quarta-feira, 22 de março de 2017

1977-03-22 - PARA NÃO MORRERMOS À FOME LUTEMOS PELA SAÍDA DOS CONTRATOS! - PCP(R)

PARA NÃO MORRERMOS À FOME LUTEMOS PELA SAÍDA DOS CONTRATOS!

- os ricos que em o crise!

À CLASSE OPERÁRIA AO POVO TRABALHADOR

CONTRA O AUMENTO DO CUSTO DE VIDA
 A subida constante do custo de vida vem reduzindo cada vez mais o nosso poder de compra e os nossos salários reais: esta é uma verdade contra a qual nada podem os discursos demagógicos dos senhores do governo e de outros figurões que se dizem nossos defensores e amigas. Daí que a nossa luta pela saída imediata dos novos C.C.T.V., que, façam face à desvalorização dos nossos salários, não pode ser entravada nem pelo governo dos patrões nem pela conversa mele das C.N.S. (Comissões Negociadoras Sindicais; ou de dirigentes sindicais habituados à vida cómoda dos gabinetes com ar condicionado.
ALERTA, CAMARADAS AS C.N.S. NÃO ESTÃO A DEFENDER OS NOSSOS INTERESSES!
Camaradas,
as C.N.S, vêm dizendo que as negociações se arrastam por serem "alvo de ataque por parte das forças do patronato que contam com a cumplicidade do governo" (do comunicado da C.N.S. da Construção Civil, de 17-3-77).
Isso e verdade! O governo do dr. Soares é um governo vendido aos grandes patrões. Mas devemos lembrar "que os C.C.T. da Construção Civil, Metalúrgicos e doutros sectores, vêm ainda do tempo do Caetano. Face a isto, perguntamos:
-  tinha o patronato a cumplicidade dos IV e V governos provisórios?
- tinha o patronato a cumplicidade do sr. ministro Costa Martins, que nos apresentavam como defensor dos trabalhadores?
- se não tinha, porque é que esses governos (que se diziam dos trabalhadores) e esse Ministro do Trabalho não obrigaram o patronato a assinar os nossos Contratos?
- porque foi que as C.N.S., tendo governos e ministros ditos dos trabalhadores, em vez de se esforçarem para que fossem assinados os nessas Contratos, nos mandaram para a “batalha da produção", fazendo-nos crer que já estávamos a construir o socialismo?
São estas mesmas C.N.S., que nos andaram a iludir com a "batalha da produção" quando haviam melhores condições para conquistarmos a assinatura dos nossos C.C.T.V., que nos vem agora dizer que a situação não é propícia para a agudização das lutas.
As situações mudam - e o palavreado também - mas se nos lembrarmos o que tem sido a nossa caminhada depois do 25 de Abril, vemos que uma coisa não mudou: quando a classe operária e o povo trabalhador se lançam na luta pela defesa dos seus interesses, são sempre as mesmas vozes a levantaram-se contra nós. Ontem, no tempo da ”batalha da produção”, acusavam-nos de fazermos o “jogo da reacção". Hoje, que assistimos à recuperação descarada dos grandes capitalistas e sentimos na carne o aumento da nossa miséria, dizem-nos que não devemos agudizar as lutas pela melhoria das nossas condições de vida, porque desestabilizamos a "economia nacional”. A conclusão a tirar de tudo isto só pode ser uma:
NÃO QUEREM QUE LUTEMOS CONTRA OS CAPITALISTAS PARA NÃO LHES REDUZIRMOS OS LUCROS!
Quando a classe operária e os trabalhadores de outros sectores já mostraram claramente, em dezenas de plenários realizados por todo o País, estarem dispostos a irem para a luta, que nos vem dizer os burocratas que tomaram a maior parte das direcções dos sindicatos?
-  Num plenário realizado em Setúbal, na tarde da paralisação da Construção Civil, um dirigente do Sindicato tem o descaramento de "informar" os delegados que a "Presidência da República está muito interessada em resolver o nosso problema".
-  Na Assembleia Geral dos Metalúrgicos do Alentejo, realizada em Évora no passado dia 12, na análise feita aos 2 anos do seu mandato, o sr. João Paulo, dirigente deste Sindicato, afirma que "tivemos o pássaro na não, mas não o soubemos agarrar" - referindo que "tivemos camaradas nomeados para Secretárias de Estado e Ministros" - mas não tem uma palavra para informar dos resultados da paralisação nacional dessa semana nem dá uma perspectiva para sairmos deste impasse nas negociações do Contrato.
