta anti-colonial, alargar imediatamente a agitação e propaganda às escolas secundárias, e liceus, bem como a todas as escolas universitárias e médias onde ainda não exista agitação.
5. o enraizamento do trabalho de agitação e propaganda anti-colonialista nos bairros da cintura de Lisboa.
6. fortalecer e alargar o numero de CLACs e  de militantes anti-colonialistas durante o novo período de luta intensiva, nos bairros e nas escolas.
(B). Outros objectivos fundamentais.
A par do esforço desenvolvido na tarefa central do Movimento e no alcance, pela sua ordem de prioridade, dos objectivos particulares da campanha, devemos também tentar alcançar, pelo menos, os seguintes objectivos fundamentais:
1. difundir entre as largas, massas populares as linhas políticas dos movimentas do libertação dos povos oprimidos das colónias.
2. assegurar o abastecimento dos CLACs em matéria de informações da luta dos povos irmãos das colónias.
3. organizar todos os simpatizantes da luta anti-colonial e do MPA-C, que não desejem ou não estejam em condições de trabalha nos CLACs, em muitas e variadas formas de apoio à luta.
4. preparar as condições para a continuação da luta e intensificação do trabalho anti-colonialista durante o período de férias, no Verão, de modo a que não tenda a parar, como se verifica actualmente. Quando não existem estudantes nas escolas, concentremos todos os nossos esforços nos bairros!
5. criar núcleos anti-coloniais legais ou semi-legais de abordagem ou discussão do colonialismo, do imperialismo e da guerra colonial-imperialista. Organizar, partindo desses núcleos, colóquios e meetings, com larga participação, sobre a guerra colonial-imperialista, o colonialismo, a legislação militar, os mortos na guerra e o estado de destruição física e psíquica dos que voltam da guerra, etc. etc. numa palavra lançar e intensificar a luta legal contra a guerra colonial-imperialista!!
6. organizar círculos de apoio ao desenvolvimento da luta anti-colonial no seio das amplas massas populares, em geral, e das estudantis, em particular.
7. organizar bases de apoio à deserção.
8. etc. etc.

3. EIS AS NOSSAS TAREFAS REVOLUCIONÁRIAS NO DECORRER DA NOVA CAMPANHA!!!
(A) Políticas.
Para lograrmos obter êxito na nossa tarefa central de construção do MPA-C devemos realizar, na prática da luta, de um modo cada vez mais perfeito, completo e planificado, as tarefas fundamentais que a completam; corrigir os erros e desvios da linha de massas e acompanhar criticamente o desenrolar da luta e perseverar constantemente nos princípios da luta unitária.
A agitação e propaganda anti-colonialistas devem ter sempre um carácter constante e crescente, e devem intensificar-se especialmente por ocasião de campanha periódica ou de acontecimentos particulares. Não deve nunca em nenhuma situação desaparecer dos locais onde normalmente apareço. Deve sim aparecer com um ânimo redobrado no final de cada período intensivo.
Na correcção dos, erros políticos o organizativos, bem como na correcção do desvio da linha de massas, devemos todos fazer a súmula de toda a nossa prática anterior, estudar aprofundadamente a directiva “GUERRA DO POVO À GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA", comparar a prática, anterior dos CLACs com a linha política da directiva, tomar nota dos erros e desvios observados, do seu carácter e conteúdo de classe e corrigi-los imediatamente na prática da agitação e propaganda politica, anti-colonialista.
Para criar uma orientação ideológica coerente entre os militantes anti-colonialistas torna-se necessário um estudo aprofundado dos princípios da luta política unitária anti-colonial - condensados nos 4 pontos do programa do MPA-C; - e a sua aplicação e observação estritas na prática da luta. Qualquer desvio em relação aos princípios, qualquer pequeno indício da ideologia chauvinista, colonialista e patríoteirista deve ser imediatamente corrigido mediante o procedimento democrático da crítica e autocrítica.
Alguns efeitos da agitação e propaganda que se desenvolvem são sempre aproveitáveis passado o período quente da agitação. As palavras de ordem agitadas, inscrições nos muros e paredes são um exemplo desse tipo. Contudo, e de acordo com as circunstâncias particulares, poderá haver muitos outros aspectos da agitação que foram retidos pelas grandes massas e que necessitam de ser explicados, enquadrados e desenvolvidos através de propaganda.
