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quarta-feira, 12 de abril de 2017

1972-02-00 - O Bolchevista Nº 09 - CML de P

EDITORIAL
OS EFEITOS DE UMA PROVOCAÇÃO DE NOVO ESTILO
- Aos bolchevistas portugueses.
- Aos proletários e massas trabalhadoras de Portugal.

Camaradas:
Por de pé, estruturar e cimentar com a flexibilidade e a rigidez do aço uma organização marxista-leninista que tem por fim a reconstrução do Partido do Proletariado, o Partido Comunista, não é tarefa fácil em nenhumas circunstâncias de ditadura da burguesia (mascarada ou não de “popular”, como no caso da Rússia e dos estados colónias da Europa), e especialmente nas condições concretas que caracterizam o poder burguês em Portugal. As necessidades de evitar os golpes do fascismo, tão pesadas para os revolucionários, pelo que implicam de atrasos no processo organizativo, constituem todavia uma das facetas da formação comunista de quem escolheu o combate pela Revolução Democrática Popular, única via para a construção da sociedade socialista e para o esmagamento da burguesia. Não são nada com que os comunistas não contavam já à partida, são a face presente do inimigo principal.
O próprio desenrolar da luta politica, as suas fases e apoios, fazem saltar ao caminho novas forças que a burguesia mantivera até então imobilizadas. É assim que sectores inicialmente dispostos a enfrentar o fascismo vêm mais adiante alinhar com ele para travar o passo à vitoriosa marcha da revolução mal se apercebem que ela está a ser levada a sério. É o caso dos novos revisionistas.
Até aqui porem os comunistas previam e para tal tomaram duplas precauções, fizeram duplos sacrifícios, realizaram redobrados esforços, lutando para impedir um só passo atrás que fosse no trabalho político e na marcha das forças revolucionárias.
O que os comunistas não previam – e com sinceridade o confessam! – era que indivíduos que se diziam marxistas-leninistas, comunistas portanto era de que laboravam em erro quanto às formas e desenvolvimento da Revolução em Portugal em virtude de um afastamento de anos de da realidade concreta do Povo Português), organizados à parte, mas dado como objectivos que se apresentavam como comuns, objectivos de modo de vir a ser esmagados pelas novas forças do Proletariado, puseram mão de processos digamos de verdadeiros contra-revolucionários: a crítica pessoal e deturpadora da verdade, a denúncia policial, a insinuação insidiosa e a publicidade oral e mesmo impressa de social-fascistas e de cujo conhecimento obtiveram em virtude dos nossos esforços iniciais para a discussão fraterna de modo a impedir a dispersão de esforços e organizações com objectivos comuns.
Tais processos, elementos utilizados contra outras organizações revolucionárias, não obtiveram o fim desejado; os cuidados conspirativos e as preocupações com a segurança que sempre colocamos em primeiro lugar permitiram-nos colocar a salvo tudo quanto pudesse ser atacado e furtar assim a organização às investidas da polícia.
Não foi entretanto possível conservar tudo sem ceder alguma coisa. E houve um ceder do ritmo de saída de publicações. Pela segunda vez – e sempre devido à influência perturbadora dos mesmos pseudo-comunistas que agora se desmascararam – as publicações d’“O Bolchevista” sofreram um atraso. O primeiro verificou-se entre o 1º e o 2º números, enquanto esgotávamos as tentativas para conversações unitárias que foram rejeitadas. O segundo verifica-se agora, em resultado das modificações que fomos obrigados a introduzir e que não conseguimos evitar que tivessem seu reflexo. O presente número sai com data de Fevereiro/Março/Abril, trimestre portanto, e com um atraso considerável. Do facto vos pedimos desculpa. Desconhecemos mesmo que também nós caber culpas. Pelo menos a de um certo excesso de confiança naqueles que se dizem marxistas-leninistas recusando-se a participar activamente na luta onde ela se desenrola: dentro do País.
Procuramos extrair daí as devidas lições, ao mesmo tempo que lançamos o nosso aviso a este tipo de provocadores do movimento comunista: Tende cuidado! Não se metam em novos cometimentos, ao menos sem pensar antes duas vezes! Não julguem que podem prosseguir impunemente. A nossa paciência chegou mesmo ao fim. Repetimos agora claramente para vós: Lembrem-se de Mário Mateus!
A vós camaradas a quem nos dirigimos em primeiro lugar, prometemos firmemente evitar que novos casos deste ou de outro género venham afectar o nosso trabalho e que deixe de vos chegar com a pontualidade habitual a nossa imprensa.
A partir de agora, e até ao limite das nossas possibilidades, o ritmo das publicações não será mais alterado por motivos contra a nossa vontade.
O próximo número de “O Bolchevista” sairá com a data normal, serão retomadas imediatamente as edições “Folhetos Vermelhos”, do “Jornal do Militante” e de outras edições do Comité com o seu ritmo anterior.
Temos a exacta noção de que conta, para além do conteúdo político e ideológico, manter a maior pontualidade e actualidade na distribuição da propaganda e mais assuntos nela versados. Sabemos bem que a seriedade e a disciplina do proletariado não se compadecem com processos espontaneístas, ao sabor da corrente, com sistemas artesanais de encarar o papel da imprensa revolucionária. Essa nossa consciência e disciplina proletária, constituem a nossa força principal. Por isso este assunto tem para nós uma excepcional importância.
Erguemos convosco a nossa voz na palavra de ordem principal do momento:
“Todos os esforços e em todos os campos de luta virados para a reconstrução do Partido Comunista de Portugal!”

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