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terça-feira, 21 de março de 2017

1977-03-21 - Improp Nº 24 - III Série - Movimento Estudantil

AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS
É URGENTE UMA TOMADA DE POSIÇÃO

A portaria do MEIC sobre a avaliação foi o pretexto para o agravar das condições pedagógicas da nossa escola. Diversos professores, aproveitando o seu conteúdo, começaram já a não respeitar as decisões tomadas em Assembleia Plenária e nas reuniões de cadeira e observamos em algumas cadeiras, tentativas no sentido de acabar definitivamente com o trabalho em grupo e de agravar a selecção dos alunos. Num balanço, ainda incompleto, deste período de avaliação de conhecimentos, acumulam-se os casos de não cumprimento das decisões da escola, constata-se sobretudo a existência de um movimento no sentido da reinstalação do autoritarismo nas relações entre professores e alunos.
A portaria do MEIC sobre a avaliação de conhecimentos veio reintroduzir a classificação de 0 a 20. Com tal medida pretende-se aniquilar definitivamente uma certa forma de encarar a avaliação de conhecimentos. Pretende-se aprofundar o seu carácter selectivo e facilitar a divisão dos estudantes, para que a Universidade funcione nos "novos" esquemas do "numerus clausus", do exame de aptidão, etc...
A portaria do MEIC sobre a avaliação de conhecimentos é actualmente a justificação para o boicote ao trabalho em grupo. Como principal obstáculo material ao sistema de ensino individualista e competitivo, o trabalho em grupo começa a conhecer a oposição declarada de alguns professores. O meio de oposição mais utilizado é o autoritarismo puro e simples ("ou fazem testes individuais ou não fazem a avaliação e perdem a cadeira"), quando não uma forma mais subtil de chantagem ("quem faz testes individuais não faz discussão, quem faz em grupo tem de fazer exame oral").
Realmente, alguns professores, começam a sentir-se de novo os senhores "todo poderosos": são eles que decidam (segundo a portaria) não só os métodos a utilizar como os resultados (isto é, as notas de cada aluno).
Os estudantes têm uma palavra a dizer em relação ao que se está a passar. E têm que dizê-la rapidamente, sob pena de se tornarem irreversíveis certos métodos e a irracionalidade do "salve-se quem puder" voltar a ser a norma vigente.
Os acontecimentos demonstram que onde os estudantes tomaram a iniciativa e as estruturas associativas (as Comissões de Curso) trabalharam activamente, as posições adoptadas foram mais justas e puderam ser aplicadas. E isso há que fazer em todos os cursos, não permitindo que se desrespeitem as decisões, não aceitando a prepotência de um pequeno grupo de professores desejosos de voltar aos métodos pedagógicos do passado.
E não é só a avaliação de conhecimentos que está em causa. Os nossos cursos estão já a ser reestruturados e nem um único estudante foi consultado. E de prever o tipo de Reforma que vem aí.
No início do 2º semestre a Assembleia Plenária terá de marcar uma posição clara sobre o funcionamento pedagógico da escola.

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