As palavras de ordem do MPA-C e da luta anti-colonial; a denúncia do colonialismo da opressão, dominação e exploração coloniais, da guerra colonial-imperialista, as agressão, destruição e rapina e dos crimes da burguesia militar-colonial-fascista assassina; a divulgação do programa político do MPA-C; a divulgação dos programas políticos, das linhas políticas e das formidáveis vitórias alcançadas pelos povos das colónias e pelos seus movimentos de libertação; a divulgação do último ataque do PAIGC a Bissau ou da intensa campanha de agitação do MPLA no dia 4 de Fevereiro em Luanda; a ida a Londres do Patrício; a declaração do ministro dos estrangeiros da Dinamarca; o auxílio da NATO à burguesia colonial-imperialista e sua guerra colonial; a presença de tropas alemãs em Portugal, etc. são algumas das questões a propósito de cada uma das quais, e sob vários ângulos, se deve lançar intensa agitação no decorrer da nova campanha.
Agitação essa que deve ser acompanhada e enquadrada por intensa propaganda, na qual sejam aprofundadas, explicadas e desenvolvidas todas aquelas questões e todas as palavras de ordem agitadas, numa coerente e completa linha política e ideológica.
(B) Organizativa.
O alargamento do combate anti-colonial às escolas secundárias e aos liceus é uma questão fundamental. Ele é decisivo para o avanço da luta e todos os militantes anti-colonialistas devem compreender a sua importância e dedicar-lhe o melhor do seu esforço revolucionário.
Os estudantes das escolas secundárias e liceus contam-se pelas largas dezenas de milhar por todo o país. Eles representara uma imensa massa de estudantes jovens que são diariamente massacrados nas escolas pela pútrida ideologia racista, colonialista, chauvinista é patrioteirista da burguesia, fortemente policiados e reprimidos, a todos os níveis, no dia a dia. Por tudo isto e, também, pela sua juventude eles contém em si ilimitadas potencialidades revolucionárias.
Essa imensa massa de estudantes, especialmente os dos últimos anos, virá a ser integrada na produção ou incorporada ao exército colonial-fascista. Sendo que só uma pequena minoria dentre eles virá até aos institutos médios e até à universi­dade
Seria criminoso que não organizássemos estas várias massas de estudantes para a luta anti-colonial. Eles exigem que levemos até eles o combate e os conquistemos para as fileiras da luta popular anti-colonial. Devemos, pois, desenvolver o máximo esforço para incorporar, no mais breve prazo, às fileiras do MPA-C as vastas massas estudantis das escolas secundárias e liceus. Ampliar a agitação e propaganda contra o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista a essas escolas, imediatamente. Isto poderá ser feito quer estabelecendo vias de distribuição de folhas de agitação e propaganda, quer recrutando os jovens mais activos para os novos CLACs nessas escolas, quer ainda criando círculos de apoio ao desenvolvimento da luta anti-colonial no ensino secundário, etc. etc.

OUSEMOS ORGANIZAR AS VASTAS MASSAS DE JOVENS ESTUDANTES DAS ESCOLAS SECUNDÁRIAS E LICEUS, OUSEMOS VENCER O COLONIALISMO E O IMPERIALISMO TAMBÉM ENTRE AS CAMADAS MAIS JOVENS!
O enraizamento da luta anti-colonial nos bairros é um dos nossos principais objectivos a atingir - no domínio da organização - no decorrer da segunda campanha anti-colonialista.
A luta anti-colonial nos bairros é não só um dos quesitos essenciais da construção do MPA-C e um grande passo em frente na aliança internacionalista militante indeclinável entre o nosso povo e os povos oprimidos das colónias, na luta contra o inimigo comum; a burguesia colonial-imperialista portuguesa e os seus patrões internacionais; mas, também, uma forma de cimentar a unidade militante entre as várias classes, camadas e elementos da população portuguesa, com base ao programa político do MPAC.
Este enraizamento deve ser conseguido através de constante e crescente agitação e propaganda anti-colonialista, levada conscienciosamente à prática pelos CLACs, tendo sempre em conta os problemas concretos da vida das massas, a sua disposição para a luta e combinando-os com os apelos gerais do MPA-C.
O trabalho de agitação e propaganda nos bairros deve tender, todavia, para passar a ser, sempre que haja possibilidade, desenvolvido por novos CLACs surgidos e organizados nos próprios bairros. É nesse sentido que devemos caminhar.
COM MAIOR ATENÇÃO À AGITAÇÃO E PROPAGANDA NOS BAIRROS,
COM MAIOR PREOCUPAÇÃO COM A VIDA DAS MASSAS,
CONTINUAR ACTIVAMENTE O COMBATE!!!