-  No plenário de delegadas sindicais da Construção Civil realizado em Beja no dia 13 o sr. Augusto da S. Antunes, Presidente do Sindicato da Construção Civil do Alentejo, afirma que a C.N.S. está farta de trabalhar e que devíamos ter toda a confiança nela, enquanto na opinião de todos os delegados presentes - opinião já antes manifestada no Plenário da tarde da paralisação - a C.N.S. não lhes merece qualquer confiança, tendo aprovado por unanimidade um voto de desconfiança a esta Comissão.
Perante todos estes exemplos, ternas de ser claros:
- Desde quando o, sr. Presidente da República, candidato dos fascistas do P.P.D. e do C.D.S., aplaudido pelos grandes tubarões capitalistas e homem de confiança dos imperialistas americanos, está interessado em resolver os problemas dos trabalhadores?
- Em que tempo é que o sr. João Paulo viu os trabalhadores no poder e o aparelho de Estado da burguesia desmantelado, com tudo aquilo que o mantém de pé (Forças Armadas, G.N.R., P.S.P., Tribunais; etc.), para dizer que "tivemos o pássaro na mão"?
- Quando viu o sr. Augusto da S. Antunes a C.N.S. apoiar-se na força de luta dos trabalhadores para obrigar o patronato a satisfazer as suas reivindicações, em vez de se servir destes para tentar meter nos governos alguns homens do partido que serve: o partido do burguês e falso comunista, dr. Cunhal?
A CLASSE OPERÁRIA E O POVO TRABALHADOR LUTARÃO ATÉ AO FIM CONTRA OS PATRÕES!
Apesar das suas palavras contra a recuperação capitalista, o que nos vemos é que as C.N.S. e uma grande parte das direcções sindicais nada fazem para a travar. Amolecem a vontade de luta dos trabalhadores e conciliam com o patronato.
A classe operária e o povo trabalhador, guiados pelo velho P.C.P., travaram grandes lutas contra o patronato reaccionário e os seus governos fascistas. Ultimamente, dezenas e dezenas de lutas exemplares mostram que só por este processo conseguiremos fazer vergar os grandes patrões e os seus governos- São os exemplos que nos dão os operários da Construção Civil da Madeira e os pescadores,
Os comunistas do P.C.P.(R.), continuadores das gloriosas tradições da luta do velho P.C.P., têm lutado e sempre lutarão ao lado da classe operária e do povo trabalhador contra o patronato e seus governos e contra os que, dizendo-se nossos amigos - falsos comunistas e falsos socialistas - nos atraiçoam em cada oportunidade.
Assim, propomo-nos lutar sem tréguas, ao lado da classe operária, e do povo trabalhador e explorado:
- PELA SAÍDA IMEDIATA DE TODOS OS CONTRATOS COLECTIVOS DE TRABALHO!
Atendendo a que as tabelas salariais propostas nos Contratos já estão desactualizadas em relação ao aumento do custo de vida, exijamos:
- SAÍDA DE NOVAS TABELAS SALARIAIS DENTRO DE UM PRAZO MÁXIMO DE 90 DIAS!
- PELO PAGAMENTO INTEGRAL DOS RETROACTIVOS SEM CEDÊNCIAS AO PATRONATO!
      Se estas reivindicações não forem satisfeitas, tomemos como exemplo a firmeza da luta dos pescadores, declarando GREVE TOTAL até os patrões cederem.
A nossa força é a nossa unidade e organização., Por isso as nossas vitórias e derrotas dependem também daqueles que nos representam nas direcções dos sindicatos - lá, devem estar apenas camaradas que não traiam as nossas lutas nem conciliem com os patrões.
- CONTRA OS CONTRATOS A PRAZO E OS DESPEDIMENTOS, CONTRATOS COLECTIVOS VERTICAIS CÁ PARA FORA!
- OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!
- VIVA A UNIDADE DA CLASSE OPERARIA E DO POVO TRABALHADOR!

22-3-77
CÉLULA "PUNHO DE AÇO" do P.C.P.(R)
Partido Comunista Português (RECONSTRUÍDO)

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