Se observarmos atentamente tudo o que se passa à nossa volta, se inquirirmos diligentemente sobre o estado da luta anti-colonial entre as massas podemos conhecer o seu estado de consciência política e disposição para o combate!
Mobilizemos e recrutemos imediatamente para o trabalho politico todos os camaradas à nossa volta que defendam ideias minimamente correctas acerca da luta anti-colonial e mostrem desejo de levar à prática as palavras de ordem e o programa em 4 pontos do MPA-C. Se estes camaradas estão imediatamente em condições de começar a trabalhar na agitação e propaganda anti-colonial organizamo-los em CLACs. Se o não estiverem, organizemo-los em círculos e núcleos de apoio ao desenvolvimento da luta anti-colonial.
É nas fileiras do movimento revolucionário e na luta árdua que se fazem os revolucionários. Devemos ter isto sempre presente quando da criação de múltiplos núcleos e círculos de apoio ao desenvolvimento da luta anti-colonial. Nós devemos organizar activamente não só todas as pessoas que têm ideias e uma prática correctas na luta contra o colonialismo, mas sobretudo não desprezar nunca essa oportunidade, por mínima que seja, de organizar um camarada que tenha ideias minimamente correctas e possa vir a abraçar uma prática revolucionária na luta. No entanto, essa organização deve ser feita cuidadosamente e corresponder ao nível adequado à consciência política do camarada.
Os círculos do apoio ao desenvolvimento da luta são importantes centros de educação política de novos militantes anti-coloniais. À sua organização devemos dedicar um esforço constante e o melhor da nossa atenção.
ORGANIZEMOS DILIGENTEMENTE TODOS OS CAMARADAS À NOSSA. VOLTA!!!
Há ainda determinadas medidas organizativas que devem merecer imediatamente a nossa muito especial atenção: as tarefas organizativas dos próprios CLACs.
(a) Reforço da conspiratividade dos CLACs.
1. Reforçar as regras de conspiratividade, estudar pseudónimos e álibis
Observar estritamente o princípio da compartimentação e não permitir sua não observância em nenhuma situação é um método de assegurar grande conspiratividade ao CLAC. Esta pode ser ainda reforçada com o estudo de pseudónimos individuais e colectivos, bem como de álibis necessários à cobertura de toda Actividade clandestina do CLAC.
2. Reforçar as regras de segurança individuais e do próprio comité.
Estar continuamente vigilante quanto aos erros por liberalismo na segurança pessoal e do CLAC, controlar a situação da segurança de cada um dos camaradas, não ter em casa nada que possa comprometer politicamente (utilizar para isso uma casa de apoio) e o pouco que se tiver ter tudo junto pronto a evacuar e notar todas as transformações que se passam à nossa volta, eis, uma grande tarefa, de todos os militantes anti-colonialistas a todo o momento.
3. Discutir conscienciosa e aprofundadamente o comportamento na polícia.
Todo o combate politico tem os seus custos, as suas baixas. É um facto do dia a dia que, no decorrer da luta anti-colonial, um militante caia nas garras do inimigo colonialista. Aí, sozinho perante os esbirros da repressão burguesa, ele terá de continuar a luta, isolado, e de defender o Movimento contra os inimigos do Povo.
É nos momentos de baixas que assumem a sua real importância os erros cometidos por liberalismo no trabalho político o por não observância do princípio da compartimentação. Saber prever todas as situações possíveis e tomar as necessárias medidas organizativas face a cada uma delas é uma tarefa especialmente importante de cada CLACs.
 (b) Reforço da organização doa CLACs
1. Realizar, organizar e dirigir correctamente as reuniões.
Todos os militantes anti-colonialistas, organizados nos seus CLACs, devem discutir o sistema de organização das suas reuniões de trabalho. Estas podem ser periódicas ou realizarem-se de acordo com as necessidades do trabalho. Devem ser discutido a sua periodicidade, os locais onde se realizam (estes devem ser variados) e o método de fazer a rotação dos locais. Os métodos de direcção e condução de reuniões devem ser igualmente discutidos para que estas possam permitir tratar o máximo de questões no mínimo de tempo. Uma reunião deve realizar-se à hora prevista com antecedência (os militantes devera ser sempre pontuais) e nunca ser demasiado longa.
Uma reunião tem por fim da sua realização ou a discussão política de determinada questão, ou o estudo e planificação do trabalho do CLAC (todo o trabalho deve ser planificado), ou a execução do trabalho do comité, ou a discussão e critica das directivas centrais bem como, dos métodos mais adequados à sua aplicação. Nela se deve introduzir sempre o método de discussão politica voltada para a prática. Essa discussão pode constar da discussão de determinada questão política da discussão de um texto previamente estudado ou da leitura e discussão de um texto importante quer para o trabalho imediato do CLAC, quer para o seu robustecimento ideológico. A essa discussão deve geralmente ser reservada uma parte da reunião.
O CLAC é um organismo unitário. A sua unidade assenta na base dos princípios de luta unitária anti-colonial. A sua unidade assenta na plataforma de 4 pontos que constitui o programa político do MPA-C. A mínima manifestação da ideologia colonialista, chauvinista e patrioteirista da burguesia no seio de um CLAC deve desencadear imediatamente uma luta ideológica firme e intransigente nos princípios no seio desse CLAC com o fim de deve mediante o método democrático da crítica e auto-crítica, eliminar essa concepção errónea e reconduzir o CLAC a uma nova unidade, agora reforçada muna nova base.  
2. Aprimorar o aparelho técnico próprio.
Todo O CLAC deve estar sempre munido de um copiador manual ("maquineta”), tinta, papel de duplicador em quantidade suficiente, máquina de escrever própria, pastas de stencil, verniz, escantilhões, um estilete de desenho em stencil; e, eventualmente de tintas para pinturas de rua e de um carimbo de letras separáveis para agitação em locais públicos e para o fabrico de selos de agitação em fita kraft.
Cada CLAC deve ter sempre o seu aparelho técnico próprio guardado numa casa de apoio própria e sempre pronto a ser utilizado. Assim, cada CLAC deve velar por:
(a) o seu aparelho técnico esteja sempre pronto a funcionar;
(b) em caso de necessidade, tenha sempre uma capacidade de resposta imediata;
(c) possa assegurar em todas as situações a saída da sua agitação e propaganda próprias;
Cada CLAC deve ainda avaliar constantemente as suas necessidades e possibilidades de abastecimentos em material, planificar o abastecimento deste com alguma antecedência.
3. Organizar a recolha de fundos.
A recolha de fundos deve ser, geralmente de três espécies;
(a) recolha de fundos para o MPA-C;
(b) recolha de fundos para o CLAC;
(c) quotização dos militantes;
elas devem ser discutidas e planificadas pelos militantes de cada CLAC, que deverão notificar, os escalões centrais acerca de cada uma delas.
Normalmente alguns militantes anti-colonialistas são levados a pensar» erradamente, que a tarefa de recolha de fundos é um trabalho de somenos importância. Ao contrário do que estes, camaradas pensam a recolha de fundos é efectivamente uma tarefa fundamental à manutenção da luta clandestina. Sem fundos a luta clandestina não poderá desenvolver-se. Esta tarefa deverá, em todas as situações e em todos os momentos ser estritamente cumprida.
COMBATEMOS OUSADAMENTE O INIMIGO COLONIALISTA TAMBÉM NA FRENTE DA RECOLHA DE FUNDOS!!
     (d)  Estar vigilante e combater o burocratismo dos órgãos centrais.
No decorrer da última campanha de luta anti-colonial foi feita uma má aplicação do centralismo democrático. A centralização funcionou muito deficientemente, o mesmo se passando com a coordenação da luta e a democracia no seio da organização.
   Sob o sistema do centralismo democrático, os militantes anti-colonialistas gozam de uma ampla democracia e liberdade, de uma iniciativa e uma liberdade criadora muito grandes, ao mesmo tempo que se mantêm dentro dos limites da disciplina e directivas do Movimento.
Durante a primeira campanha fez o seu aparecimento nas nossas fileiras um certo burocratismo que impediu a libertação da inesgotável capacidade criadora das massas. Isso trousse ao nosso Movimento certa fraqueza e tibieza.
Torna-se, portanto, necessário corrigir a aplicação do centralismo democrático. Esta correcção deve, todavia, ser acompanhada por um incentivo à crítica por parte de todos os militantes e de todos os CLACs.
Todos os CLACs, e neles todos os militantes, devem estar sempre vigilantes contra a má aplicação do centralismo democrático por parte dos órgãos centrais, discutir e criticar todas as suas directivas, bem como decidir dos melhores métodos da sua aplicação ao seu sector particular e passar imediatamente à prática. Depois, apresentar os resultados das sua discussão, as suas críticas, e as suas decisões aos órgãos centrais, através do camarada controleiro de cada CLAC, que as fará seguir as vias orgânicas.
Cada CLAC deve ainda discutir e criticar os documentos dos outros CLACs, verificar em que medida estão de acordo com a orientação geral do MPA-C e apresentar resultados da sua discussão e as suas críticas aos outros CLACs e aos organismos centrais, seguindo sempre as vias orgânicas.
Cada camarada, cada CLAC deve apresentar sempre a todos os camaradas e aos orgãos contrais as suas iniciativas no campo da luta e da organização, para» se forem justas, passarem a ser aplicadas por maior número do CLACs e de militantes.
Há ainda duas recomendações que todos os camaradas devem tomar em conta.
Primeiro todos os CLACs devem fazer regularmente inquéritos na medida do possível junto das massas. Elaborar os seus planos e relatórios e dá-los a conhecer aos órgãos centrais. Em, segundo lugar, cada CLAC deve retirar de toda a sua agitação e propaganda 40 exemplares bem impressos para as necessidades dos outros CLACs e dos órgãos centrais.

III. APERFEIÇOEMOS O NOSSO ESTILO DE TRABALHO! PERSEVEREMOS FIRMEMENTE NOS PRINCÍPIOS DA LUTA UNITÁRIA ANTI-COLONIAL E PROSSIGAMOS DURAMENTE O COMBATE!
O estilo de trabalho que, de uma maneira geral, os CLACs desenvolveram, durante a primeira campanha anti-colonialista deste ano, apresentou algumas deficiências importantes que devem ser imediatamente corrigidas na luta.
Cada CLAC deve estar bem dentro de todas as lutas, em cima de todos os acontecimentos para os explicar, aproveitar, denunciar e apelar para o combate.
Deve inquirir sobre o passado e o presente de cada questão, problema ou politica antes de se lançar na sua resolução ou abordagem.
Deve saber interessar-se profundamente pela vida das massa, pelos seus problemas, conhecer as suas ideias, a sua consciência política, o seu ânimo e disposição para o combate. Cada militante anti-colonialista deve estar entre as massas como peixe na água e servir o Povo de todo o coração.
"Das massas, para as massas" deve ser o método de trabalho a adoptar por todos os militantes anti-coloniais.
Nós devemos unir solidamente todas as forcas do nosso Movimento na base dos princípios de organização e disciplina do centralismo democrático. Devemos unir-nos a todo o camarada que esteja disposto a observar o programa político e as decisões do Movimento Popular Anti-Colonial. Devemos precaver-nos contra todo o sectarismo nas nossas fileiras e sermos capazes de nos unirmos e do trabalharmos com a esmagadora maioria.
Devemos estar sempre vigilantes contra todo o oportunismo e todo o arrivismo nas nossas fileiras, desencadear contra eles um combate intransigente na base dos princípios e impedir que eles usurpem a direcção do Movimento, em qualquer dos escalões.
Cada militante deve dar o exemplo na aplicação do centralismo democrático, deve dominar o método de dirigir que se baseia no princípio "das massas para as massas" e cultivar um estilo democrático que lhe permita escutar as opiniões das massas.
Todo o militante anti-colonial deve ser modesto e prudente, guardar-se da arrogância e da precipitação. Estar penetrados do espírito de autocrítica e ter a coragem de corrigir as falhas e os erros no trabalho. Nunca deve encobrir os erros que tiver cometido, nem atribuir-se todos os méritos e lançar sobre os outros todas as culpas, à semelhança dos oportunistas.
Cada ligar deve saber ligar os apelos gerais e directivas do MPA-C às condições específicas da luta na sua escola, bairro zona ou sector ou ainda entre cada camada da população. Não deve desperdiçar nenhuma oportunidade de agir, por mínima que seja, a todos os níveis em que o colonialismo, o imperialismo e a guerra colonial-imperialista possam ser atacados.
Ousemos atacar o inimigo colonialista nos pontos nevrálgicos que o paralisam! Trabalhemos duro e perseveremos na árdua luta anti-colonial!
OUSAMOS COMEÇAR, OUSAREMOS TRIUNFAR!!!
ABAIXO A GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!!!
VIVA A GRANDE GLORIOSA E JUSTA INSURREIÇÃO ARMADA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL DOS POVOS OPRIMIDOS DAS COLÓNIAS!!!
GUERRA DO POVO À GUERRA COLONIAL-IMPERIALISTA!!!
VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!!!
VIVA O MOVIMENTO POPULAR ANTI-COLONIAL (MPA-C)!!!
VIVA A RESISTÊNCIA POPULAR ANTI-COLONIAL (RPA-C)!!!
VIVAM OS CLACS!!!

CMC "CENTELHA VERMELHA"
Comité Directivo dos CLACs Estudantis

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